O Insurgente

Fevereiro 12, 2009

Serviço público

Filed under: Comentário,Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política — Michael Seufert @ 14:25

obama-stimulusNo Washington Post encontramos este gráfico (se clickar ele fica com bom tamanho) com a desmontagem do “Stimulus Package” em vias de ser aprovado pelos campeões do “temos-que-gastar-dinheiro-em-nome-das-pessoas-senão-não-saímos-da-crise”.

As conclusões são várias, desde logo que os cortes fiscais são bem inferiores aos 33% apregoados (e bem menores que os 40% prometidos por Obama), mas andam de volta de 22%. De resto serão de notar os lóbis as corporações os agentes económicos que mais beneficiam da chuva de dinheiro grátis pago pelo contribuinte: “Edcuations programs”, “State grants for education and other budget needs”, “Highway construction” ou “Temporary increase in federal medical assistance”, p.ex.

Por fim o que mais me chocou é que estamos a falar de gastos que se entederão ao longo de – pelo menos – esta e a seguinte legislatura. “Jump-starting the economy”, my ass.

Mamma Mia!

Filed under: Cartoons,Comentário,Política,Portugal — Rodrigo Adão da Fonseca @ 13:53
Mamã, eu sou o Robin Hood, não sou o Pinóquio! (imagem roubada ao wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

Mamã, eu sou o Robin Hood, não sou o Pinóquio! (imagem "roubada" ao wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

Ora, se eu bem percebi, José Sócrates considera legítimo, no plano político, adoptar, até à exaustão, a figura do mítico Robin dos Bosques, como metáfora para algumas das medidas do seu programa (já antes, usada para taxas as petrolíferas). O próprio Ministro Teixeira dos Santos deixou claro que a medida Robin Hood era da exclusiva responsabilidade de José Sócrates.

No Parlamento, ontem, José Sócrates chorou-se todo, resmungando porque a oposição adoptou a metáfora do Pinóquio para explicar que José Sócrates não cumpriu promessas eleitorais.

Ora então, Robin dos Bosques, sim; Pinóquio é que não. Não percebo como é que um partido que, de repente, anda tão preocupado com a igualdade de género, promove esta marginalização, da política activa, da simpática criação de Gepeto.

Silly Season em Fevereiro?

Filed under: Comentário,Política,Portugal — Rodrigo Adão da Fonseca @ 13:39

A prova provada que o aquecimento global está aí, é que a silly season chegou ao Causa Nossa no pico do Inverno. Só num quadro destes consigo acreditar que o professor Vital Moreira tenha escrito um disparate desta magnitude. As deduções fiscais para os “ricos” só têm materialidade em quem apresente rendimentos próximos dos escalões anteriores. Quem, como Alexandre Soares dos Santos, esteja muito acima dos 60 mil euros de colecta anual, não é por deixar de ter a maioria das deduções previstas na lei que verá o seu rendimento disponível, em termos efectivos, muito alterado.

Mais: quando se insinua que o responsável máximo de um grupo empresarial como a Jerónimo Martins, que emprega milhares de pessoas, directamente, e que dinamiza muitos mais empregos, de forma indirecta, se indigna contra o Primeiro Ministro, porque este, num programa eleitoral, diz que vai aumentar os impostos aos ricos, é caso para pedir: senhor professor, um pouco mais de seriedade, sff…

O centro do mundo

Filed under: Comentário,Internacional,Política — André Abrantes Amaral @ 12:16

A primeira visita de Hillary Clinton, como secretária de Estado, é à Ásia. Japão, Coreia do Sul, Indonésia e China. Quem é que diz que a Europa ainda é o centro do mundo?

Capitalism Needs a Sound-Money Foundation

Filed under: Economia,Internacional,Política,Teoria — Miguel Noronha @ 11:45

Artigo de Judy Shelton no WSJ

If the very idea seems at odds with what is currently happening in our country — with Congress preparing to pass a massive economic stimulus bill that will push the fiscal deficit to triple the size of last year’s record budget gap — it’s because a gold standard stands in the way of runaway government spending.

