O Insurgente

Março 14, 2009

Prisão

Filed under: Comentário,Nanny State Watch — Carlos M. Fernandes @ 18:08

Leio e nem acredito. Dos deputados socialistas esperamos tudo. A sua fúria legisladora aliada ao pouco respeito que a Liberdade lhes merece não pode dar bons resultados. Mas o que não me deixa de surpreender é a passividade de uma das alas do panorama político português. Apenas cinco deputados votaram contra a proposta de lei do PS que pretende regulamentar a quantidade de sal no pão! Cinco! Portugal não é um país, é uma prisão.

12 Comentários »

  1. Caro Carlos Fernandes
    A questão do sal no pão é uma recomendação de há muitos anos de inúmeras organizações Públicas de Saúde, Nacionais e Internacionais, que Portugal teimava em não seguir … Apenas e só! Pela simples razão de que uma descida percentual do teor de sal no pão, mesmo que ligeira, tem um impacto imediato na morbidade cardio-vascular da população portuguesa. Ou seja, as doenças que estão entre as primeiras causas de morte em Portugal. Sabe-se, com base em muita investigação já realizada, que uma redução do teor de sal consumido por cada português tem uma implicação imediata na morbidade (a hipertensão arterial é quase “endémica” e o excesso de sal vindo dos alimentos é a sua principal causa) e mortalidade. E o pão tem um peso significativo nesta equação, tendo em conta a gulodice de pão dos tugas!

    Apesar de não ter nadinha a ver com a ala Xuxialista, não podemos misturar alhos com bugalhos … ainda que defenda a existência de uma oferta, em simultâneo, de pão mais “salgadito” para quem prefira o ” portuguese taste”. Cumprimentos. Carlos Santos

    Comentário por Carlos Santos — Março 15, 2009 @ 21:56

  2. Carlos Santos, tudo isso pode estar correcto, mas isto resume-se apenas a liberdade, à liberdade de “errar”, de tomar opções que (aparentemente) não nos beneficiam.
    Lamento, mas não quero ter a minha vida definida “por inúmeras organizações Públicas de Saúde, Nacionais e Internacionais”. Não quero mesmo.
    Cumprimentos.

    Comentário por Carlos M. Fernandes — Março 15, 2009 @ 22:38

  3. Anos a lutar com o meu pai…e agora isto. A minha liberdade em adulta está a aproximar-se a galope do zero. Nem me deixam exercer a minha sabedoria acerca do mundo e das coisas. Desespero total , a vida nas ditas sociedades desenvolvidas. É mesmo verdade , quem não tem ( ou não sabe) que fazer tira pelos de uma perna e põe noutra. Quero a Igreja de volta , confessar é mais barato que pagar coimas. E ainda por cima , o fiscal do meu comportamento era eu.

    Comentário por mf — Março 16, 2009 @ 00:09

  4. Eu não poderia estar mais de acordo com a liberdade de escolha do(s) “erro(s)” e do direito aos sabores e “aventuras” de acordo com o que desejamos, gostamos e sonhamos. Não gosto de ditaduras seja qual for a espécie ou tonalidade … Mas tenhamos bom senso! Não se trata de tornar o pão insosso e intragável. Trata-se de reduzir um pouco o teor de sal, para, do ponto de vista do impacto nos índices qualitativos e quantitativos do estado da saúde pública, se possam começar a travar os pesados e lusos números, catastróficos, de morbidade e mortalidade por patologias cardiovasculares. Decerto não conhece o impacto – e a força dos números, em termos de despesa pública com as consultas, medicamentos, internamentos, cirurgias, reabilitação, baixas, etc … que o grupo de doentes hipertensos causa, em virtude das complicações provocadas – Acidentes Vasculares Cerebrais e Acidentes Cardio Vasculares? E as sequelas físicas e psíquicas que marcam para o resto da vida estes pacientes e as suas famílias? É claro que o Sal no pão não é o vilão deste drama! Mas todos os especialistas são unânimes em afirmar que uma pequena redução de sal no Pão, tem um impacto muito positivo clara descida destes números negros. E só quem não conhece esta realidade é que pode pensar que isto depende apenas do critério pessoal de escolha. Comer Pão todos os dias, significa ingerir uma quantidade enorme de sal anualmente. Some-lhe todas as outras fontes alimentares e os restantes factores de risco e compreenderá que o “simples” sal no pão pesa mesmo … Os estudos estão feitos e são elucidativos Crianças, idosos e outras populações menos informadas têm capacidade de poder seleccionar? E os restantes adultos? Será que também têm consciência desta questão e fazem opções claras e fundamentadas? Por isso, esta é uma equação complicada: direito individual versus intervenção do estado em prol da saúde pública! Têm de existir bom senso e equilíbrio, porque não estamos a falar de questões neutras e inócuas. Temos de optar … E comparar esta intervenção a uma ditadura do gosto é um claro exagero … Continuo a afirmar que a lei deveria deixar a espaço para se manterem as duas possibilidades. Com e sem sal! Depois é só escolher … E quem sabe escolher? Você sabe? Cumprimentos

