Vale a pena ficar atento às contagens de votos que ainda decorrem.
A hipótese do senhor Mir-Hussein Mousavi suceder ao presidente em exercício, Ahmadinejad, e assim recuperar a esperança reformista que se esfumou no mandato de Khatami, parece ser real. Isto se, segundo se diz, os resultados das eleições não passarem de mera ficção.
Se for esse o caso, e se, porventura, os eleitores iranianos conseguissem eleger um presidente moderado, capaz de reatar o diálogo internacional, e se esse retomar da via reformista não fosse travado pelo Conselho da Guarda Revolucionária, então talvez o Irão pudesse afirmar-se como uma democracia decente. E o que é talvez ainda mais importante: talvez o Irão pudesse constituir-se num verdadeiro farol de democracia para o Médio Oriente.
Já existe um farol de democracia no Médio Oriente e tem um nome: Israel.
Comentário por LPedroMachado — Junho 13, 2009 @ 09:06
Tudo indica que Ahmadinejad obtem uma vitoria esmagadora, com cerca de 65% dos votos.
Para tal tera contribuido uma forte taxa de participação, superior a 75%.
Comentário por Fernando S — Junho 13, 2009 @ 09:19
O voto lá é obrigatório?
Comentário por LPedroMachado — Junho 13, 2009 @ 09:24
Os iranianos acabaram de reeleger Ahmadinejad com 2/3 dos votos. Pode ter havido uma fraude de grandes proporções (dezenas de milhões de votos), mas as sondagens já indicavam este resultado. Será que não é um resultado democrático, só porque não foi eleito o favorito do Ocidente? Ahmadinejad é um demagogo solidamente apoiado pelos mais pobres, sendo uma espécie de Hugo Chavez. Pelos vistos o que os media chamam de ‘povo iraniano’ não passa de um grupo de ricaços do norte de Teerão. Enquanto os reformistas não conseguirem a confiança do verdadeiro povo iraniano, e não só das elites estrangeiradas, não irão a lugar algum.
Comentário por Pedro Beirão — Junho 13, 2009 @ 09:37
“Será que não é um resultado democrático, só porque não foi eleito o favorito do Ocidente?”
Pedro Beirão
Até é possivel que, apesar de não serem de excluir fraudes eleitorais, o resultado reflita a preferencia de uma maioria significativa dos iranianos por Ahmadinejad e pelos valores que ele representa, incluindo o nacionalismo e a oposição ao Ocidente. Tanto mais que a percentagem de votantes foi significativa.
Pode por isso ser considerado “democrático” no sentido etimológico da palavra, de vontade popular.
Mas não é “democrático” no sentido moderno e usual da palavra, de um sistema político baseado em eleições livres e pluralistas, em que todas as partes, poder e oposição, estão em igualdade de circunstâncias, em que as principais liberdades e direitos individuais são respeitados.
O Irão actual não é nada disto !
Comentário por Fernando S — Junho 13, 2009 @ 10:28
«se, porventura, os eleitores iranianos conseguissem eleger um presidente moderado, capaz de reatar o diálogo internacional»
Não foi necessário os iranianos elegerem um presidente moderado; bastou os americanos elegerem um presidente extremista.
Comentário por Luís Cardoso — Junho 13, 2009 @ 12:05
“Já existe um farol de democracia no Médio Oriente e tem um nome: Israel.”
Israel só geograficamente fica no Médio Oriente, logo não conta (em termos de poder servir de exemplo aos outros países)
Comentário por Miguel Madeira — Junho 13, 2009 @ 13:03
Não conta mas não é por isso, como é evidente.
Comentário por Luís Cardoso — Junho 13, 2009 @ 13:23
“Será que não é um resultado democrático, só porque não foi eleito o favorito do Ocidente? ”
Mais um alimentado pela propaganda dos Media Ocidentais. Portugal seria Democrático se os candidatos só pudessem ser Manuela Ferreira Leite Marques Mendes e Passos Coelho? Pensa que sim?
Quanto ao Sr.Moussavi é só mais um “moderado” daqueles que que apoiaram a pena de morte Rushdie. Quem não está atento come a papinha dos média.
“Não foi necessário os iranianos elegerem um presidente moderado; bastou os americanos elegerem um presidente extremista.”
Tal como Churchill, mais outro extremista…
Comentário por lucklucky — Junho 13, 2009 @ 15:08
A esposa de Mousavi acompanhou-o nas acções de campanha. Alguns (muitos?) media ocidentais já lhe chamavam a nova Michelle Obama. Esta é também uma das razões porque Mousavi é visto como um moderado aos olhos dos media.
Comentário por Elizabete Dias — Junho 13, 2009 @ 19:51
Faz um discurso de apaziguamento dirigido à nobre República Islâmica do Irão; adopta como suas as posições dos palestinianos em relação ao conflito israelo-árabe, nomeadamente no que diz respeito à suspensão absoluta de qualquer nova construção nos colonatos, prepara-se para forçar Israel a aceitar uma solução que o pode deixar indefeso e afirma como fundamento para a existência do estado de Israel a trágica história de perseguição dos judeus na Europa, a qual culminou no Holocausto; decretou a imunidade dos sauditas nas investigações do 11/9; faz um discurso todo caracterizado pelo apaziguamento em relação ao Islão, admitindo faltas americanas como origem para o terrorismo islâmico; reconheceu o direito do Irão de ter centrais nucleares, desde que monitorizadas pela agência para a energia atómica, apesar de o Irão andar há anos a fintar esta agência; liberta um prisioneiro de Guantanamo responsável pelo homicídio de um diplomata americano e envolvido no terrorismo islâmico na Bósnia…
Quanto ao Churchill, não sei. O Obama ou é pateta, ou é extremista.
Comentário por Luís Cardoso — Junho 13, 2009 @ 22:03
De acordo com a Al-Jazeera,
“Thousands of Iranians have taken to the streets of Tehran in protest against the outcome of the country’s elections, in the biggest unrest since the 1979 revolution.”
É precisamente esta comparação com 1979 que importa reter.
Parece-me relativamente irrelevante o percurso político de Mousavi. Era uma homem do regime? Claro que era. Gorbachev e Ieltsin também o foram.
O que me parece relevante é que hoje, passados 30 anos da (ou de?) revolução volta a sentir-se uma esperança de mudança. Veremos…
Comentário por jtcb — Junho 13, 2009 @ 23:16
RT: @contentions: Tehran Tienanmen? http://www.commentarymagazine.com/blogs/index.php/jpodhoretz/69552
Comentário por Elizabete Dias — Junho 14, 2009 @ 00:21
Sim, no Irão é obrigatório votar.
Comentário por Mariana Sofia — Março 30, 2010 @ 21:42