Under a gold standard, if people think the paper money printed by government is losing value, they have the right to switch to gold. Fiat money — i.e., currency with no intrinsic worth that government has decreed legal tender — loses its value when government creates more than can be absorbed by the productive real economy. Too much fiat money results in inflation — which pools in certain sectors at first, such as housing or financial assets, but ultimately raises prices in general.

Inflation is the enemy of capitalism, chiseling away at the foundation of free markets and the laws of supply and demand. It distorts price signals, making retailers look like profiteers and deceiving workers into thinking their wages have gone up. It pushes families into higher income tax brackets without increasing their real consumption opportunities.

In short, inflation undermines capitalism by destroying the rationale for dedicating a portion of today’s earnings to savings. Accumulated savings provide the capital that finances projects that generate higher future returns; it’s how an economy grows, how a society reaches higher levels of prosperity. But inflation makes suckers out of savers.

If capitalism is to be preserved, it can’t be through the con game of diluting the value of money. People see through such tactics; they recognize the signs of impending inflation. When we see Congress getting ready to pay for 40% of 2009 federal budget expenditures with money created from thin air, there’s no getting around it. Our money will lose its capacity to serve as an honest measure, a meaningful unit of account. Our paper currency cannot provide a reliable store of value.

Noção do ridículo

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:31

Efectivamente algo que deve tirar o sono ao chairman da Jerónimo Martins é a perspectiva de perder as deduções fiscais em sede de IRS.

Acrescente-se de passagem que o montante agregado das fabulosas deduções das imensas pessoas que ganham o mesmo que o referido indivíduo deverá permitir reduções brutais no universo dos contribuintes de classe média.

A estupidez avança

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:34

Jornal de Negócios

A Antrop (Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros) quer que os centros comerciais e parques de estacionamento passem a ajudar a financiar os transportes públicos

…e o pior é que, provavelmente, vão ser levados a sério. E que tal se forem os utilzadores a financiar integralmente os transportes públicos? Ou, ainda mais radical, que tal obrigar os transportes públicos a financiar os centros comerciais e os parques de estacionamento uma vez que a existência destes ajuda à rentabilidade do seu negócio?

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 08:05

London Calling, dos The Clash.

Dois anos depois, recordar as vítimas que não tiveram direito a nascer

Filed under: Blogosfera,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 02:00

Dois anos depois. Por Pedro Picoito.

Aqui celebram a “vitória”, invocando as pessoas que mais amam ou que conheceram na causa comum.
Eu, pelo contrário, lamento as pessoas que não nasceram, as pessoas que nunca conhecerei, as pessoas que ninguém poderá amar porque se votou a sua inexistência.

Número mínimo de votos necessário para eleger um deputado ao Parlamento português e ao Parlamento europeu

Filed under: Política,Portugal,Teoria,União Europeia — André Azevedo Alves @ 01:50

Uma breve e informativa análise comparativa de Marina Costa Lobo sobre a facilidade em eleger deputados ao Parlamento português e ao Parlamento europeu:

A abstenção maciça tem se encarregado de diminuir os votos necessários para ser eleito Eurodeputado. Mesmo assim, os grandes partidos têm conseguido a parte de leão nestas eleições, somando 21 mandatos em 1999 e 2004.

Para um partido novo, pequeno e relativamente desconhecido, as eleições legislativas são um ponto de entrada mais fácil no sistema político do que as europeias.

O Bispo Williamson e a lex orandi

Filed under: Comentário,Internacional,Media,Política,Portugal,Religião — André Azevedo Alves @ 01:45

Embora discordando de um ou outro ponto, recomendo a leitura do post do Pedro Picoito sobre a polémica mediática em torno do Bispo Richard Williamson.

Entre as discordâncias, saliento que a expressão tridentina do Rito Romano já estava “autorizada” antes da Summorum Pontificum de Bento XVI. A Summorum Pontificum alargou de forma significativa as circunstâncias em que pode ser celebrada a chamada Missa Tridentina, mas não “voltou a autorizar” nenhum “rito tridentino” que estivesse proibido.

Acho o esforço do Pedro Picoito louvável e compreendo que responder a quem, por exemplo, demonstra este grau de desconhecimento sobre o dogma da infalibilidade papal exija (bastantes) simplificações, mas há matérias nas quais importa ter especial cuidado com as confusões que se podem criar.

