Sim, sou liberal, por Henrique Raposo.
Março 18, 2009
Para memória futura
Sugiro a leitura destes dois artigos, escritos no seguimento deste incidente, ocorrido na zona sul do Mar da China. Acontecimentos como este irão repetir-se nos próximos anos, principalmente quando nem há concordância quanto ao que é estabelecido pelo Direito Interncional.
O fundo do poço
Devido ao interrogatório a Marçal já ter sido adiado uma vez por falta de comparência da equipa de defesa de Carlos Silvino, a presidente do colectivo de juízes, Ana Peres, entendeu não marcar nova data para a diligência, afirmando ter o dever de “evitar que os trabalhos sejam protelados (…), seja de forma manifesta ou abusiva”.
[...]
Assim, arguidos, advogados e juízes limitaram-se a ver, num computador “emprestado” por um dos advogados, reportagens da TVI e da SIC sobre o processo, depois de Ana Peres ter determinado que se fizesse “qualquer diligência” para ocupar o tempo.
De acordo com as regras do processo penal, não pode passar mais de um mês entre sessões sem produção de prova.
Não me ocorrem grandes comentários que acrescentem ao cenário triste e que demonstra o estado terminal da nossa Justiça que é descrito pela peça jornalística.
Quando a fraude à Lei se eleva do domínio da normal relação do cidadão anónimo com a Justiça e passa a ser aceite – e até incentivada – por um colectivo de juízes na sala de um tribunal, não é efectivamente preciso acrescentar grande coisa.
Aqui mesmo
O Ministro Vieira da Silva afirmou ontem rejeitar uma descida dos salários afirmando que tal pode provocar uma “ruptura social”. Certo. Não nego que tal medida (especialmente se decidida de forma centralizada) provocará certamente graves perturbações. Por bastante menos cerca de 200.0000 (?) fizeram uma excursão a Lisboa, na semana passada.
Convém, no entanto, referir quais serão as consequências se optarmos por enterrar a cabeça na areia. Provavelmente, mais desemprego, maior endividamento e mais anos de fraco crescimento. Seria honesto que Vieira da Silva também tivesse referido o “reverso da medalha” mas isso já seria pedir demasiado.
LEITURAS COMPLEMENTARES: Aqui ao lado; Aqui ao lado (2).
ADENDA: Vejam este post do Miguel Morgado sobre a evolução dos custos unitários do trabalho
Temos um comportamento semelhante ao da Espanha e Rep. Checa. Mas temos um relógio a contar contra nós e que corre mais depressa do que em Espanha e na Rep. Checa: é o relógio da dívida externa
Correntes
O Luciano arrastou-me para esta corrente e pediu-me que transcrevesse a quinta frase da página 161, do livro que tenho mais à mão. Aqui vai ela e daquele que estou a ler no momento:
“Casos particulares, mas, antes, constituir uma só regra, para” (não dá para perceber nada, pois não?).
John Locke, Segundo Tratado do Governo, Fundação Calouste Gulbenkain
E trago à liça agora o Filipe, o Helder, a Annie Hall,o Gabriel Silva e o Bernardo.
Reagan
“O Homem que Gostava de Anedotas” de Fernando Gabriel (Diário Económico)
Em “The Rebellion of Ronald Reagan” (Viking, 2009), James Mann parte de documentos desclassificados e de entrevistas com alguns intervenientes cruciais para construir uma narrativa bem mais convincente do final da Guerra Fria, devolvendo Reagan e Gorbachev à sua condição de estadistas habilidosos, envolvidos num processo extremamente complexo de aproximação, onde nada era “historicamente inevitável”. (mais…)
Aqui ao lado (2)
A propósito do deprimente diagnóstico de Krugman à Economia espanhola, escreve o Miguel Morgado:
Por terrível e iníquo que possa soar, visto que o poder de compra dos portugueses não é famoso, parece-me que Portugal também necessita de uma desvalorização dos salários reais. Comparando com Espanha, é verdade que a deflação requerida para alguns activos, como os imobiliários, é menor em Portugal; mas o desequilíbrio externo é mais grave em Portugal do que em Espanha. Seria interessante que alguém fizesse uma comparação do comportamento dos custos unitários do trabalho nos dois países da Península Ibérica com uma economia europeia de referência (Alemanha ou Inglaterra ou França; e também com a República Checa ou com a Eslováquia ou com a Polónia). Suspeito que teríamos surpresas desagradáveis. Ninguém gosta que se lhe diga que o seu salário miserável é insustentavelmente elevado. Neste momento, essa é uma das tragédias portuguesas.
