André, limitei-me a fazer umas contas nas costas do envelope a partir dos dados que tinha à frente apresentados pelo Público. Tudo depende bastante de como classificar os não-inscritos. Mas também não é muito importante. Eu não pretendia fazer sociologia eleitoral elevada, até porque não tinha os dados nem tenho capacidade suficiente para isso. Uma coisa: eu não tenho dúvidas de que os partidos de direita foram os mais votados. Não houve, no entanto, um movimento maciço (ou até muito significativo) de transferência de votos para a direita. Por outro lado, como a direita europeia é muito diversificada, é difícil fazer uma interpretação dos votos na “direita”, que pode significar coisas diferentes.
Nada disto nem do que dizes parece alterar o que julgo ser o significado mais profundo das eleições: a terra de ninguém em que a dita “esquerda moderada” (digamos, para facilitar, os vários PSs por essa Europa fora) está colocada. Se a “direita” é mais difícil de classificar, já esta esquerda é mais ou menos a mesma pelo mundo fora. É aquela que tenta, e muitas vezes consegue, fazer a quadratura do círculo: dar a acreditar a parte do eleitorado de direita de que é capaz de governar, sem alienar a esquerda mais à esquerda. A crise teve o condão de fazer muita gente voltar às suas origens: à direita e à esquerda. O artigo que citas do João Rosas é precisamente o símbolo dessa confusão (apardalamento talvez até fosse a palvara mais adequada): ao mesmo tempo que condena a falta de imaginação da “direita” ou do “neoliberalismo” (não se percebe muito bem) revela a mais extraordinária falta de imaginação na análise da conjuntura. De imaginação e de pontaria: atira para todo o lado sem acertar em ninguém. É muito significativo do estado de confusão em que a esquerda moderada se encontra. Eles não querem perder a iniciativa para a esquerda mais radical mas mantêm aquela repugnância em serem classificados de direita.
De acordo quanto ao essencial.
Comentário por André Azevedo Alves — Junho 12, 2009 @ 23:00