    Comentário por Carlos Santos — Março 16, 2009 @ 00:42

  5. O argumento das despesas públicas com a saúde não colhe, como se costuma dizer, pois é o Estado que impõe esse modelo como via única. (E daí resulta outro perigo: o SNS é o pretexto perfeito para o Estado se meter nos hábitos privados).
    O de se saber ou não escolher é também um caminho perigoso. Eu não reconheço ao Estado maior capacidade de decisão, do que eu, em matérias que só a mim me dizem respeito.
    E depois temos outro problema. Onde acaba isto? Não é só o sal no pão que causa todas essas enfermidades pois não? Vamos também limitar o álcool no vinho a 11%, e arruinar uma cultura milenar, levar à extinção magníficos vinhos!
    Isto é, acima de tudo, uma questão de princípio, pela qual nem vale a pena esgrimir muitos argumentos. Ou nos mantemos firmes na defesa da liberdade, ou arriscamo-nos a dar a mão e a ver o braço a ser levado. É sempre assim.

    Comentário por Carlos M. Fernandes — Março 16, 2009 @ 00:55

  6. Vamos fazer o exercício ao contrário: cada padeiro e padaria fazem como bem lhes apetece, ao sabor do gosto do freguês e das oportunidade/rentabilidades do mercado. Uns apenas com uma pitada, outros bem apaladados de sal. Como eu gosto dos mais salgadinhos, vou todos os dias comer uns cascos da Padaria do Manel das Broas. Prefiro isso ao da Padaria do Tiago das Bolinhas. Deslavados e sem sabor a Pão. Junto-lhe uma manteiguinha ou uma fiambrada e o céu da boca esvai-se em prazer! Esqueci-me foi de perguntar quanto sal tem o pão, porque como cada um põe o que quer e eu sou um consumidor “livre”, logo essa questão do sal não me parece relevante! Entretanto seis meses depois a minha tensão arterial começa a disparar e vou a correr ao médico para arranjar uma pílula mágica para tratar do problema … o médico diz-me que tenho de fazer dieta e reduzir o sal! Eu sigo à risca as instruções do senhor “dotor”, mas o raio da tensão desce pouco e eu começo a ter umas dores estranhas e inquietantes. Continuo a comer pão todos os dias, porque faço lá ideia de que o sal no pão pode estar em excesso. Pão é Pão, como sempre foi!

    Quem é que nos protege então da selvajaria do mercado e define regras para o máximo/mínimo de sal … ou açúcar … ou conservantes … ou estabilizadores de “sabor” … ou corantes … ou a qualidade da farinha e da água … ou das condições sanitárias … ou seja de que porra nos queiram intoxicar só porque alguém quer ganhar dinheiro e a liberdade individual é que sim e pronto! A quantidade de sal do Pão já era definida por decreto (sabe-se lá porque razão misteriosa?!) e a maioria não a cumpre! cada um põe o que lhe apetece! Você sabe a quantidade de sal que come por Kg de Pão? Existe um rótulo a informá-lo? E o resto que adicionam ao pão, você e eu sabemos o que é? Como é que saímos deste dilema? Que raio de liberdade é essa que nós queremos só para nós, quando não somos capazes de a gerir sem a ajuda e as balizas de segurança que concordámos aceitar como minímos definido pelo colectivo. Vulgo leis e regulamentos.Isso da liberdade é um pau de dois bicos e tanto serve para exigir ao padeiro que o avise da quantidade de sal que você está a comer (já viu isso em algum lado?, como ao estado que o fiscalize para saber se cumpre o que é consensual e está definido em lei, bem como da obrigação do SNS de nos informar a cada um de nós que tenha consciência do impacto desse simples produto nas nossas vidas, ou ainda da nossa capacidade em saber escolher e exigir o melhor para nós e para os outros!

