O Insurgente

Junho 21, 2009

O holograma

Filed under: Colunas,Comentário,Media,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 22:15

Fora de casa e sem grande acesso a informação por uns dias, passou-me despercebida a grande dicussão da semana, esse tema de premente importância que é a suposta “transformação” do senhor Primeiro-Ministro de um “animal feroz” para um “português suave” (como alguém disse). Hoje, pondo-me em dia com o que se passou, não pude deixar de ficar surpreendido com o interesse que a questão suscitou. Acima de tudo, fiquei surpreendido com a quantidade de gente que levou a sério a manobra.

De facto, custa a crer como pode haver quem tenha pensado que Sócrates tenha, mesmo que por meras razões eleitoralistas, “mudado”. Sócrates não mudou. E não apenas por, como foi notado, por exemplo, por Pacheco Pereira, ele não conseguir deixar de ser o homem malcriado e arrogante que tem desfilado perante o país nos últimos anos. Mesmo que Sócrates consiga não ser um “animal feroz”, ele será o mesmo, não mudará. Pela simples razão de que Sócrates é, como também muito bem disse Pacheco Pereira há vários anos, um “holograma”. É um gigantesco vazio de personalidade que, por isso mesmo, pode ser tudo e o seu contrário. Não passa de um fato Armani que serve a qualquer um, capaz de fabricar toda e qualquer personalidade (até a de “engenheiro”). “Animal feroz” ou “português suave”, Sócrates é sempre uma e mesma coisa: um anúncio publicitário, uma “imagem” destinada, pura e simplesmente, a agradar.

Dir-me-á o leitor que não, que, no início, Sócrates foi “corajoso”, que enfrentou interesses. Não foi, e não enfrentou. Berrou contra alguns desses interesses, para agradar ao eleitorado apreciador da “autoridade”. Longe de uma “corajosa” postura de não se importar de perder votos para mudar o que era preciso, Sócrates fingiu mudar, cobardementemente deixando tudo na mesma, para conquistar os votos que fingia não se importar de perder. Como bom invertebrado que é, adoptou a postura que melhor lhe convinha. E quando a postura contrária se tornou mais conveniente, também não hesitou em “mudar”.

O problema de Sócrates foi que a sua propaganda funcionou bem demais: apesar de tudo ter ficado na mesma, ou seja, bem pior, Sócrates quis levar as pessoas a crer que tudo tinha passado por uma autêntica revolução. E as pessoas acreditaram, e por isso, os tais “interesses” manifestaram um descontentamento manifestamente injustificado contra alguém que, na prática, mais não fez do que os preservar. E então, o fato Armani mudou de cor: quando até fingir que mudava deixou de ser popular, Sócrates passou a fingir que “dialogava”. A “inteligência”, nos jornais, nas televisões, na rádio, delirou (não há nada que provoque mais admiração na “inteligência” portuguesa do que os esforços de alguém para a manipular), e chamou os especialistas em “marcas” (que devem de facto saber do que falam, pois promovem-se muito bem) para discorrer sobre o assunto. Obviamente, nenhum notou a única coisa que havia notar: finja Sócrates uma coisa, ou finja outra ou aqueloutra, estará sempre, apenas e só, a fingir. Isso não muda, nem vai mudar.

3 Comentários »

  1. Aleluia.
    Já posso ir descansar, porque já há quem “defenda a trincheira”.
    Excelente post caro Bruno Alves.
    .

    Comentário por Mentat — Junho 21, 2009 @ 22:40

  2. “O problema de Sócrates foi que a sua propaganda funcionou bem demais: apesar de tudo ter ficado na mesma, ou seja, bem pior, Sócrates quis levar as pessoas a crer que tudo tinha passado por uma autêntica revolução.”

    e uma propaganda so funciona bem demais, se tiver a seu lado grande, parte da comunicação social!! donde se podera concluir, que grande parte do jornalismo produzido neste periodo, foi um jornalismo manipulativo e não de procura da verdade dos factos

    Comentário por tric — Junho 21, 2009 @ 23:21

  3. Somethings never change…

    Comentário por jtcb — Junho 22, 2009 @ 00:39


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