Aprender com Darwin no dia de Darwin

Filed under: Política,Teoria — Carlos M. Fernandes @ 00:55

Excerto de uma carta de Charles Darwin a Karl Marx, datada de 13 de Outubro de 1880, na qual o primeiro recusa ser agraciado por Marx com uma dedicatória numa das suas obras.

(…) Agradeço-vos a gentil carta e tudo quanto ele incluía. A publicação das vossas observações aos meus escritos, qualquer que seja a sua forma, não necessita de nenhum consenso da minha parte… Preferiria que a parte ou o volume me não fossem dedicados (se bem que esteja grato pela honra que me entendeis fazer), porque tal sugeriria de algum modo a minha aprovação de toda a obra, a qual não conheço bem. Se bem que eu seja um fervente apoiante da liberdade de opinião em todos os campos, parece-me (com razão ou não) que ataques directos contra o cristianismo e o teísmo teriam escasso efeito sobre o público e que a liberdade de pensamento pode ser melhor promovida com aquela iluminação gradual do intelecto humano que resulta do progresso das ciências. (…)

Fevereiro 11, 2009

Pergunta III

Filed under: Portugal — ruicarmo @ 23:06

A ideia de Sócrates e do Anacleto Louçã  é acabar com os ricos ou acabar com os pobres?

Duas razões para gostar da blogosfera

Filed under: Blogosfera — ruicarmo @ 22:48

A primeira: Dar a mão de Sócrates em casamento

A segunda: Dar a mão de Sócrates em casamento II

Ambas escritas por Vasco Lobo Xavier, do Mar Salgado.

Pergunta II

Filed under: Ambiente,Cultura,Justiça — ruicarmo @ 22:11

As barreiras jurídicas à poligamia não são uma forma cruel de discriminação?

Adenda: Um caso (mano a mano), por Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado.

Coisas que deviam assustar

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:00

Coisas que me assustam. Por Nuno Gonçalo Poças.

O Bloco quer governar. E, cada vez mais, assume o seu carácter de esquerda doutrinária da forma mais perigosa que pode existir. O Bloco quer mesmo governar. Mas segundo ditames ultrapassados, sob a máscara da modernidade, da evolução e do progresso. E isto é assustador. Mesmo.

Leitura complementar: Faz muita falta a Louçã ler Menger; Demagogia Bloquista.

Pergunta

Filed under: Media,Política,Portugal — Carlos M. Fernandes @ 21:29

Já está marcado o próximo referendo sobre a legalização do aborto?

Previsões para o ano 3000…

Filed under: Ambiente,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 21:00

Alterações climáticas irreversíveis até ao ano 3000… Por Rui G. Moura.

A propósito de profecias, as de Susan Solomon ultrapassam as de James Hansen. Fazer uma predição para o clima no ano 3000 não é para qualquer um. Ainda para mais é uma predição para o clima de várias regiões do globo que se verificaria no ano 3000.

(…)

A falta de decoro deste pessoal parece não ter limites.

Assunto desinteressante

Filed under: Ambiente,Comentário — ruicarmo @ 20:21

Não se trata de nehum tema fracturante como o aborto, a eutanásia ou mesmo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nem mesmo a ligação muito especial entre a capital do país a Gaza mesmo que isso implique aspectos chics como a troca de fotografias, de artesanato e mesmo o envio de empresários e agricultores (das duas cidades, presumo). Não… é apenas um relembrar que há um direito à água, que o líquido é de todos e que o negócio (horror!) do h2O gera dinheiro (embora se saiba que só coelhos e de sexos diferentes consigam criar). Proponho a nacionalização, desde já de todas as garrafinhas de água. O Estado tem que assumir a sua verdadeira vocação: dar-nos banho.

O Ocidente não pára de oprimir o Islão

Por isso, o Irão defende-se. Os Baha’i são uns tipos lixados. Pena já se ter gasto o plafond para sms’s.

Os valores e princípios da direita

Filed under: Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

À direita. Por Rui A.

