O Insurgente

Junho 8, 2009

Os resultados das eleições europeias em Portugal e a ameaça da extrema-esquerda

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 01:43

Está de facto de parabéns Paulo Rangel (assim como Manuela Ferreira Leite pela escolha) e o PS pode responsabilizar a deplorável prestação de Vital Moreira, que lá foi cumprindo com o afinco possível a pouco edificante função que lhe foi destinada pelo aparelho socialista, pelo colapso eleitoral. Mas, como vários insurgentes já assinalaram, o facto mais grave e preocupante desta noite eleitoral é o peso desmesurado que a extrema-esquerda assume em Portugal, com mais de 20%.

Está particularmente de parabéns o Bloco de Esquerda (e os seus apoiantes, promotores e mecenas) por saber retirar frutos da fortíssima (e desproporcional) presença e influência nos media e no sistema educativo de que tem usufruído em Portugal.

Já no que diz respeito ao país, o crescente peso da extrema-esquerda, para além de ser um pesado factor de atraso, configura cenários de ingovernabilidade a curto prazo ou – e não sei o que seria pior – a possibilidade de um governo de coligação entre o PS e a extrema-esquerda. Não acredito que haja soluções fáceis mas realço – mais uma vez – que quem na área do PSD (e adjacentes) continua a ver com bons olhos o facto de a subida do Bloco de Esquerda “roubar” votos ao PS (como notoriamente aconteceu hoje) está a cometer um erro estrutural e com consequências potencialmente muito perigosas.

A ameaça da extrema-esquerda em Portugal é significativa, crescente e deve ser levada a sério. Antes que seja tarde demais.

17 Comentários »

  1. Sinceramente fico mais preocupado com a viragem à direita da Europa. Farto de crises provocadas por modelos económicos apoiados pela direita estou eu.

    Que siga a esquerda democrática.

    Comentário por Fernando — Junho 8, 2009 @ 01:48

  2. O Bloco ficou à frente do PC e o André sente o chão fugir-lhe debaixo dos pés ;)

    Comentário por Luís Marvão — Junho 8, 2009 @ 01:52

  3. [...] do Presidente da República, isto é, de Aníbal Cavaco Silva. Ao contrário do André, que antevê um cenário de ingovernabilidade, eu diria que estes resultados reforçarão a componente presidencial do sistema, muito atenuada [...]

    Pingback por o grande vencedor « O Insurgente — Junho 8, 2009 @ 02:31

  4. Eu também estou muito mais preocupado com o avanço desmedido da extrema direita. É evidente que qualquer facção partidária extremada é profundamente negativa, mas a ter que ser, venha a ventania da esquerda…

    Comentário por Rui Ferreira — Junho 8, 2009 @ 08:54

  5. Caro AAA,

    O BE progride porque é o ÚNICO partido que consegue uma franca progressão nas camadas mais jovens do eleitorado. E consegue-o porque tem um presença forte nos “media” e uma imagem “nova” e “progressista”. Acaba por ganhar o rótulo do partido “contra-sistema” e evita cair no “cinzentismo” dos restantes.

    No lado da Direita não existe nada disso. O partido que poderia almejar a tal tarefa (CDS/PP) tem uma JP que, e o Michael que me perdoe, até por tenho-o nas melhores das opiniões, é um ninho de entriguismo de “menino bem”. Não têm UMA ideia que seja apelativa! Espero sincermente que o PP reformule rapidamente o discurso até às legislativas e ganhe espaço não ao PSD, mas ao BE!

    Em relação à progressão da extrema-direita, é o resultado natural do “voto” proteccionista, anti-emigração (não forçosamente xenófobo), por motivos laborais.

    Comentário por Carlos Duarte — Junho 8, 2009 @ 11:30

  6. “para além de ser um pesado factor de atraso”

    22% de atrasados em Portugal!

    Os 39% do PPD/PP são os adiantados.

    Lenine paira sobre a cabeça de Cavaco/Sócrates.

    Comentário por José Manuel Faria — Junho 8, 2009 @ 11:32

  7. É engraçado:
    - Em quase toda a Europa sobe a Extrema-Direita
    - Em Portugal sobe a Extrema-Esquerda

    É o oposto, ou será o mesmo fenómeno?

    Comentário por MAF — Junho 8, 2009 @ 12:08

  8. Em Portugal não temos os fenómenos de “imigração” como nos outros países, daí a extrema-esquerda. É preciso notar que o que distingue a extrema-esquerda da extrema-direita é o nacionalismo desta última e os chamados “temas fracturantes” (apesar de não tanto como se julga – chegando ao poder comportam-se de forma semelhante). Em termos de não gostarem de mercado livre, patrões ricos et al, são exactamente iguais.