O Recreio (2)
Três breves notas:
1 – O caso é complexo e abordagens como esta certamente não ajudam, mas não quero deixar de assinalar o comprometido silêncio jugular sobre o contentor de Barcelos. Fosse outra a cor do governo e haveria já certamente incontáveis textos indignados. Do João Abrantes certamente ninguém esperaria nada que pudesse colocar (propositadamente) em causa a linha oficial, mas, dado o tema, os jugulares podiam pelo menos tentar manter as aparências em termos de coerência e proporcionalidade.
2 – Noto com curiosidade o estado de excitação por parte de alguns críticos do RAF que, ao mesmo tempo que o criticam, lhe dão implicitamente razão no essencial (ainda que, compreensivelmente, não o reconheçam).
3 – Concordo que O Insurgente é, cada vez mais, um bom exemplo para muitas coisas. Instrumentais e não só.
O bom senso de Vitor Bento e a raiva da extrema-esquerda
Apesar de, como é natural, nem sempre estar de acordo com Vitor Bento é alguém que admiro. Passei a admirar ainda mais depois de o ver nos últimos tempos ser criticado e até insultado por ter a coragem de defender publicamente o óbvio (ainda que politicamente incorrecto num país dominado por dogmas de esquerda e pela ignorância económica): com rigidez dos salários à baixa em tempo de crise, o mercado de trabalho ajusta através do aumento do desemprego, com consequências sociais bem mais perversas e assimétricas num país dividido entre insiders e outsiders.
Leno’s objection to ticket sale on eBay: is it really about altruism?
Jay Leno disses the free market. Por Gregory Mankiw (um neoclássico que vale a pena ler).
So I wonder: If a person down on his luck prefers the cash to the opportunity to watch Leno live, why would Leno object? Is it altruism that is really motivating Leno here? Is he really sure that the unemployed person in Detroit would be better off with an evening of laughs than $800 in his pocket? Or does Leno want to play to a live audience of unemployed workers so he will seem altruistic to his television audience?
Absent externalities, markets improve the allocation of resources. Both the buyer and the seller of the ticket must be better off: otherwise they would not engage in the transaction. The only significant negative externality that I can see here falls on Mr Leno himself. In other words, Leno’s objection to the eBay sale is an understandable and fundamentally self-interested act in that the sale impedes his abilty to appear selfless.
Março 17, 2009
“peregruzka”
Russia announces rearmament plan
Russian President Dmitry Medvedev has said Moscow will begin a comprehensive military rearmament from 2011.
Mr Medvedev said the primary task would be to “increase the combat readiness of [Russia's] forces, first of all our strategic nuclear forces”.
A incompetência e o desrespeito pelos clientes da TAP
Por experiência própria – e recordando em especial um caso particularmente gritante com uma pessoa que me é próxima que sofreu na pele a incompetência, o desrespeito pelos clientes e a irresponsabilidade que tantas vezes caracterizam a TAP – este episódio relatado pelo Alberto Gonçalves não me surpreende. O que é lamentável é que continuemos todos a pagar infindáveis milhões e a condicionar fortemente o desenvolvimento, a racionalização e a descentralização da gestão dos aeroportos nacionais para sustentar esta miséria: ASAS SOB A NAÇÃO. Por Alberto Gonçalves.