Depois, no que aos valores e princípios se refere, a direita comporta e congrega um sem número de abrangências. Ela será, contudo, menos estatista do que a esquerda, mais personalista e individualista, e menos colectivista do que aquela. Preferirá a propriedade privada à pública, seja por razões de ordem económica e moral (a propriedade como direito natural e forma de realização da pessoa humana e da livre iniciativa), seja por motivos de índole religiosa (a propriedade como direito inerente à condição humana, divinamente concebida e ao serviço de uma finalidade social e superior ao indivíduo). Deve privilegiar as liberdades cívicas e os direitos individuais à autoridade do estado. É menos intervencionista e dirigista, se possível, nada intervencionista e dirigista. É contrária à planificação económica e social. Respeita as tradições da comunidade, nas quais vislumbra vestígios da “ordem social espontânea” liberal. Não é revolucionária e, por consequência, deverá enjeitar todas as intervenções sociais, a partir do estado, que visem a criação de uma “sociedade nova”, de um “país novo”, de um “novo homem”. Também não lhe fica bem atacar as instituições tradicionais, entre elas, as de cariz religioso, deixando a despesa desses festejos à esquerda. Festejos contra os quais deverá, aliás, manifestar-se.

No gira-discos

Filed under: Videos — ruicarmo @ 19:48

Started out with nothin‘ de Seasick Steve.  I Started out with nothin’ and still got most of it left é o  título do album.

O estranho mundo do Bispo Williamson (e não só)

Filed under: Internacional,Política — Miguel Noronha @ 17:27

“O Mundo de Williamson” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Na pressa em revelar ao mundo as simpatias ocultas do papa, os seus críticos não tiveram oportunidade de reparar convenientemente nas opiniões do bispo Williamson, nem tão pouco naquilo que se passa em algumas instituições que muito prezam. Não devemos ficar pela negação do Holocausto: o bispo tem opiniões interessantes sobre outros assuntos. Por exemplo, tem a “certeza absoluta” quanto à impossibilidade das torres gémeas do World Trade Center terem sido derrubadas por aviões desviados por terroristas islâmicos. Nada disso: foi uma demolição controlada, organizada por uma conspiração global, que envolve as mais altas instâncias do Vaticano, com o sinistro propósito de fazer avançar um “estado policial”. Williamson chegou a esta conclusão através de um silogismo anteriormente empregue com assinalável sucesso pelos Monthy Python no julgamento da bruxa: não poderiam ser aviões os causadores da destruição porque para tal necessitariam de ter narizes de titânio e aço (sic) e com tal peso afocinhariam irremediavelmente na pista ao descolar. Portanto, só pode ter sido um acto de conspiração e a “prova”, segundo o bispo, está num site da internet.

Esta teoria permite compreender melhor o estranho mundo de Williamson: descontados os aspectos caricaturais, é o mesmo mundo habitado mentalmente por lunáticos extremistas, que desde 2001 acusam histericamente o executivo norte-americano de manipular a ameaça terrorista, sob o domínio de uma conspiração judaica, com o objectivo de limitar as liberdades individuais e criar um “estado policial”. É o mesmo mundo de Fatima Hajaig, encarregue dos Negócios Estrangeiros sul-africanos, que a 14 de Janeiro disse pouco importar quem era o presidente dos EUA, porque a maioria dos governos ocidentais era controlada por “dinheiro judeu”.

O que torna este mundo perigoso é as suas portas de ligação à realidade. Uma delas abre directamente para a ONU, que em Abril exibirá em Genève uma reencenação da conferência mundial anti-racista de 2001, designada como Durban II. A Organização da Conferência Islâmica controla 1/3 dos assentos no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, encarregue da preparação da conferência. Em resultado, exemplos de respeito pelos direitos humanos como a Líbia, o Irão ou Cuba verteram para os documentos preparatórios a sua “sabedoria” sobre o racismo e como o erradicar. É simples: elimine-se Israel. O documento acusa Israel de ‘apartheid’ e, claro, questiona a verdade histórica do Holocausto: em instituições como a ONU o consenso é confundido com a verdade, e tanto a Síria como o Irão têm as mesmas “dúvidas” de Williamson. Para rematar a indecência, os organizadores pretendem ainda suprimir qualquer crítica ao islamismo como “incitamento ao ódio” e validação da “islamofobia”. É importante saber o que têm a dizer sobre isto os que se manifestaram chocados com as opiniões de Williamson; é ainda mais importante saber que governos tencionam fazer-se representar na conferência.