    Comentário por Carlos Duarte — Junho 8, 2009 @ 12:45

  9. Não deixarei passar esta oportunidade para dar a minha opinião e por conseguinte tecer uma crítica aos resultados eleitorais para o parlamento europeu, nomeadamente em Portugal.
    Perante uma crise profunda e sinais diários de corrupção por sectores muito próximos do PS e PSD, desgaste governativo da figura do primeiro ministro que acompanhou quase que diáriamente a campanha eleitoral, não é de estranhar a punição dos eleitores afectos aos socialistas, ao transferirem o voto em pequena percentagem para o BE ou absterem-se.
    Em Portugal as forças governativas são como todos sabemos o PS ou PSD. Esta última força beneficia claramente com o descontentamento do eleitorado e da abstenção. Os restantes partidos que elegem deputados ao parlamento resistem à bipolarização muito temida alguns anos atrás. É uma boa sondagem para um futuro acto eleitoral.
    O CDS-PP resiste e toma folgo para uma posição que lhe é devida e não se contenta que o anterior consiga maior representatividade que um partido democrata – cristão.
    A CDU de tendência socialista-comunista consegue também resistir.
    Sem dúvida que este indicador se for a tendência do próximo acto eleitorar, permitirá ao referido bloco eleger deputados ao congresso português em distritos como Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Setúbal, Faro e até com expressão em outros que já são receio de outros partidos. Concerteza que muitos eleitores votaram em forma de protestto, os candidatos são muito conhecidos nos mídia e sectores académicos, fazem diferença na forma de tratar os assuntos e dos temas que escolhem. Se os restantes revelam preocupação, devem culpar-se a si próprios por não conseguirem apresentar soluções. Também se torna difícil afirmar actualmente onde termina a esquerda e começa a direita em Portugal. Aliás existe um certo inconformismo no centro político português que está representado nos principais centros urbanos e que normalmente oscila entre o PSD e PS. São precisamente estes eleitores que determinam a força vencedora e que facilmente alteram o xadrez político. São dos estratos médios com profissões liberais, pequenos e médios comerciantes, etc. Não se identificam a 100% com estas duas tendências mas são estes que punem e determinam o vencedor. São cerca de um milhão de eleitores. Numa possível aliança do PS no futuro, terá que haver contrapartidas ao BE e por isso mais difícel a governação. O PSD com o CDS-PP, não terão força suficiente. Nesta hipotética conjuntura no futuro a curto prazo, muitos acontecimentos se irão registar e possivelmente reajustar politicamente os partidos e coligações. Aliás 60% do eleitorado não votou e quem procedeu desta forma foi o eleitorado mais urbanoo e afecto aos socialistas. Não corresponderam ao apelo do secretário geral por quererem puniar a sua acção governativa. Aliás o mesmo aconteceu em Espanha. Apesar de realidades distintas, a conjuntura internacional provocou alterações eleitorais onde os partidos governantes foram na maioria penalizados. Se em Portugal a extrema esquerda é beneficiada, o inverso aconteceu em outros países.
    Estas alterações são em meu entender provocadas por sistemas politico-filosóficos e modelos económicos que não conseguem responder a esta nova conjuntura e por isso uma penalização ao que é tradicional. É se assim podemos designar um apetite a novas correntes e um ensejo a homens e mulheres que se dedicam ao estudo a apresentarem as suas ideias neste domínio. Não faltam por esse mundo. Porém não se sente a sua acção.

    Comentário por JLMPatrocínio — Junho 8, 2009 @ 13:59

  10. Preocupante mesmo é a decadência do sistema actual. Continuar a afundar o país com estas politicas de direita não é factual mente solução. Assim, a esperança terá assumir outras cores e outras pessoas diferentes e credíveis (e também limpas de corrupção) e temos de deixar o discurso bacoco de que outros (além de nós, PS e PSD) não sabem governar, ou que são de extrema esquerda. Isso de ideologias já está em extinção (veja-se que o PS de “socialista” não tem nada e deveria até, por seriedade, mudar de denominação para por ex. Partido do centro ou partido da direita ou outra coisa parecida.

    Parabéns à verdadeira esquerda. Porque a outra pseudo esquerda (PS) já mostrou durante muitos anos (mas principalmente neste ultimos quatro anos) que vale = zero. Chega de arrogância, de incompetência e de escândalos.

    Comentário por AM — Junho 8, 2009 @ 14:36

  11. E Paulo Portas ao tornar-se a 5ª força política em Portugal resolve ou não demitir-se?…

    http://grupo-da-boavista.blogspot.com/2009/06/portas-e-re-ajuste-estrategico.html

    Comentário por João Neto — Junho 8, 2009 @ 17:45

  12. “Isso de ideologias já está em extinção” Vs “Parabéns à verdadeira esquerda”

    O típico discurso de alguns do Bloco a cada parágrafo uma frase contrária. Dissonância.

    Comentário por lucklucky — Junho 8, 2009 @ 18:06

  13. A preocupação com o Bloco de Esquerda será sadia? Ainda aqui vamos! O Bloco de Esquerda vai crescer mais, podendo aproximar-se bastante do PSD e do PS! E essa aproximação não é mais rápida devido à forte implantação do PCP a sul do Tejo! Se José Sócrates continuar à frente do PS, as próximas eleições legislativas serão muito interessantes! O PS está numa posição difícil, sendo que o caso Freeport pode fazer muitos estragos! E o desemprego não ajuda!

    Comentário por Cavalo de Tróiaa — Junho 9, 2009 @ 00:09

  14. ERRADO!!!!

    Continuem a engolir essa da abstenção!!!!

    Nestas eleições votaram mais 160 mil portugueses do que em 2004!!!
    Logo a de que a abstenção prejudicou o PS é grande tanga…

    Comentário por Jorge Lopes — Junho 9, 2009 @ 17:38

  15. [...] complementar: Os resultados das eleições europeias em Portugal e a ameaça da extrema-esquerda. Comentários [...]

    Pingback por Os resultados das eleições europeias em Portugal e a ameaça da extrema-esquerda (2) « O Insurgente — Junho 10, 2009 @ 01:18

  16. [...] em conta mais este indicador, repito por isso o que escrevi na conclusão deste post: A ameaça da extrema-esquerda em Portugal é significativa, crescente e deve ser levada a sério. [...]

    Pingback por O elevadíssimo peso da extrema-esquerda em Portugal « O Insurgente — Junho 10, 2009 @ 23:33

  17. [...] O elevadíssimo peso da extrema-esquerda em Portugal; A esquerda perdeu as eleições europeias; Os resultados das eleições europeias em Portugal e a ameaça da extrema-esquerda. Comentários [...]

    Pingback por Francisco Louçã e a defesa semi-explícita do totalitarismo « O Insurgente — Junho 12, 2009 @ 22:24


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