Uma das primeiras coisas que se ensina (ou deve ensinar) em teoria da escolha pública (ou, mais genericamente, em qualquer abordagem assente numa variante de rational choice) é que a noção de interesse próprio (ou “interesses pessoais”) não deve ser reduzida a interesses financeiros ou patrimoniais e – menos ainda – a interesses medidos em fluxos de rendimento num dado momento.
Esse tipo de simplificação abusiva é um erro especialmente grave quando o que está em causa é o processo político já que esse é o domínio por excelência de pay-offs (ideológicos, de exercício de vários tipos de poder e influência sobre terceiros, de prestígio social, entre outros) que não podem ser medidos pelas suas implicações directas em termos de fluxos de rendimento disponível.
Por exemplo: se um dado académico tiver um perfil público e estiver alinhado de forma próxima com o Partido X, é de esperar que os vários pay-offs associados ao processo político gerem fortes incentivos em termos de interesses pessoais no sentido de esse académico subscrever, na maior parte das suas tomadas de posição públicas, a linha de opinião que mais favorece o Partido X.
Estranhamente, pelo menos relativamente a alguns assuntos, Vital Moreira parece ignorar este ponto relativamente básico.
Eu gostava de ver era gajos com tomates bem pretos e grandes a prometer o que o Sócrates prometeu mas a partir de 3000 euros.Aí sim seria um verdadeiro vale de lágrimas e de revolta mesmo dos humanistas que nos invadem com a pobreza do mundo que julgam sempre que deve ser o vizinho a pagar…
Comentário por Miles — Fevereiro 15, 2009 @ 16:26
Reitero que o confisco a partir dos 3000 euros/mês é para ser TOTAL.Socialismo é socialismo.Havia dinheiro para combater a pobreza importada, a pobreza que ainda vai vir via casamentos e reuniões familiares, combatia-se a xenofobia, a judava-se a integração, haveria maior justiça social.
É isto que deveria ser decretado.Porque quem andou a fazer o que fizeram deve pagar.Vamos lá ao socialismo real.Todos iguais todos diferentes.Pagar bem para não andarem de canos serrados na mão.Os que eram imprincindíveis para o plano tecnológico…
Comentário por Miles — Fevereiro 15, 2009 @ 16:32
A posta do Vital Moreira tem subentendida uma ideia que me incomoda: a de que só quem ganha pouco pode estar contra a política xerife de Nottingham do José Sócrates. Ou seja, as ideias não valem por si mas pela situação de quem as veicula. Como é que este país há-de ir a algum lado com intelectuais com este tipo de ideias?
Comentário por LPedroMachado — Fevereiro 15, 2009 @ 18:48
Declaração de interesses: VM é casado com uma secretária de estado deste governo!
Comentário por jorge — Fevereiro 15, 2009 @ 19:50
Ainda gostava de conhecer o vosso fetiche em tentar responder ou contra-argumentar com o Vital Moreira. Ele não vos passa bola, ignora-vos quase sempre e olha para Vcs. como putos.
Vcs. não têm consciência de quanto vos rebaixais a um sujeito que vos não merece respeito? Pareceis os putos na escola, a tentar chamar a atenção o professor.
Mas isso é convosco. Mas é confrangedor ver-vos sempre a ajoelhar perante o tipo.
anti-comuna
Comentário por anti-comuna — Fevereiro 15, 2009 @ 19:50
anti-comuna,
a mim parece-me que quem dá importância a Vital Moreira é você. Sem ofensa. Se ler os disparates que o homem vai escrevendo e as (raras) menções que lhe fazemos perceberia que, se calhar, o “ajoelhamento” é ao contrário.
Comentário por Helder — Fevereiro 15, 2009 @ 22:04
anti-comuna,
Francamente, não percebi a razão de ser do seu comentário.
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 15, 2009 @ 23:08
Também não concordo com o anti-comuna. O Vital Moreira é (infelizmente) respeitado no país e por isso justificam-se as menções a ele.
Já uma vez fiz um comentário semelhante, mas em relação ao Daniel Oliveira, a quem era dada uma atenção desproporcionada por aqui. Agora está melhor. Outra pessoa a quem eu também não perderia tempo a responder é o Rui Tavares.
Comentário por LPedroMachado — Fevereiro 16, 2009 @ 02:41
Desculpem o meu desabafo, não era para vos insultar.