    É que o pão é um produto designado como bem essencial em termos alimentares. O Vinho não! Portanto vamos colocar as coisa no seu lugar e aceitar que é possível existir direito público e liberdades individuais em equilíbrio de valores e necessidades, sem que em cada passo se vislumbre a ditadura do gosto!

    E para si, quanto sal é que acha que se deve colocar por Kg de Pão? Deve existir algum máximo? E as crianças da escola ali ao lado, podem comer quanto? E os velhotes e doentes, você sabe-me dizer? O que é mais importante: os seus hábitos privados ou o bem estar público? Portanto já viu que esta não é uma questão tão linear e simplista, que entronca na questão da difícil coexistência entre necessidades individuais e condicionantes/limites colectivos. Se fosse você o legislador e tivesse a responsabilidade nas mãos como é que faria? Tudo na mesma ou … o quê? Pesaria todas estas variáveis, incluindo as relativas à saúde/segurança dos seus concidadãos? O que responderia aos industriais? Pouco, assim-assim ou à vontade do freguês? Fazer política de bancada e invocar a liberdade sem ter noção das densidades, interacções e complexidades de uma decisão que implica este ou outro bem/questão essencial, quase universal, parece-me algo ligeiro e pueril. É claro que vale a pena esgrimir argumentos, sobretudo quando não se limita a questão a uma simples questão de necessidade individual. Cumprimentos

    Comentário por Carlos Santos — Março 16, 2009 @ 02:18

  7. “Você sabe a quantidade de sal que come por Kg de Pão? Existe um rótulo a informá-lo?”
    Bem, desde impor informação até impor um limite, vai uma grande distância. Mas mesmo sem essa obrigatoriedade, o Carlos Santos não é obrigado a comprar pão numa padaria que não lhe facilite essa informação.

    “E para si, quanto sal é que acha que se deve colocar por Kg de Pão? Deve existir algum máximo?”
    Não, não deve existir máximo.

    “E as crianças da escola ali ao lado, podem comer quanto? E os velhotes e doentes, você sabe-me dizer?”
    Isso é da responsabilidade dos pais das crianças, e dos velhotes e seus médicos. De qualquer forma, diga-me lá, não é a mesma coisa comer um pão com 20g de sal por quilo, e dois com 10g/Kg? É. Então chegará o dia que o controlo da quantidade já não será ao nível do quilo de pão, mas ao nível da quantidade de pão que ingerimos. Porque nada garante a esses senhores que os portugueses não se vão continuar a empanturrar de sal. E mais tarde ou mais cedo vamos sofrer mais uma restrição de liberdades. É só esperar.

    “O que é mais importante: os seus hábitos privados ou o bem estar público?”
    Não sei o que têm a ver os meus hábitos privados com o bem estar público. O Carlos Santos nem sabe se eu como pão!
    Só come pão quem quer, só come pão não-integral quem quer, só compra pão na padaria X quem quer. Parece-me simples.

    “Se fosse você o legislador e tivesse a responsabilidade nas mãos como é que faria? ”
    Não legislava. O problema é esse mesmo: muita legislação. Não conseguem estar quietos, esses intrometidos.

    (Ah, e não vale a pena falar no carácter distinto do vinho. Repare que eu abordei o vinho porque me falou num eventual peso para o SNS. Agora está ir por outro caminho, mas tudo bem.
    Em Inglaterra fala-se de impor um preço mínimo para as bebidas alcoólicas, com o objectivo de diminuir o consumo. Essa gente quando finca o dente já não larga mais, seja um bem essencial ou não.)

