(Façam double-click na área que pretendem ver; be afraid, be very afraid…)
Maio 12, 2009
Qual é a surpresa?
Uma investigação independente formada por peritos internacionais (médicos e jurídicos), a pedido e (presume-se) financiada pela Liga Árabe, chegou à conclusão que (nas palavras de um dos peritos, um médico-legal português):
Há responsabilidade em termos de crimes de guerra cometidos contra civis palestinianos, também se concluiu que por parte dos militantes palestinianos que disparam rockets, o facto de também terem sido cometidos crimes de guerra.
Quanto à questão do genocídio pode ter havido por parte de alguns militares israelitas esse objectivo.
Não sei se houve ou não crimes de guerra e tentativa de genocídio por parte dos israelitas. Se houve, espero que seja devidamente julgado e, se for o caso, penalizado. Mas os resultados apurados por este grupo de peritos merecem-me a mesma credibilidade que os pareceres encomendados a juristas. Estranhamente e, seguramente por coincidência, estes pareceres vão (quase) sempre de encontro à visão/necessidade de quem os encomendou e, mais importante, os pagou.
E agora, José? (2)
A confirmarem-se as notícias hoje avançadas, o presidente do Eurojust terá efectivamente exercido pressões sobre os magistrados do caso Freeport.
Ou muito me engano ou, neste processo o único culpado será Manuel Lopes que terá feito pressões que favoreciam unicamente José Sócrates mas sem que este tivesse conhecimento. Será um caso de extrema fidelidade ou estupidez (riscar o que não interessa). Da parte daqueles que diziam nunca ter havido pressões, iremos ler vários artigos a crucificar Lopes da Mota e a ilibar Alberto Costa e Sócrates. Tal como dantes era impossível ter havido pressões (lembram-se?) passará agora a ser impossível que tenham existido ordens superiores nesse sentido.
ADENDA: Perdoem-me o esquecimento. Deverá também ser considerada a hipótese de Lopes da Mota ser um agente duplo.
E agora, José?
Relatório diz que há indício de pressões no Freeport (Diário de Notícias)
Freeport: Lopes da Mota poderá ser alvo de processo disciplinar (Público)
Lopes da Mota deixa ministro de fora (Correio da Manhã)
Presidente do Eurojust processado por pressões (Jornal de Notícias)
Freeport: inquérito revela pressões a procuradores (Jornal i)
Freeport: Lopes da Mota deverá sofrer processo disciplinar (Diário Digital)
Inquérito aponta para indícios de pressões a procuradores (TSF)
Inquérito confirma pressões no Freeport (IOL)
Simplesmente vergonhoso
Os vergonhosos lucros da banca e Os vergonhosos prejuízos da banca. Por João Miranda.
Leitura complementar: Definir o capitalismo é muito fácil.
Justa economia comum
Já viram os outdoors do Bloco de Esquerda sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo?
Maio 11, 2009
Certificado Energético – Imposto Oculto (3)
Aqui fica o terceiro (e último texto nesta série) do nosso leitor Mentat sobre o Certificado Energético.
IMPOSTOS OCULTOS (3)
Certificado Energético
Instalação de Gás Natural
Certiel
ITED
Esta “história” do Certificado Energético e outras coisas semelhantes vem na sequência lógica de todo um conjunto de procedimentos que tem vindo a ser instituídos de modo a Normalizar (de norma) os processos construtivos em Portugal. (mais…)
Hárpias e sereias
LA ADMINISTRACIÓN pública parece ajena a la crisis, al menos en lo que a contrataciones se refiere: en el último año, mientras casi 2 millones de trabajadores del sector privado se iban al paro, el Estado ha aumentado su nómina con 156.300 nuevos funcionarios. No sólo son más los empleados públicos, 3.029.500 en total, sino que se les ha subido el sueldo por encima del doble de la inflación, de manera que su remuneración costará en 2009 más de 120.000 millones de euros, duplicando lo que el Estado ingresará este año por IRPF. El 22% de los empleados en España pertenece ya al sector público, casi uno de cada cuatro, y en Extremadura ese porcentaje alcanza el 33,4%. A todo esto, ¿alguien ha notado como consecuencia una mejora de los servicios o de la atención al público?
