O Insurgente

Março 25, 2009

EUA e Irão: no reino da hipocrisia

Filed under: Internacional,Médio Oriente,Política — Miguel Noronha @ 15:27

“Ta’aruf” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Na generalidade dos países árabes, ‘ta’aruf’ significa conduta apropriada; no Irão o termo foi deturpado e significa hipocrisia cerimonial.

Não me surpreenderia que o termo tivesse sido referido a propósito da mensagem vídeo que Obama dirigiu aos “líderes e ao povo iraniano”: uma oferta de aproximação, educada mas falsa e inaceitável. ‘Ta’aruf’. Por entre referências lisonjeadoras à cultura e história persas, Obama repete o preço do costume da normalização das relações políticas e diplomáticas com o Irão: o abandono do programa de armamento nuclear e o fim do apoio ao terrorismo xiita. Poderia ter sugerido ao Ayatollah Khamenei e ao seu Conselho dos Guardiões que se suicidassem: politicamente era o mesmo, mas não seria ‘ta’aruf’. O verdadeiro propósito da mensagem é tão evidente quanto inconfessável: com a aproximação das eleições presidenciais no Irão, o governo americano pretende retirar credibilidade à ameaça externa do “Grande Satã”, que serve como instrumento de demagogia populista, e desse modo reduzir a probabilidade de reeleição de Ahmadinejad. Mas as eleições no Irão contam pouco: uma série de enxertos constitucionais colocam o poder efectivo nas mãos da elite clerical. Acima do presidente eleito paira a autoridade ilimitada do Supremo Líder, o Ayatollah Khamenei -uma degenerescência tirânica do rei-filósofo platónico. Mesmo assim, a eleição de um moderado favorável à reintegração do Irão nas normais relações internacionais é impensável para o regime.(…)

As aspirações dos iranianos estão em conflito com os interesses da elite corrupta, cuja prosperidade depende do actual estado de coisas e para a qual uma maior abertura exterior implicaria ver o seu feudo político contestado. É com esta elite, e não com o “povo iraniano”, que a presidência americana tem de negociar. Sucede que os governantes não vão abandonar o programa de armamento nuclear: é o seguro de sobrevivência que os protegerá contra eventuais tentativas de interferência exterior. Também nunca deixarão de apoiar grupos terroristas como o Hamas ou o Hezbollah: são instrumentos úteis, não só na luta contra Israel mas também na oposição aos projectos de hegemonia sunita. Alguns entendimentos são possíveis, sobre a estabilização do Iraque, ou na luta contra os talibãs -adversários do Irão. Mas a revolução é uma realidade total que se esgota em si mesmo. A desistência do programa nuclear significaria a normalização do regime e anunciaria o fim irrevogável da revolução -e com ele da legitimidade da elite clerical que controla o Irão.

E agora?

Filed under: Economia — Miguel Noronha @ 14:59

Jornal de Negócios

O Reino Unido não conseguiu vender 1,75 mil milhões de libras de obrigações, pela primeira vez desde 2002, numa altura em que os investidores estão receosos com o plano do primeiro-ministro Gordon Brown para travar a crise económica.

ADENDA: No Bloomberg

Treasury notes declined for the fifth day as a failed debt auction in the U.K and U.S. sales of $98 billion of notes this week raised concern record amounts of government securities will overwhelm demand

Como se arruína uma democracia

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:22

Pegando neste post do Henrique, nunca é demais salientar que a importância do cargo de Provedor não está no poder explícito que não detém, mas na influência que resulta da sua mera existência. Somando o post do Henrique ao que escrevi ontem sobre as candidaturas simultâneas ao Parlamento Europeu e às autarquias de Sintra e do Porto, mais o anúncio (não encontro outra palavra que não seja xenófobo) do Bloco de Esquerda, sou forçado a concluir que estamos a delapidar o património da nossa democracia. Estamos a destruir as nossas fundações democráticas. Quando não queremos saber do valor que certos cargos públicos têm, do papel que representam na sociedade, quando não atribuímos a devida importância à decisão dos eleitores, não respeitamos a sua decisão eleitoral, dando a cara numa eleição ao mesmo tempo que nos escondemos em listas de eleição assegurada, estamos desbaratar o bom senso e um património intelectual que levou anos a produzir. Desaproveitamos aquelas que são as bases de uma democracia saudável. E quando, subtilmente, desvirtuamos o discurso e somos contrários ao desenvolvimento económico e ao bem estar social dos outros povos, quando não nos importamos se vivem mal se bem, se têm ou não emprego, perdemos o elo que nos liga aos outros. Perdemos dignidade, quando já não queremos saber. Perdemos a razão de ser quando aceitamos tudo. Nos sujeitamos a tudo. Quando perdemos o mínimo da decência.

“The devalued Prime Minister of a devalued Government”

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 11:49

A não perder, a réplica de Daniel Hannan ao discurso de Gordon Brown ontem em Estrasburgo.

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Ainda a propósito, o Bank of England avisou o governo que o presente estado das finanças públicas não comportava mais reduções de impostos ou aumentos de despesa.

Quem é mais xenófobo?

