A propósito deste texto do Times.
Quando eu nasci (sou a mais nova de quatro irmãos e 14 anos mais nova que o irmão mais velho) a minha mãe tinha trinta e seis anos. Lembro-me perfeitamente, na primária, de ficar confusa com o facto de a minha mãe ser sempre a mãe mais velha e uns bons anos mais velha do que a generalidade das outras mães, e de lhe exigir explicações. Vinte anos mais tarde, tenho trinta e cinco anos, vou ter o segundo filho e, como é óbvio, levo a mal se no cabeleireiro me tratam por ‘senhora’ em vez de ‘menina’. Tenho a noção de que há mães dos colegas do meu filho de três anos que são mais novas do que eu, mas confesso que ou por excesso de confiança sobre a falta de rugas no meu rosto ou por distracção ou porque as idades mais tardias para a maternidade se normalizaram, não noto nada uma grande discrepância de idades entre mim e as restantes mães. Certamente não sou a mãe mais velha. E, olhando para o meu grupo de amigas, estou perfeitamente na média; apenas uma teve o primeiro filho aos 28, e uma ou outra aos trinta. De resto, houve quem começasse aos trinta e três e várias da minha idade ainda não tiveram filhos. Escrevia há uns meses a Plum Sykes numaVogue que aos 38 anos uma mulher já devia ter um marido, um filho e um bom vestido de mangas compridas. Não estou, por isto, preocupada que os meus filhos me acusem de excesso de idade durante a sua infância. E também não me choca esta maternidade mais tardia: permite-nos uns bons anos de empenho profissional antes de nos termos de dividir em quinhentos afazeres diários ou antes de fazermos opções que priviligiem o acompanhamento do crescimento dos filhos nos primeiros anos; permite fazer viagens que são impossíveis com filhos pequenos; permite gozar namoros ou casamentos mais calmamente. Não se pense, no entanto, que tudo são rosas. Além da inevitável quebra na fertilidade que pode trazer dissabores a quem quer engravidar tardiamente, há que reconhecer que os níveis de cansaço são muito diferentes aos trinta e aos quarenta do que aos vinte. Uma sucessão de noites sem dormir tem preços crescentes ao 25, aos 35 ou aos 45. As gravidezes, em especial se já há outros filhos, podem revelar-se (mais) extenuantes. Pela minha experência, correr de saltos altos (na fase pré-gravidez, of course, agora de flats) atrás de uma criança de 3 anos teria sido com certeza menos propiciador de momentos ofegantes nos vintes do que me sucede agora. E nesta gravidez, bem, posso garantir que tenho a energia de uma tia entradota daquele meu eu que teve uma gravidez aos 31. Reminiscente de juventude foi apenas o surto de acne virulento que me atacou (malditas hormonas) entre a 14ª e a 18ª semanas.
Bom post… Felizmente existem maridos esmerados!!!
Bjs
Comentário por Vasco Pinheiro — Junho 23, 2009 @ 13:02