O que me parece é que se dá demasiada importância ao homem. E como bem diz o Helder, ele debita demasiadas asneiras. E na minha modesta opinião é nem sequer responder aos impulsos que ele escreve.
” O Vital Moreira é (infelizmente) respeitado no país e por isso justificam-se as menções a ele.”
Ele pode ser respeitado mas não significa que mereça atenção de quem não comunga das ideias dele e ele nem sequer responde às críticas. Ele é tipo avis rara. Julga-se muito importante e é apenas um comunista reciclado, agora a gozar os favores do neocomunismo, quando ele aceita tachos, num misto de entronização por favores que lhe são pagos.
Mas é apenas a minha opinião, claro.
Não levem isto para a crítica pessoal. É generalizada e por isso injusta, eu sei.
anti-comuna
Comentário por anti-comuna — Fevereiro 16, 2009 @ 11:32
Anti-comuna,
Como (para o bem ou para o mal) founding father da constituição portuguesa, e como pessoa que tem assumido as despesas da adulação socrática e de crítica aos seus críticos, e sendo que avança publicamente para emprestar o seu peso às mais diversas medidas com teor bem conhecido do governo, acho que há um certo dever de contraditar e de desmascarar as desonestidades argumentativas (e mesmo as mais diversas faltas, inclusivé de conhecimento, sobre alguns dos assuntos que critica), e desse modo impedir que, por uma espécie de argumento de autoridade, estas passem branqueadas, mas que mesmo assim atinjam muitos alvos.
No meu caso concreto, a minha intenção não é a de que me responda. A minha intenção é expor as suas debilidades argumentativas e esclarecer os destinatários da sua mensagem das falácias e do discurso repleto de ideologia e de “cassette” que se tenta passar como “verdade”. Esclarecer aqueles que ainda lhe conferem credibilidade fruto do seu estatuto histórico.
Comentário por João Luís Pinto — Fevereiro 16, 2009 @ 12:09
” A minha intenção é expor as suas debilidades argumentativas e esclarecer os destinatários da sua mensagem das falácias e do discurso repleto de ideologia e de “cassette” que se tenta passar como “verdade”.”
Aqui eu discordo. Sabe porquê? Porque quem nos lê, tirando os nossos “compagnons de route” e opinião já vincada, não nos liga nenhuma, se respondemos ao tipo. E a mensagem perde eficácia. É por isso que ele (e e outros como ele, como o JPP) não o fazem. Eles sabem que no dia em que debaterem abertamente as suas ideias, em “directo”, caiem abaixo do seu pedestral.
É má táctica. Na minha modesta opinião. Mais vale criticar indirectamente, sem o referir mas escrever sobre o tema.
Temos que deixar de perder tempo com críticas a quem não merece tanto respeito por nós, pela forma majestática como estes personagens se comportam, autênticas prima-donnas. E quanto mais os criticarmos, mais eles se elevam.
Acho que é errado esta forma de o criticar. Mas, claro, é a minha opinião e vale o que vale.
anti-comuna
Comentário por anti-comuna — Fevereiro 16, 2009 @ 12:48
O anti-comuna também tem alguma razão. O Vital Moreira escreve num blogue em que cita e linka outros, mas sempre para atacar, nunca responde, nem permite comentários. Caso contrário, estava bem tramado: É que a cassete não é interactiva! LOL!
Comentário por LPedroMachado — Fevereiro 16, 2009 @ 13:29
“Já uma vez fiz um comentário semelhante, mas em relação ao Daniel Oliveira, a quem era dada uma atenção desproporcionada por aqui. Agora está melhor. Outra pessoa a quem eu também não perderia tempo a responder é o Rui Tavares.”
LPM,
Ainda bem que acha que “agora está melhor”…
Eu não levo a mal nenhum desses conselhos, até porque me parecem dados de boa fé e revelam interesse genuíno n’O Insurgente mas, como já escrevi antes em várias ocasiões, convém não levar isto demasiado a sério. Por muitas visitas e influência que possa eventualmente ter não passa de um blogue…
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 16, 2009 @ 16:00
“Desculpem o meu desabafo, não era para vos insultar.”
Tudo bem. Tomei o comentário como tal: um desabafo.