Filed under: Blogosfera,Política — Carlos Guimarães Pinto @ 10:01

A extrema direita não se importa que se deslocalize uma empresa de 100 trabalhadores para a Eslováquia, desde que não se traga 100 Eslovacos para Portugal.
A extrema esquerda não se importa que se traga 100 Eslovacos para trabalhar numa fábrica em Portugal, desde que a empresa não seja deslocalizada.
Para os trabalhadores portugueses, ambas as soluções vão dar ao mesmo. Para os trabalhadores Eslovacos, a deslocalização é melhor porque se podem manter no seu país. Xenofobia por xenofobia, a da extrema direita sempre é mais branda para os estrangeiros.

Então está bem…

Filed under: Desporto,Portugal — Miguel Noronha @ 09:16

Afinal foi um erro normal.

Deslocalizações

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:50

O Vasco Campilho está cheio de razão

Se Le Pen falar de deslocalizações, é xenófobo.

Se Sarkozy falar de deslocalizações, é proteccionista.

Se o Bloco falar de deslocalizações, é solidário

Como não podia deixar de ser, algumas almas mais perturbandas dizem ser contra as deslocalizações devido a uma coisa chamada “dumping social”. Imagino que também se indignem quando empresas troquem a França ou a Alemanha por Portugal ou que reprovem todo o investimento estrangeiro aqui realizado durante a décadas de 50-60 do século passado. E, já agora, podemos investir no Brasil, em Angola ou em Timor?

Portuguese jobs for portuguese workers

Filed under: Política — Carlos Guimarães Pinto @ 03:35

O Bloco de Esquerda editou um vídeo quase inteligente baseado no anúncio polémico da Antena 1. Digo quase inteligente porque não conseguiram evitar a tentação demagógica e acabam o vídeo com uma tirada xenófoba sobre deslocalização de empresas. (via Arrastão)

Mais ácido – Sexty Sexers

Filed under: Videos — Helder Ferreira @ 00:40

Ainda não sei se vos hei-de convidar para ouver os Dollar Llama junto com outros amigos meus ou, o que não seria mau, se hão-de ser estes aqui abaixo. Para ouvir mais é ir ao Myspace dos gajos. Uns bascos do pior. Muito bons.

Março 24, 2009

La increíble autoexculpación de la ministra

Filed under: Comentário,Internacional,Política — Carlos M. Fernandes @ 22:52

(…) La edulcorada versión de Carmen Chacón choca, en primer lugar, con los hechos. Ni Miguel Angel Moratinos, ministro de Exteriores, ni el embajador ante la OTAN, ni el embajador en EEUU estaban informados de la retirada. Se enteraron cuando la ministra se lo comunicó a los soldados. (…)
En este contexto, sólo cabe calificar de ridículas las declaraciones de ayer de Trinidad Jiménez, que afirmó que Carmen Chacón está siendo víctima de ataques «cargados de machismo». A juzgar por sus palabras, no se puede criticar la política de defensa porque su titular es una mujer. Cuando las ministras Bibiana Aído y Magdalena Alvarez cometieron graves meteduras de pata, también se refugiaron en idéntica excusa para no reconocer sus errores, de la misma forma que en el PP no faltaron quienes tacharon de «machismo» el mero hecho de preguntar a Ana Mato por el Jaguar de su entonces marido. Y es que se ha convertido en habitual invocar este latiguillo cuando no se tienen argumentos.

A bandeira da “igualdade de género” é arriada ao primeiro erro. Afinal há diferenças entre homens e mulheres na política. Os homens podem ser criticados, as mulheres não…porque são mulheres e criticar é machismo. É uma técnica tão desesperada e desastrada que até dá vontade de rir. (Mas ficou muito bem na fotografia, a senhora Chacón, há cerca de um ano. Os progressistas ficaram emocionados, e isso é o mais importante.)

Novidade blogosférica

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 16:47

O Clube das Repúblicas Mortas é o novo blog do Henrique Raposo e Rui Ramos. Preciso dizer mais?

socialismo

Filed under: Diversos — rui a. @ 16:16

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O Miguel Madeira comentou o meu post sobre o socialismo, afirmando a tese de que o pensamento socialista é avesso à existência do estado, ao contrário do que eu afirmo. Apesar do Miguel ser socialista e eu não, julgo que é ele quem está equivocado. Passo a explicar. E, para precisarmos conceitos, gostaria de dizer que me refiro ao socialismo marxista e não a qualquer outra modalidade, que considero desprovida de importância prática e histórica, se comparada com aquela.

Ora, para o marxismo, a sociedade comunista é a finalidade última da revolução e o socialismo uma mera via de acesso a esse fim. De facto, na sociedade comunista, como bem diz o Miguel, o estado desapareceria por si, em razão das transformações operadas pela revolução, principalmente a abolição da propriedade privada. Mas já não é assim na fase transitória que é o socialismo, em que Marx acreditava ser necessária a tomada do estado pelos revolucionários, a fim de realizarem a revolução. É também verdade que outros socialistas, como os anarquistas influenciados por Bakunin, defendiam a imediata extinção do estado, como condição imprescindível à revolução. Mas não era isso que pensavam Marx e os marxistas. Esta mesma clivagem levou a cisões importantes no movimento socialista, entre elas, desde logo, as ocorridas na Associação Internacional dos Trabalhadores, ou Primeira Internacional, que originaria mais tarde, em 1882, a Segunda Internacional, ou a Internacional Socialista, de cunho declaradamente marxista.

