Fevereiro 14, 2009
Sócrates, BPN e o projecto «Nova Setúbal»
Uma notícia avançada pela TVI: Sócrates assinou plano de pormenor inexistente
José Sócrates aprovou em 2001, como ministro do Ambiente, o estatuto de imprescindível utilidade pública de um plano de pormenor de um projecto em Setúbal, sem que o dito plano existisse na realidade.
É um caso de alegado favorecimento que envolve o nome do actual Primeiro-ministro e outro ministro de então, e que diz respeito ao projecto imobiliário «Nova Setúbal», considerado de grande importância pelo Governo.
A TVI sabe que a empresa promotora da construção é participada da Sociedade Lusa de Negócios e tem fortes ligações ao Banco Português de Negócios (BPN).
As trapalhadas de Obama
O messias trapalhão. Por Luciano Amaral.
O ambiente mais próprio da chegada do Messias do que da eleição de um presidente não deixará muita gente ver, mas as primeiras semanas do mandato de Obama pouco menos têm sido do que um desastre. São já quatro os candidatos a membros da administração a ter de recusar o cargo por ilegalidades várias. Acresce a relação próxima do Presidente com o comprovado corrupto ex-Governador do Illinois: eis que destoa do padrão ético a ser supostamente introduzido em Washington pela nova administração. Mesmo se pode dizer-se que o presidente não sabia, trata-se de uma grande ineficiência no processo de escrutínio das condições de eligibilidade para cargos executivos. Como por cá se dizia há tempos: uma série de trapalhadas.
Rigoroso, suponho
André, já está:
O Governo nega acesso indiscriminado e garante que vai abrir um inquérito ao caso.
Para depois ficará a explicação da razão de abrir um inquérito se não houve acesso indiscriminado.
Espionagem à portuguesa
Um pequeno país em que demasiados assuntos de Estado são simultaneamente transparentes e opacos. Seguir-se-à, naturalmente, o apuramento das responsabilidades, porventura através de um rigoroso inquérito levado a cabo pelas autoridades competentes: Lista de “espiões” disponível nos computadores da Presidência do Conselho de Ministros
Uma lista, com as respectivas fotografias, de 23 nomes de quadros do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) estava, até há poucos dias, disponível na intranet da Presidência do Conselho de Ministros (PCM), onde trabalham cerca de 700 pessoas.
Uma falha de segurança que faz lembrar a revelação, em 1999, dos espiões do então SIEDM (a antecessora do actual serviço), numa lista enviada a deputados da Assembleia da República e que resultou na demissão do ministro da Defesa Veiga Simão.
Esta é uma boa altura para recordar a argumentação governamental empregue para justificar a imposição do “Dispositivo Electrónico de Matrícula”:
(…) a questão crucial do tratamento e protecção dos respectivos dados pessoais, exigem que a prestação deste novo serviço público seja assegurada, com carácter de exclusividade, pelo Estado, através de uma entidade empresarial própria – uma empresa pública, a SIEV, SA, – que garanta a idoneidade e a legitimidade de todos os procedimentos.
O caso Freeport e os Governos de António Guterres
O mundo pequeno do caso Freeport
Os Governos de António Guterres funcionaram como epicentro, mas não só. De algum modo, no processo Freeport, investigadores e investigados cruzaram-se ali. Um deles teria sido escolhido para substituir Souto de Moura. Amizades? Ressentimentos? Coincidências? Um retrato de um mundo pequeno, num pequeno país.
Leitura complementar: Alegadamente; Prós e Prós sobre o caso Freeport; Sócrates sob pressão; O que diz e o que não diz a PGR; Cuidado a dobrar; Avisos à navegação; Sócrates sobe o tom…; Mais uma dor de cabeça para Sócrates…; Nepoqualquercoisa; Os ingleses e as legislativas portuguesas; Alguém o pode ajudar?; Novo episódio da novela Freeport….
Benicio del Toro e Che
Benicio del Toro se queda sin respuestas
(via Ordem Livre: Del Toro sem respostas)
Planos Directores Municipais e «planeamento do território»
Para que serve um Plano Director. Por Gabriel Silva.
O chamado «planeamento do território», justificar-se-ia, segundo os seus defensores, pela necessidade de defesa de interesses públicos, o que implicaria a retracção de interesses privados quando em conflito com os «da «comunidade». Mas, na prática, o que se verifica é que tais instrumentos politicos servem para o poder político negociar vantagens para si ou para privados devidamente selecionados, em prejuízo e á custa de todos os demais cidadãos.
