A extrema direita não se importa que se deslocalize uma empresa de 100 trabalhadores para a Eslováquia, desde que não se traga 100 Eslovacos para Portugal.
A extrema esquerda não se importa que se traga 100 Eslovacos para trabalhar numa fábrica em Portugal, desde que a empresa não seja deslocalizada.
Para os trabalhadores portugueses, ambas as soluções vão dar ao mesmo. Para os trabalhadores Eslovacos, a deslocalização é melhor porque se podem manter no seu país. Xenofobia por xenofobia, a da extrema direita sempre é mais branda para os estrangeiros.
Março 25, 2009
Quem é mais xenófobo?
16 Comentários »
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“A extrema direita não se importa que se deslocalize uma empresa de 100 trabalhadores para a Eslováquia, desde que não se traga 100 Eslovacos para Portugal.”
Tem certeza?
Comentário por Miguel Madeira — Março 25, 2009 @ 10:56
É simplista, é verdade. Algumas vezes os extremos tocam-se neste assunto das deslocalizações. De qualquer forma não será errado dizer que a extrema direita prefere a deslocalização à imigração.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 25, 2009 @ 11:03
“Tem certeza?”
É certo que não se perderiam os empregos indirectos, mas impedir a deslocalização e “importar” trabalhar estrangeiros não seria um contra-senso?
Comentário por Miguel — Março 25, 2009 @ 11:18
Pelos vistos, só a extrema-esquerda está autorizada a ser xenófoba. Fossem outros a dizer aquilo e já tinha caído o Carmo e a Trindade (e bem, diga-se). Parece-me que conseguiram pegar num péssimo anúncio e piorá-lo.
Comentário por Nuno Nasoni — Março 25, 2009 @ 11:24
«“Tem certeza?”
É certo que não se perderiam os empregos indirectos, mas impedir a deslocalização e “importar” trabalhar estrangeiros não seria um contra-senso?»
Talvez não. Lembrem-se que o discurso “oficial” da extrema-esquerda é algo do género “nós não somos contra a globalização; nós somos internacionalistas; queremos é que os trabalhadores de todo o mundo tenham os mesmos direitos sociais e laborais que têm os europeus” (em certo sentido, a extrema-esquerda não anda longe de ser “ultra-globalista”)
Ora, quando um eslovaco (ou um camaronês) imigra (pelo menos legalmente) para Portugal passa realmente a ter (mais ou menos) os mesmos direitos sociais e laborais que um português.
Comentário por Miguel Madeira — Março 25, 2009 @ 11:47
Mas, mesmo nesse caso, continua a existir falta de coerência entre os discursos contra o desemprego doméstico e os “internacionalistas”?
Comentário por Miguel — Março 25, 2009 @ 11:53
«Mas, mesmo nesse caso, continua a existir falta de coerência entre os discursos contra o desemprego doméstico e os “internacionalistas”?»
De novo, talvez não: é que no discurso da extrema-esquerda (conceito muito difuso, mas pronto), e mais ainda nos “textos de refexão teórica” a oposição à deslocalização costuma ser apresentada não em termos de “é um problema que se estejam a despedir pessoas em Portugal para contratar na Eslováquia” mas mais em termos de “é um problema que se estejam a despedir pessoas que ganham X para contratar pessoas a ganhar X-B”; ou seja, a problema é mais a chamada “race to the botton” do que propriamente o desemprego doméstico.
Comentário por Miguel Madeira — Março 25, 2009 @ 12:30
No textos teóricos é bastante provável. Nos discursos essa contradição existe.
E nesse caso, teriam problemas com uma deslocalização que não fosse vista como “race to the bottom”?
Comentário por Miguel — Março 25, 2009 @ 12:37
Mas, de qualquer maneira, é verdade que se há uma questão em que a área à esquerda do PCP tem grandes problemas de definição ideológica é a do protecionismo (ao contrário do PCP, que é abertamente proecionista).
P.ex., face à questão da China, a linha bloquista é mais ou menos “os direitos sociais na europa não podem sobreviver à concorrência do capitalismo selvagem chinês, mas o regresso a uma economia fechada é inviável; a solução é mudar o sistema chinês”; isso até pode ser verdade, mas é mais ou menos inútil como linha de actuação para um partido português.
Veja-se que o BE fala contra as deslocalizações aos mesmo tempo que a organização-mãe do PSR publica textos como este, o que talvez seja indicador de alguma indefinição estratégica.
Comentário por Miguel Madeira — Março 25, 2009 @ 12:44
[o comentário 9 foi escrito na sequencia do 7, não é uma resposta ao 8]
Comentário por Miguel Madeira — Março 25, 2009 @ 12:46
De qualquer forma, é esclarecedor.
Comentário por Miguel — Março 25, 2009 @ 12:51
Sim, realmente a extrema-direita foi muito branda com Alcindo Monteiro.
Comentário por Pitágoras — Março 25, 2009 @ 16:33
A extrema-esquerda foi muito branda com o Trotsky, Calvo Sotelo, Aldo Moro, o agente Militão, os 12 0000 nas sacas de Madrid, etc, etc
Comentário por A. R — Março 25, 2009 @ 21:28
A extrema-esquerda foi muito branda com…
-os 40 milhões mortos no gulag…
-os tibetanos…
Comentário por Libertas — Março 26, 2009 @ 00:24
Há apenas um pequeno pormenor que vos escapa: não há hoje um eslovaco no seu perfeito juízo que queira emigrar para cá.
Comentário por miguel dias — Março 26, 2009 @ 00:34
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra)_per_capita
Comentário por miguel dias — Março 26, 2009 @ 00:42