O Insurgente

Março 9, 2009

Leitura re-re-recomendada

Filed under: Diversos,Insurgentologia — Rodrigo Adão da Fonseca @ 18:34

Vi que o Carlos Santos, professor de economia, analista de Política Internacional e blogger em ascensão, não gostou que eu elogiasse a sua obra, “E agora, Obama”, considerando que esse facto, pelos vistos, põe em risco as vendas, porque – imagine-se – pode haver alguém que nos leve a sério (como se algum dia esse risco existisse: ninguém leva a sério o que eu escrevo no Insurgente, nem sequer eu próprio, quanto mais potenciais leitores de uma obra intitulada “E agora, Obama”?).

Diz o Carlos Santos que, ao menos, se um Insurgente “fizesse um post a dizer que discordava do livro por isto, isto e aquilo, dava-me uma chance de defesa“. Só que – azar dos azares – eu gostei da obra, e optei por a elogiar. Tenho alguma difculdade por isso em perceber – mas tal deve-se certamente ao facto da minha “capacidade argumentativa (…) ser nula“ - porque é que dois posts onde apenas se podem ler palavras de elogio – aqui, e aqui – podem causar tamanha indignação.

Os meus elogios, aliás, estão alinhados com a adulta simpatia e elevação com que o Carlos Santos se refere ao Insurgente e aos seus elementos, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui, tudo posts no seu interessante blogue, “O valor das ideias“; imaginava-o até apreciador de uma certa british gentlemanship a que viria habituado de Oxford.

Erradamente, julguei eu que o Carlos Santos era danado para a brincadeira, que gostava do registo do humor, a interpretar correctamente o que li no blogue do Rui Tavares, onde se regozijava, dizendo: ” (…) isto de andar à tareia com o pessoal do insurgente (…) tem a sua graça (…) “. Pois tem. É divertidíssimo. Mas tem de ser divertido para todos.

Tenho muita pena que a contenda em que ele se envolveu sozinho com o Insurgente não esteja a ser tão boa para o Carlos Santos como tem sido para nós, é a vida. Mas nada mais posso fazer, para o compensar, senão manter o registo elogioso aos seus textos e à sua belíssima obra, a menina dos seus olhos, que não me canso de recomendar. Às pessoas que me lêem, peço sinceramente: levem-me a sério, e comprem; o livro – “E agora, Obama” – vale mesmo a pena. Excelente, lúcido, actual, completo, recheado de informações interessantes, que explicam grande parte dos desafios que se colocam, não só à nova Administração americana, como ao mundo em geral. Não deixem de o ler, e de atender às impecáveis, embora longas, desconstruções do neoliberalismo e à promoção de um rumo de que estamos carentes. É um livro daqueles que nos põe a todos a pensar.

3 Comentários »

  1. RAF: “I’m confused…”, como o patriarca da família italiana quase no final do filme “Moonstruck”.

    Comentário por Ana Silva Fernandes — Março 9, 2009 @ 22:10

  2. Ana,

    Também eu ;)

    Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Março 9, 2009 @ 22:49

  3. Lê-se de um fôlego.

    Comentário por Luís Oliveira — Março 10, 2009 @ 23:01


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