“A crise é agravada pela demagogia intolerável do primeiro-ministro”

Filed under: Economia,Política,Portugal — LA @ 15:54

Alexandre Soares dos Santos (presidente do Conselho de Administração da Jerónimo Martins) falou de manhã no congresso da Associação Portuguesa de Empresas Familiares onde recebeu o Prémio da Empresa Familiar.
(via PD):

A crise é agravada pela demagogia intolerável do primeiro-ministro, quando vem falar em como os ricos deveriam ajudar os pobres.

(Via JN):

Enfrentamos uma crise social enorme que está a ser ainda pior devido à acção dos políticos. Ainda no outro dia ouvi um político na televisão a falar do capital como uns malandros que tudo estragam e nada estão a fazer. Esquecem-se que 25 de Abril houve um, não dois. A iniciativa privada não tem que aturar isto e, se assim for, passem muito bem que nós temos para onde ir.(…)
É pena que tenhamos sindicatos que incentivam à greve numa altura em que as empresas estão mal. É uma atitude retrógrada e cretina e que mais que prejudicar o país prejudica os associados sindicais.

(Via TSF):

Mais grave ainda: temos um parlamento que, em vez de ser o lugar de preferência para controlar as acções do Executivo e para participar limita-se a discutir casamentos de homossexuais e sei lá o quê como se isso fosse uma prioridade do país.

Tristes dias estes que vivemos

A Inglaterra foi em tempos uma das sociedades mais livres na Europa e no Mundo. Hoje é um país preocupado em aumentar o controlo sobre os seus cidadãos, merecendo claramente o título de reis do Nanny State e do Big Brother.

Em tempos defensores absolutos da Liberdade, aqueles que criaram o Speakers’ Corner decidiram vender esses valores pelo politicamente correcto. A mais recente tranche desta transacção constitui-se na proibição de entrada no Reino Unido de Geert Wilders, líder do PVV e produtor/realizador do documentário “Fitna”, onde aparentemente (digo aparentemente porque ainda não o vi) relaciona o extremismo Islâmico a ataques terroristas e compara-o ao Nazismo.

O mais gritante é que tinha sido um dos membros da House of Lords que tinha convidado Wilders para estar presente no visionamento do documentário que irá ocorrer amanhã e na subsequente discussão. Esta é a segunda vez que tal programa se encontra marcado. A primeira foi no final do mês passado, tendo sido cancelada depois de reuniões entre Lord Ahmed (barão, muçulmano, membro da House of Lords), associações muçulmanas e o líder da House of Lords. Esquecidas ficaram as ameaças feitas por Lord Ahmed de mobilizar 10.000 muçulmanos para impedir a entrada de Wilders na House of Lords.

Entretanto Wilders já afirmou ir desafiar a proibição embarcando amanhã para Londres. Veremos como isso corre.

Para além da tristeza, honestamente o que mais sinto neste momento é nojo. Nojo pela cobardia, pela cedência perante ameaças, pela traição à Liberdade.

As políticas sociais do liberalismo

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:45

Anda por aí em voga a ideia de que é preciso mais Estado para proteger os cidadãos da crise. Mais regulamentação da actividade laboral, mais protecção do trabalhador, maior controle das decisões tomadas pelos empresários, da forma como estes devem gerir a sua empresa, como os bancos devem conceder créditos. São inúmeros os exemplos, significativos dos ventos que correm e que tanta coragem têm dado à esquerda para que volte a desejar, sem receio de parecer ridícula, o fim do capitalismo.

Junte-se, a esta euforia, a ideia alicerçada até ao fundo da nossa consciência cívica de que os liberais não cuidam dos mais desfavorecidos. Não se preocupam com as situações mais gritantes da miséria humana, acreditando que toda a vida do homem é um percurso natural na evolução da condição humana. Que basta o trabalho, o esforço e a fé no mercado para que tudo corra pelo melhor.