A demonstração prática da doutrina marxista foi feita por Lenine, como é sabido. Sobre a sua “obra” não há doutrinas ou citações que prevaleçam. E o que fez Lenine? Tomou de assalto o estado russo e transformou-o na mais violenta máquina de opressão sobre um povo de todo o século XX. Na Revolução Bolchevique, o estado, longe de desaparecer, atingiu uma dimensão nunca antes vista. Não era ainda chegada a hora do comunismo, muito provavelmente… Como, por esse prisma, ele nunca chegou na vindoura União Soviética. O que por lá houve foi, de facto, a negação dos direitos fundamentais do cidadão, entre eles, o acesso à propriedade privada, à liberdade de expressão, aos valores essenciais do direito natural, etc. Longe de desaparecer, o estado foi mais forte e violento do que nunca fora na história da Rússia. O que por lá houve foi socialismo, à boa maneira de Karl Marx.

P.S.: O liberalismo não enjeita o pessimismo antropológico. Só que, ao invés dos socialistas, utiliza-o para diminuir a dimensão do estado e não para a aumentar. Esse é mais um forte argumento para um bom entendimento entre liberais e conservadores, que o Miguel afirma, e bem, que eu modestamente promovo. Escreverei sobre isso, por um destes dias.

Uma petição contra o protecionismo para o G-20

Filed under: Economia,Política — Pedro Sette-Câmara @ 15:52
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A liberdade econômica (que está relacionada às outras liberdades) tem dois inimigos mortais: o governo e as grandes corporações, que freqüentemente se juntam para prejudicar os consumidores (também conhecidos como cidadãos), obrigando-os a pagar mais por produtos piores. Isso é feito sob uma miríade de desculpas pomposas, do nacionalismo à proteção de empregos. Você pode ficar feliz por achar que “ajuda seu país”, enquanto um empresário do seu país fica felicíssimo por ter a competição artificialmente prejudicada e um político igualmente feliz por receber algo para criar essa legislação. Todos perdem, exceto a pequena elite que pode comprar aqueles produtos importados mesmo mais caros.

Para combater esse câncer social e político que é o protecionismo, a Atlas Global Initiative preparou uma petição para ser divulgada na imprensa mundial às vésperas do próximo encontro do G-20 em Londres. Eu mesmo traduzi o texto da petição, que também está disponível em inglês. Leia no idioma de sua preferência e, se você for economista, por favor assine. O objetivo é coletar 1000 assinaturas.

First, do no harm

Filed under: Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política — Miguel Noronha @ 14:41

“Do not let the ‘cure’ destroy capitalism” de Gary Becker e Kevin Murphy

New economic policies that try to speed up recovery should follow the first principle of medicine: do no harm. This runs counter to a common but mistaken view, even among many free-market proponents, that it is better to do something to try to help the economy than to do nothing. Most interventions, including random policies, by their very nature would hurt rather than help, in large part by adding to the uncertainty and risk that are already so prominent during this contraction.

Government reactions have demonstrated the danger that interventions designed to help can exacerbate the problem. Even though we had well-qualified policymakers, we have gone from error to error since August 2007.

The policies of the Bush and Obama administrations violate the “do no harm” principle. Interventions by the US Treasury in financial markets have added to the uncertainty and slowed market responses that would help stabilise and recapitalise the system. The government has overridden contracts and rewarded many of those whose poor decisions helped create the mess. It proposes to override even more contracts. As a result of the Treasury’s actions, we face further distorted decision-making as government ownership of big financial institutions threatens to substitute political agendas for business judgments in running these companies. While such dramatic measures may be expedient, they are likely to have serious adverse consequences.

These problems are symptomatic of three basic flaws in the current approach to the crisis. They are an overly broad diagnosis of the problem, a misconception that market failures are readily overcome by government solutions and a failure to focus on the long-run costs of current actions.

Sinais

Filed under: Economia,Internacional,Política — André Abrantes Amaral @ 12:29

U.K. Inflation Unexpectedly Rises.  Depois não se queixem.

Da responsabilidade na política

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:48

A incapacidade dos dois maiores partidos chegarem a um entendimento sobre matérias essenciais, manifestada na escolha do novo Provedor de Justiça, mais a candidatura simultânea de alguns políticos a vários cargos, de forma a garantirem uma eleição, qualquer que ela seja, são sinais perigosos do avançado estado de degradação da vida política em Portugal. Relativamente a este último exemplo, de candidatura simultânea a vários cargos, temos o caso de Ana Gomes e de Elisa Ferreira, como candidatas às autarquias de Sintra e do Porto (a primeira é ainda uma possibilidade) e também nas listas do PS às eleições para o Parlamento Europeu.

Ambas já disseram não existir qualquer incompatibilidade nas suas candidaturas, tendo as duas referido que irão desistir do lugar no Parlamento Europeu, caso vençam as respectivas corridas autárquicas. Ou seja, com o cuidado de terem como garantido outro cargo público e apenas no caso de vitória na segunda corrida eleitoral a que se sujeitam, esquecendo que irão ser eleitas vereadoras, exercício de função para o qual se candidatam também, mas que, desde já, recusam.

As candidaturas simultânea a cargos, cujo exercício conjunto é praticamente impossível, nem precisa de ser proibida por lei. Decorre do mero bom senso. É do senso comum que a política implica correr riscos políticos. Sendo a eleição para um cargo público, algo sagrado, um pacto solene para com o povo, a quebra de tal compromisso, sem motivo de força maior e justificável, pior, a quebra a priori desse mesmo compromisso, é mais um sinal dos tempos que ferem de morte a política como actividade indispensável para o desenrolar saudável de uma democracia.