O “liberalismo” português e a Igreja Católica
Aprender a lição. Por Rui A.
No seguimento da revolução de 1820, o “liberalismo” português iniciou um ataque sistemático e reiterado à Igreja Católica. É duvidoso o panorama pintado por alguns defensores das medidas de que o domínio da vida portuguesa por parte daquela instituição fosse asfixiante e inibidor da liberdade. De resto, os ataques que lhe foram movidos foram à sua propriedade (a abolição e consequente confisco dos bens das ordens masculinas, em 1854, por Joaquim António de Aguiar, a posse dos bens das ordens femininas por parte do estado) e aos seus costumes internos (a proibição do uso público dos hábitos talares, após a implantação da República), pelo que não se vê como poderiam diminuir os excessos de que era acusada.
Estas medidas, que repugnariam a qualquer verdadeiro liberal, já que questionavam a propriedade legítima e a liberdade de organização, foram a marca do “liberalismo” português. Elas ofenderam uma instituição tradicional portuguesa e puseram em causa costumes e práticas ancestrais. Em suma, a ordenação espontânea e secular da sociedade portuguesa. Isto, que nada tem a ver com o liberalismo clássico, marcou a doutrina liberal durante décadas e afastou-a do seu espaço político natural, que deveria ser a direita.
Alice no País do Faz-de-Conta (2)
Simpatizo pouco com a Dra Manuela Ferreira Leite porque espetou-me com o PEC e pregou-me mais um prego na falência. Aumentou-me o IVA de 17% para 19%, pactuou com a mentira do famoso “choque fiscal” barrosão (Miguel Frasquilho não o fez, por exemplo) e, ainda enquanto Ministra das Finanças, revelou-se pouco mais que uma contabilista relativamente competente. Enfim. Já hoje, se estivesse no lugar dela mandava o PSD e o País à merda. Ela precisa disto? Destes idiotas todos, uns úteis, outros completamente inúteis?
Alice no País de Faz-de-Conta
Cada vez mais me vejo num país de faz-de-conta, de gente que me parece perdeu toda a capacidade de pensar e imaginar o futuro miserável que nos espera. Hoje, no sobe e desce d’O Público (juro que não é embirração) com a seta para cima a propósito do novo regime de licença das grávidas e assim, escreveu alguém que assina com as iniciais P.F., que Portugal é “um pouco mais nórdico.” Juro que não sei em que mundo vive esta gente. A economia em 2009 vai contrair 2% a 3%, aquilo que vocês ouvem sobre os despedimentos e fechos de empresas é uma brincadeira comparado com a realidade cá fora, o OE prevê que, pela primeira vez em Portugal, a despesa do Estado ultrapasse os 50% do PIB (com a recessão será mais 51% ou 52%) e é num ambiente destes que se ampliam estes “direitos sociais” e o diabo a quatro. Já aí está fome e miséria, vem aí fome à séria para muita, muita gente e andamos aqui a brincar com”direitos sociais” de trigésima quarta geração. Senhores e senhoras, alguém tem que pagar isto e, se a economia não gerar os meios, quem paga? Por favor explicai-me vós que vos congratulais com estes vícios nórdicos, quem paga? QUEM PA-GA?
Quando oiço deputados na AR a reivindicar e a gritar números, fico sempre meio incrédulo com o eles próprios não perceberem a consequência do que gritam. Há dias uma deputada insurgia-se contra as pensões de 300€ com que sobrevivem 1.500.000 portugueses. Um milhão e quinhentos mil. Isto dá 450.000.000€ por mês, quatrocentos e cinquenta milhões de euros por mês(!!), no mínimo, 5.400.000.000€ por ano, cinco mil e quatrocentos milhões de euros por ano(!!!!). Um miserável aumento de cinquenta euros mensais a estas pessoas (pouco mais de um euro e meio por dia) passa a despesa para 6.300.000.000€, seis mil e trezentos milhões de euros por ano (!!!). É num ambiente destes, em que os mais pobres ainda não têm o mínimo, que nos pomos com merdas nórdicas que não temos riqueza para pagar. Por favor. Eu tenho um filho com catorze anos. Querem fazer dele um escravo que vos sustente a auto congratulação pseudo-nórdica?
