“Can he?” de Luciano Amaral (Gato do Chesire)
Não foi preciso passar muito tempo dos “cem dias” para se perceber uma coisa simples: ou a presidência Obama continua a mesma política externa psicanalítica (”o que é preciso é falar com eles”, “eles precisam é de um ombro onde se encostar”, “deixem-nos manifestar a sua agressividade”) e deixou de ter qualquer capacidade especial para determinar o estado da segurança no mundo, ou então adopta a postura do Bush do primeiro mandato, talvez ainda mais do que o Bush do primeiro mandato, para restabelecer a credibilidade.
Qualquer que seja o caminho, não é nada promissor.
A irresponsabilidade de Obama e dos seus apoiantes vai pagar-se caro…
Comentário por André Azevedo Alves — Maio 26, 2009 @ 14:40
Yep
Comentário por Miguel — Maio 26, 2009 @ 14:50
They once said that a black man would be president when pigs fly.
His first 100 days and – wham!! Pig’s flu!!!
recebida hoje por e-mail
Comentário por caodeguarda — Maio 26, 2009 @ 14:57
Essa é uma das mais danosas consequências do comportamente Democrata e ainda da maioria da Europa durante a administração Bush.
Toda e qualquer dissuasão for deitada pelo cano.
Especialmente esta parte “talvez ainda mais do que o Bush do primeiro mandato, para restabelecer a credibilidade.”
Tem de ser necessáriamente mais e partir algumas cabeças, esperemos que as certas, para restabelecer a credibilidade.
Comentário por lucklucky — Maio 26, 2009 @ 15:01
Mas, no que diz respeito à Coreia, qual é a diferença entre os resultados da politica de Bush e a de Obama?
A mim parece-me que nenhum (a Coreia fez – ou diz que fez – testes nucleares com Bush e com Obama).
Comentário por Miguel Madeira — Maio 26, 2009 @ 15:03
O resto do post do Luciano explica
Comentário por Miguel — Maio 26, 2009 @ 15:10
Eu não sei o que as pessoas pensam disto.
De facto já assumi a minha posição neste caso: era preferível seguir o exemplo Israelita de 1981 em Osirak (o JIEITAI Japonês sozinho tem meios mais que suficientes para isso…)- mas quem é que se atreve?, com a R.P. da China de permeio… (no que respeita à Rússia, acho que não se importavam mesmo nada de enveredar pela solução mais drástica, era bem possível que até ajudassem).
Mas no auge desta “2ª Guerra Fria” que vivemos actualmente… Lamento dizê-lo, mas… “We’re running out of options, here…” .
Não é, de maneira nenhuma, um problema de credibilidade de seja quem fôr.
O regime da DPRK não é a Al-Qaeda: é o moço de recados dos Chineses.
NBJ, Kyushu, Japão.
Comentário por NanBanJin — Maio 26, 2009 @ 15:12
“O resto do post do Luciano explica”
Não vejo explicação nenhuma – ele diz que no caso do Bush ainda havia algum receio por parte dos inimigos que ele lançasse um ataque, e no caso do Obama esse receio nem sequer existe.
Mas, em termos de resultados concretos, isso fez alguma diferença?
Comentário por Miguel Madeira — Maio 26, 2009 @ 15:18
“qualquer capacidade especial para determinar o estado da segurança no mundo”
Como é que se pode “determinar o estado de segurança” perante um país que já possui, segundo se calcula, seis bombas nucleares?
Alguém me explica?
Vai-se lá e destrói-se um ou dois reatores nucleares? Eles retaliarão mandando uma bombinha sobre Seul.
Instaura-se um boicote? Não faz mal, os camaradas chineses ali ao lado – incluindo muitas empresas chinesas que já têm fábricas na Coreia – ajudarão.
Comentário por Luís Lavoura — Maio 26, 2009 @ 15:40
Peço desculpa. Confundi com o artigo do WSJ. De qualquer forma a ameaça latente (ainda que raramente concretizada) serviu de travão aos rogue-states.