Zapatero não vai desistir das suas receitas para o desastre, e só há eleições daqui a três anos! Não está sozinho, claro. A crise despertou um reflexo pavloviano de amplitude mundial, fê-los abrir o livro de Keynes, e agora não há quem o feche. Não aprenderam nada com a História? Será que nos aguentaremos, neste fio da navalha para onde fomos deslizando, até os factos esvaziarem a retórica socialista?, pois não há dúvida de que esta crise e as “soluções” avançadas podem ferir de morte o socialismo, desde que haja uma economia que resista, e desde que os abutres se mantenham lá no alto, de onde nos miram atentamente já há algum tempo. Pois é, eles rondam, ansiosos por liderar as massas, que há muito não se apresentavam tão doutrináveis. E não são apenas os fantasmas de Marx e seus cúmplices que nos atormentam. São também outros velhos cantos da sereia anti-capitalistas, irmanados num movimento que, no seu caminho para o que define como Bem Comum, esmaga qualquer sinal de individualismo. É um cliché: os extremos tocam-se, e em situações de crise podem tomar conta da situação. Políticas como as de Zapatero só vão piorar os estados das coisas, ao aumentar o fosso entre dois sectores da sociedade, os quais, para complicar tudo ainda mais, já não se agrupam de acordo com a cartilha da luta de classes. Agora, de um lado estão aqueles que vivem sob a asa protectora do Estado, com os seus direitos adquiridos e emprego para a vida, e do outro uma enorme multidão que engloba, entre diversos grupos descontentes, os pequenos empresários que agora (?) têm que sustentar o monstro, e os cidadãos cujos empregos vão sendo sacrificados nesta sangria de capital e produção. Para o Estado todo-poderoso, a maior ameaça pode vir do empresário cansado de ver o seu trabalho transformado em regalias para outrem. Para todos, o perigo vem dos novos-excluídos, que ainda não perceberam bem o que lhes passou, e que não estão muito abertos a reflexões sobre o equilíbrio entre liberdade e poder e a debates sobre a dimensão do Estado. Esperemos que os primeiros façam valer a sua força, antes que os segundos nos incendeiem as ruas.
O CDS-PP e as brincadeiras (3)

Comentário do leitor Pedro Gomes:
Depois do “não andamos a brincar aos bancos” e do “não andamos a brincar aos políticos”, soube de fonte segura que o próximo cartaz do CDS-PP relativo às Europeias (?) será: “não andamos a brincar aos cartazes”.
Viver no Extremistão

Na sua primeira crónica no jornal I, João Cardoso Rosas “espanta-se” que “tantos continuem agarrados ao seu socialismo, ou ao seu liberalismo, ou ao seu conservadorismo, como se nada se tivesse passado no ano de 2008″: as “visões ideológicas” da “esquerda socialista” e da “direita conservadora”, diz Cardoso Rosas, são de uma “pobreza” tal que não lhes “permite compreender a crise e não permitirá enfrentá-la”.
De facto, no debate político corrente, tem sido ignorada uma questão prática que deveria estar no centro das discussões acerca da “crise”: o impacto da crise (e das tentativas de a resolver) na margem de manobra dos governos. Tal como uma Suécia com um “modelo social” já pouco sustentável optou, em 1992, por empregar dinheiros públicos na salvação dos seus bancos, Estados já muito endividados optaram agora por endividarem-se ainda mais para “salvar” o sistema financeiro internacional. Esta dívida ou é paga com subidas de impostos intoleráveis para populações que já entregam metade do seu rendimento ao Estado, ou com dinheiro que “cresça nas árvores” (mas que irá valer cada vez menos), ou seja, ou perderemos qualidade de vida por sermos sobrecarregados com impostos ainda mais elevados, ou por termos de lidar com a inflação a que uma expansão monetária nos condenaria. A alternativa a estes dois tristes cenários é apenas uma: enfrentar a realidade da insustentabilidade do nosso querido “modelo social europeu”, eliminando os sorvedores de dinheiros públicos que põem em causa o nosso futuro. A crise, e as respostas à crise, orbigar-nos-ão a escolher entre o empobrecimento progressivo e a dureza das reformas, e essa é uma escolha (difícil) que o discurso político tem ignorado por completo.