Correspondência atrasada

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 11:45

Os meus parabéns ao Concunda (Lusa Voz) e ao Carlos (Contra a Corrente) por mais um anivesário blogosferico. Que contem muitos mais.

Nós já lá chegámos

Filed under: Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política — Miguel Noronha @ 11:38

Da entrevista de Mary Anastasia O’Grady a Gary Becker (WSJ)

As the interview winds down, I’m thinking more about how people can make pretty crazy decisions with the right incentives from government. Does this explain what seems to be a decreasing amount of personal responsibility in our culture? “When you get a larger government, when you have the government taking over Social Security, government taking over health care and with further proposals now for the government to take over more activities, more entitlements, the rational response is to have less responsibility. You don’t have to worry about things and plan on your own as much.”

That suggests that there is a risk to the U.S. system with more people relying on entitlements. “Well, they become an interest group,” Mr. Becker says. “The more you have dependence on the government, the stronger the interest group of people who want to maintain it. That’s one reason why it is so hard to get any major reform in reducing government spending in Scandinavia and it is increasingly so in the United States. The government is spending — at the federal, state and local level — a third of GDP, and that share will go up now. The higher it is the more people who are directly or indirectly dependent on the government. I am worried about that. The basic theory of interest-group politics says that they will have more influence and their influence will be to try to maintain this, and it will be hard to go back.”

Ainda o ajustamento dos salários

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:10

Pedro Lains defende que deve que o ajustamento salárial deve ser feito pelo mercado e não por qualquer decisão centralizada

Há uma discussão já algo esmorecida mas de que convém falar um pouco mais pois tem implicações importantes. Trata-se do nível dos salários. As contas dizem que em muitos países eles estão demasiadamente altos em relação aos respectivos níveis de competitividade externa. (…). Têm portanto de baixar. Em Portugal é um velho problema e há uma estimativa com 2 ou 3 anos que punha o desfasamento em 20%. Hoje deve ser mais, muito mais. Em Espanha, esse desfasamento é de 15%. Logo cá deve ser de 30% ou mais. O que fazer?

Há apenas uma forma de resolver o assunto, que é sempre a mesma, a saber, deixar o mercado trabalhar. Pode haver alguma ajuda nesse ajustamento, pontual de estímulo aqui, estímulo ali. Mas o mercado deve ser quem deve levar à correcção. Porquê? Muito simplesmente porque só ele pode dizer quanto se deve reduzir e onde para que a redução média seja a necessária. Haverá algum departamento do Estado, algum gabinete de estudos, alguma consultora, algum sindicato que posso dizer que se deve reduzir 23% nos sapatos, 11% na química, 35% no papel e 12% nos bancos? E haverá quem posssa escolher as empresas onde a redução deve ser maior ou menor? E quem coordene tudo isso? Não, não há. Isso seria planificação económica.

LEITURAS COMPLEMENTARES: Aqui ao lado; Aqui ao lado (2); Aqui mesmo; Custos Unitários do Trabalho – Selecção de Países da União Europeia

Servir ou não servir

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 01:18

As crises, nos países de cunho socialista, como Portugal, são particularmente devastadoras. A ilusão de igualdade, herdeira da infame Revolução Francesa, desfaz-se num ápice quando a economia estremece, e logo se revela a outra igualdade, a de Animal Farm (todos os animais são iguais, mas…). A sociedade divide-se então em duas classes: aqueles que vivem na sombra do Estado, e os outros, aqueles que, como se diz, vão fazendo pela vida, e que em muitos casos sustentam os vícios da outra metade. Pelo meio ficam alguns cidadãos, cada vez mais raros, que sempre perceberam e honraram as suas responsabilidades no “edifício” público. Não contam, pois rapidamente são engolidos pela avalancha. (Há ainda outros, aqueles que o sistema colocou entre a autonomia e o serviço público, que foram brindados com deveres sem nunca ter  “os direitos”, e que servem o serviço público (!), inseridos numa espécie de meta-administração, ou parasitagem, se preferirem. Esses representam também um dos elos mais fracos.)
Dado este cenário deprimente, é melhor, para todos os que são arrastados, no início, para a margem, que a queda do sistema não seja amparada. Quando tudo arder, não haverá ninguém fora da arena onde se travarão os combates decisivos. A situação será particularmente cruel para aqueles que nunca entenderam bem o seu papel. Talvez nessa altura se arrependam de nunca terem reflectido, por exemplo, no facto do termo anglo-saxónico que designa a sua função ser public servers.

Dollar Llama

Filed under: Videos — Helder Ferreira @ 01:12

Cheira-me que daqui a pouco hei-de convidar-vos a ir ouvêr-los…
Para quem está cheio deste som mais grunge, ouça os novos temas. Talvez a meio caminho entre Mettalica e Megadeth. Estamos aqui estamos em Slayer. Lol. Muito bom roque ende role feito por portugueses.