Comentário por Miguel — Maio 26, 2009 @ 15:45
“O post do Luciano explica”
O post do Luciano não explica nada. Só diz que se podia bombardear o Irão – e daí se depreende, por analogia, que também se poderia bombardear a Coreia. Só que, bombardear o Irão e a Coreia são duas coisas totalmente diferentes. Para já, há a pequena dificuldade técnica de que a China e a Rússia estão mesmo ao lado da Coreia e podem não apreciar particularmente ver bombardeiros americanos a passear por perto. Mas, afora essa dificuldade técnica, há a grande dificuldade de que o Irão não tem bombas nucleares nem sítio sobre o qual as lançar, enquanto que a Coreia do Norte tem meia dúzia de bombas nucleares e montes de cidades densamente povoadas na Coreia do Sul e no Japão ao alcance de um dos seus mísseis sobre as quais a lançar. São portanto situações completamente diferentes.
Comentário por Luís Lavoura — Maio 26, 2009 @ 15:46
“De qualquer forma a ameaça latente (ainda que raramente concretizada) serviu de travão aos rogue-states.”
Serviu?
No caso da Coreia do Norte, parece que não serviu (já que ela está a comportar-se mais ou menos como se comportava).
No caso do Irão: bem, até à pouco tempo, a linha “oficial” entre os ocidentais adeptos da politica “dura” era algo do género “O Irão continua a tentar desenvolver armas nucleares e algo tem que ser feito a esse respeito”; se tal for verdade, é sinal que o Irão também não estava “travado”.
Comentário por Miguel Madeira — Maio 26, 2009 @ 15:53
“que ela está a comportar-se mais ou menos como se comportava”
Penso que o desnorte de HRC acerca da política a seguir com a Coreia funciona como um incentivo para um estado chantagista como a CdN
Comentário por Miguel — Maio 26, 2009 @ 15:56
Bush serviu para parar o programa Líbio, teria poder para parar o Irão se a Europa e os Democratas não fossem um bando de loucos? Provavelmente, lembro-me de uma referência do Rei Hussein da Jordânia a uportar essa tese. Na Coreia a única solução seria deixar claro á China que o Japão/Coreia do Sul teria armas nucleares caso a Coreia do Norte as tivesse.
Comentário por lucklucky — Maio 26, 2009 @ 16:18
lucklucky
A Coreia do Norte já tem armas nucleares. E não tem uma nem duas: os analistas calculam que tenha seis bombas. O que você sugere é que os EUA deveriam fornecer agora armas nucleares à Coreia do Sul e ao Japão? Eu tenho as seguintes objeções:
1) A Coreia do Sul não está interessada em ter armas nucleares estacionadas no seu território. O Japão, muitíssimo menos.
2) A China provavelmente não gostaria absolutamente nada de ver armas nucleares instaladas no Japão.
3) A Coreia do Norte estar-se-ia completamente marimbando para o facto de o Japão e a Coreia do Sul terem armas nucleares.
4) Isso contribuiria para uma escalada e proliferação ainda maiores de armas nucleares.
Comentário por Luís Lavoura — Maio 26, 2009 @ 16:54
“Na Coreia a única solução seria deixar claro á China que o Japão/Coreia do Sul teria armas nucleares caso a Coreia do Norte as tivesse.”
Desculpem mas a única solução é deixar de sustentar o regime norte coreano e deixá-lo cair de podre.
Claro que uns sistemas antimísseis na Coreia do Sul e no Japão, também ajudavam alguma coisita.
Comentário por Mentat — Maio 26, 2009 @ 18:08
“Desculpem mas a única solução é deixar de sustentar o regime norte coreano e deixá-lo cair de podre.”
O regime chinês não tolera tal hipótese. A ideia de acomodar milhares de refugiados norte-coreanos é incómoda. E a enorme tarefa de recuperar um país sem economia, sem infra-estruturas, sem instituições credíveis… Por isso Kim Jong I| goza à vontade.
Comentário por Elizabete Dias — Maio 26, 2009 @ 19:25
Se não fosse a aliança com os EUA e as armas nucleares americanas já lá estavam. E o programa Nuclear Japonês está feito para uma militarização rápida.
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/asia/japan/5187269/Japan-should-develop-nuclear-weapons-to-counter-North-Korea-threat.html
“Japan is facing growing calls to scrap its constitutional ban on nuclear weapons in the face of an increasing threat from North Korea.”
O governo a contestar:
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601101&sid=aUYytWbZ2ti0
Um pouco de História:
http://www.fas.org/nuke/guide/japan/nuke/
http://en.wikipedia.org/wiki/Japanese_atomic_program
2) A China provavelmente não gostaria absolutamente nada de ver armas nucleares instaladas no Japão.