Há pessoas, portugueses, novos e velhos, bebés e adultos, homens e mulheres com fome, sem meios de sobrevivência e vêm-me com isto. Isto não é um país, é uma vergonha. Uma vergonha e uma palhaçada.
João Catarino e Diogo Feio sobre matéria fiscal
Embora o panorama geral seja francamente deprimente, nem tudo é mau no tratamento de temas políticos e económicos nos media portugueses e as excepções merecem ser destacadas: só consegui assistir a parte do programa, mas da parte que vi destaco as excelentes prestações de João Catarino e Diogo Feio sobre matéria fiscal na SIC-Notícias.
Fevereiro 13, 2009
A crise, o Estado e os mercados (2)
Comentário de Tiago Tavares ao post A crise, o Estado e os mercados:
Parece-me evidente que os mercados financeiros são tudo menos livres. A acção dos governos sempre esteve presente. Vou apenas adicionar mais algumas falhas governamentais à apontada pelo Bruno Alves – de que o excesso de poupança mundial e gestão de câmbios (conhecido entre alguns economistas como Bretton Woods II) foram em parte responsáveis pela crise que temos hoje:
- alteração da missão das agências (Fannie Mae e Freddie Mac) a meados dos anos anos 90 e incentivos estatais à aquisição de habitação própria (noutro espaço já tinha tentado argumentar em favor desta ideia);
- manutenção de taxas de juro (determinadas pelo FED) em níveis anormalmente baixos após a recessão de 2001, num claro desvio em relação à “regra” que tinha sido utilizada nos últimos 20 anos (Taylor rule) e que os intervenientes de mercado já conheciam; e que promoveu uma inflação de activos reais como habitação e matérias primas;
- regulações financeiras mal desenhadas e restritivas, em particular o acordo de Basileia II, que certamente promoveram muita inovação financeira, onde algumas soluções foram excelentes mas outras aumentaram a opacidade dos instrumentos (noutro espaço também comento em maior detalhe o impacto do Basileia II).
Fires, Snow and “Climate Change”
A falta de vergonha e a demagogia manifestas na propaganda eco-alarmista não parecem, infelizmente, ter limites…
Why Global Warming May Be Fueling Australia’s Fires
Although the wildfires caught so many victims by surprise last weekend, there has been no shortage of distant early-warning signs. The 11th chapter of the second working group of the 2007 Intergovernmental Panel on Climate Change, for example, warned that fires in Australia were “virtually certain to increase in intensity and frequency” because of steadily warming temperatures over the next several decades. Research published in 2007 by the Australian government’s own Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization reported that by 2020, there could be up to 65% more “extreme” fire-danger days compared with 1990, and that by 2050, under the most severe warming scenarios, there could be a 300% increase in such days. “[The fires] are a sobering reminder of the need for this nation and the whole world to act and put at a priority the need to tackle climate change,” Australian Green Party leader Bob Brown told the Sky News.
Snow is consistent with global warming, say scientists
Temperatures for December and January were consistently 1.8 F ( 1 C) lower than the average of 41 F (5 C)and 37 F (3C) respectively and more snow fell in London this week than since the 1960s.
But despite this extreme weather, scientists say that the current cold snap does not mean that climate change is going into reverse. In fact, the surprise with which we have greeted the extreme conditions only reinforces how our climate has changed over the years.
Desastre II
Tenho uma amiga que trabalha numa das mais concorridas tabernas de Granada. No entanto, o sucesso não trouxe, à casa, imunidade à crise. Fala-se já em despedimentos, e a minha amiga, há poucos dias, trabalhou catorze horas seguidas devido a uma carência inesperada de pessoal. Fê-lo para dizer “presente”. Fê-lo para mostrar que numa situação de emergência podem contar com ela. Fê-lo para não estar na primeira linha dos despedimentos. A crise também tem as suas vantagens, e acordar os europeus da sua letargia é uma delas. Infelizmente, os funcionários públicos continuam a ser poupados às exigências de um mercado de trabalho sério, e cada vez mais se nota uma crispação e uma divisão clara na sociedade (espanhola, neste caso) que poderá ter consequências desagradáveis.
Paulo Portas deveria ter estado calado
Defender o indefensável. Por Tiago Moreira Ramalho.