Março 23, 2009

A “Europa” precisa de bom senso, não de visão

Filed under: Comentário,Política,Portugal,União Europeia — Bruno Alves @ 23:37

(publicado também aqui)

Na sua crónica no Público, Rui Tavares, já em campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, critica a falta de “visão” de Durão Barroso enquanto Presidente da Comissão Europeia: seria bom que Durão, mesmo que “não chegasse a ser um Barack Obama”, “ao menos conseguisse ser um Jacques Delors”, e Rui Tavares lamenta que tal não aconteça. No Blasfémias, por sua vez, Pedro Madeira Froufe critica Rui Tavares por desvalorizar Delors, a quem “a história regista obra feita”, enquanto Barack Obama não passa (por enquanto) de “uma esperança em construção” (e acrescentaria eu, uma desilusão à espera de acontecer).

Independentemente deste pequeno desacordo, um e outro concordam quanto a Delors ter sido um político de visão, e que seria alguém como ele que a “Europa” precisava, em vez de Durão. Não querendo defender o nosso ex-Primeiro-Ministro (longe de mim dizer que a “Europa” precisa de um oportunista que põe a sua ambição pessoal à frente de tudo o resto), não me parece que um “novo Delors” fosse o ideal para a Europa. Quanto mais não seja porque o original também não foi grande coisa.

Os lamentos de Rui Tavares são corriqueiros. É comum ouvir-se falar com saudade dos tempos de ouro de Delors, Kohl e Mitterrand, líderes com uma “visão” para a “Europa”, que contrastam com os “cinzentos” líderes de hoje, excessivamente concentrados nos seus respectivos “interesses nacionais”. Mas será que esta visão da história recente é correcta?

Seria bom começar por notar que ela ignora a diferença entre as circunstâncias actuais e aquelas com que tiveram de lidar Delors, Kohl e Mitterrand. Pois é muito mais fácil “unir” a “Europa” em torno de uma política aduaneira comum, em torno de um mercado livre entre os seus membros, do que em torno de uma política externa comum, por exemplo, como exigem hoje a Brown, Merkel e Barroso, os que choram de saudade pelos homens de 1992. Aliás, se aplicarmos a esses homens a exigência que fazemos aos líderes políticos de hoje, acabaríamos por acusá-los da mesma ineficácia, da mesma “ausência de pensamento estratégico”, dos mesmos “egoísmos nacionais”. Pois tal como Blair, Schroeder e Chirac se dividiram quanto ao Iraque, também os homens dos anos 90 se dividiram quanto à Jugoslávia, por exemplo.

E quanto à questão institucional? Dirá o leitor que, enquanto Brown, Merkel e Sarkozy não conseguem sair do “impasse” em torno da “Constituição” Europeia, os saudosos Kohl, Mitterand e Delors conduziram a “Europa” num processo de acentuada (e bem sucedida) integração, com o Acto Único Europeu, a Moeda Única e o Tratado de Maastricht. Mas também essa visão ignora que é bastante mais fácil a proclamação de intenções e o traçar de metas ambiciosas (como uma política externa comum, prevista em Maastricht, ou o caminho para uma união política, traçado pelo Acto Único) do que o será estabelecer os arranjos institucionais que as permitam serem passadas à prática. Mais: são as próprias ambições delineadas por esses grandes “líderes” da Europa que conduzem ao “impasse” de hoje. É o facto de Kohl, Miterrand e Delors não terem percebido que as metas que traçaram eram demasiado ambiciosas para serem adoptadas com sucesso que abriu a estrada para os “dilemas constitucionais” que hoje se enfrentaram. E esse facto, se ocorresse aos que choram pelo desaparecimento dos santos da “Europa” dos 10/12, seria suficiente para desfazer o mito que alimentam, e que os conduz a uma tão deficiente compreensão dos problemas que a UE enfrenta actualmente e de como os poderá solucionar.

A “Europa” não precisa de “visão”. Precisa, acima de tudo, de bom senso. De prudência. De olhar para a sua actual composição, e perceber como se pode estruturar. À disposição dos líderes europeus de hoje, estão dois caminhos possíveis. Um, a construção de uma União Europeia assente num “mínimo denominador comum” entre os interesses dos seus 27 (ou mais) Estados-membro, em que os respectivos parlamentos nacionais (ou entidades regionais) tenham a última palavra a dizer sobre o maior número de matérias possíveis. Em alternativa, uma visão mais “maximalista”, com um arranjo institucional que, através de um alargamento do número de áreas sujeitas a votação por maioria qualificada, permita “políticas comuns” à revelia da vontade de uma parte dos Estados-membros, à revelia das opções dos governos eleitos pelos respectivos cidadãos. O primeiro caminho será menos ambicioso, certamente não fará da “Europa” uma “potência rival” dos EUA, mas será bem mais prudente e constituirá um garante de estabilidade institucional. O segundo será mais ambicioso, mas implica um maior potencial de conflito institucional, que poderia pôr em perigo, não só essas grandes ambições de que vivem os sonhos dos europeístas mais excitados, como a própria UE e a cooperação entre os países europeus.

Change!

Filed under: Cartoons,Diversos,Economia,Internacional,Política — Elizabete Dias @ 18:55


Gary Varvel

o outro

Filed under: Comentário,Fundamentos,Política,Teoria — rui a. @ 18:36

magritte-notrepro

O pensamento socialista parte de um pressuposto radicalmente pessimista sobre o género humano: não acredita que os homens possam, por si mesmos, em sociedade, estabelecer os vínculos necessários e suficientes à harmonia e ao desenvolvimento. O socialismo partilha da convicção hobbesiana de que se deixados a si mesmos, os homens propendem para a destruição e para o abuso de posição dominante. A sua crítica ao liberalismo está enfermada deste raciocínio. A sua defesa do estado e da intervenção pública também. No fim de contas, o socialismo desconfia da espécie humana.

