Anda por aí, como é costume com estes fenómenos, uma grande histeria com a “gripe mexicana”. E como é costume com estes fenómenos, aparece sempre alguém, orgulhoso da sua fria calma, a dizer que “isto não vai dar em nada”, cometendo o mesmo erro dos histéricos. Miguel Sousa Tavares, homem capaz de ditar sentenças sobre os mais diversos temas, desde a inteligência de George Bush à honestidade de Pinto da Costa, disse hoje na TVI que não tinha qualquer receio da gripe. Também ele acha que “isto não vai dar em nada”. Como é que ele sabe? Porque já com a “gripe das aves” se atingiu esta histeria e depois a coisa “não deu em nada”. Não lhe ocorre que o facto de algo ter sido de uma determinada forma no passado não garante que seja igual agora. Não lhe ocorre que fenómenos como este são por natureza imprevisíveis, e que nós não podemos saber à partida se corremos realmente perigo ou não (razão pela qual devemos tremer sempre que um governo diz que está preparado para tudo. Se nós nem sabemos o que vai acontecer, como é que podemos saber se estamos ou não preparados para isso?): nada nos garante que, mesmo que o vírus não seja assim tão perigoso agora, não venha a ser muito mais perigoso no futuro. “Histéricos” e “calmos”, espécies que nestes períodos se reproduzem mais do que os vírus acerca dos quais falam, cometem ambos o mesmo erro: pensar que podem conhecer o futuro. O problema está precisamente em as coisas não serem assim.
Abril 30, 2009
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