Mas, e a mensagem do artigo de Cardoso Rosas é precisamente essa, a atitude da “esquerda” e da “direita” perante a crise não peca apenas pelo seu irrealismo prático e pela sua falta de consciência acerca das implicações da conjuntura. Mais grave é a desadequação do seu enquadramento ideológico à realidade que a “crise” revelou: ela pôs a nu algumas características das nossas sociedades que, muitas das vezes, são completamente ignoradas no debate ideológico, mesmo a nível “conceptual”.
(mais…)
Se lhes derem o RSI eles acalmam-se (4)
Um dia, ao voltar da escola, dei com uma obra protegida por uma cerca de ferro. Os pedreiros, antes de se irem embora, haviam pendurado um farolim de carboneto para avisar os transeuntes do perigo. Não estava mais ninguém na rua naquele momento, de modo que apanhei uma pedra e atirei-a contra o candeeiro de carboneto, que caiu ao chão partindo-se com um singular estrépito. Nesse instante, materializou-se à minha frente um senhor que me perguntou por que razão fizera tal coisa. Fiquei a olhar para ele sem responder. Durante uns terríveis instantes o senhor e eu olhámo-nos sem dizer nada. Por fim, ele fez um gesto de censura e desapareceu.
Por que razão fiz aquilo? Talvez porque os meus pais passavam a vida a discutir. Talvez porque era o pior da turma. Talvez porque éramos pobres como ratazanas. Talvez porque jantávamos sempre acelgas. Talvez porque não tínhamos umas luvas com que evitar as frieiras. Talvez porque nunca, durante aqueles anos, estreei uma camisa, umas calças, um casaco, nem sequer, acho eu, uns sapatos. Talvez porque Deus não me aparecia. Poderia encher uma página de talvezes. Actualmente passeio todas as manhãs por um parque próximo de minha casa. À entrada do parque há um resguardo de vidro para esperar o autocarro, que às segundas-feiras, infalivelmente, aparece partido à pedrada. Partem-no durante o fim-de-semana os jovens que regressam dos seus divertimentos. É o seu último acto de afirmação antes de se enfiarem na cama. Porque razão o fazem? O que destroem ao destruir o resguardo? O que partiria eu ao partir o farol de carboneto?
Juan José Millás, O Mundo
O autor destas linhas tenta recordar-se das razões que, na infância, o impeliram a cometer um acto de vandalismo. Compreende-se que neste esforço de regressão mental e emocional a um lugar hostil, e perante a recordação de um acto (aparentemente) inofensivo, Millás coloque tais hipóteses. Já é mais difícil de aceitar que, com hipóteses transformadas em certezas, se recorra à estafada figura brechtiana do rio e das margens para justificar a barbárie que nos corrói a vivência urbana, mas infelizmente é isso que se continua a escutar, vindo de alguns recantos ideológicos, quando acontecem episódios como o da Bela Vista. Prefiro a máxima de Backett: Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Juan José Millás, por exemplo, já não é o pior da turma, ainda que quem teve frio em pequeno, terá frio o resto da vida, porque o frio da infância não desaparece nunca.
Que grande trapalhada
Especialistas de energia denunciam “embuste” na visita de Sócrates e Pinho à Energie (25/03)
A visita de José Sócrates e de Manuel Pinho às instalações da Energie para assinalar a segunda fase de expansão da fábrica que produz o que designa por “painéis solares termodinâmicos” está a desencadear uma série de protestos por parte dos principais responsáveis pela investigação e indústria solar no país. (…) Os (…) especialistas clamam que o produto da Energie, fabricado na Póvoa de Varzim, é “publicidade enganosa” – mostram tratar-se de uma bomba de calor accionada a electricidade com apoio secundário em energia solar e não de um painel solar térmico – e atribuem o incentivo político do primeiro-ministro e do ministro da Economia, com a visita efectuada, a uma possível ausência de apoio técnico adequado pelos respectivos gabinetes.
