Carlos do Carmo Carapinha sobre a entrevista de José Sócrates
Ficou (…) patente que José Sócrates pretende levar até às últimas consequências a sua pueril e patética doutrina: quem ousar criticar as respostas do governo à crise; quem denunciar práticas duvidosas da administração fiscal ou central; quem puser em dúvida as certezas que habitam a alma do primeiro-ministro e dos seus ministros, está invariavelmente ao serviço do «pessimismo», do «bota-abaixismo» e, no limite, da «calúnia». Ao pé dele, ninguém – jornalistas, comentadores, «analistas políticos», Zé Povinho – pode confrontá-lo com o país real ou com o real estado do país. Na sua santa e comovente crença, José Sócrates acha-se o melhor. Perante o picaresco queixume do povo, José Sócrates jura-nos que está a fazer tudo o que está ao alcance do melhor dos mortais. Este cerimonial dogmático, saturado de bondade e magnanimidade, exige, na prática, um silêncio de igreja a todos (incluindo jornalistas). Qualquer barulho será próprio dos que o querem derrubar de forma gratuita e ressabiada. O homem é, está visto, um santo.
Os objectivos desta estratégia roçam o prosaico: desqualificar o «maldizente», empurrar o «pessimista» para o grupo dos «miserabilistas» e dos «velhos do Restelo», negar até à exaustão uma evidência: antropologicamente, a postura do optimista de serviço nunca foi causa de desenvolvimento social e económico. Por uma razão clara e, também ela, prosaica: o optimista tende a desvalorizar as evidências e a mascarar a verdade. Coisa que este primeiro-ministro tem feito até à exaustão e de forma artificiosa. No dia da queda, a coisa não vai ser nada bonita
O CCC não estará ele próprio a ser “insultivo”?
Comentário por André Azevedo Alves — Abril 23, 2009 @ 12:32
Ainda é “insultivado”
Comentário por Miguel — Abril 23, 2009 @ 12:52