O Insurgente

Maio 19, 2009

Um mau cartaz da campanha de Paulo Rangel

Filed under: Comentário,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 02:00

rangel_cartaz

Ainda que o alvo possa ser a baixa execução governamental dos fundos “europeus”, creio que este cartaz de campanha de Paulo Rangel é infeliz por várias razões.

Em primeiro lugar, porque não se ajusta aos pontos mais fortes da imagem pública de rigor e sobriedade que Rangel, por mérito próprio, tem vindo a conseguir afirmar junto da opinião pública.

Depois, porque é também inconsistente com a mensagem e a imagem que Manuela Ferreira Leite tem procurado fazer passar.

Finalmente, porque apela ao voto recorrendo a algumas das piores ideias feitas do eleitorado sobre a “Europa” como fonte de fundos. Ainda que a mensagem expressa neste cartaz possa render alguns votos a curto prazo (o que duvido, porque no campo da demagogia é impossível ao PSD bater a extrema-esquerda), os efeitos negativos a prazo sobre a credibilidade do PSD e a sua capacidade para se constituir como alternativa ao PS fazem com que seja um erro político grave.

Por tudo isto, também eu esperava mais e melhor do primeiro cartaz e estou de acordo com Jorge Ferreira:

Combater a crise, caro Paulo Rangel, tem de começar em nós próprios, no aumento da produtividade das empresas, da qualidade do ensino, do rigor nas contas públicas, na diminuição da despesa do Estado e do desperdício público de dinheiro.

Se o PSD opta por ser mais ou menos indistinguível do PS em matéria europeia, afastando assim as motivações ideológicas e programáticas, sobra a possibilidade de apresentar um discurso sóbrio e consistente que possa justificar – como defende o João Gonçalves – o voto pragmático. Não é no entanto com este tipo de cartaz, a meu ver, que tal se consegue.

Resta aguardar pelos próximos episódios e esperar que tenha sido um mero acidente de percurso.

41 Comentários »

  1. O primeiro cartaz, pelo que sei, era pior.
    Dizia “pelo interesse nacional, assino por baixo”.

    Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Maio 19, 2009 @ 08:20

  2. Muito mau. O problema de Paulo Rangel é querer estar bem com Deus e com o Diabo e assim vai sempre parecer inconsistente.

    Comentário por jcd — Maio 19, 2009 @ 08:26

  3. E vim eu parar a um blog de socialistas camuflados.

    Comentário por joao silva — Maio 19, 2009 @ 09:13

  4. Aquilo é o PSD. Não sei qual surpresa, parece que continuam a querer que o PSD seja uma coisa que não nem pretende vir a ser.

    A “mensagem” da Manuela Ferreira Leite é mais outro engano. Um partido que defende dirigismo económico e social e almofadas para toda a sociedade não percebe que precisamente essas três características deturpam a qualidade da informação e assim escondem a Verdade.

    Comentário por lucklucky — Maio 19, 2009 @ 09:37

  5. Correcção:”PSD seja uma coisa que não É nem pretende vir a ser.”

    Comentário por lucklucky — Maio 19, 2009 @ 09:38

  6. Bom post.

    “no aumento da qualidade do ensino”

    O problema em Portugal não é tanto a má qualidade do ensino como, sobretudo, a falta de vontade de aprender das pessoas.

    O povo português tem a educação em fraca cotação, não estima a aprendizagem, não aplaude o sucesso escolar, não dá valor à educação. É isso que, acima de tudo, prejudica a educação em Portugal. Não é o facto de as escolas serem más, é o facto de as pessoas não estarem verdadeiramente motivadas para o estudo sério e aplicado, e confiantes de que ele será recompensado.

    Comentário por Luís Lavoura — Maio 19, 2009 @ 09:53

  7. “e confiantes de que ele será recompensado”

    O exemplo vem de cima, e com um país em que os chicos-espertos e os filhos dos tios é que se safam, não há muitos bons exemplos a seguir.