Empresa de energia apadrinhada por Sócrates e Pinho perde certificação (11/05)
A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, perdeu a certificação de produtora de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão que tinha certificado os seus produtos retirou-lhe essa classificação, no final da semana passada.(…) Anulada a certificação, os equipamentos da Energie já não poderão ser classificados como “solares”. A empresa – que tinha recebido a visita do primeiro-ministro e do ministro da Economia no âmbito da promoção à compra de painéis solares térmicos e tinha sido enaltecida pelo seu projecto – deixa, assim, de ter condições para aceder aos programas de apoio à instalação destes equipamentos e deixa também de ser elegível para equipar, como tal, os novos edifícios.
(por indicação do Ricardo Sebastião)
Bloco Central: A fraude política de 2009

No último ‘Descubra as Diferenças’, Pedro Marques Lopes e Bernardo Pires de Lima voltaram a discutir o Bloco Central. O tema, recorrente nos últimos dias, embora totalmente hipotético, é importante não pelas razões positivas que se procuram encontrar, mas pelos aspectos negativos que têm sido esquecidos.
O que em 1983 levou à coligação entre o PS e o PSD não foi a situação dramática em que o país se encontrava, mas a vontade de ambos os partidos encetarem as políticas duras que eram impostas pelo FMI. Foi essa vontade que permitiu que Ernâni Lopes tivesse o espaço de manobra para ser o ministro das finanças que o país precisava.
Em 2009, a situação é diferente. Muito diferente. Não se vê no PS (principalmente porque passaram mais de 4 anos, sem que muito tenha sido feito nesse sentido) qualquer vontade para levar a cabo as políticas que podem evitar a bancarrota do Estado. Não se ouve (nunca se ouviu) da parte do PS qualquer vontade para reduzir a despesa pública, por exemplo. Pelo contrário, é no aumento da despesa que o actual governo joga os seus trunfos. Não há entre os dois partidos qualquer entendimento quanto à reforma do sistema judicial e o funcionamento dos tribunais. O problema complica-se quando falamos de investimento público, onde os socialistas vêem uma solução e o PSD um poço sem fundo. Em resumo, não há qualquer consenso no que toca às prioridades.
Desta forma, um Bloco Central será sempre, durante a próxima legislatura, não uma forma de enfrentar os problemas, resolvendo-os, mas de lhes resistir, adiando as soluções para uma outra oportunidade. O que não é sério, nem sensato.
Apenas por isto (o que não é pouco) o Bloco Central não deve existir, e concretizando-se cedo se transformará num flop e numa fraude política.
Se lhes derem o RSI eles acalmam-se (3)
Eduardo Dâmaso no Correio da Manhã
para quem vê nestes dias de brasa em Setúbal uma explosão de raiva social determinada pela miséria e pobreza está bastante enganado. O que se está ali a passar é um fenómeno de pura delinquência. A sua origem directa está no clima de verdadeira guerra que existe entre um forte grupo de assaltantes a caixas multibanco e estabelecimentos comerciais, agora dividido em dois. Gente que dispara com enorme facilidade seja contra quem for, que desafia a polícia e tem um elevado grau de organização, conhecendo inclusivamente as rotinas e técnicas policiais.
As causas sociais existirão, obviamente, mas há mais de vinte anos a Bela Vista era habitada por comerciantes, pescadores, polícias e nada disto acontecia. Só com políticas de realojamento absurdas e o abandono do bairro ao tráfico de droga os problemas surgiram, transformando-o num barril de pólvora à mercê de gangs e não de gente que sonha com um outro mundo e uma outra organização social.
Grande concurso
A propósito dos recentes indidentes no Bairro da Bela Vista em Setúbal, quem foi o idiota que fez a seguinte equivalência?
“Tal como há empresas que se aproveitam da crise para despedir mais facilmente, também há vândalos entre os desesperados.“
O primeiro a acertar receberá um exemplar policopiado do livro “E agora, Obama?” ou em alternativa uma assinatura anual da “Maria”.
