Agora que foi anunciado que Vital Moreira será o cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu parece-me uma boa altura para republicar um texto que escrevi aqui há cerca de duas semanas (agradeço ao LA-C e ao João Miranda as chamadas de atenção para a renovada actualidade do meu post):
O Partido Socialista e os interesses pessoais de Vital Moreira
Uma das primeiras coisas que se ensina (ou deve ensinar) em teoria da escolha pública (ou, mais genericamente, em qualquer abordagem assente numa variante de rational choice) é que a noção de interesse próprio (ou “interesses pessoais”) não deve ser reduzida a interesses financeiros ou patrimoniais e – menos ainda – a interesses medidos em fluxos de rendimento num dado momento.
Esse tipo de simplificação abusiva é um erro especialmente grave quando o que está em causa é o processo político já que esse é o domínio por excelência de pay-offs (ideológicos, de exercício de vários tipos de poder e influência sobre terceiros, de prestígio social, entre outros) que não podem ser medidos pelas suas implicações directas em termos de fluxos de rendimento disponível.
Por exemplo: se um dado académico tiver um perfil público e estiver alinhado de forma próxima com o Partido X, é de esperar que os vários pay-offs associados ao processo político gerem fortes incentivos em termos de interesses pessoais no sentido de esse académico subscrever, na maior parte das suas tomadas de posição públicas, a linha de opinião que mais favorece o Partido X.
Estranhamente, pelo menos relativamente a alguns assuntos, Vital Moreira parece ignorar este ponto relativamente básico.
Vale a pena ler também este post do Gabriel Silva e o que escreveu Leonete Botelho no Twitter:
Para quem aceitou ontem, Vital já tem um programa detalhadíssimo.

Julgo que há em Portugal perto de 210.000 empresas com menos de 250 trabalhadores. Enquanto empresário tenho 2, 10, 50, 230, 3.000, 35.000, pessoas a trabalhar na empresa. De acordo com o que algum investigador a tempo inteiro descobriu num gabinete com ar condicionado e janela para um jardim, munido de lápis, papel e um PC potente, ou um terminal ligado ao mainframe da Universidade, devo ser impedido de despedir pessoas enquanto a empresa tiver lucros. O investigador a tempo inteiro, criou um modelo complicadíssimo, cheio de integrais, variâncias e distribuições, algoritmos genéticos, meteu física quântica e a teoria da evolução ao barulho, microbiologia, fractais e desconstrutivismo e, no fim, pariu o seguinte: qualquer empresa que declare lucros deve ser proibida de despedir.