Com uma viagem aos EUA aprazada para breve, deixo-me seduzir por um e-mail da TAP, que garante ida e volta a Newark por quase metade da tarifa normal. Entro no site da companhia, que reproduz a promoção e especifica: voos directos de Lisboa e do Porto. Começo o processo de reserva online, escolho as datas e aguardo. Nas datas pretendidas, e à partida do Porto, a tarifa não está abrangida pelo desconto. Mudo as datas, o resultado é idêntico. Tento a partida de Lisboa e consigo o desconto, embora, hélas, apenas nos voos com escala no Porto. Decerto um erro informático.
So long, and thanks for all the fish
Adeusinho, e desenrasquem-se agora, já que estão com tanta vontade de pilotar o barco.
Afinal, aqueles que lograram assegurar lucros estrondosos ao grupo, e que conseguíram colocar o menino no colo dos contribuintes americanos, só podem mesmo receber o seu mais que justo e merecido prémio e sair, com espírito de missão cumprida.
O Recreio
Hoje, enquanto fazia um zapping pela blogosfera, veio-me à cabeça um poema muito bonito, de Mário de Sá-Carneiro, “o Recreio”:
O Recreio
Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar…E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar…Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada…Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada…Se o indez morre, deixá-lo…
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca… Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive…Mudar a corda era fácil…
Tal ideia nunca tive…
Para quem não sabe, Mário de Sá-Carneiro é um brilhante escritor português, do século XX, fortemente infuenciado, na sua estética, por inúmeras correntes em desenvolvimento na época. Como se pode ler na “Homenagem a Mário de Sá-Carneiro” …
O delírio e a confusão dos sentidos, marcas da sua personalidade, sensível ao ponto da alucinação, com reflexos numa imagística exuberante, definem a sua egolatria, uma procura de exprimir o inconsciente e a dispersão do eu no mundo. Este narcisismo, frustrada a satisfação das suas carências, levou-o a um sentimento de abandono e a uma poesia auto-sarcástica (…) revendo-se o poeta na imagem de um menino inútil e desajeitado (…). A sua crise de personalidade, que se traduziu no frenesim da experiência sensorial e no desejo do extravagante, foi a da inadequação e da solidão, da incapacidade de viver e de sentir o que desejava (…) que o levou a uma tentativa de dissolução do ser, consumada na morte.
Um grande homem, com um fim trágico.
Discriminador(a)
Estas cabeças bem pensantes do statu quo têm mesmo muita graça.
Os mesmos do “todos diferentes todos iguais”, que proibiram qualquer forma de discriminação de género em anúncios de emprego em jornais, os das escolas inclusivas, do diálogo inter-cultural, da criminalização do racismo, e que atiram sobre qualquer discurso público que pareça sustentar qualquer coisa sequer parecida com discriminação privada decidiram agora, como mostra de discriminação positiva (pois claro, da “boa”), enfiar 17 ciganos, separados de toda a outra população escolar, a ter aulas num contentor.
Mais: os tais dos “direitos inalienáveis”, das “crianças que não são propriedade dos pais”, sustentam e admitem a iniciativa como legitimada pela (entretanto aparentemente desmentida) autorização dos pais das referidas crianças.
Coisa linda. Só podemos mesmo pasmar e interrogarmo-nos: se o contentor fosse um luxuoso lounge e se as criancinhas fossem todas brancas, numa população escolar toda cigana, também seria “discriminação positiva”? Ou era “negativa”?
A autorização dos pais basta para sustentar a segregação, mas a sua decisão já não é valida para escolher a maneira como o seu filho é educado?
Tudo isto tresanda a hipocrisia, e testemunha o desnorte generalizado das mais variadas instâncias políticas, aos mais diversos níveis. E a perenidade dos inimputáveis que nos governam.
Friedman was a red
Acho piada à ideia de que o elogio de algumas posições de pessoas, com quem não concordamos noutros casos, constitua qualquer espécie de “cheque em branco” ideológico. Para um randiano como eu a coisa ganha até contornos de ironia. Por um lado, Friedman está nos antípodas de Hayek. Por outro, têm um alinhamento político, sendo O Insurgente um bom exemplo dessa instrumentalidade. A etiqueta do “neoliberalismo” é altamente flexível. One size fits all, mesmo. Como diria Mises: «You’re all a bunch of socialists».