O socialismo não acredita no outro. O outro é aquele que não conhecemos, que nos é estranho, e que a mentalidade socialista coloca sob reserva e suspeição. Na cosmologia socialista, o outro é o adversário, o inimigo potencial donde todos os perigos são expectáveis. O “patrão”, o “explorador”, o “incumpridor”, o “faltoso”, o “abusador”. O universo socialista está cheio de inimigos públicos, de adversários da “sociedade”, indevidamente identificada com o estado. Esta mentalidade admite mais facilmente o conflito do que a cooperação. Não acredita na livre composição de interesses, e julga que da liberdade incontrolada só pode resultar o caos.

No pressuposto de que a paz social e a boa ordem não são possíveis espontaneamente, o que sugerem, então, os socialistas? Que elas fiquem a cargo de instituições públicas estatais, dotadas de poderes e competências muito amplos e capazes de intervir em todas as dimensões da vida social, a fim de suprirem as alegadas insuficiências do relacionamento social livre (as ditas “insuficiências do mercado”).

Sucede que tais instituições são, elas mesmas, corporizadas por indivíduos. Nos regimes democráticos, por indivíduos que ocupam esses postos em razão de pertencerem a um determinado partido político, isto é, a uma associação de pessoas dotada de interesse próprio e finalidades exclusivas. Ao considerar que um grupo reduzido de indivíduos possa criar as regras e as instituições necessárias e suficientes ao convívio humano pacífico e ao desenvolvimento social, o socialismo transforma-se numa doutrina elitista.

De facto, todas as filosofias que aceitam a teoria das elites como dinamizador social são profundamente avessas ao género humano. Elas desconfiam dos homens e, por isso, confiam apenas em certos homens. Este vício é antigo, remonta, pelo menos ao governo dos sábios de Platão, às formas de governo aristocráticas dos clássicos, e foi actualizado, no século XX, pelas várias formas de socialismo e de estatismo. Assim, desde a “vanguarda do proletariado” leninista, à “tecnocracia” social-democrata das democracias europeias da segunda metade do século passado, até à unção dos “representantes do povo”, munidos da “legitimidade democrática” que lhes permite pôr e dispor do governo de um país, tudo são variações de um mesmo tema: os homens, se entregues a si mesmos, são incapazes de cuidar de si próprios; deixemos, pois, esse “pesado fardo” a quem sabe governar.

O socialismo e o estatismo, faces de uma mesma moeda, são, assim, em última instância, doutrinas políticas profundamente anti-democráticas. Mesmo nas modalidades em que aceitam e defendem o sufrágio universal, elas não consideram a hipótese da soberania se restringir a um núcleo básico de funções, preferindo retirá-las aos indivíduos, para confiá-las à elite que os governará. Neste pressuposto, é menos importante saber como se determina a designação dos governantes, do que conhecer os poderes que lhes estão confiados.

O nosso retrato

Filed under: Comentário,Media,Portugal — Maria João Marques @ 16:40

A entrevista de Rosalina Machado à revista do Sol neste último Sábado é todo um retrato de Portugal e das razões porque somos um país de faz-de-conta, independentemente do mérito da senhora, que não conheço e não posso ajuizar. Comecemos na descrição da carreira profissional, que parece ter sido conseguida com grande ajuda dos conhecimentos da família do marido da entrevistada. Continuemos no convite para a Ogilvy & Mother, que segundo Rosalina Machado foi obtido não por um knock-out aos executivos da empresa de publicidade através da brilhante competência demonstrada pela senhora mas porque estavam interessados na rede de conhecimentos que a entrevistada tinha. Depois destas informações prestadas, Rosalina Machado conta-nos que foi candidata ao Parlamento Europeu pelo PS, tendo desde o início posto a condição de, se eleita, não ocupar o cargo para o qual tinha concorrido e sido eleita (coisa que, não se refere, mas presumo não haver sido devidamente informada aos eleitores). Por fim, lá vêm as preferências políticas, o Sócrates que governa bem mas não comunica bem (!), o Mário Soares que é um amigo (coisa que fica sempre bem), a Maria José Nogueira Pinto que é outra amiga (também fica bem) e demais blablablá.

Já se sabe que Portugal é um país pequeno e que a rede de conhecimentos é essencial para o sucesso. Quase ninguém escapa a isto e muito pouca gente pode dizer que foi bem-sucedida sem ter gozado de algum benefício desta teia de conhecimentos. E o facto de se conhecer pessoas adequadas não implica que não exista mérito próprio no sucesso. Outra coisa é uma entrevista em que se reconhece como se da lei da vida se tratasse – e pelas preferências políticas reveladas, trata-se de alguém de esquerda, supostamente os campiões da igualdade – que as relações sociais determinam o nosso sucesso profissional; e como se não houvesse nada de errado no facto de uma mulher que é apontada como das mais bem-sucedidas em Portugal ter conseguido tudo devido à teia de conhecimentos e familiares do marido, como se não se devesse ter pudor em revelar algo assim e como se o jornalista não tivesse a obrigação de a questionar sobre esta forma de obter empregos. Também o facto de alguém se candidatar a umas eleições sem pretender ocupar o lugar para que eventualmente pudesse ser eleita não escandalizou – nem quem contou o episódio nem quem ouviu. Como se não fosse um desrespeito pelos eleitores e uma fraude à democracia.