Qualquer discussão que parta do pressuposto que é admissível que o Estado “salve” empresas, seja sobre manutenção de empregos ou outra coisa qualquer, nem sequer deveria tomar lugar. Paulo Portas deveria ter estado calado.
Leitura complementar: Random.
Desastre
Tenho um amigo que nasceu no pueblo com a maior taxa de desemprego de Espanha. Disse-me ele que, até há pouco tempo, os seus paisanos recusavam empregos com salários a rondar os 1500 euros mensais (“limpos”). Preferiam ficar em casa a receber o subsídio de desemprego. As empresas (de agricultura, principalmente) tiveram então que recorrer a mão-de-obra estrangeira, mas com a crise a apertar as gentes começaram a reclamar os postos de trabalho e a apontar o dedo aos imigrantes. Muitos europeus merecem tudo o que lhes está a acontecer, e muito mais. Merecem também os governantes que têm, os quais insistem nas receitas do desastre.
“This shit’s getting way to complicated for me”
Sim, estas são palavras de Barack Obama. Não, não foram proferidas a propósito das complicações que o novo presidente americano tem enfrentado na composição da sua Administração. Aparentemente, no seu livro Dreams of My Father, Obama cita várias vezes um amigo que recorria a uma linguagem própria de uma personagem de The Wire, o que faz com que, na versão áudio do livro, se possa ouvir o próprio Obama a dizer bonitas frases como “now you know that guy ain’t shit” ou that sorry ass motherfucker got nothing on me”, ou ainda “you ain’t my bitch, nigga. Get your own fries”.
Aviso à navegação (mais um)
A debt default by several euro-region countries has become more likely as nations struggle to finance the cost of bank bailouts and rescue packages, ING Groep NV said.
Investors are most concerned about Ireland and Greece, and may start assessing Portugal, Spain and Italy, Carsten Brzeski, a senior economist at ING in Brussels, wrote in a report yesterday.
“These countries have been hit hard by the financial crisis.” Brzeski wrote. “The risk of a sovereign default seems to be more reasonable. Many euro-zone countries will now finally get to learn the hard way why sustainable public finances are necessary.”
Regras legais universais
Ora laicidade não é a simples separação entre a administração do Estado e a Igreja Católica (ou qualquer outra organização religiosa), mas também, a distinção entre regras legais universais, para toda a populações e a moral que cada religião recomenda aos seus fiéis.
[...]
Não deve contudo, num Estado de Direito laico, desejar impor [a Igreja Católica] pela força da lei a sua moral particular, aos seus fiéis, a todos os cidadãos que praticam outras religiões, ou aos que não têm qualquer religião. Isto se deseja ser vista como uma entidade respeitadora da democracia e da liberdade.
[...]
O MLS considera por isso que chegou a altura de a Igreja Católica, mantendo o seu direito a recomendar aos seus fiéis as práticas comportamentais que considera mais adequadas, aceitar que vive num estado laico e que não compete às organizações religiosas determinar ou influenciar a orientação de voto dos seus fiéis. Inclusivamente, porque essas mesmas organizações religiosas são financiadas pelos impostos de todos os cidadãos e não devem por isso, relativamente a temas relacionados com os direitos, liberdades e garantias, adoptar opiniões de carácter político a apelar à discriminação de alguns cidadãos.
O último comunicado da Associação república e laicidade do Movimento Liberal-Social é um útil documento para descodificar o discurso laicista que vai sendo colado de forma avulsa às mais diversas iniciativas progressistas e às causas fracturantes que têm animado a última legislatura, patrocinadas pela generalidade dos partidos de esquerda e de extrema-esquerda e por associações da sociedade civil na sua esfera de influência. É também útil para esclarecer a duplicidade de critérios com que é avaliado o papel social e a liberdade associativa e de expressão da ICAR quando confrontado com as outras referidas associações.
(mais…)
Recomendação
Ir ao blogue sem filtro, onde encontrará escribas com diferentes pontos de vista, alguns claramente fásssistas, mas amigos aqui do estrangeiro. Um blogue a ler – a seguir… voltar aqui.
Hoje, às 18 horas e 5 minutos, Helena Matos e Adolfo Mesquita Nunes

Esta semana, estarei com Antonieta Lopes da Costa em debate com Helena Matos e Adolfo Mesquita Nunes.