Maio 10, 2009
O edifício Heron Castilho e o mistério dos documentos desaparecidos…
A notícia tem cerca de 10 dias mas estranhamente, tanto quanto me apercebi, não teve desenvolvimentos nos media. Será que não há novidades sobre o mistério do desaparecimento dos documentos referidos?…
Edifício Heron Castilho: Documentos da casa de mãe de Sócrates perderam-se no notário
O Ministério Público (MP) recebeu esta semana uma participação da Ordem dos Notários, que dá conta do desaparecimento dos documentos que suportavam a escritura notarial e identificavam a empresa offshore que vendeu o apartamento no Heron Castilho, em Lisboa, a Maria Adelaide Carvalho Monteiro, mãe do primeiro-ministro
Se lhes derem o RSI eles acalmam-se (2)
Ouvi agora o Francisco Louçã acerca da violência no bairo da Bela Vista e fiquei com a impressão que a culpa seria do Paulo Portas.
O que vai mal com a ciência económica
The Nuttiness of Negative Interest Rates. Por Bob Murphy.
In his April 18 New York Times op-ed, Harvard professor (and Bush adviser) Greg Mankiw calls on the Federal Reserve to promise future inflation, in order to fix the economy. Mankiw’s article beautifully illustrates what is wrong with today’s economics profession: it consists of very sharp guys (and gals) who can develop interesting models that spit out policy recommendations that would destroy the economy.
(…)
Greg Mankiw is a very clever guy and a great writer (at least for an economist). Yet because he subscribes to the basic Keynesian aggregate-demand framework shared by all mainstream economists — whether at MIT or Chicago — he doesn’t recognize the horrible implications of his proposals. It is fine for a grad student to toy with crazy ideas like randomly destroying a tenth of the currency. But a serious economist who actually influences policy debates at the national level ought to know better.
O CDS-PP e as brincadeiras

Défice de comunicação. Por Rui Castro.
Suspeito que este novo cartaz do Bloco de Esquerda, em jeito de provocação à direita, numa tentativa clara de ridicularização do CDS, possa não ser bem entendido por todos.
Setúbal, 2009 (2)
Setúbal: PSP fez cerca de uma dezena de detenções na Bela Vista
Cerca de uma dezena de detenções é o balanço provisório da operação policial desencadeada esta madrugada depois de terem sido incendiadas três viaturas na Avenida Belo Horizonte e na Rua do Monte, na Bela Vista, em Setúbal.
Leitura complementar: Setúbal, 2009; Socialismo e insegurança; Quem quer segurança, paga-a (duas vezes, pelo menos); Que bom que é ser cumpridor da lei em Portugal; Portugal não está recomendável; Ganha quem mais danos causar; Animais glorificados; E que tal contratar a Blackwater?
Força Quique, estou contigo
Depois do Trofense ter desperdiçado dois pontos frente ao fofó e com a obrigatoriedade de vencer o Vitória de Setúbal alcançada, é tempo de recordar a capa de ontem do jornal A Bola. Nada existe a Norte do Estádio José de Alvalade. Até parece… que o essencial não é o invisível aos olhos.

Maio 9, 2009
Questão pertinente: há alguém na lista do PS para as europeias sem tendência para dizer disparates?
Estou aqui a divertir-me com os escândalos do Cabinet de Gordon Brown e de outros MPs trabalhistas (há-de chegar aos tories, promete o The Daily Telegraph) com as despesas para as segundas casas, desejando que este nível de escrutínio fosse aplicado em Portugal e deparo com esta maravilhosa peça do JN sobre Elisa Ferreira e só posso pensar que em Portugal os políticos estão muito pouco habituados ao escrutínio e não se coibem de dizer as maiores barbaridades, no caso, pelo lido, com um sorriso bem-disposto na cara.
Pois, caro leitor – e eleitor – fique sabendo que Elisa Ferreira (a do partido que exigia explicações do PSD devido à Lei da Paridade) vai apenas ao Parlamento Europeu “dar o nome“. O que, como se sabe, é o objectivo de qualquer eurodeputado. Picar o ponto é o que interessa. Mas há mais. Desabafa a dupla candidata “O meu objectivo é sair de onde estou e trabalhar para a cidade“. Questionamo-nos, então, se o objectivo de Elisa Ferreira é sair do PE, porque se candidata novamente nas listas do PS? E, já agora, porque continuará no PE (se perder nas autárquicas) em vez de ocupar um lugar como vereadora na câmara do Porto se o que quer é voltar para o Porto e sair do PE? Ai que há aqui alguma confusão – ou ideia de que se está a falar com tolinhos que engolem papas e bolos.