    Comentário por Carlos M. Fernandes — Março 16, 2009 @ 02:39

  8. Portanto você não quer saber! Cada um que se safe e se amanhe. Mesmo que isso signifique a qualquer um ficar doente e intoxicado ao sabor da meteorologia salina das padarias, porque há legislação a mais e coisa e tal … ou seja, ir a uma padaria ou qualquer outro estabelecimento é mais ou menos tipo roleta russa! A única preocupação é sua sacrosanta e inviolável liberdade individual, mesmo que os seus vizinhos ou família vão de charola para o hospital, porque isto do pão é uma questão de inspiração e transpiração do padeiro e se não gostou da caganeira do pão de nozes, sempre pode optar pelo de linho da padaria da rua ao lado. Esperemos que nesta a padeira use ingredientes dentro do prazo!
    E quando lhe bater à sua porta o infortúnio de ter escolhido a má padaria? Vai gritar a quem? Provavelmente, no seu caso, sempre pode recorrer à ajuda de um cacete com uma semana para reclamar os seus direitos de consumidor vilipendiado. O melhor mesmo é ir armado quando entrar em cada padaria, bramindo logo os suas preocupações com vigor, não vá aquela ser a da roleta russa! Ou seja, os padeiros fazem a lei e cada um escolhe o que tiver menos historial de caganeiras provocadas pelo seu pão. O problema é se não existir uma leizita que o obrigue a publicitar o historial de acidentes intestinais causados aos seus clientes!
    Você faz-me lembrar aquele personagem que passava o tempo a olhar para a poça de água … qual espelho para glorificar a sua narcísica liberdade individual … E por aqui termino, porque obviamente não falamos dos mesmos conceitos de participação e responsabilidade na vida pública. Tenha cuidado com os pães ultraliberais, nunca se sabe se não estão cheios de ar tóxico! Cumprimentos

    Comentário por Carlos Santos — Março 16, 2009 @ 03:39

  9. “Esperemos que nesta a padeira use ingredientes dentro do prazo!”
    Este “argumento” já é habitual, já cá faltava. Ingredientes fora do prazo é incumprimento do contrato. Nessa altura, entra a justiça. (Num país normal essas coisas costumam “doer”, e só os mais afoitos é que prevaricam; em Portugal, com sua justiça patética, não acontece nada; se calhar é por isso que se fazem leis, e mais leis, e mais leis…)

    “O melhor mesmo é ir armado quando entrar em cada padaria, bramindo logo os suas preocupações com vigor, não vá aquela ser a da roleta russa”
    Idem, idem. Será assim tão difícil de entender!?

    O problema de muita gente é não saber o que fazer com a liberdade. Sendo um bem tão escasso, seria de esperar que fosse mais acarinhado.

    Comentário por Carlos M. Fernandes — Março 16, 2009 @ 04:21

  10. Pela quantidade hipertensa de pontos de exclamação e de reticências indigadas nos seus comentários, parece-me que o Carlos Santos anda a comer pão demasiado salgado.

    Comentário por Migas — Março 16, 2009 @ 13:32

  11. “Pela quantidade hipertensa de pontos de exclamação e de reticências indigadas nos seus comentários, parece-me que o Carlos Santos anda a comer pão demasiado salgado.”

    Creio que o Estado devia intervir.

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 16, 2009 @ 14:22

  12. “Carlos Santos, tudo isso pode estar correcto, mas isto resume-se apenas a liberdade, à liberdade de “errar”, de tomar opções que (aparentemente) não nos beneficiam.
    Lamento, mas não quero ter a minha vida definida “por inúmeras organizações Públicas de Saúde, Nacionais e Internacionais”. Não quero mesmo.”

    Subscrevo na integra, e aplaudo, ruidosamente, de pé, este comentário.

    Arrepiam-me, até, as legitimas opiniões contrarias que por aqui se manifestam e aquelas que se insinuam com um “concordo, não concordando, desde que não passe de um cinzento clarinho”.

    A minha vida é só minha e daqueles com quem eu a quiser partilhar. Não é, por consentimento, de “inúmeras organizações Públicas de Saúde, Nacionais e Internacionais”.

    Quem suporta o meu “Seguro de Saude e de Vida” sou eu e não o Estado (com o SNS que temos) nem as “inúmeras organizações Públicas de Saúde, Nacionais e Internacionais”.

    Portanto, eu é que tempero o minha comida e não estes “socialistas/democratas” nem as meninas do 5º andar que tem por habito apoiar toda esta sanha repressiva.

    Cumprimentos

    Comentário por Flávio — Março 16, 2009 @ 18:54


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