Juntos analisamos alguns dos principais temas da actualidade:
- Convenção do Bloco – Realizou-se, no passado fim de semana, mais uma convenção do Bloco de Esquerda, desta vez com fortes ataques ao capitalismo. O regresso do discurso marxista marcou também o Primeiro-Ministro que recuperou a velha máxima ‘os ricos que paguem a crise’. Tudo populismo… ou foi descoberta a pólvora?
- O apelo de António Costa – O Presidente da Câmara de Lisboa, recordando a coligação da esquerda que conduziu Jorge Sampaio a duas maiorias absolutas em Lisboa, salientou não ser responsável pela não repetição de uma receita bem sucedida. Será que a grande vitória do PSD, em 2009, vai mesmoacontecer com Santana Lopes?
- Freeport e as reacções do Governo – O caso Freeport continua a dar que falar, com eventuais anomalias na condução do processo judicial a serem investigadas. Ao mesmo tempo, o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, aponta o dedo aos poderes ocultos que querem destruir a carreira política do Primeiro-Ministro. Estará a democracia portuguesa assim tão podre, para até o governo recear o não normal funcionamento das instituições?
- A redução do armamento nuclear – Barack Obama propôs à Rússia a redução, em 80%, do armamento nuclear. Quando sabemos que Moscovo cria forças de actuação rápida com as ex-repúblicas soviéticas, e incentiva ao fecho das bases norte-americanas na Ásia Central, não será insignificante o número de armas nucleares existentes?
”Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
E agora?
A estimativa avançada pelo BdP para o crescimento do PIB no 4º trismestre de 2008 (note-se que ainda poderá ser revista) deixa pouca margem para fantasias. A previsão do governo para 2009 (-0.8%) dificilmente será alcançada.
Um último pormenor para quem ainda esperava por um “prémio de consolação”. A “Economia portuguesa regist[ou o] terceiro pior desempenho entre os países da UE” no 4º trimestre de 2008.
ADENDA: Silva Lopes e Bagão Félix prevêm uma redução de 2% do PIB em 2009. Na prática, não diferem muito das estimativas avançadas pela Comissão Europeia e pela Economist há cerca de um mês.
Sobre os pais que se prejudicam com o alargamento da licença parental
O alargamento da licença parental para 6 meses é vista pelo governo como um grande avanço social. A lógica não deixa de ser verdadeira, se todos tivessem trabalho. Se todos tivessem contrato de trabalho. Se todos fossem empregados de alguém, de alguma empresa e se ninguém tivesse pequenos negócios, gerisse pequenas empresas. É que nem todos os pais podem deixar o seu trabalho durante 6 meses e muito menos é aceitável impor às pessoas que escolham entre ter um filho ou manter um rendimento. Muitos são pais (pais e mães, naturalmente) que precisam de voltar aos seus trabalhos quanto antes e para tal (não tendo família próxima ou familiares nas proximidades), deixá-los em alguma creche.
É neste ponto que a medida do governo, de alargar a licença parental para seis meses, esquece a realidade. Na verdade, a larga maioria das creches não recebem crianças com idade inferior ao tempo concedido para a licença parental. Desta forma, se até agora é complicado deixar um filho numa creche com, digamos 3 meses, de hoje em diante, sê-lo-á com 5. Cinco meses sem poder trabalhar devidamente, sem que seja possível trazer para casa o rendimento necessário para o sustento do novo filho.
As leis feitas por mero fruto da boa vontade, e mais importante ainda, pensadas por quem vê a sociedade com um olhar válido há 30 anos, mas desactualizado nos dias que correm, dá nestas incongruências. Bem sei que os fervorosos defensores do governo virão com a velha técnica de ser indigna a crítica a quem mostra não ter medo de agir. Mas o problema não é esse. É viverem outra realidade. Noutro tempo que não o nosso. Pelo menos, o meu.
A melhor defesa é o ataque
Ontem na AR, o ex-Director de Operações do BPN, António Franco, acusou a supervisão do BdP de laxismo apontando casos concreto (algo que até pode não corresponder à verdade – note-se).
A reacção do BdP não deixa de ser surpreendente. Aparentemente sem demonstrar grande preocupação com as acusações de falhas na supervisão (que é um dos objectos da comissão de inquérito da AR), o BdP afirma que as declarações de António Franco provam que este sonegou informações (parece que os meios de prova do BdP são bem menos exigentes que os do tribunais) e relembra, sem esclarecer se Franco é uma das pessoas em causa, que “estão em curso processos que poderão eventualmente conduzir à inibição do exercício de cargos no sistema financeiro“.