Pois
Tyler Cowen acerca da polémica em torno dos bónus pagos aos executivos da AIG.
The real lesson is that this is another reason not to nationalize banks. It means politicizing every decision which ends up in the newspaper.
Recordam-se do “caso” Manuel Fino/CGD?
Será que o paradigma neoclássico se confunde com o núcleo fundador do liberalismo económico?
Andando por aí corremos sérios riscos de ler imensas coisas surpreendentes, muitas delas escritas em tom cátedro, mas que não deixam por isso de ser verdadeiros disparates. Pergunto-me como se podem alinhar, sem qualquer enquadramento, as correntes neoclássicas – que assentam em soluções ceteris paribus e que admitem cenários de concorrência perfeita ou de equilíbrio – com as correntes liberais da Escola Austríaca (ou até de Chicago), tomando o paradigma neoclássico como sendo o inspirador do ideário liberal, ou “neoliberal”, como soi dizer-se. Não que o erro não seja comum – são frequentes as referências a um pretenso alinhamento entre as Escolas Neoclássica, Austríaca e até de Chicago – sem que isso, contudo, corresponda à realidade dos conceitos.
Basta ler na diagonal aquilo que defendem autores processualistas como Kirzner ou Peter Boettke, ou “quasi” anarco-capitalistas como Hoppe ou Rockwell, para perceber a grande distância que existe entre a tradição austríaca e a neoclássica.
Para quem quiser explorar um pouco mais as diferenças fundamentais entre ambas as correntes, recomenda-se o primeiro capítulo da obra “Escola Austríaca – Mercado e Criatividade Empresarial”, de Jesús Huerta de Soto, publicado em português, em 2005, pela Espírito das Leis, numa iniciativa da Causa Liberal, a que pertencem alguns Insurgentes, entre os quais o nosso André Azevedo Alves, responsável pela (excelente) tradução.
Fado do contentor (versão revista)
Não os deixam ir à escola
Para aprender com ardor
Foram deixados de lado
Fechados num contentor.
Do valor de aprender
Não saberão o valor
Melhor era vender na feira
Que ser fechado num contentor.
Por mais que busquem defronte
Nem contas, textos ou setôr
Não há futuro nem horizonte
Só o contentor, o contentor.
Do local onde estão
nada de Henrique, o navegador
Nem somas, nem subtracção
Só o contentor, o contentor.
Na nossa escola pública
Não há discriminação de cor
A discriminação fica escondida
No interior de um contentor.
Por isso vamos pagar
Com o nosso trabalho e suor
E com impostos mobilar
O contentor, o contentor.
Proteccionismo energético
A independência energética, tão apregoada como benéfica e a salvação das economias nacionais, preocupa-me. Aliás, qualquer a referência à economia nacional, preocupa-me. Hoje, não existem economias nacionais, mas uma amálgama de muitas economias, imensos mercados de variadíssimos produtos, uns em Portugal e no Reino Unido, outros no Brasil e na China, uns reduzidos a partes de um país, mas muitos outros em imensos e diversos estados. Cada mercado destes, mais as pessoas que neles trabalham, formam uma ‘economia’ que pode ser muita coisa, mas nacional é que não é de certeza.
Mas volto à independência energética. O conceito é-nos vendido como a nossa tábua de salvação. Energeticamente independentes, não somos afectados pelas crises sociais, económicas e políticas dos outros países. Somos independentes. Livres. Basicamente, ficamos sozinhos e estaremos felizes. Tem piada que esta fórmula da independência energética nos seja vendida pelos mesmos que apregoaram a solidariedade entre os países, o diálogo de civilizações e que apenas se compreendermos o ponto de vista dos outros, poderemos evitar as guerras. Na verdade, eu até percebo o novo conceito da independência energética: Nós compreendemos as dificuldades dos outros, mas não temos de ser afectados por elas. É muito mais fácil. E não se perdem votos.