Eu não sei o que é pior: se o facto destas coisas acontecerem, se as pessoas as contarem despudoradamente como se de procedimentos correctos se tratassem, se ninguém se escandalizar por as ler.

Blockhead Revisited

Filed under: Blogosfera,Comentário,Economia,Política — Miguel Botelho Moniz @ 12:26

No 5 Dias, Nuno Ramos de Almeida parece estar altamente entusiasmado com políticas “alternativas” e “reformas”, que “fariam uma autêntica revolução”. É engraçado como a história tende a repetir-se. Como dizia o outro, quem não se lembra do passado está condenado a repeti-lo. Das seis “medidas” enumeradas, de uma forma ou de outra, todas já foram executadas no passado com sensacional sucesso:

1. Metade do Conselho de Administração eleito pelos trabalhadores: Para quê ficar por aqui? As empresas em “auto-gestão” no tempo do PREC foram um exemplo paradigmático de gestão revolucionária. Os CAs das empresas públicas, representantes do povo, também ficaram na história como expoentes da gestão científica.

2. Salário Máximo: Houve uma altura em que ninguém podia ganhar mais que o presidente da república. As empresas públicas eram as primeiras a inventar esquemas para “dar a volta”…

3. Supressão do Direito de Herança: No Reino Unido, os trabalhistas criaram impostos sucessórios tão altos que basicamente obrigavam os herdeiros a vender as heranças para poderem pagar os impostos. O resultado foi uma orgia de consumo em bens que podiam ser escondidos debaixo do colchão. Nunca se venderam tantas jóias, Rolls Royces, etc.

4. Sindicalização Obrigatória: Se não era obrigatória, os votos de braço no ar e os piquetes tinham basicamente o mesmo efeito. Não foi isto que impediu a escalada do desemprego (pelo contrário) durante a Grande Depressão.

5. Impostos de 80% para Salários Altos: Nos início da década de 80, o então chamado Imposto Complementar tinha uma taxa marginal de 90% para os vencimentos mais elevados. No Reino Unido, imediatamente antes da eleição de Margaret Thatcher (go figure), a taxa marginal para rendimentos que não viessem do trabalho chegou a 98%. Lá chamavam-lhe unearned income, que é como quem diz “rendimentos não ganhos” ou “rendimentos não merecidos”, consoante o significado que se pode atribuir a unearned…

6. Segurança Social Profissional: Não sei o que isto quer dizer exactamente. Já tinha reparado que muitos tipos que trabalham na Segurança Social mais parecem amadores, mas não deve ser esse o sentido. Por outro lado, associações de segurança social dentro das várias profissões era algo que já existia antes da criação da Segurança Social e que foi ilegalizado por essa criação. Mas soa bem. Se calhar é isso.

Março 22, 2009

Em destaque

Filed under: Blogosfera — André Azevedo Alves @ 22:50

JammieWearingFool

Estes também começam bem…

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 22:02

«A moção Soluções para Portugal subscrita pelo presidente do MMS, Eduardo Correia, propõe que o salário mínimo nacional seja aumentado de 450 para 650 euros, entre outras propostas de acção política que serão debatidas no I Congresso Nacional do partido

Two of a kind

Filed under: Economia,Política — Miguel Botelho Moniz @ 21:56

cartaz

Governo aberto a discutir proposta de 600 euros para o salário mínimo

Chávez sobe salário mínimo em 20%

O “neoliberalismo”, esse eterno desconhecido…

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:00

O “Neoliberalismo” no Público. Por Miguel Morgado.

Ora eu também tenho umas perguntinhas para a jornalista: explique-me lá o que foi a “era neoliberal no Ocidente”? O que é o “neoliberalismo” em nós vivemos no Ocidente nos últimos 10(?) ou 20(?) anos? Confio nas rigorosas definições do Doutor Boaventura? Ou é outra coisa completamente diferente?

O penálti (mal) assinalado por Lucílio Baptista na final da Taça da Liga

Filed under: Desporto,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 17:00

Sporting 1-1 Benfica (Taça da Liga) Erro ou Roubo?

Um “bom jogo”?

Filed under: Desporto,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:00

Comentário do leitor MC ao post Apito encarnado (outra vez…):

Apesar de benfiquista, devo confessar que ontem foi um *** de “igreja”.

Mas o que mais me causou perplexidade, foi o facto de treinadores e jogadores de uma e outra equipe dizerem que foi um “bom jogo”.

Não admira que, se para os principais intervenientes aquilo é um bom jogo, o futebol português esteja como está.

Por favor, eu só consegui ver 2 equipes que não souberam jogar futebol!!!!!!!!

O golo do SCP foi fruto da ÚNICA jogada digna desse nome em 90 minutos – até por isso mereciam ganhar.

Patriarcalismo, liberalismo e a crítica de Locke a Filmer

Filed under: Educação,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 14:52

Porquê ler o “Primeiro Tratado” de Locke? Por Miguel Morgado.

Leitura complementar: Locke e a Escola de Salamanca.