Terei ouvido alguém falar em intimidação de testemunhas. Claro que não. Quem foi o maldoso que sugeriu isso?
Justiça?
Os tribunais portugueses demoraram quase quatro anos para decidir se Isaltino de Morais deve ser julgado. Agora só teremos de esperar mais uns anos para saber se o considera culpado ou inocente.
Passos Coelho deve oferecer-se como alternativa clara e imediata ou remeter-se ao silêncio
passos pouco cautelosos. Por Rui A.
Passos Coelho foi candidato honrosamente derrotado na última disputa pela liderança do PSD, e tem legítimas expectativas de vir a ser líder, um dia. Assim, se entender que a actual liderança não tem condições para disputar eleições com o PS, deve dizê-lo abertamente e oferecer-se para o cargo. Se entender o contrário, deve distanciar-se e remeter-se ao silêncio. Se continuar a falar sem se configurar como alternativa clara e imediata, arrisca-se a ser o bombo da festa no day after eleitoral.
Os jornalistas de Obama
Obama continua a impressionar. Agora por aparentemente apenas aceitar responder a perguntas pré-combinadas: Obama’s Press List
About half-way through President Obama’s press conference Monday night, he had an unscripted question of his own. “All, Chuck Todd,” the President said, referring to NBC’s White House correspondent. “Where’s Chuck?” He had the same strange question about Fox News’s Major Garrett: “Where’s Major?”
The problem wasn’t the lighting in the East Room. The President was running down a list of reporters preselected to ask questions. The White House had decided in advance who would be allowed to question the President and who was left out.
Presidents are free to conduct press conferences however they like, but the decision to preselect questioners is an odd one, especially for a White House famously pledged to openness. We doubt that President Bush, who was notorious for being parsimonious with follow-ups, would have gotten away with prescreening his interlocutors.
Arquivada a fruta de Carolina Salgado
Uma decisão que não surpreende mas que certamente constitui uma desilusão para muitos dos entusiastas deste processo…
Relação do Porto arquiva processo contra Pinto da Costa
Os desembargadores indeferiram o recurso do Ministério Público que impugnava a decisão do juiz de instrução criminal, Artur Guimarães Ribeiro, de não pronunciar dois dirigentes do FC do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa e Reinaldo Teles, o empresário António Araújo, e o ex- árbitro Jacinto Paixão e respectivos auxiliares da acusação de corrupção. A decisão do juiz de instrução considerou que Carolina Salgado prestou um falso depoimento.
Apito: «É notório que Carolina mentiu»
Os juízes do Tribunal da Relação do Porto que esta semana confirmaram o arquivamento do «caso da fruta», em que Pinto da Costa era arguido, no âmbito do «Apito Dourado», consideram «notório» que Carolina Salgado prestou «falsas declarações em tribunal» e acrescentam que deverá ser extraída certidão para instauração de processo-crime por «falsidade de testemunho agravado».
Change in the White House
A este ritmo, Obama vai chegar rapidamente à dezena de (virtuais) Secretários do Comércio: Secretário do Comércio de Obama recusa cargo em discordância com plano de estímulo económico
Dez dias depois de ter aceite o lugar, Gregg pediu à Casa Branca para retirar o seu nome de consideração para secretário do Comércio, citando a sua oposição ao Plano de Recuperação e Reinvestimento Económico defendido pelo Presidente como a principal causa da sua decisão. Na votação do pacote de estímulo no Senado, Gregg, já nomeado para o cargo, optou pela abstenção.
(…)
A retirada de Gregg volta a pôr em causa a capacidade de julgamento e o processo de decisão de Obama na escolha do seu próprio gabinete. O Presidente começou por indicar para o cargo o governador do Novo México, Bill Richardson, que foi forçado a recusar o lugar por estar envolvido numa investigaçã federal por suspeitas de favorecimento ilegítimo e possível corrupção. Outras duas personalidades apontadas por Obama também tiveram de desistir da Administração por causa de problemas fiscais.
Parece que está na hora de relembrar o pacto Ribbentrop-Molotov
ou como os movimentos de resistência comunista nos países invadidos pela Alemanha Nazi só ganharam fôlego quando a Alemanha invadiu a sagrada URSS em meados de 41, porque até aí a guerra era coisa de nações capitalistas e os comunistas nada tinham a ver com ela.
