1. Muito se tem falado sobre o “oportunismo” subjacente a muitos processos de despedimento. Haverá empresas que estão a “aproveitar” a crise para despedir gente, só para “engordar” os lucros? Do ponto de vista sistemático, só há emprego quando as empresas são produtivas; ninguém despede se sentir que os empregados são necessários.
Em Portugal, a palavra “produtividade” desapareceu do discurso político. Só se fala em “ajuda”: “ajudar” a empresa “x”, o sector” y”, como se fosse possível acorrer a tudo e todos, como se houvesse vasos comunicantes na comunidade que nos obrigassem a funcionar como que por osmose, e como se as ajudas não tivessem um custo, fossem uma espécie de liberalidade sem consequências: pois é, sempre que se promove uma determinada ajuda, há o enorme risco de se estar a enfraquecer o sistema, criando as condições para empurrar as empresas e sectores remanescentes para a agonia.
A situação do país não anda longe do cenário da anedota em que dois esfomeados se degladiam por um frango: estamos, mesmo, a ficar pobres, e num beco sem saída. Os erros de hoje vão custar muito mais num futuro próximo. Todo o dinheiro que está literalmente a ser atirado para cima da fogueira vai ter de ser pago. Se desperdiçamos recursos, em ajudas mal medidas, o efeito é perverso, porque vamos ter de trabahar muito mais para pagar as asneiras dos nossos responsáveis políticos actuais.
2. A demagogia de Louçã e do Bloco de Esquerda é perigosíssima: assenta num novo populismo e num falso moralismo , o Bloco vende como receita para tudo uma sociedade tutelada pelo Estado, a partir de uma ética socialista e justicialista que despreza a liberdade e os valores das classes médias. O Bloco faz política fomentando uma cultura de ressentimento; dar voz ao Bloco afasta-nos para muito longe daquilo que precisamos: liberdade, iniciativa, desburocratização, inovação, produtividade. Precisamos de um país moderno, motivado, esforçado, com gosto pelo risco e pelo trabalho, onde cada um cumpre o seu papel, num ambiente de cooperação; dispensamos bem quem nos quer empurrar para soluções de classe, que promovem a divisão da sociedade, de uma forma artificial e básica, entre ricos e pobres, entre opressores e oprimidos, entre os que criam e os que aspiram a sobrevivem apenas pela redistribuição e pela captura daquilo que, infelizmente, não existe em Portugal: riqueza.
«como se houvessem vasos comunicantes»
Cuidado com o português ! O verbo “haver”, quando traduz “existir”, não tem plural. Só tem plural quando é usado como auxiliar, substituindo o verbo “ter”.
O correcto seria «como se houvesse vasos comunicantes».
É pena que já não ensinem estas coisas na Escola.
Comentário por Patrício — Fevereiro 8, 2009 @ 07:09
Excelente post.
Andava há dias para escrever algo do género mas não arranjei tempo. Agora já não preciso.
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 8, 2009 @ 13:35
“Só há emprego com produtividade”
Eu diria só há podutividade com trabalho!
A propósito do oportunismo de certas empresas em cessar os contratos de trabalho com o intuito de aumentar os lucros, sugiro que se analise os lucros que os sindicatos têm tido à custa de promoverem os despedimentos com acordo dos seus associados…
A situação actual é preocupante, mas, como me ensinaram, quanto mais interferimos com o mercado, pior é!
Eu continuo a acreditar fervorosamente na mão invisível! É óbvio que perante situações de carência é impossível não estender a mão para ajudar, mas isso não implica subverter as regras do jogo! Se há sectores com dificuldades, talvez isso signifique que não têm lugar no futuro, ou pelo menos não sem antes se adaptarem aos tempos modernos.
Finalmente o discurso do Franciso, para ser sincera, já não há pachorra, TOLERÂNCIA, para tanta demagogia!!!
Só me ocorre o adágio popular: “Muito prega frei Tomás, olha para o que ele diz, não olhes para o que ele faz!”
Comentário por Ana Pinho — Fevereiro 8, 2009 @ 14:23
[...] complementar: Só há emprego com produtividade / Contra a cultura do ressentimento; Louçã e os coelhinhos na convenção do Bloco de Esquerda; Demagogia [...]
Pingback por A extrema-esquerda caviar assume-se « O Insurgente — Fevereiro 8, 2009 @ 15:00
Caro Patrício,
Tem razão, e o que foi pena foi que eu na 1.ª versão do post tinha o “houvesse” e não o “houvessem”. Acabei por corrigir, para escrever errado.
Vou rectificar. Mas haja tolerância que isto é um blogue, por vezes os posts são escritos em condições precárias;)
Olá Ana,
Belo comentário
Comentário por RAF — Fevereiro 8, 2009 @ 16:46
[...] ler ou reler Arquivar em: Diversos — André Azevedo Alves @ 2:00 am Só há emprego com produtividade / Contra a cultura do ressentimento. Por Rodrigo Adão da Fonseca. Quando se contam as histórias pela metade… (5). Por João Luís [...]
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[...] complementar: Só há emprego com produtividade / Contra a cultura do ressentimento; O descaramento da esquerda e o limite da nossa paciência; Coisas que deviam assustar; Faz muita [...]
Pingback por O Bloco não faz falta « O Insurgente — Fevereiro 28, 2009 @ 14:55
Não há produtividade sem consumitividade.
A demagogia de José Sócrates é perigosíssima: assenta num novo populismo e num falso moralismo, o PS vende como receita para tudo uma sociedade tutelada pelos Patos-Bravos, a partir de uma ética oligarquista e manipulista que despreza a liberdade e os valores das classes médias, usando o Fisco como camartelo e marreta opressora. O PS faz política fomentando uma cultura de usura social e mediática; dar voz ao PS de Sócrates afasta-nos para muito longe daquilo que precisamos: liberdade, iniciativa, desburocratização, inovação, produtividade. Precisamos de um país moderno, motivado, esforçado, com gosto pelo risco e pelo trabalho, onde cada um cumpre o seu papel, num ambiente de cooperação; dispensamos bem quem nos quer empurrar para soluções pseudo-carismáticas de um líder absoluto, que promovem a divisão da sociedade, de uma forma artificial e básica, entre PS, Sócrates e pobres, entre opressores e oprimidos, entre os que criam explorando o mais que podem os poucos que empregam e os que não podem senão a aspirar a sobrevivem graças à redistribuição social e pela partilha natural daquilo que, infelizmente, existe em Portugal, mas não justamente distribuido: riqueza.
Comentário por PALAVROSSAVRVS REX — Fevereiro 28, 2009 @ 15:28