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 16, 2009 @ 16:01
“É má táctica. Na minha modesta opinião. Mais vale criticar indirectamente, sem o referir mas escrever sobre o tema.
Temos que deixar de perder tempo com críticas a quem não merece tanto respeito por nós, pela forma majestática como estes personagens se comportam, autênticas prima-donnas. E quanto mais os criticarmos, mais eles se elevam.”
Não digo que nunca o possa fazer, mas confesso que, regra geral, prefiro evitar criticar sem referir quando o destinatário é unívoco e claro.
Se Vital Moreira responde ou não é com ele. Da minha parte, dentro da pouca disponibilidade que vou tendo, escrevo o que acho que deve escrever em primeiro lugar para os leitores d’O Insurgente, que certamente tiram as suas conclusões tanto das eventuais respostas como da ausência delas…
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 16, 2009 @ 16:04
Muito bem, caro André A. Alves.
Comentário por LPedroMachado — Fevereiro 16, 2009 @ 16:35
Hoje este post tornou-se tão actual que devia ser chamado ao topo do blogue. AAA, parece que adivinhavas.
Comentário por LA-C — Fevereiro 28, 2009 @ 20:50
Os fassssistas são prescientes.
Comentário por Miguel — Fevereiro 28, 2009 @ 22:38
[...] de lista do PS ao Parlamento Europeu parece-me uma boa altura para republicar um texto que escrevi aqui há cerca de duas semanas (agradeço ao LA-C e ao João Miranda terem-me recordado a renovada actualidade do meu [...]
Pingback por O Partido Socialista e os interesses pessoais de Vital Moreira (2) « O Insurgente — Fevereiro 28, 2009 @ 23:07
Lembrei-me deste post e escrevi no meu Twitter algo como: o Vital Moreira acaba de receber o verdadeiro salário pelas crónicas no Público.
Comentário por LPedroMachado — Fevereiro 28, 2009 @ 23:16
“Hoje este post tornou-se tão actual que devia ser chamado ao topo do blogue. AAA, parece que adivinhavas.”
LA-C,
Infelizmente, neste tipo de coisas vivemos num país previsível. Não era preciso o que hoje se anunciou para o post se justificar mas de facto a notícia de hoje é uma espécie de cereja no topo do bolo…
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 28, 2009 @ 23:34
http://sinistraministra.blogspot.com/2009/02/olha-o-vitaaaaalllll.html,
por causa de tempos bem gentios pelos vistos!
Comentário por 'a sinistra ministra' — Março 1, 2009 @ 00:59
“Os fassssistas são prescientes” Miguel
Não Miguel, neste caso não passa de teoria económicae de Ciência Política bem aplicada.
Comentário por LA-C — Março 1, 2009 @ 04:28
Vital Moreira é o melhor candidato nacional para as Eleições Europeias que se avizinham. É necessário para o bem dos portugueses que Vital Moreira seja o representante de Portugal na Europa.
Quando falamos de Vital Moreira, falamos de um senhor com conhecimentos, com força, e com uma atitude e personalidade capazes de defender os interesses de todos os portugueses na União Europeia.
Comentário por Visionarium — Março 2, 2009 @ 17:12
“É necessário para o bem dos portugueses que Vital Moreira seja o representante de Portugal na Europa.”
Visionarium,
Não se preocupe: devem bastar menos de 5% para eleger o cabeça de lista.
Creio que mesmo com Vital Moreira o PS conseguirá superar largamente essa fasquia…
Comentário por André Azevedo Alves — Março 3, 2009 @ 00:35
[...] complementar: O Partido Socialista e os interesses pessoais de Vital Moreira; O Partido Socialista e os interesses pessoais de Vital Moreira (2). Comentários [...]
Pingback por @s Socratetes e os conflitos de interesses « O Insurgente — Abril 11, 2009 @ 14:52
Este Vital Moreira é quase uma excrescência na zona da sua natalidade. O povo daquelas paragens tem-lhe forte aversão pela sua opção comuna. Pouca confiança lhe passam. Por isso ele se refugiou 30 Km mais a sul, em Coimbra. Raramente aparece por Vilarinho do Bairro por se sentir incomodado com tanta indiferença dos seus conterrâneos. Os lapsos de memória e alguma senilidade são desarranjos mentais que advêm dessa desconformidade.
Comentário por Carlos — Maio 30, 2009 @ 00:13