    Comentário por l.rodrigues — Maio 19, 2009 @ 10:11

  8. “O problema em Portugal não é tanto a má qualidade do ensino como, sobretudo, a falta de vontade de aprender das pessoas.
    O povo português tem a educação em fraca cotação, não estima a aprendizagem, não aplaude o sucesso escolar, não dá valor à educação.”

    Luís Lavoura

    Eu não sei que realidade paralela é que você vive, para fazer afirmações destas.
    Portugal deve ser o País em que mais se idolatra o “Doutor e o Engenheiro”, em detrimento da experiência profissional e do trabalho esforçado.
    Talvez muitos hoje em dia, fruto dos exemplos sobejamente conhecidos, achem que não vale apenas esforçarem-se muito, porque constatam que qualquer curso tirado na farinha amparo, tem o mesmo valor que outros cursos mais esforçados.
    Ou seja mais vale “cair em graça que ser engraçado”.
    Agora aquilo que eu vejo mais à minha volta, é pais gastarem o que tem e o que não tem, para darem a melhor educação possível aos filhos.
    Cuja qualidade de ensino no entanto fica a léguas da que se obtinha a custo zero no tempo de Estado Novo.
    .

    Comentário por Mentat — Maio 19, 2009 @ 10:29

  9. “Ainda que o alvo possa ser a baixa execução governamental dos fundos “europeus””

    A baixa execução dos fundo europeus não é um Mal. Como tanto quanto sei sempre que se “executa” Fundos Europeus implica “executar” Fundos Nacionais a avaliação deve ser o projecto é um desperdício ou não.

    Comentário por lucklucky — Maio 19, 2009 @ 10:46

  10. Eu acho excelente que não haja execução nenhuma dos Fundos Europeus.

    Comentário por Helder — Maio 19, 2009 @ 11:09

  11. Depois dos Eurobonds e das forças armadas europeias isto ainda é o menos. Surpreendido só pode estar quem não conhece o PSD e a sua politica europeia. O que raio esperavam de Paulo Rangel?

    Comentário por Nuno Branco — Maio 19, 2009 @ 11:58

  12. “O que raio esperavam de Paulo Rangel?”

    Eu só espero que ele derrote o Sócrates.
    Quanto ao resto estou-me nas tintas para o que ele defende ou deixa de defender.
    De qualquer maneira não contamos para o “totobola”…
    .

    Comentário por Mentat — Maio 19, 2009 @ 13:13

  13. “O que raio esperavam de Paulo Rangel?”

    Eu não espero milagres, mas espero melhor do que cartazes como este.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 13:43

  14. “A baixa execução dos fundo europeus não é um Mal. Como tanto quanto sei sempre que se “executa” Fundos Europeus implica “executar” Fundos Nacionais a avaliação deve ser o projecto é um desperdício ou não.”

    Helder e luck,

    Essa é outra discussão na qual não entrei. Só pretendi salientar que mesmo que fosse esse o objectivo, o resultado é bastante pior do que isso.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 13:44

  15. “Eu só espero que ele derrote o Sócrates.
    Quanto ao resto estou-me nas tintas para o que ele defende ou deixa de defender.”

    Mentat,

    Por essa lógica, pode votar também no Louçã…

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 13:45

  16. “De qualquer maneira não contamos para o “totobola”…”

    Contamos pouco, mas se calhar contamos mais do que se possa julgar.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 13:45

  17. “Dizia “pelo interesse nacional, assino por baixo”.”

    Isso pelo menos é mais ambíguo…

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 13:46

  18. [...] Jorge já assinalara, aqui, a sua desilusão com o cartaz. O André Azevedo Alves, que refere os podres desta mensagem, ainda chega a equacionar um acidente de [...]

    Pingback por A pobreza das propostas de Rangel — Maio 19, 2009 @ 13:50

  19. “Por essa lógica, pode votar também no Louçã…”

    Vá de rectro…

    Pronto, eu rectifico:
    Só me interessa que ele derrote a esquerda e o Sócrates.
    Assim está melhor?
    .

    Comentário por Mentat — Maio 19, 2009 @ 13:55

  20. “Contamos pouco, mas se calhar contamos mais do que se possa julgar.”

