Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)
Em democracias pouco desenvolvidas, género EUA, as manifestações políticas prolongam-se até ao momento e, às vezes, até ao local do voto. Trata-se, evidentemente, de gente rude, incapaz de alcançar as exigências de uma escolha consciente. O português alcança, logo reflecte.
Todos sabemos que o português médio aproveita o sagrado período de reflexão para reler os programas partidários e a rever os discursos dos candidatos que gravou em dvd. Fechado na biblioteca particular, a salvo de interferências ilícitas, analisa medidas, sublinha propostas, pondera promessas, compara currículos e, se tiver tempo, decide. Inclusive, é possível que os portugueses mais reflexivos não tenham tempo e estiquem a reflexão pelas “pontes” e feriados da próxima semana, o que, se os impede de votar, faculta-lhes uma iluminação cívica sem paralelo.
Mal estejam disponíveis, repare-se nos números da abstenção: ao contrário do que se faz constar, são, também, os números do esclarecimento, embora não só pelo motivo citado.
Não há melhor
Comentário por ISABEL — Junho 8, 2009 @ 17:25