O que parece ter ficado esquecido é que quando os países consumidores de petróleo e gás natural são energeticamente dependentes, eles compram esses mesmos produtos a quem os produzem: Transferem para os países produtores, divisas, verbas, dinheiro. Valores que poderão ser bem ou mal empregues (são-no hoje melhor que no passado), mas que têm o valor intrínseco de resultarem de trocas comerciais livres e naturais. Trocas descomplexadas, genuínas. Trocas que aproximam os povos, as pessoas, acabam com as economias nacionais, derrubam barreiras, muros, criam mercados comuns, transformam interesses individuais em gerais. Globalizam-nos.
A busca da independência energética é um dos perigos da actualidade. Uma forma de proteccionismo, à sua maneira. De fecho de fronteiras. Um passo atrás no esforço imenso feito de há 60 anos a esta parte. Uma forma de empobrecimento barato. Um meio de colocar cada povo a produzir a sua fonte de energia, quando o vizinho a pode disponibilizar de forma mais barata e fácil. Um desígnio nacional que se traduz no virar as costas aos outros povos. Algo a que se deve pôr termo enquanto é tempo. Algo que nada tem a ver com as energias alternativas, verdes e limpas e que não pode ser confundida com estas. A busca da independência energética é perniciosa e perigosa; uma armadilha que devemos ter o cuidado de evitar.
Aqui ao lado
Paul Krugman confessa-se “aterrorizado” com a situação ecómica espanhola.
El Nobel de Economía y gurú del presidente del Gobierno, Paul Krugman, está “aterrado” por la situación de la economía española y urge a acometer reformas estructurales de calado.(…)
Krugman aboga por una reducción de salarios y precios y considera que España “necesitaría una deflación relativa del 15%” para salir de esta situación. Y, además, reconoce que es posible que España “estuviera en mejor situación si jamás se hubiera unido al euro”, aunque consideró que la pertenencia al área de la divisa única “es irreversible” y querer salir del euro aunque fuera de forma temporal “nos llevaría al caos”.
En el caso de España, Krugman cree que sólo se podrá salir de esta situación con un proceso interno de aumento de la productividad. De lo contrario, España estará abocada a una reducción drástica de los salarios, “lo cual es un proceso muy doloroso”.
El economista ha remarcado que España se encuentra en una situación especialmente difícil en comparación con el resto de los países europeos. “Los próximos años van a ser muy difíciles para los españoles”, ha resaltado durante su intervención en Innovae, un foro del Ministerio de Ciencia e Innovación.
O regresso do proteccionismo
Uma claúsula incluida no plano de recuperação (mais um…) assinado por Barack Obama na semana passada previa o fim do programa experimental (*) permitia a alguns camionistas mexicanos fazer entregas nos EUA sem fazerem transbordos na fronteira. Em retaliação, o México anunciou ontem o aumento de tarifas alfandegárias em 90 produtos.
(*) Enquanto membros do Senado tanto Obama como Biden opuseram-se a este programa.
Leais, Imparciais & Liberais – apresentação no Porto

“Leais, Imparciais & Liberais – Crónicas a Três Andamentos” de José Manuel Moreira
Depois dos fetos, os velhos e os doentes
Sempre com eufemismos cuidadosamente escolhidos (antes “interrupção voluntária da gravidez”, agora “morte medicamente assistida”), a extrema-esquerda vai impondo a sua agenda – de causa fracturante em causa fracturante até à fractura final: Francisco Louçã defende “legalização da morte medicamente assistida”
O coordenador do Bloco afirmou que o seu partido irá participar no “combate à obstinação terapêutica” e contribuir para que os cidadãos possam ter “acesso livre e informado à morte assistida”.
