Em defesa de quê?… da liberdade? que é isso?
Há muito tempo que já nos despedimos desse conceito (para não dizer que nos despimos desse preconceito) que é a liberdade individual.
A notícia que o Rui Carmo publicou no seu post em defesa da liberdade, e as reacções ao dito, são disso bom exemplo. A ideia de que o controlo não atenta contra a liberdade porque é para o nosso bem revela uma aceitação pueril de um paternalismo que não fica bem a pessoas adultas.
O argumento da segurança é extraordinário. Sobretudo quando é esgrimido por uma certa esquerda que costuma acusar a direita de ser securitária.
Mas o pior dos argumentos, aquele que desce ao grau zero da discussão, é aquela velha ameaça velada: quem não deve não teme…
Qual é, afinal o objecto da liberdade? Stuart Mill já o esclareceu há precisamente 150 anos: “a natureza e os limites do poder que pode ser legitimamente exercido pela sociedade sobre o indivíduo”.
Obviamente, poderemos sempre discutir qual é essa natureza e quais são esses limites. Essa seria, aliás, “a questão vital do futuro”. O que não podemos é fazer crer que nem a natureza, nem os limites são relevantes se a liberdade for suprimida para o nosso próprio bem. A não ser que aceitemos que alguém sabe, melhor que nós próprios, o que é o nosso bem. Mas, nesse caso, não passamos de criancinhas.
JTCB: Absolutamente de acordo.
Comentário por Ana Silva Fernandes — Junho 22, 2009 @ 09:54
“give me freedom or give me death” mas acho que também serve “take the sitter or call me baby”
Comentário por MC — Junho 22, 2009 @ 12:08
Excelente e miseravelmente verdadeiro.
Comentário por junio — Junho 22, 2009 @ 14:41
Excelente texto! Creio no entanto que muita gente prefere um Estado-papá do que ser responsável pelo próprio destino.
Comentário por Jorge — Junho 22, 2009 @ 18:36
Se quem não deve não teme porque é que toda a gente tranca a porta de casa quando a sai????
Comentário por Tomaz Coelho — Junho 22, 2009 @ 19:55
“… nem os limites são relevantes se a liberdade for suprimida para o nosso próprio bem.”
jtcb
Claro que a “supressão” da liberdade é inaceitavel de um ponto de vista minimamente liberal. Seja qual for o argumento.
Por exemplo, o que se passa no Irão tem a ver com a “supressão” da liberdade politica.
Dito isto, quanto a outros assuntos, como os relativos aos meios de prevenção e investigação da criminalidade e do terrorismo em sociedades fundamentalmente abertas e democraticas, parece por vezes fazer-se aqui um processo de intenções liberticidas a quem defende simplesmente a necessidade de reforço e regulamentação desses instrumentos.
A liberdade individual não é algo de absoluto, sem limites e restrições.
Melhor : a liberdade individual pressupõe necessariamente restrições à liberdade dos outros (Estado incluido, naturalmente).
Por exemplo, a liberdade de um indívíduo no uso do que é a sua propriedade privada sobre um bem só é possivel se em simultâneo fôr limitada a liberdade de qualquer outro indíviduo que pretenda utiliza-lo abusivamente.
A protecção da integridade física e da propriedade privada dos indíviduos é uma condição indispensável da liberdade individual.
Definidos os principios coloca-se naturalmente a questão da respectiva aplicação pratica.
Não me parece que se possa dizer que nas nossas sociedades ocidentais as preocupações e as medidas de combate à criminalidade e à insegurança representem uma ameaça para as liberdades individuais. Antes pelo contrario.
O excesso de intervencionismo do Estado e dos governos verifica-se sobretudo nas areas economicas (peso do Estado, impostos, legislação laboral, etc) e de sociedade (consumo, saude, educação, informação, etc).
O principal déficit de liberdade é mesmo na economia.
Comentário por Fernando S — Junho 23, 2009 @ 00:08
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