Contudo a minha parte preferida vem só agora. Ora vejam, diz Elisa Ferreira sobre o trabalho de Rui Rio nos bairros sociais (que, desconfio, a incomoda) “Pintaram os bairros, mas esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS” (meu bold). Desculpe?! O dinheiro que é do Estado é do PS?!!! Não é que depois de episódios como o do video-propaganda do Magalhães alguém pensasse que não é esse o entendimento do PS, mas eu diria que é perder todo o decoro assumi-lo com esta frontalidade e ainda decorado com sorriso e palavras sobre tricot.
Sejamos, portanto, pedagógicos. Cara Elisa Ferreira, não, o dinheiro do Estado não é do PS. O dinheiro do Estado é dos contribuintes, qua trabalharam bastante para o ganharem e, de caminho, sustentarem o Estado. Quem não percebe esta parte tão básica da política deveria ocupar-se em qualquer profissão dentro da legalidade; para a política é claramente desajustada. E perigosa.
PS/CDS e não Bloco Central
Acabei de ver no Expresso da Meia-Noite o Ricardo Costa a considerar como cenário mais provável a coligação PS/CDS.
Maio 8, 2009
Recordar o PSR, compreender o Bloco de Esquerda
DO BAÚ. Por BOS.
Era um PSR genuíno, sem aspirações a subir a corda do sistema ou a praticar desvios burgueses. Ainda vinha longe o Bloco de Esquerda. Atravessavam então aquela fase de puberdade extremista em que eram mais anti-militaristas que pró-casamentos gay. Na edição que digitalizei e apresento acima, defendiam a extinção de todas as empresas, ou melhor, defendiam “uma sociedade em que as empresas se transformassem em meras unidades produtivas ao serviço de objectivos livre e participadamente decididos pelos cidadãos”. De vez em quando, malhavam forte e feio nos “capitães de Abril”, uma cambada de aburguesados, que fundavam empresas de segurança e se banqueteavam com os velhos escudos do novo regime.
Se algum jornalista estiver interessado na colecção, pode contactar com o reles autor deste blogue. Bem investigadas, estas páginas são uma mina. E daí talvez não. Seria aborrecido e inconveniente, tanto que as sondagens creditam aos rapazes uma votação de dois dígitos nas próximas eleições. Um caso único na Europa.
Toda a gente gosta de preços baixos
Nas Conferências do Estoril, Joseph Stiglitz fez uma inflamada palestra sobre a depravação moral dos banqueiros e sobre os males da desregulação dos mercados financeiros. Pelo meio, lá admitiu que “há” quem atribua parte das culpas pela crise às políticas monetárias dos principais bancos centrais, que mantiveram as taxas de juro demasiado baixas, causando maus investimentos e alocações de recursos erradas. Mas para ele isso não é grande argumento. A política monetária não ajudou, mas, para ele, a culpa é de todo o sistema financeiro, a começar pelo management, que andou a fazer lobby para desregulamentar os mercados.
Para Stiglitz, o sistema financeiro perdeu uma excelente oportunidade de aproveitar o preço baixo do dinheiro para fazer bons investimentos em vez de maus investimentos. A simplicidade do argumento é comovedora. Provavelmente tudo se resolve criando uma agência reguladora que direcciona os bancos nos sentido de fazerem bons investimentos e de evitarem os limões. Para operacionalizar a referida agência, contratam-se alguns dos tais banqueiros moralmente depravados e uns poucos dos políticos que foram “lobbiados”. Deve dar um resultadão.
Se lhes derem o RSI eles acalmam-se
Depois ter sido cercada, a esquadra da PSP no bairro da Bela Vista em Setúbal foi hoje alvo de disparos. Se não me engano, mais ou menos à mesma hora que o bispo emérito de Setúbal desculpabilizava os responsáveis pela violência de ontem.
