Fui prestando atenção aos resultados das eleições como pude. Pelo meio parti uma garrafa de azeite na cozinha e com a neura fui comer fora. Durante o dia fiz 37 pontos stableford e fiquei em 23º gross (60 competidores) e 7º net, o que para um nabo como eu é um resultado extraordinário. Destas eleições interessa-me o seguinte:
1 20% dos vossos representantes são adeptos dos regimes mais assassinos do Séc XX, sendo que metade desses vossos representantes, se mantêm indefectíveis do que resta desses regimes v.g. Bernardino Soares e a “democracia” Norte-Coreana. É neste regime em que parte dos meus amigos gostaria de viver. Já outros preferem Cuba, Venezuela e “coisas” (no sentido Saramaguista) assim.Bom proveito;
2 Quem falou há tempos dos tiques estalinistas do avô cantigas estava certo, eleições só quando se ganham. Deve ser o primeiro caso que não contacta o principal adaversário para reconhecer a derrota e felicitá-lo. A arrogância do PM atingiu um novo patamar com a história do “vou continuar”;
3 Mais uma vez, as empresas de sondagens saem mal, muito mal na fotografia. Hão-de haver justificações e não sou competente para julgá-las. Vou ler o Pedro Magalhães e o Luis Aguiar-Conraria a ver se percebo;
4 Os governos que mais “progressistas”, que mais se demarcaram do mercado livre, que mais se mostraram intervencionistas, levaram um aviamento histórico. Os mais “neo-liberais” (pelo menos de acordo com a intelectualidade indígena) foram os que se aguentaram melhor. Deve ser isto o fim anunciado do capitalismo-fásssista-neo-liberal;
E pronto, há mais coisas que me incomodam nisto, nenhuma que me agrade por aí além e hoje choveu e esteve frio.
Nopta: a moção de censura do CDS é uma falta de juízo.
Helder,
Dói assim tanto ver quem fica em terceiro que têm de vir as mentiras do costume? Diga lá (se for capaz e não lhe custar demasiado, claro) em que momento é que o BE exprimiu apoio aos tais regimes assassinos, sff.
Comentário por Sérgio Pinto — Junho 8, 2009 @ 00:26
“hoje choveu e esteve frio.”
A primeira análise objectiva que eu vi hoje
Comentário por Nuno Branco — Junho 8, 2009 @ 00:41
Caro Sérgio, não custa nada, até gosto.
Em lado nenhum eu disse que o BE exprimiu apoio a seja quem for, mas podia ter dito Venezuela e Bolívia, por ex., escrevi-o só acerca do PCP (metade dos vossos representantes). Mas seja como for, alguma vez ouviu falar do PSR do diácono Anacleto? Ou da 4ª Internacional? Vá ler o combate.info e depois diga-me o que é aquilo.
Comentário por Helder — Junho 8, 2009 @ 00:45
“A primeira análise objectiva que eu vi hoje”
Gosto do “objectiva”. Muito obrigado.
Comentário por Helder — Junho 8, 2009 @ 00:45
Eu ia dizer “clara” mas quando vi que eras tu mudei
Comentário por Nuno Branco — Junho 8, 2009 @ 00:49
Caro Helder,
Você escreveu que “20% dos vossos representantes são adeptos dos regimes mais assassinos do Séc XX”, o que engloba CDU e BE. Posto isto, gostava de lhe perguntar de onde extrai informações que lhe permitem dizer que a Venezuela e a Bolívia estão entre os mais assassinos do século XX; além do mais, como saberá, qualquer apoio a esses estados está longe de ser consensual.
Comentário por Sérgio Pinto — Junho 8, 2009 @ 01:10
P.S. Imagino que se recuar 30 anos possa ler barbaridades de algumas das actuais figuras de proa. Mas poderia fazer o mesmo com o Durão Barroso e tenho a certeza que esse não lhe causa as mesmas comichões.
Comentário por Sérgio Pinto — Junho 8, 2009 @ 01:12
Ó Sérgio, ó (professor de Coimbra) meu Deus. Não estou a recuar nada, o Bloco continua marxista e a revista combate está actualizada, não é preciso recuar 1 ano sequer. O apoio do BE aos regimes que caminham para o totalitarismo (como é o caso desses dois) é claro. Isto para não dizer nada sobre o apoio aos movimentos terroristas. Não foi há trinta anos (foi há menos de seis) que o vosso Querido Líder escreveu n’O Público um artigo de apoio à ETA, por ex.
Comentário por Helder — Junho 8, 2009 @ 01:29
Helder,
Ver o Louçã a escrever “O cinismo é parte da política e da diplomacia, dirão. Certamente, pelo exemplo fica demonstrado. Mas é preciso descaramento para atacar Chavez pelo crime de falta de democracia e elogiar Dos Santos pela falta de democracia.” não será a maior manifestação de apoio ao Chavez. E podia ir ao ‘arrastão’ e tirar de lá coisas bem pouco abonatórios acerca desse senhor.
P.S. Não conheço o artigo.