Poucos acreditarão que a iniciativa visa, efectivamente, combater a “obstinação terapêutica” mas há um aspecto da mensagem de Louçã que é inteiramente credível. Historicamente, o socialismo nunca foi particularmente eficaz a proporcionar o acesso dos cidadãos à larga maioria dos bens e serviços, mas revelou-se sempre terrivelmente eficaz a garantir o “acesso livre e informado à morte”.
“Livres e informados” como estamos, estou certo de que em breve daremos mais um passo rumo aos amanhãs que cantam…
Mais um caso de sucesso do “eduquês”
Escola de Aveiro levanta processo disciplinar contra aluna que agrediu professora
“A aluna já estava num percurso curricular alternativo, numa turma especialmente construída para dar apoio específico a este tipo de problemas, mas, neste caso, nada levaria a prever que uma coisa destas pudesse acontecer”, declarou Engrácia Castro.
Uma situação de disfunção. Por Helena Matos.
Logo e sendo a escola de hoje um espaço de relação e não um local onde se transmitem conhecimentos pode dizer-se que acontecimentos como este revelam e confirmam a vitalidade da escola relacional de ensinantes e aprendentes, de interacção.
Mark Sanford a Presidente…
Mark Sanford, o actual Governador da Carolina do Sul, seria uma excelente opção para o GOP se distanciar dos 8 anos de despesismo e intervencionismo que caracterizaram as presidências de George W. Bush: “Não achamos uma boa idéia gastar dinheiro que não temos”. Por Diogo Costa.
Para Sanford, não há solução imediata para a crise, e aumentar os gastos públicos com programas governamentais insustentáveis só vai piorar o problema.
Março 16, 2009
Doutrina Portas
Hoje ouvi o Dr Paulo Portas na rádio, a falar sobre a baixa de impostos para as empresas que, nesta altura, têm maior dificuldade em captar encomendas e manter empregos, ou seja, as PME. Dizia ele que esta baixa de impostos “faz sentido do ponto de vista doutrinário” e mais ainda nesta “conjuntura”.
Eu gostava de perguntar-lhe é que raio de doutrina é essa? Essa do cherry-picking da baixa de impostos, a do transferir do Joaquim para o Manel, com o estado pelo meio a ficar com 65% dos recursos que tira ao primeiro. Deve ser a Doutrina Socialista da Transferência. DST, portanto.
Quem não tem encomendas fecha. Ponto.
Do ponto de vista das empresas e no que respeita à fiscalidade, o que é preciso não é baixa de impostos nenhuma, é que o estado deixe de cobrar impostos disfarçados de taxas e.g. taxa autónoma, e que deixe de cobrar impostos sobre rendimentos que não existem e.g. PEC e PC, ou sobre colecta presumida. O resto é a DST de que padecem os partidos portugueses do BE ao CDS.
Inflação monetária, inflação de preços e crises financeiras
História do crescimento da massa monetária (M2 USD YOY, desde 1960). Por Carlos Novais.
Quique Flores vs. Paulo Bento
Verdade Inconveniente. Por Jorge A.
O treinador do Benfica com melhor plantel está a fazer uma pior época que o treinador Paulo Bento.
O exemplo sueco
Na sua última crónica no Expresso, o Henrique Raposo diz, com toda a razão, que “Portugal deveria olhar” para o exemplo da Suécia, que, nos anos 90, em resposta a uma grave crise financeira, nacionalizou os bancos mas de seguida promoveu uma série de reformas liberalizantes na saúde, educação e segurança social. Já há alguns meses, eu havia escrito o mesmo aqui: se seguirmos o “exemplo” apenas pela metade, iremos acabar por ter de lidar com o empobrecimento generalizado das populações. Se, no entanto, prestarmos atenção ao que a Suécia fez, não apenas em 1992, mas ao longo de todos os anos 90, talvez tenhamos uma oportunidade de escapar a esse fim. Infelizmente, parece que estamos a escolher a primeira hipótese.
Confiança
Os campeões das bases de dados, do cartão único, dos chips nas matrículas e do registo de ADN não conseguem guardar os seus próprios dados.
Adenda: Pela foto incluida na notícia, podemos constatar que as «autoridades deslocaram-se às instalações do PS» de taxi.
