Agora que foi anunciado que Vital Moreira será o cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu parece-me uma boa altura para republicar um texto que escrevi aqui há cerca de duas semanas (agradeço ao LA-C e ao João Miranda as chamadas de atenção para a renovada actualidade do meu post):
O Partido Socialista e os interesses pessoais de Vital Moreira
Uma das primeiras coisas que se ensina (ou deve ensinar) em teoria da escolha pública (ou, mais genericamente, em qualquer abordagem assente numa variante de rational choice) é que a noção de interesse próprio (ou “interesses pessoais”) não deve ser reduzida a interesses financeiros ou patrimoniais e – menos ainda – a interesses medidos em fluxos de rendimento num dado momento.
Esse tipo de simplificação abusiva é um erro especialmente grave quando o que está em causa é o processo político já que esse é o domínio por excelência de pay-offs (ideológicos, de exercício de vários tipos de poder e influência sobre terceiros, de prestígio social, entre outros) que não podem ser medidos pelas suas implicações directas em termos de fluxos de rendimento disponível.
Por exemplo: se um dado académico tiver um perfil público e estiver alinhado de forma próxima com o Partido X, é de esperar que os vários pay-offs associados ao processo político gerem fortes incentivos em termos de interesses pessoais no sentido de esse académico subscrever, na maior parte das suas tomadas de posição públicas, a linha de opinião que mais favorece o Partido X.
Estranhamente, pelo menos relativamente a alguns assuntos, Vital Moreira parece ignorar este ponto relativamente básico.
Vale a pena ler também este post do Gabriel Silva e o que escreveu Leonete Botelho no Twitter:
Para quem aceitou ontem, Vital já tem um programa detalhadíssimo.
[...] complementar: O Partido Socialista e os interesses pessoais de Vital Moreira; O Partido Socialista e os interesses pessoais de Vital Moreira (2). Comentários [...]
Pingback por @s Socratetes e os conflitos de interesses « O Insurgente — Abril 11, 2009 @ 14:52