Não há, no entanto, nada mais errado. Ao contrário do que tem sido ponto assente, quanto maiores as dificuldades para o despedimento, e que as forças de esquerda tanto preconizam, maior a dificuldade na obtenção de emprego. Se tais medidas protegem quem tem trabalho, já prejudica quem não trabalha. Qualquer homem e qualquer mulher que fique em casa sem nada fazer e desconhece como vai pagar as contas no final desse mês. Da mesma forma, as licenças de maternidade/paternidade podem ter um efeito contrário ao pretendido. Se protegem a mãe com emprego e que tem um filho, prejudica aquela que, estando desempregada, engravida e dificilmente encontrará alguém disposta a contratá-la. É, pois, uma medida que também pode desincentivar à constituição de família e contribui, à sua maneira, para a redução da natalidade. A desregulamentação é, pois e muitas vezes, a melhor forma de não discriminar e, não discriminando, não prejudicar os cidadãos.

Nenhum liberal deseja o desamparo total e completo dos cidadãos. Nenhum liberal acredita que o Estado se deve abster das políticas de apoio aos mais desfavorecidos. A existência de uma política mínima de cuidados de saúde, de apoio à pobreza, de acesso à educação, a tal rede de segurança que por vezes se fala, é o cerne do liberalismo. A única diferença é serem políticas sociais que não atrofiam e penalizam o esforço dos que têm trabalho, nem as poupanças dos que cuidam do seu futuro. São políticas que acreditam nas pessoas, no uso que fazem da sua liberdade (uma palavra tão erradamente entregue ao socialismo), e que não destroem a responsabilidade e capacidade das pessoas cuidarem do seus e dos que lhe são ou estão próximos. Não rouba à sociedade o seu papel e dever para cuidar de si. Não é possível dar esperança às pessoas, quando não se confia nelas.
(mais…)

Anything goes (2)

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — Miguel Noronha @ 12:16

Comentário de Guilherme Diaz-Bérrio

O problema com Francisco Louçã não é desconhecer a Teoria Económica mais básica. Muito pelo contrário: ele conhece-a muito bem. É verdade que ele é um dos economistas portugueses mais publicados e citados no estrangeiro, mas o que ele escreve enquanto académico e o que ele professa enquanto político estão a milhas de distância.

Tive o prazer de ler as teses de mestrado e doutoramento dele [ele é doutorado em História do Pensamento Económico]. Neles, em especial na tese de doutoramento, Louçã analisa e critica o seguinte: a excessiva matematização da ciência, com base em analogias importadas da Física e modelos demasiado simplificados de um sistema inerentemente complexo. Segundo ele, os economistas “main stream” simplificam demais, assumem demais, fazem contas a mais! Esta critica não é estranha a um “austríaco”: o mercado é demasiado complexo para ser modelado com equações simples. Muitas vezes, damos por nós com “unintended consequences” que não estavam “previstas” no modelo. Normalmente, para um Keynesiano, por exemplo, a culpa é da realidade, e não do modelo.

Num dos seus papers [co-autoria com Tanya Araújo, também professora no ISEG], a determinada altura Louçã elabora o seguinte raciocínio [tenho de encontrar o Paper, já o li à uns anos, ainda era estudante no ISEG]:
A Economia é um sistema com criticalidades auto-organizadas. O que é que isto quer dizer? Em primeiro lugar que se assemelha a uma floresta: auto-organiza-se em clusters auto-sustentáveis. Em segundo lugar, a que, a própria estrutura da mesma é dada a “pontos de criticalidade”, i.e., pontos nos quais uma pequena variação de uma variável induz consequências “catastróficas”, ou seja, grandes mais para serem ou previstas ou controladas. Um exemplo é a água: a 374ºC, tem-se um ponto de criticalidade em que o Estado liquido e gasoso são indestinguiveis, do ponto de vista termodinâmico [a ciência de onde se importa grande parte das analogias económicas]. Qualquer variação no sistema dá origem a uma variação demasiado grande para ser controlada ou prevista. Outro exemplo é uma floresta: uma pequena variação – acender um fosforo e deixa-lo cair – pode provocar uma consequência demasiado grande para ser controlada [e que o modelo não prevê]: a catástrofe de um incêndio que se auto-propaga até consumir a floresta, no limite.

