O Insurgente

Março 9, 2009

Bloqueio aos desafios

Filed under: Colunas,Comentário,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 19:28

Na semana passada, teve início o ciclo de conferências Portugal 2009: Bloqueios e Desafios, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, a propósito dos três actos eleitorais que terão lugar este ano e de quais os problemas que o país tem de enfrentar. Até agora (convenhamos que ainda só houve um palestrante), ainda não foi notado algo que me parece bastante evidente: que a própria realização desses três actos eleitorais constitui um bloqueio aos desafios que Portugal tem de ultrapassar.

A longo prazo, Portugal é um país condenado à falência: deve mais do que aquilo que tem, tem um sistema de Segurança Social que não poderá durar muito mais tempo, tem um Estado que suga tanta riqueza em impostos que torna impossível o desenvolvimento do país. O que um bom Governo deveria fazer seria, em primeiro lugar, dizer isto aos cidadãos, e de seguida, promover as reformas necessárias para que o país só peça emprestado o que pode pagar, e para que os portugueses não sejam forçados a desperdiçar metade do que ganham em actividades ineficientes. No entanto, não só o actual Governo não parece reconhecer esta realidade, como não tem qualquer incentivo para fazer o que deveria: com três actos eleitorais, o que o Governo quer fazer é garantir um bom resultado para o PS, e para isso está disposto a fazer de tudo para que o máximo de dinheiro possa ser gasto no maior número de coisas possíveis, por muito inúteis que sejam.

Por sua vez, a oposição, em especial um PSD cuja máquina eleitoral é muito dependente de um poder autárquico que vive das benesses que os cofres públicos lhes permite distribuir pelos eleitores, tem pouca margem de manobra para dizer que esses velhos hábitos precisam de ser corrigidos. E mesmo que algum político tenha a vontade de dizer a verdade aos portugueses (como me parece que a actual líder do PSD tem), nada garante que os portugueses a queiram ouvir: é bastante plausível que prefiram comer as poucas maçãs que ainda lhes restam antes que apodreçam, em vez de plantarem outra macieira para passarem a ter mais para comer, e que votem de acordo com essa preferência. Assim, umas eleições que deveriam ser uma oportunidade para Portugal corrigir o rumo que tem seguido nos últimos anos, acabarão provavelmente por ser mais um passo na progressiva degradação das nossas condições de vida.

1 Comentário »

  1. [...] razões para não quererem arriscar as “reformas”. É perfeitamente plausível que, como escrevi aqui, prefiram comer as poucas maçãs que ainda lhes restam antes que apodreçam, em vez de plantarem [...]

    Pingback por O fundo do poço « O Insurgente — Julho 26, 2009 @ 19:19


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