Fevereiro 12, 2009
Random
Populismo e mais um trunfo para os Anacletos
Eu ganho cerca de 5 mil euros –
vivo na casa que minha mãe me ofereceu coitada e os contribuintes esses ladrões pagam-me o carro a gasolina as viagens os transportes os seguros a saúde os jornais e os almoços– e não me considero um homem rico. O meu escalão de IRS é de 42 por cento. E acho que devo ter deduções menores [no IRS] na saúde e educação»
Há umas semanas o putativo número dois d’O Partido já tinha demonstrado a ignorância sobre o sistema fiscal. O PM é só mais um que não sabe o que faz. Perdoemos-lhes, contribuintes.
Socialismo é: Portas defende que empresas ajudadas devem ser obrigadas a manter empregos. Já têm os TOC, na próxima semana defenderão a fixação de salários dos gestores (ainda não o fizeram?), na outra o controle do orçamento de marketing (já se discute a sponsorização pelas empresas “bailed-outadas”), depois o da produção, de seguida… Como dizia um amigo meu após a “partidarização/nacionalização” do BCP: mais 10.000 funcionários públicos, não tarda nada somos todos.
Sarsfield Cabral envelheceu muito desde a primeira vez que o vi na TV. Terá sido ainda a preto & branco?
O Twitter parece mesmo um sms grupal, como li já não m’alembra adonde, mas a twittada no debate de ontem na AR foi divertida, só tive pena de chegar tarde. Procurar por #deb15 em www.twitter.com.
Ouvindo os líderes que temos, do Obama ao Sarkozy, já só me ocorre a conversa do Steven Mallory com Roark, quando este o “resgata” em The Fountainhead da Ayn Rand.
…left, unarmed, in a sealed cell with a drooling beast of prey or a maniac who’s had some disease that’s eaten his brain out.
O eco-alarmismo faz mal à saúde
Climate change takes a mental toll
Last year, an anxious, depressed 17-year-old boy was admitted to the psychiatric unit at the Royal Children’s Hospital in Melbourne. He was refusing to drink water. Worried about drought related to climate change, the young man was convinced that if he drank, millions of people would die. The Australian doctors wrote the case up as the first known instance of “climate change delusion.”
Robert Salo, the psychiatrist who runs the inpatient unit where the boy was treated, has now seen several more patients with psychosis or anxiety disorders focused on climate change, as well as children who are having nightmares about global-warming-related natural disasters.
Métodos Socráticos
Mais depressa se apanha alguém com uma insuficiência epistemológica do que um portador de deficiência num dos membros inferiores.
Segundo o Jornal de Negócios, o primeiro-ministro terá citado «um estudo, segundo o qual os 10% que declaram maiores rendimentos em Portugal deduzem, em média, 300 euros, em despesas de Saúde, ao passo que os de rendimentos médio apenas “abatem” 80 euros. Em seu entender, esta situação “não é justa” e deve ser corrigida.»
Interrogo-me como quererá o primeiro-ministro “corrigir” a situação. O montante deduzido é proporcional aos gastos com saúde efectuados pelo contribuinte. Os contribuintes que deduzem menos também gastam menos. Vão ao Serviço Nacional de Saúde. Que é pago com os impostos dos primeiros, que dada a progressividade dos escalões, até pagam disproporcionalmente por serviços que não usam ou usam menos (daí deduzirem mais no IRS). Este é o resultado directo do sistema fiscal que temos, que é progressivo e redistributivo. Uma “correcção” aqui significa uma de duas coisas: Ou os contribuintes de escalões inferiores passam a gastar mais em saúde, fora do SNS (algo contraditório com o propósito do dito sistema), ou então os contribuintes dos escalões superiores passam a deduzir menos (o que se traduz simplesmente num aumento de impostos).
