Medo e ridículo. Por Paulo Tunhas.
Não é preciso ter lido La Boétie para nos darmos conta da monstruosa multiplicação de tiranos, tiraninhos e tiranetes que se verifica por aí e da facilidade da servidão voluntária.
Basta olhar à volta e ver como, ajudado pela situação económica, o medo das pessoas dizerem o que pensam cresceu de forma exponencial. E como cresceu igualmente uma sinistra e grosseira insensibilidade ao ridículo por parte de quem nos pastoreia, do “Allgarve” às “campanhas negras”. O medo (do despedimento, de tudo) e a insensibilidade ao ridículo andam de mãos dadas e fortalecem-se reciprocamente. O medo inibe, a insensibilidade ao ridículo agride. Quanto maior a inibição, maior a agressão. O episódio do carnaval de Torres Vedras é apenas um detalhe numa história que já vai longa. E algo me diz que coisas mais fantásticas estão para vir.
André: o pior é tudo o que se perdeu neste percurso já feito. Detesto perdas de energia, de recursos, de tudo o que se foi construindo. Não é propriamente nostalgia, mas ouvir na Rtp Memória o Paulo de Carvalho a cantar “Flor sem Tempo” em 71… Céus!, sinto-me patética…
Comentário por Ana Silva Fernandes — Fevereiro 21, 2009 @ 19:46