Anda meio mundo a discutir os malefícios do capitalismo. Que é imoral, feroz e que traz ao de cima o que de pior há no ser humano. Um discurso em tudo idêntico ao que se ouvia na década de 20 do século passado. O remédio, dizem-nos, é a aposta no sector público: Mais empresas públicas. Na banca, nas telecomunicações, nos transportes, na comunicação e na energia. E mais investimento público, em estradas, comboios, aeroportos, construindo mais escolas, pontes e por aí fora. As hipóteses são das mais variadas e dão pano para mangas, que a modernização, assim dirigida, é muito complicada.
Acontece, no entanto, algo um pouco chato. É que esta ideia (nada original, diga-se) de os Estado se porem a investir, a comprar e a gerir empresas também é capitalismo. Aliás, bem vistas as coisas, o capitalismo, sendo a acumulação de capital, é inato e demasiado humano para poder ser afastado das nossas vidas. A questão está apenas em saber quem se encontra em melhores condições para o aplicar. Há uns anos, julgou-se ser o Estado, até que nos finais dos anos 70 foi o que se viu. Agora, parece que queremos repetir a história. É um mundo cheio de oportunidades, este, o do capitalismo.