Norma e intencionalidade em F. A. Hayek
De uma forma simplista, tenho lido com frequência que o “neoliberalismo [seja lá o que isso for] não tem regras”, funcionando sob a “ditadura do mercado”. Refutam-se, depois, com inúmeros argumentos, princípios do liberalismo que são colocados sem qualquer explicação nem substância, e que aparecem fragilizados pela distorção como são apresentados no debate.
Sem entrar em grande explicações, reproduzo algumas considerações que preparei em tempos sobre as concepções de lei – “Laws” e “Commands” – que Hayek nos apresenta no seu “The Constitution of Liberty”. (mais…)
Anestesia
Infelizmente não acredito em mudanças sem dor, tirando, naturalmente, as pequenas adaptações de vamos fazendo de vez em quando. Sendo assim, e quando falamos como é que Portugal pode sair das crises em que se encontra (a actual e a que já vem de ’99) a resposta é fácil, com os caminhos apontados há já muito tempo e demasiadas vezes. Que precisamos de menos despesa pública, menos peso do Estado, menos impostos, mais Justiça, mais políticos mais sérios (o serem ou não licenciados é uma questão menor, desde que sem batota), uma reforma administrativa capaz e descentralizadora, verdadeiramente descentralizadora como o são as que não se limitam a criar mais centros de poder espalhados pelo país, uma reforma do poder político gradual que, gradualmente dê mais poder ao Parlamento e por aí fora numa lista tão infindável quanto cansativa de enumerar para quem já pisou e repisou estes assuntos.
Apesar de tudo isso, é preciso bater no fundo. Infelizmente, é assim mesmo. E porque a maioria dos portugueses ainda não bateu no fundo, nada vai mudar tão cedo. Muitos têm empregos precários, mas sustentados, privilégios caducos, mas mantidos, à força do hábito e da lei. Enquanto uma parte substancial da população portuguesa não perceber que o seu modo de vida não tem condições para continuar e não estiver disposta a prescindir do agora, para o depois. A renunciar hoje, para receber amanhã. A pensar mais nos filhos e na geração que vem depois, nada se vai fazer que não seja uma pequena anestesia para aliviar a dor. E sem dor, é como se sabe.
A religião já não é o que era
Não se pode dizer que, para banco imbuído de Espírito Santo, este seja administrado por gente muito devota: “A administração do Banco Espírito Santo recomendou hoje aos accionistas um aumento de capital até 666.666.666 euros [...]“.
Cuidado com a inflação!
“Ease Up On The Gas Pedal, Bernanke!” de David C. Rose e Lawrence H. White (Forbes)
Inflation is reigniting. The U.S. Bureau of Labor Statistics announced last week that consumer prices, which had declined from November and December, rose 0.4% between December and January, an inflation rate of 4.9% on an annualized basis. The bureau announced earlier that producer prices rose 0.8% in the same period, a 10% annual rate of inflation.
Why is this happening? The answer is painfully clear. From the end of January 2008 to the end of January 2009, the Federal Reserve’s monetary liabilities, the sum of currency and bank reserves known as the “monetary base,” more than doubled. This is a year-over-year expansion unprecedented in the Fed’s history. During the last three months of that period alone, the base grew an incredible 50%. (At that pace, it would have quintupled in a year’s time.) The base has thankfully receded a bit in February.
Recomendo a leitura integral deste artigo.
Quase de graça
Manter o BPN como banco autónomo custará 2,5 mil milhões ao Estado português. Isto porque às imparidades já detectadas no BPN de 1,8 mil milhões de euros, somam-se agora mais 700 milhões de euros de um reforço necessário dos capitais próprios de base, para cumprir a nova meta de Tier 1 mínimo de 8%, imposta pelo Banco de Portugal
Forças ocultas e campanhas negras
(…) as lendas atraem o escol como as ideologias atraem os homens comuns e como as descrições de “terríveis” forças ocultas atraem a ralé e a escória (…).
