O Insurgente

Março 18, 2009

Aqui mesmo

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:11

O Ministro Vieira da Silva afirmou ontem rejeitar uma descida dos salários afirmando que tal pode provocar uma “ruptura social”. Certo. Não nego que tal medida (especialmente se decidida de forma centralizada) provocará certamente graves perturbações. Por bastante menos cerca de 200.0000 (?) fizeram uma excursão a Lisboa, na semana passada.

Convém, no entanto, referir quais serão as consequências se optarmos por enterrar a cabeça na areia. Provavelmente, mais desemprego, maior endividamento e mais anos de fraco crescimento. Seria honesto que Vieira da Silva também tivesse referido o “reverso da medalha” mas isso já seria pedir demasiado.

LEITURAS COMPLEMENTARES: Aqui ao lado; Aqui ao lado (2).

ADENDA: Vejam este post do Miguel Morgado sobre a evolução dos custos unitários do trabalho

Temos um comportamento semelhante ao da Espanha e Rep. Checa. Mas temos um relógio a contar contra nós e que corre mais depressa do que em Espanha e na Rep. Checa: é o relógio da dívida externa

12 Comentários »

  1. “optarmos”

    Comentário por FMS — Março 18, 2009 @ 14:27

  2. Tem toda a razão. Obrigado.

    Comentário por Miguel — Março 18, 2009 @ 14:30

  3. I Parte

    Com as previsões mais frescas
    adensa-se a nossa preocupação,
    desmascaram as ilusões rocambolescas
    da “socialista” (des)governação.

    O mexilhão inquietado
    com o estado das suas economias,
    tem o dinheiro bem contado
    sem desfrutar de mordomias!

    II Parte

    Entre mentirolas espaventosas
    e desculpas de mau pagador,
    estas políticas ventosas
    são de um sentido confrangedor.

    Com um Estado calaceiro
    e caloteiro a pagar,
    criámos um sistema trapaceiro
    que passa a vida a engasgar!

    O mexilhão honesto
    cumpridor das obrigações,
    tem um (des)Governo funesto
    de jumentas colorações!

    Comentário por Amêijoa Fresca — Março 18, 2009 @ 15:35

  4. “é o relógio da dívida externa”

    Agora ocorre-me uma questão (que talvez seja um bocado idiota, não sei): num país integrado numa união monetária, o conceito de “dívida externa” fará algum sentido?

    Comentário por Miguel Madeira — Março 18, 2009 @ 16:52

  5. SUponho que acha inevitá vel o desemprego por os salários não descerem. Isso, como explico noutro lugar, é errado. Eles podiam descer e havia desemprego também.

    Comentário por Carlos Santos — Março 18, 2009 @ 16:57

  6. Miguel, desenvolve lá o raciocínio…
    Se todo o mundo adoptasse a mesma moeda, deixaria de haver dívida externa? Confesso que não entendo.

    Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 18, 2009 @ 20:41

  7. “Eles podiam descer e havia desemprego também.”
    Involuntário?

    Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 18, 2009 @ 20:42

  8. Carlos Pinto,

    Eu expliquei isso noutro sítio mais devagar em resposta a este post. O desemprego, como deviam saber os admiradores de Friedman que por aqui andam, tem um nível natural (chamado NAIRU) abaixo do qual dificilmente descem. Como Friedman defende absoluta flexibilidade de preços e salários o comentário do post é falacioso: podia descer o salário que o desmprego nunca seria eliminado.
    Além de que por definição só se consideram desempregados os involuntários: que estão em activa procura de emprego.

    Comentário por Carlos Santos — Março 18, 2009 @ 20:49

  9. “Miguel, desenvolve lá o raciocínio…
    Se todo o mundo adoptasse a mesma moeda, deixaria de haver dívida externa? Confesso que não entendo.”

    Imagine-se que se fazia uma estatística de quanto os moradores da minha rua deviam a pessoas ou empresas sediadas fora da rua. Poderia ser feito e teríamos calculado a divida externa da minha rua (na realidade, eu suspeito que, em percentagem do PIB da minha rua, deveria ser muito mais elevada que a divida externa portuguesa, até porque não há lá nenhum banco sediado).

    Mas esse indicador (a divida externa da minha rua) teria alguma importância? Sinceramente, acho que não. Logo, porque é que o indicador “dívida externa portuguesa” há de ter alguma importância?

    Note-se que eu não digo que elevadas taxas de endividamento (privado ou público) não sejam um problema – o que não me parece um problema (sobretudo, como já disse, numa moeda única) é a nacionalidade dos credores. Ou melhor, eu até suspeito que a divida externa seja preferível à interna – se devermos dinheiros uns aos outros dentro do país o perigo de um default de alguém originar uma sucessão de falências em cadeia estilo dominó é maior do que se devermos esse dinheiro a estrangeiros.

    Comentário por Miguel Madeira — Março 18, 2009 @ 21:59

  10. Miguel Madeira,

    Deixei-lhe resposta no vento sueste

    Comentário por Carlos Santos — Março 18, 2009 @ 22:22

  11. Porreiro Miguel! Vamos nessa, eu por mim podem já tirar 25% do meu ordenado. E tu, quanto não te importavas que fosse retirado ao teu?

    Idiota.

    Comentário por — Março 24, 2009 @ 00:26

  12. [...] COMPLEMENTARES: Aqui ao lado; Aqui ao lado (2); Aqui mesmo; Custos Unitários do Trabalho – Selecção de Países da União [...]

    Pingback por Ainda o ajustamento dos salários « O Insurgente — Março 24, 2009 @ 09:10


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