Por analogia, a leitura deste paper levou-me [na altura] a concluir: faz sentido. Mas isso inibe grande parte da acção reguladora do Estado, pois este nunca sabe quando está perante um ponto critico. Por analogia, por exemplo, usar taxas de juro para “regular o ciclo económico”, é o equivalente da Economia a fazer uma queimada com napalm no Pinhal de Leira: os resultados são imprevisíveis.

My point? O Louçã académico e o Louçã político não são a mesma pessoa. Eu considero-o “intelectualmente desonesto”. Do ponto de vista académico professa algo, onde tem pesquisa feita. Da, no campo político, é dos economistas que mais distorce a Teoria de modo a obter vantagens “políticas”. Suportar o argumento dele na convenção, sobre o capital [que não faz qualquer sentido do ponto de vista económico], com base no facto “ter obra publicada no meio cientifico” é ignorar este pequeno [grande] facto.

Leituras complementares: Anything goes; Importa-se de repetir?

O dia continua dentro de momentos…

Filed under: Comentário,Política — Michael Seufert @ 12:11

…mas só queria dizer que, não sendo religioso, acho perfeitamente normal que a hierarquia da igreja indique quais partidos melhor representam as suas ideias. Sindicatos, corporações, clubes, etc, etc, fazem o mesmo. Só mails recebidos de professores (organizados ou não, nem interessa) a apelar contra o PS, são às dezenas.

Adenda: Ler também este post do Miguel Madeira.

António Pires de Lima

Filed under: Justiça,Media — João Luís Pinto @ 11:42

A entrevista de Ana Lourenço a António Pires de Lima, na rúbrica Dia D da Sic Notícias (ainda não disponibilizada online), é imperdível.

Mesmo não concordando com tudo o que foi dito, é essencial para a análise do estado actual da Justiça portuguesa, e deixa saudades daquele que foi, na minha opinião e memória, o melhor bastonário da Ordem dos Advogados.

Repete hoje às 13 horas.

Why Obama’s new Tarp will fail to rescue the banks

Filed under: Economia,Internacional,Política — LT @ 11:17

Interessante artigo de Martin Wolf no FT:

The correct advice remains the one the US gave the Japanese and others during the 1990s: admit reality, restructure banks and, above all, slay zombie institutions at once. It is an important, but secondary, question whether the right answer is to create new “good banks”, leaving old bad banks to perish, as my colleague, Willem Buiter, recommends, or new “bad banks”, leaving cleansed old banks to survive. I also am inclined to the former, because the culture of the old banks seems so toxic.

By asking the wrong question, Mr Obama is taking a huge gamble. He should have resolved to cleanse these Augean banking stables. He needs to rethink, if it is not already too late.

No, we don’t believe

Filed under: Economia,Internacional,Política — Miguel Noronha @ 11:06

djia-09-02-09

Gráfico do valor do indice Dow Jones Industrial Avarage (um dos principais indices da bolsa de Nova Iorque de ontem. A seta indica o momento em que o Secretário do Tesouro iniciou a apresentação do novo plano da Administração Obama para o sistema bancário.

Opposing ‘Stimulus’

Filed under: Economia,Internacional,Política,Videos — André Azevedo Alves @ 01:00

Opposing ‘Stimulus’ — Hundreds of Economists Sign on to Cato Institute Ad

(via Diogo Costa)

O liberalismo e a direita em Portugal

Filed under: Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:30

A culpa. Por Rui A.

Sumariamente, diria que o liberalismo teve, em Portugal, dois momentos em que poderia ter convertido a direita à sua razão: após 1834 e depois de 1910. Falhou nos dois. Em qualquer um dos casos, se bem que no segundo não se possa dizer que existisse um “partido” liberal português, o liberalismo escolhido foi o pior: francófono, anti-clerical, frequentemente ateu, racionalista, voluntarista e desrespeitador da tradição portuguesa. Nessa medida, nunca os liberais portugueses foram portadores de uma visão conservadora/evolucionista da sociedade, que respeitasse as suas tradições ancestrais e as impusesse como limite à acção de um estado centralizador emergente. Ao invés, pretenderam construir uma “sociedade nova”, a partir do estado e à revelia do que era genuinamente português. Por isso falharam, e afastaram-se do seu espaço político natural – a direita – a quem empurraram para os braços mais inteligentes da esquerda social-democrata.