    Gostaria de ter essa fé, mas não tenho.
    .

    Comentário por Mentat — Maio 19, 2009 @ 13:58

  21. Não vejo qualquer problema no cartaz. Há pouca execução dos fundos a que temos direito; portanto, qual é o erro político de querer aumentar o investimento aproveitando as linhas de Bruxelas?

    Se existe algo que faz sentido, é impor um maior rigor e persistência no aproveitamento dos fundos.

    Comentário por RAF — Maio 19, 2009 @ 14:04

  22. “Pronto, eu rectifico:
    Só me interessa que ele derrote a esquerda e o Sócrates.
    Assim está melhor?”

    Rectificação aceite. Assim compreendo e, dentro de certos limites, até posso estar de acordo. :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 14:07

  23. “Gostaria de ter essa fé, mas não tenho.”

    Não é uma questão de fé, até porque não é algo que para mim seja prioritário. Se fosse, oportunidades felizmente não têm faltado.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 14:08

  24. “Não vejo qualquer problema no cartaz.”

    Eu vejo vários e graves.

    “Há pouca execução dos fundos a que temos direito; portanto, qual é o erro político de querer aumentar o investimento aproveitando as linhas de Bruxelas?”

    Como já escrevi, admito que fosse essa a intenção mas não é de todo a ideia principal que passa.
    E mesmo sobre isso é matéria – no mínimo discutível – como já bem assinalaram vários comentadores.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 14:09

  25. Se a politica dele é igual à de Socrates, pelo menos em matéria europeia, para que raio me interessa que ele derrote o Socrates?

    Mal por mal, este eu já conheço. Não sou de votos uteis e prefiro anular o meu voto a entrega-lo a alguém que defende um exército unico europeu.

    Comentário por Nuno Branco — Maio 19, 2009 @ 14:10

  26. É o espelho da realidade de Portugal desde que entrou na União Europeia: Vestir o fato e a gravata e ir a Bruxelas pedir esmola. Mas, concordo plenamente com o artigo. É a mentalidade de TODOS os políticos portugueses.

    Comentário por Jorge — Maio 19, 2009 @ 14:11

  27. “Se a politica dele é igual à de Socrates, pelo menos em matéria europeia, para que raio me interessa que ele derrote o Socrates?”

    Por razões internas, já que a influência portuguesa na Europa, nas actuais condições, é nula (não pela dimensão do país mas pelo vazio intelectual).

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 14:12

  28. “Mal por mal, este eu já conheço.”

    É uma lógica possível, mas da mesma forma que não concordo com a lógica de qualquer alternativa é melhor (ex.: votar Louçã), também não estou convencido de que, mesmo entre alternativas muito limitas e imperfeitas não possa haver males menores. É nisso que consiste a política.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 14:13

  29. “Não sou de votos uteis e prefiro anular o meu voto a entrega-lo a alguém que defende um exército unico europeu.”

    É uma opção legítima, mas como procurei explicar acho concebível que se argumente a favor do voto PSD por razões pragmáticas. Nessa lógica, no entanto, cartazes como este não ajudam mesmo nada.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 14:14

  30. “É o espelho da realidade de Portugal desde que entrou na União Europeia.”

    Infelizmente.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 14:15

  31. André, eu não consigo perceber o pragmatismo. Por favor explica-me onde está o pragmatismo, o que vai melhorar a nivel estrutural no país com Ferreira Leite ou Paulo Rangel no lugar de Socrates ou Vital Moreira.

    Acho que há aqui muita ilusão e amor ao partido e pouca racionalização do que o pragmastismo nos tem mostrado sobre tanto o PS como o PSD.

    Comentário por Nuno Branco — Maio 19, 2009 @ 14:18

  32. “Há pouca execução dos fundos a que temos direito; portanto, qual é o erro político de querer aumentar o investimento aproveitando as linhas de Bruxelas?”

    Qualquer fundo que venha da Europa implica gastar fundos nacionais. Lá porque podemos ter 30% do valor de uma estrada em fundos da UE não quer dizer que vamos asfaltar o País. Além disso os outros 70% têm de vir dos cofres dos Contribuintes.