Mistérios sobre o aborto
Ontem estava ocupada com o aniversário do meu filho e não me aperteceu perder tempo com essa realidade feia e funesta que é a liberalização do aborto em Portugal desde há cerca de ano e meio. Não me venho aqui queixar da falta de aconselhamento às grávidas que pretendem abortar, apresentando-lhes alternativas, como havia sido prometido pelas hostes pró-aborto e por vários socialistas nos últimos dias da campanha antes do referendo. Também não me queixo (por agora) da isenção de pagamento de taxas moderadoras para quem aborta, ao contrário do que sucede com quem está de facto doente e utiliza o SNS, nem do pagamento integral do valor do ordenado durante um mês a uma mulher que abortou, qual licença de maternidade, enquanto a quem está de baixa e mesmo doente a Segurança Social apenas comparticipa uma percentagem do ordenado. Também não venho louvar as palavras da Ministra da Saúde, porque não acredito nelas (e que boas intenções para um ano de eleições; mas claro que isso são coincidências).
Gostava, no entanto, de ter números dos abortos realizados. E não apenas de quantos e em que zonas e em mulheres de que idade foram realizados abortos. Quando a liberalização do aborto celebrou seis meses, recordo-me que os jornais deram a saber coisas interessantes, por exemplo o número de mulheres que tinha feito mais de um aborto nesse período (e foram só seis meses, recordo) que não era nada negligenciável, quantas mulheres desistiram de abortar durante o período de reflexão, que grande parte das mulheres que abortavam não participavam nas consultas de planeamento familiar que se deveriam seguir. Depois de Dezembro de 2006 não li mais uma linha sobre estes aspectos mais desagradáveis para a propaganda pró-aborto. E, uma vez que os meus impostos são usados para os ditos abortos, se não for muita inconveniência, gostava de ter disponível de forma fácil e acessível a leigos quantas mulheres já usaram repetidamente o aborto e quantas vezes, se as consultas de planeamento familiar subsequentes servem para alguma coisa, quantas mulheres que abortaram sofreram de depressão nos tempos seguintes e quantas, tempos depois, consideram que se lhes tivesse sido dado outro apoio e mostradas alternativas não teriam abortado. É certo que as promessas dos movimentos pró-aborto durante a campanha ainda valem menos do que as promessas de Sócrates noutras matérias, no entanto recordo-me que se falou em estudar em abundância o fenómeno do aborto de forma a ser feita uma melhor prevenção.
Brownismos
Geert Wilders foi expulso do Reino Unido à chegada a Heathrow. Havia sido convidado para participar numa conferência na Câmara de Lordes.
Ler também: Chavizmos
No caminho para a servidão?
“The Camel in the Tent” de Donald Boudreaux
I hope I’m wrong. But I genuinely fear that the extensive and massive “economic rescue” spending pouring today from Washington will combine with the newfound enthusiasm for hyperactive government to quickly create a culture of government direction of the economy as this country has never before known.
The camel’s nose is under the tent. It will be followed shortly by his filthy rear. When that happens, the entire tent that is the American economy will be not only foul, but so crowded with a stupid and clumsy animal that very few of us will have enough elbow room to pursue our own peaceful goals as we choose.
The camel will, of course, assure us that his hulking presence within the tent is necessary. He’ll snort that if he were to leave the tent — indeed, even if he were to remove from the tent merely one paw — the tent itself would crash down in a heap, smothering all us good Americans.
As time passes with the camel fully in the tent, fewer and fewer Americans will remember how spacious and full of opportunities the tent was before the camel made himself at home within it.
And those of us who continue to demand that the camel leave will be increasingly viewed as utopian dreamers — delirious fools who actually believe that the tent can remain standing without the camel parked inside and leaving us ordinary folks scant private space.
Chavizmos
Hugo Chavez declarou que o ex-presidente polaco Lech Walesa será proibido de entrar no país. Este, foi convidado a participar numa conferência organizada por um grupo de estudantes da oposição.
O General Jesus Gonzalez, responsável pela segurança do próximo referendo (que visa anular os limites constitucionais à reeleição de Chavez) avisou que quem tentar comer o recibo das maquinas de voto electrónicas será preso.
ADENDA: O Bloomberg relato o uso intensivo dos meios público para fazer passar a campanha chavizta para o referendo
Public employees pack his rallies, and ministry Web sites are laced with pro-amendment ads ahead of a Feb. 15 referendum. Caracas’s subway system has blasted jingles urging riders to vote “Yes.” State television and radio transmit pro-Chavez messages around the clock, ignoring the opposition in violation of the law, an elections regulator said.

I hope I’m wrong. But I genuinely fear that the extensive and massive “economic rescue” spending pouring today from Washington will combine with the newfound enthusiasm for hyperactive government to quickly create a culture of government direction of the economy as this country has never before known.