Reacção e Contra-Reacção
A viragem à esquerda de alguns discursos políticos está tão marcada que começa a ter um backlash. A intervenção de hoje de Joseph Stiglitz nas Conferência do Estoril fez o Rodrigo Moita de Deus sentir-se um “neoliberal”. E é bem possível que o Daniel Oliveira tenha tomado umas notas para o programa do Bloco.
Eu por mim fiquei especialmente impressionado com a visão que Stiglitz tem de taxas de juro artificialmente baixas. Ainda volta ao assunto. Agora estou ocupado a ver um debate entre uma série de malthusianos a prever o fim dos tempos.
Democracia vs Liberdade
“A Democracia Chega?” de Rui Albuquerque
A democracia é, essencialmente, um método para permitir a alternância pacífica no poder, e, também por isso, um mecanismo que refreia e contém os ímpetos da soberania, pelo menos sempre que as eleições se aproximam. Todavia, ela não basta para manter a liberdade e o Estado de Direito fora dos períodos eleitorais. Aí, só uma sociedade economicamente desenvolvida, assente em instituições civis fortes e espelhada em instituições constitucionais verdadeiramente independentes do poder político, poderá assegurar os valores essenciais de uma sociedade livre. Não por acaso, são exactamente essas instituições que o estado questiona, ataca ou não deixa desenvolver.
LEITURAS COMPLEMENTARES: “E é isto um Estado de Direito?”; “Democracia e escolhas democráticas”
Feliz aniversário, Sr. Hayek

Comemora-se hoje o 110º aniversário do nascimento de Friedrich Hayek.
Hoje às 18 horas e 5 minutos, Pedro Marques Lopes e Bernardo Pires de Lima

Esta semana, estarei com Antonieta Lopes da Costa em debate com o investigador universitário Bernardo Pires de Lima e o comentador político Pedro Marques Lopes, ambos bloggers do União de Facto.
Juntos, analisamos alguns dos principais temas da actualidade:
- Revolução Sarkozy? – Dois anos após a tomada de posse de Nicolas Sarkozy como presidente da França, é tempo para um primeiro balanço. Quais os pontos negativos e o que trouxe de novo para os franceses e para a Europa?
- Política Maizena – Depois de um pequeno arrufo entre Paulo Rangel e Basílio Horta, o ministro Manuel Pinho afirmou que o cabeça de lista do PSD ao Parlamento Europeu precisa “de comer muita papa Maizena” para chegar aos calcanhares de Basílio. Mas quem é Manuel Pinho?
- A Rússia de Medvedev – Quando tomou posse há um ano, o Presidente Dmitry Medvedev prometeu respeitar a lei internacional, manter boas relações com os estados vizinhos e fazer valer o poder russo no mundo. Entretanto, invadiu a Geórgia e lida com uma crise económica inesperada por Moscovo. Quais as mudanças a que iremos assistir?
- Bloco Central – A cinco meses das legislativas, todos falam de um novo Bloco Central, como único garante da estabilidade governativa. Há condições para que esta coligação se concretize, ou o poder vai cair em Belém?
O Descubra as Diferenças tem podcast disponível aqui.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
El gran hermano te está mirando
Tyler Cowen relata como o governo venezuelano está a usar a informação das petições para retaliar contra os seus signatários:
Between 2002 and 2004 millions of Venezuelans signed petitions calling for a vote to remove Hugo Chavez from office. Signatories were not anonymous and during the petition campaign Chavez supporters hinted darkly that there would be retaliation.(…) Technology thus provided Chavez supporters the information they needed to retaliate.
(…) In a truly remarkable paper, Hsieh, Miguel, Ortega and Rodriguez match information in the petition database to another database on wages, employment and income. What the authors find is shocking, albeit not surprising. Before the recall election, petition signatories and non-signatories look alike. After the election, the employment and wages of signatories drop considerably, about a 10% drop in wages relative to non-signatories. Survey evidence conducted by the authors is consistent with retaliation by Chavez supporters especially in the form of job losses in the public sector. The authors estimate that the retaliation was so widespread, many workers were pushed into informal employment, that the Venezuelan economy was significantly damaged.