America’s Great Depression – Murray N. Rothbard

Filed under: Comentário,Economia,Internacional,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 12:00

Tomei recentemente conhecimento de que está disponível uma nova edição de um dos mais importantes livros de Murray N. Rothbard: America’s Great Depression. Um livro importante para compreender, não só a Grande Depressão, mas também os ciclos económicos e as crises financeiras em geral e que por isso dificilmente poderia ser mais actual.

Apito encarnado (outra vez…)

Filed under: Comentário,Desporto,Justiça,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:57

Tendo em conta a arbitragem do jogo da final da Taça da Liga, o Benfica assume-se como o mais forte candidato ao segundo lugar no campeonato e, apesar da notória falta de qualidade de jogo da equipa, mesmo o primeiro lugar pode não estar fora de questão: Taça da Liga: Benfica vence uma final que acabou com três derrotados

Pode uma final da Taça da Liga terminar com três derrotados? A resposta, por muito paradoxal que pareça, é afirmativa. Aconteceu neste sábado no Estádio do Algarve. É claro que houve uma equipa a vencer, o Benfica, no “sorteio” das grandes penalidades, mas isso reforçou apenas a injustiça de um penálti mal assinalado contra o Sporting que levou o encontro para este desfecho.

Março 21, 2009

Nas livrarias

Filed under: Cultura,Livros — Bruno Alves @ 21:24

a-prisao-do-etico

Já está nas livrarias o primeiro livro do meu amigo Paulo Rodrigues Ferreira. Sou obviamente suspeito, mas recomendo.

Fotografia e Subsídiodependência

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 18:45

(…) Hoje, as instituições que deveriam pensar nisso não o fazem – o CPF não existe, não é dotado de verbas, o Arquivo Municipal de Lisboa não é dotado de verbas, não há dinheiro, mas, no entanto há dinheiro para vir o Nick Knight e para vir o Steven Klein [para fotografar as campanhas de publicidade Portugal Europe's West Coast]. Aí fala-se sempre em milhões e pergunto por que é que esses milhões não são aplicados num conjunto de fotógrafos, de arquitectos, de artistas plásticos, de pintores que documentem e pensem o que há em Portugal.

Ao contrário de outros países não se está a fazer nada. Em França, por exemplo, o Ministério da Agricultura tem uma série de fotógrafos durante o ano inteiro a registar como é hoje a agricultura em França. E comparam como é que foi a agricultura nos anos 70, como é que foi nos anos 80, e como é que as coisas chegaram onde chegaram. Cá não há ninguém. Acho que o problema da falta de produção documental em Portugal passa mais por aí do que propriamente pelos jornais que não têm de ter essa responsabilidade. Há instituições e ministérios que deveriam ter essa responsabilidade e não a têm. (…)

Pedro Loureiro, respondendo a perguntas de Sérgio B. Gomes

Locke e a Escola de Salamanca

Filed under: Comentário,Livros,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 16:00

Suponho que não haverá entre os leitores d’O Insurgente muitos interessados em filosofia política dos séculos XVI e XVII, mas em todo o caso não quero perder uma oportunidade para aqui fazer publicidade em causa própria pelo que aproveito para dar conta da publicação do texto “Locke e a Escola de Salamanca”, de que sou co-autor com José Manuel Moreira, no livro John Locke nos 300 anos da sua morte (coordenação de Carlos Morujão e Luís Loia, Universidade Católica Editora, 2009).

O texto foi preparado para o simpósio organizado em 2004 pelo antigo Centro de Literatura e Cultura Portuguesa (actual Centro de Estudos de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas) e pelo Instituto de Estudos Políticos, ambos da Universidade Católica Portuguesa, por ocasião dos 300 anos do falecimento de Locke. Já lá vão, por isso, mais de 4 anos, mas felizmente é um tema no qual a actualidade dos textos tende a ser bastante resistente à passagem do tempo…

Já que o tema é Locke, aproveito para recomendar a chamada “edição definitiva” dos Dois Tratados do Governo Civil (das Edições 70) a qual, na minha qualidade de especialista a tempo (muito) parcial em Locke, confirmo contar com uma introdução de grande nível. Isto dito, compreendo e solidarizo-me com a escolha “amputada” do André Abrantes Amaral na medida em que o Primeiro Tratado, não obstante as explicações de Laslett e Morgado e a minha simpatia pelo combate ao progressismo absolutista de Filmer, me continua a parecer francamente menos estimulante do que o Segundo.

O anúncio da Antena 1 na RTP e o totalitarismo de algumas críticas

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 14:30

A verdade é que muitas das razões invocadas para contestar o anúncio da Antena 1 na RTP (entretanto retirado do ar no seguimento de uma reunião de “emergência”) têm subjacentes ameaças bem mais perigosas à liberdade do que a instrumentalização governamental dos orgãos de comunicação social estatais: Provedores contestam anúncio pelas razões erradas. Por João Miranda.

ficamos a saber que:

1. Criticar um direito constitucional viola esse direito;

2. Criticar manifestações é antidemocrático.

3. cortar estradas e interferir com a livre circulação dos outros é que é democrático;

Concluo que estes provedores têm a mesma concepção de democracia e de liberdade que o Partido Comunista Português.

Barack Obama’s Teleprompter

Filed under: Blogosfera,Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 13:00

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Barack Obama’s Teleprompter’s Blog
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