Comentário por Sérgio Pinto — Junho 8, 2009 @ 01:46
“3 Mais uma vez, as empresas de sondagens saem mal, muito mal na fotografia. Hão-de haver justificações e não sou competente para julgá-las. Vou ler o Pedro Magalhães e o Luis Aguiar-Conraria a ver se percebo;”
Helder, tinha-me passado despercebido. Em primeiro lugar uma ressalva. Não percebo nada de sondagens, não sei como são feitas e não é assunto que me interesse particularmente. Apenas sou consumidor de sondagens e espero que eles sejam feitas com profissionalismos para que não haja erros sistemáticos.
Dito isto, parece-me claro que as sondagens falharam redondamente no que toca a dois partidos: o PS, que teve bastante menos do que o previsto nas sondagens, o CDS que teve bastante mais do que aquilo que era indicado nas sondagens. A sobreestimação da votação do PS levou a que quase todas as sondagens se enganassem no partido vencedor das eleições.
Dito isto, parece-me que estás errado quando dizes “Mais uma vez”. Tanto quanto memória não me engana, as sondagens em Portugal têm sido bastante certeiras nos últimos 15 anos, ou algo assim parecido. Para não recuar muito, basta lembrar as ultimas presidenciais em que as sondagens não só acertaram na probabilidade de Cavaco ganhar à 1ª volta como, contra quase todos os analistas políticas, no facto de Alegre recolher mais votos do que Soares.
Que me lembre, volto a repetir, que me lembre, as sondagens falharam clamorosamente em 3 ocasiões: nestas europeias, nas europeias anteriores (o erro médio foi semelhante ao de agora, mas o falhanço passou despercebido porque não erraram na ordenação do pódio) e no 1º referendo ao aborto. O que têm estas eleições em comum? A taxa de abstenção foi enorme. Parece-me claro que as empresas de sondagens ainda não aprenderam a lidar com cenários de grande abstenção.
Nestes cenários de grande abstenção, os centros de sondagem têm não só de medir intenções de voto mas estimar quem se vai abster. É aí que me parece que as empresas estão a falhar.
Nestas últimas eleições, os resultados finais indiciam que os potenciais votantes socialistas se abstiveram em grande número enquanto o CDS conseguiu levar quase todos os seus apoiantes às urnas.
PS Hélder, da próxima vez que quiseres um comentário meu deixa um link para o meu blogue, caso contrário pode-me passar ao lado. Apenas hoje descobri este post.
Comentário por LA-C — Junho 13, 2009 @ 16:45
“O apoio do BE aos regimes que caminham para o totalitarismo (como é o caso desses dois) é claro.”
A respeito da Bolivia, não me parece que esteja a caminhar para o totalistarismo (há muito que discordo dessa mania, tanto entre criticos e apoiantes, de falar em Chavez-e-Morales como se fossem uma “unidade orgânica”).
A respeito da Venezuela (que concordo estar a se tornar um ditadura), não me parece que esse apoio (por parte do BE) seja claro. Vamos ver:
A UDP (ou pelo menos o Fazenda, que penso poder ser visto como representante da organização) é contra:
http://ideal-comunista.blogspot.com/2008/02/venezuela-apresenta-uma-resposta.html
A Ruptura/FER também é contra:
http://www.rupturafer.org/spip.php?article108
Pelo que o leio do Daniel Oliveira, imagino que a PXXI também seja contra.
Creio que só a APSR é mais ou menos a favor (depois de ter sido contra).
Comentário por Miguel Madeira — Junho 13, 2009 @ 19:28
“Mas seja como for, alguma vez ouviu falar do PSR do diácono Anacleto? Ou da 4ª Internacional? Vá ler o combate.info e depois diga-me o que é aquilo.”
Eu costumava ler o Combate e nunca achei nada de “totalitário” ou “ditatorial”; às vezes até me pareciam exagerar para o lado oposto, como num número em que defendiam a abolição das prisões.
A esse respeito, vou re-postar o que economista inglês Chris Dillow escreveu acerca da “tendência militante” (é um clone ideológico do PSR, pelo que tanto os elogios como as criticas aplicam-se):
http://stumblingandmumbling.typepad.com/stumbling_and_mumbling/2007/02/proud_to_have_b.html
On this point, Oliver contrives to be 100% wrong. He claims that Militant had/has “an ideology alien to Labour’s democratic values.”
But this is not true. Yes, Militant was democratically centrist. But that only meant that, once the group had taken a decision, its members should stick to it – it’s the same principle as cabinet collective responsibility.
I was attracted to Militant largely because it was (is?) more democratic than old Labour. It aimed to empower ordinary people by increasing democratic control over the economy. And its slogan “a workers MP on a workers wage” was a rejection of the notion that politicians should be a separate elite causing a “potentially dangerous gap between politicians and the public.”
(…)
Of course, there’s much about Militant that I now dislike – the notion of a centrally planned economy is daft. But for Oliver to call it and me alien to democratic values is plain wrong.
Comentário por Miguel Madeira — Junho 13, 2009 @ 19:42