(também publicado aqui)
Anda por aí muita gente muito preocupada com o facto de o PSD ainda não ter apresentado os seus candidatos às eleições europeias. Curiosamente, são as pessoas que menos apreciam a dra. Ferreira Leite que demonstram essa preocupação. É uma preocupação que não deixa de ser estranha: estão preocupados com uma eleição a que ninguém liga nenhuma, para um órgão (o Parlamento Europeu) a que ninguém atribui qualquer importância; estão preocupados com quais serão os nomes de quem irá desempenhar um cargo a que ninguém liga; estão preocupados com os nomes das (poucas) pessoas que irão ocupar um cargo no qual não terão praticamente nenhuma influência; estão preocupados com quem serão os nomes das pessoas que vão fazer um trabalho ao qual ninguém dá importância. No fundo, estão preocupados por a dra. Ferreira Leite não falar acerca de um assunto que não interessa a ninguém.
De facto, parece estranho. Mas este último ponto talvez acabe com a estranheza. Pois é isso mesmo que os preocupa: que a dra. Ferreira Leite não fale de um assunto que não interessa a ninguém. Porque não querem que a dra. Ferreira Leite fale dos assuntos que interessam a toda a gente: os problemas do país, a crise, como sair dela, etc. Querem que a dra. Ferreira Leite fale da eleição de Junho, para ver se as pessoas se esquecem da eleição de Setembro. E querem que a agenda se concentre em quem são os candidatos para uns lugares que não preocupam ninguém (a não ser quem sonha vir a ter a sorte de ter “o lugar”), precisamente porque se for essa discussão, o comum dos cidadãos não vai prestar atenção nenhuma à coisa; quanto mais distraídas as pessoas estiverem, melhores hipóteses terá o PS de ter mais votos em Setembro. E a prova da dificuldade que este clima mediático cria para a dra. Ferreira Leite está em que, até pelo facto de não anunciar a lista do PSD às europeias, não se fala de outra coisa. Faça o PSD o que fizer, quer anuncie a lista, quer não anuncie, a lista, a distracção ganha sempre. Há, de facto, coisas mais importantes que as listas dos partidos portugueses para as eleiçõs europeias. Mas parece que os tempos não estão para as coisas importantes. O que não augura nada de bom, pois não nos vão faltar coisas importantes com as quais nos deveríamos preocupar.