Hannah Arendt, As Origens do Totalitarismo
Há algumas semanas surgiu na imprensa portuguesa uma crónica burilada por pena servil que, sem medo de cair no ridículo (e aqui não sei se devemos louvar a coragem ou lamentar a insensatez), aproveitou o alvoroço em redor do caso Freeport para sugerir um paralelo entre o primeiro-ministro português e Dreyfus, o oficial judeu do exército francês que no final do século XIX se viu involuntariamente envolvido numa trama de dimensões inconcebíveis. (É verdade que a crónica nunca esclarece os seus propósitos, mas o debate que se seguiu permite-me abordar o assunto por esta perspectiva sem recear estar a cometer uma injustiça). A irreflectida analogia já foi suficientemente denunciada por muitos que, contra ventos e marés, insistem em manter uma postura de lucidez e não embarcam na chavização do espaço público, e talvez já seja assunto do passado neste mundo acelerado dos blogues. Mas não sei se foram ao cerne da questão.
Dreyfus foi um alvo fácil num fin de siécle anti-semita que haveria mais tarde de atear chamas a toda a Europa. Os manipuladores apontavam o dedo a “forças ocultas”, e viam conspirações em cada esquina, ou pelo menos tentavam inculcar no povo essa crença. Dreyfus, por uma armadilha do destino, foi eleito como o rosto visível de uma putativa “campanha negra” contra o Estado francês. Não sei se percebem onde quero chegar. Sócrates não é um Dreyfus contemporâneo. Sócrates é uma manifestação actual — uma cópia inconsciente? — dos demagogos que incendiaram a turba que condenou o oficial judeu na praça pública. Repare-se no discurso do primeiro-ministro no último congresso do PS! Palavras daquelas só podem mesmo atrair a ralé e a escória, e perdoem-me aqueles a quem a carapuça serve, ou aqueles que enfiam o barrete, que é expressão distinta — conquanto ainda no registo dos afagos da moleirinha — mas que também se ajusta bem aqui.
Não, Sócrates não é Dreyfus. Quanto muito seria Edouard Drumont, se também quiséssemos entrar nestas comparações estapafúrdias, que tentam urdir ligações entre um caso que marcou a História do século XX e as prevaricações de um pobre diabo com aspirações a tiranete.
Sócrates é fásssista!
A CGTP ainda se ficou pela acusação de “atitude provocatória” mas Jerónimo de Sousa não fez a coisa por menos e associa os argumentos empregues por Sócrates à longa noite fásssista.
Com um misto de subserviência ideológica e cálculos eleitoralistas de vistas curtas, boa parte da direita partidária e mediática que temos certamente aplaudirá, o que diz mais sobre a dita direita do que sobre o fásssismo de Sócrates. Depois não se espantem com o resultado da extrema-esquerda…
Leitura complementar: O PS de Sócrates e a extrema-esquerda (2); O PS de Sócrates e a extrema-esquerda; Basbaques.
Março 15, 2009
“Jogos Africanos” e a ignorância de quem emite juízos de valor baseado em dogmas
Quando comecei a ler o livro que cito no post anterior, “Jogos Africanos”, assinalei com atenção uma passagem, aliás autocrítica, de Jaime Nogueira Pinto, sobre a forma como este via África, nos anos 60, passagem que na última semana recordei ao ouvir e ler as inúmeras considerações sobre Angola feitas tantas vezes por quem não faz a mínima ideia do que por lá se passa:
(…) Mas, curiosamente, e porque à semelhança dos nossos inimigos “associativos” da esquerda, éramos uns ideólogos intelectualmente convencidos, animados por uma radicalidade primitiva e absoluta, passámos a ver essa África (…) como um ponto de doutrina, uma abstracção (…). Por isso, depressa o entusiasmo foi absorvido e integrado numa doutrina: lógica, racional, feita de cima para baixo. Com as características de abstracção, generalidade e universalidade das leis (…). Uma África que nunca tínhamos visto ao natural e muito menos vivido (…)