Deve ser da dialética

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 00:18

Há algo de esquizofrénico, em alguma opinião pública, na denúncia indignada do lucro ao mesmo tempo que se fazem queixas sobre a falta de investimento.

Mais vale um jornal morto do que um jornal refém do poder

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:18

UMA AJUDA QUE OS MEDIA NÃO DEVEM PROCURAR. Por João Miguel Tavares.

Deter um meio de comunicação social ou ser um jornalista foi durante anos uma medalha para exibir na lapela. Muitos patrões olharam para os media com complacência (mais para dar prestígio do que dinheiro) e muitos jornalistas nunca perceberam o significado da palavra “empresa” (e muito menos se acharam co-responsáveis pelo seu desempenho). Só que esse tempo acabou. A crise? Os postos de trabalho? Isto eu sei: eles não podem ser protegidos com a mão estendida à frente do Palácio de São Bento. O que não falta são exemplos na História a demonstrar que mais vale um jornal morto do que um jornal refém do poder.

Fevereiro 10, 2009

Ajuda aos pesquisadores

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:58

Os posts do Rodrigo Adão da Fonseca n’O Insurgente podem ser encontrados aqui.

Recomendo também uma visita ao Blue Lounge.

Denunciar o medo

Filed under: Justiça,Media,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:54

Ramalho Eanes denuncia clima de medo em Portugal

O general Ramalho Eanes denunciou, esta terça-feira, a existência de um clima de medo crónico de criticar para não ser prejudicado e de arriscar. O antigo Presidente da República pediu ainda aos políticos que informem sempre os portugueses da verdade.

Importa-se de repetir?

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 23:41

Os disparates em matéria económica são tantos que o desastroso desempenho da economia portuguesa nos últimos anos não deve, de facto, constituir surpresa para ninguém: UGT contra descida fiscal por afectar os investimentos

A UGT manifestou-se hoje contra a descida da carga fiscal por afectar negativamente os recursos necessários para o investimento e o emprego.

Leitura complementar: Anything goes.

C-o-m-u-n-i-s-t-a

Filed under: Media,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 23:10

É assim que Vítor Malheiros diz que por cá se vê Paul Krugman, como um c-o-m-u-n-i-s-t-a, cujo nome e opinião o director executivo d’O Público usa para justificar a sua. Isto a propósito das culpas a distribuir pela crise actual. Parece que Krugman diz (e Malheiros concorda) que os que não conseguiram pagar as dívidas que assumiram não têm culpa nenhuma na crise. A culpa é da ganância dos banqueiros.
Quanto a culpas não falta a quê ou a quem acusar mas, o que já me incomoda, é este apelo ao argumento de autoridade envolvendo o nome do Krugman para justificar tudo mais um par de botas. Ora bem, o homem ganhou o Nobel “for his analysis of trade patterns and location of economic activity”. Podiam de vez em quando usar as opiniões de outros, sei lá, do Edward Prescott por exemplo que ganhou o Nobel com Kydland “for their contributions to dynamic macroeconomics: the time consistency of economic policy and the driving forces behind business cycles”, ou do Roberto Barro que, ainda antes dos cinquenta anos, foi candidato ao Nobel e tem mais trabalhos publicados em áreas relacionadas a esta crise que o Paul Krugman. Podiam até, quando falam do “compre português” usar a opinião do próprio Krugman. Porque não? Mas bonito bonito era ler o Vítor Malheiros apoiar-se na autoridade do Gary Becker ou do James Buchanan e escrever que por cá são f-á-s-s-s-i-s-t-a-s.

Pagar as nacionalizações e os bailouts

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:00

CGD emite obrigações no valor de 1250 milhões de euros

Com um spread de 225 pontos base…

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