    Não imagina a quantidade de projectos idiotas que são aprovados só porque o Estado e os Políticos têm segundo os valores vigentes do Europeísmo Português de gastar todo e qualquer Euro que vem de Bruxelas e assim gastando os nossos.

    Comentário por lucklucky — Maio 19, 2009 @ 16:10

  33. “Lá porque podemos ter 30% do valor de uma estrada em fundos da UE não quer dizer que vamos asfaltar o País. Além disso os outros 70% têm de vir dos cofres dos Contribuintes.”

    Acho que as percentagens não são bem essas, mas andam lá perto.
    Além de que há mais motivos para que se deixem lá os fundos onde estão.
    Quem paga os 30% ou 40% tem mais poder de decisão onde se aplicam, do que quem entra com os 70% ou 60%.
    O que quer dizer, que se podiam ter sido feitas menos estradas mas mais úteis, se o centro de decisão fosse nacional (como agora gostam de dizer).
    Além de que quando se adjudica um volume de trabalho superior à capacidade instalada, apenas se fomenta a penetração do mercado nacional por empresas estrangeiras e a imigração de mão de obra indiferenciada.
    Quando acabam as estradas levam o Know how e deixam os imigrantes.
    Muito desses fundos fizeram apenas by-pass em Portugal seguindo directamente para Espanha, França, Ucrânia, Guiné, etc.
    .

    Comentário por Mentat — Maio 19, 2009 @ 16:51

  34. [...] Política, Portugal, União Europeia — André Azevedo Alves @ 20:26 Depois de um mau primeiro cartaz, agora uma proposta muito pouco recomendável (em linha aliás com as declarações de Rangel ao [...]

    Pingback por Mais um mau sinal da campanha de Paulo Rangel « O Insurgente — Maio 19, 2009 @ 20:27

  35. Uma coisa é certa. o Cartaz deve ser mesmo bom para gerar tantos comentários!

    Comentário por joao silva — Maio 19, 2009 @ 20:31

  36. “Uma coisa é certa. o Cartaz deve ser mesmo bom para gerar tantos comentários!”

    Sim: se algo gera muitos comentários é necessariamente porque é mesmo bom!…

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 19, 2009 @ 20:33

  37. [...] com a infeliz escolha de cartazes da campanha de Paulo Rangel, a campanha de Rui Rio no Porto arranca da melhor [...]

    Pingback por Um bom cartaz da campanha de Rui Rio « O Insurgente — Maio 20, 2009 @ 02:17

  38. temos o país que merecemos os politicos que merecemos ou seja gostamos de levar porrada.
    Temos 10 partidos + ou – e so votamos na merda que assola o pais ha 30 anos.
    Gostarm? Não eu sei as verdades doem.
    Um abraço.

    Comentário por opulo — Maio 20, 2009 @ 14:42

  39. Meu caro
    Não percebo a admiração… Há que “cruzar” este cartaz com mais coisas e perceber que estamos a assistir ao regresso da “verdade a que temos direito”, agora de cor alaranjada!

    Em: http://sol.sapo.pt/blogs/xadrezismo/archive/2009/05/19/A-QUE-DINHEIRO-SE-REFERE-PAULO-RANGEL_3F00_.aspx

    Cumprimentos

    Comentário por xadrezismo — Maio 21, 2009 @ 00:19

  40. [...] em: Política, Portugal, União Europeia — André Azevedo Alves @ 01:02 Mais do que os maus cartazes e os slogans desastrados, o principal ponto fraco do PSD nas eleições europeias é a proximidade relativamente ao PS: [...]

    Pingback por O principal ponto fraco do PSD nas eleições europeias « O Insurgente — Junho 3, 2009 @ 01:12

  41. [...] Economia, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 23:00 Depois dos maus sinais de facilitalismo e cedência à demagogia dados na campanha para as eleições europeias e das infelizes declarações públicas de Paulo [...]

    Pingback por Os deslizes de Paulo Rangel « O Insurgente — Fevereiro 21, 2010 @ 23:02


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