E? A China não pode fazer nada.
3) A Coreia do Norte estar-se-ia completamente marimbando para o facto de o Japão e a Coreia do Sul terem armas nucleares.
A não ser que sejam suicidas e nesse caso não interessa ficam com muito mais incerteza. Já não lidam só com os EUA.
4) Isso contribuiria para uma escalada e proliferação ainda maiores de armas nucleares.
Para onde é que julga que o mundo está a caminhar? O fim do program Líbio foi só um solavanco na nuclearização enquanto o Mundo esteve sério por uns momentos. Como voltámos ao faz de conta as coisas poderão acabar mal.
Comentário por lucklucky — Maio 26, 2009 @ 20:35
O comentário #7 diz tudo.
A Coreia do Norte é,para a China – pois é disso que se trata- ,o contraponto a Hong Kong ,o “rotweiller” a contrabalançar o “caniche”, ou, se preferem , a política “pau e cenoura” noutra versão.
Quanto aos Americanos, e não só, vão (vamos) pagar bem caro terem posto um “entertainer” na Casa Branca…
E a procissão ainda vai no adro.
P.S. Interessantíssimo o “pormenor” da “Santa” Russia a pedir a reunião do Conselho de Segurança…
Comentário por JJ Pereira — Maio 26, 2009 @ 21:18
Eu estou a ler aqui coisas que me parecem um pouco descabidas. Deixem-me contradizer algumas delas.
A Coreia do Norte tem bombas nucleares? Os especialistas que ouvi dizem que não. Houve um teste nuclear em 2006. Se se considera isso um bom exemplo para justificar que não há diferenças de comportamento da Coreia do Norte em relação a Bush e a Obama, eu lembro o quão enfraquecida estava a Casa Branca nessa altura, e as cedências que Bush teve de fazer aos democratas. John Bolton referiu que a fraqueza da sede do poder americano em 2006, provocando uma deficiente resposta, tornou este segundo teste inevitável.
Outra ideia errada é a de que a China gosta do que Pyongyang faz, ou que manda Pyongyang desafiar o Ocidente. Tudo o que Pequim não quer é uma escalada nuclear no leste asiático (essa seria a consequência – Japão, Coreia do Sul e Taiwan adquirirem armas nucleares), mais tropas americanas na Coreia do Sul, e, sobretudo, arrefecimento das relações económicas com o Ocidente.
Ao que parece, a melhor forma de agir é exercer pressão sobre a China, para que esta, por sua vez, pressione a Coreia do Norte (o que seria mais eficaz). O problema é que os EUA não têm margem para o fazer.
Cumprimentos.
Comentário por maverick47 — Maio 27, 2009 @ 02:36
Invadam a Coreia pá!!!! e vão ver que tudo isso é um embuste e não se encontra lá nem réstia de armas massissas, ops, macivas, ops será macissas?.
Comentário por OLP — Maio 27, 2009 @ 11:39
“21
Já lá se foi, já lá se foi… Até ao Yalu, recorda-se?
Mas Truman destituiu Mac Arthur e substituiu-o por Ridgeway…
Comentário por JJ Pereira — Maio 27, 2009 @ 14:03
A confiança em Obama é tanta:
President Lee Myung-bak asked U.S. President Barack Obama not to reward North Korea’s saber-rattling during a telephone conversation yesterday.
The leaders discussed their response to Pyongyang’s second nuclear test internationally condemned as a threat to world peace and a violation of a U.N. resolution.
In a 20-minute conversation, Lee reminded Obama of Pyongyang’s first nuclear test in 2006 “through which North Korea got rewards including the resumption of dialogue with the international community,” presidential spokesman Lee Dong-kwan told reporters.
“We need to refer to the experience,” President Lee was quoted as saying. “The international community should cooperate closely to prevent a repetition.” (…)
http://www.koreaherald.co.kr/NEWKHSITE/data/html_dir/2009/05/27/200905270048.asp
Comentário por lucklucky — Maio 27, 2009 @ 15:03
[...] COMPLEMENTAR: Como lidar com a Coreia do Norte; Sobre a Coreia do Norte; A Coreia e a (falta de) credibilidade de Obama; A Coreia e a (falta de) credibilidade de Obama (2); O colapso do regime de não proliferação [...]
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