Miguel Morgado sobre mais um (a vários títulos) infeliz artigo de João Cardoso Rosas no i: A ironia também é neoliberal?
Hoje, para espanto de todos, incluindo, suponho eu, dos próprios visados, João Cardoso Rosas descobriu que a direita “neoliberal” portuguesa é o PSD. Isso poderia não fazer problema. Afinal de contas, etiquetas são etiquetas, umas mais arbitrárias do que outras. Assim, as razões que fundamentam (?!) esta descrição/acusação ao PSD – que tem como corolário que “no seu deserto de ideias, a direita não merece a confiança dos portugueses para assumir a governação” -, coisas como “reduzir o acesso dos portugueses à saúde, sobrevalorizar o mercado face à protecção da família, sacrificar o ambiente e o património ao crescimento económico”, correspondem a uma “pobreza de pensamento” e à reprodução de uma “«cassete» neoliberal”.
A lição de todo este absurdo? O aviso de João Cardoso Rosas era para valer: as lentes ideológicas estão a sobrepor-se ao mundo; mais, devem sobrepor-se ao mundo. Pouco importam as circunstâncias concretas do nosso País e os imperativos que daí decorrem. Pela janela segue também o julgamento prudencial insusceptível de se submeter a regras “ideológicas”. A ideologia manda e tanto pior para o “mundo”. Feitas as contas, João Cardoso Rosas faz exactamente aquilo que censura na direita. Irónico, não? Posso perguntar se a ironia também é neoliberal?
[...] teve o condão de fazer muita gente voltar às suas origens: à direita e à esquerda. O artigo que citas do João Rosas é precisamente o símbolo dessa confusão (apardalamento talvez até fosse a palvara [...]
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