Dois pesos, duas medidas? Por Diogo Almeida.
Um dos grandes argumentos usados por muitos contra o sistema de remuneração variável das empresas prende-se com o aparente imediatismo destes face a decisões que podem demorar anos a ter efeitos, positivos ou negativos.
Ora, há aqui duas questões muito importantes:
1. Imaginem que a AIG até tem um sistema de remuneração que se baseia nos resultados acumulados dos últimos 10 anos. Seria um sistema mais sustentável e justificável do que um que apenas reflecte resultados do último exercício. No entanto, esse sistema pode originar chorudos bónus em ano de grandes perdas. Em que ficamos?
2. Imaginem agora que alguém se lembra que os políticos, que tanto têm criticado os gestores por não sentirem na pele o impacto dos seus actos de gestão, são os primeiros a tomar decisões – como estes bailouts, a suportar durante décadas – cujas consequências nunca sofrerão na pele. Vivem do imediatismo do voto popular e não das reais consequências dos seus actos. Em que ficamos?
Oh Diogo Almeida, comparar uma empresa com o Estado social; o salário e os prémios obscenos dos gestores com o salário de um primeiro-ministro; a atribuição de prémios multimilionários a gestores mesmo quando a empresa está em falência com o salário sempre fixo (e às vezes congelado) de um funcionário público mesmo em ano de vacas gordas; o sistema de escolha de um CEO com o de um primeiro-ministro, realmente tem tudo a ver.
E quer maior consequência que a constante provação que são as votações populares ao fim de 4 anos de mandato? Ou também acha que isso é a mesma coisa que uma assembleia geral de accionistas?
Comentário por António Mendonça — Março 20, 2009 @ 23:02