O Insurgente

Janeiro 27, 2009

Neo-classical economists should stand back a bit and admire Hayek

Filed under: Economia,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

The financial crisis shows why we should admire Friedrich Hayek. Por Philip Booth.

Some people have suggested that the current crisis suggests that ‘free’ markets are dead. Given the high degree of regulatory scrutiny in the financial sector that is not a point of view I hold. However, the neo-classical case for the market economy has certainly become strained, though the Austrian or Hayekian case has been strengthened.

(…)

Hayek suggests too that booms and busts are the product of poor monetary policy. Central banks hold interest rates too low. People consume too much and invest in business projects that would not be profitable at higher levels of interest rates. Resources then get misallocated. And then the whole thing goes bang and we get a recession (in this case accompanied by a banking crisis).

The socialists can carry on arguing – though they are wrong. But the equation-driven, data-driven neo-classical economists should stand back a bit and admire Hayek. They have a lot to answer for too. They should not lose confidence in the free-market cause, but look for better arguments.

Socialismo à socapa

Filed under: Internacional — Michael Seufert @ 19:20

The CBO tells us that billions of dollars are going to buy new computers and replace government cars with new alternative fuel vehicles. In all, the money is going to 150 different federal programs — from Amtrak to the TSA — and it’s not clear a single new job will be created.

America, let’s call a spade a spade: This package isn’t meant to stimulate the economy, it’s meant to reshape it.

If President Obama, Nancy Pelosi and the rest of the progressives really believe that socialism is the best way out of this mess and the best way forward for America, then make the case. Let’s debate it and allow the American people to decide.

But what they’re doing now — using fear to promote long-term changes to the country — is exactly the kind of thing that has led to the biggest deficit of all: The deficit of trust we now have in our leaders.

Não mata mas mói

Filed under: Justiça,Nanny State Watch — Miguel Botelho Moniz @ 15:44

Law v Common sense, uma descrição tocquevilleana do sistema legal americano, no Economist:

«The relentless piling of law upon law—the federal register has 70,000 ever-changing pages—does not make for a more just society. When even the most trivial daily interactions are subject to detailed rules, individual judgment is stifled. When rule-makers seek to eliminate small risks, perverse consequences proliferate. Bureaucrats rip up climbing frames for fear that children may fall off and break a leg. So children stay indoors and get fat.

The direct costs of lawsuits are only one of the drawbacks of an over-legalistic society. Too many rules squeeze the joy out of life. Doctors who inflict dozens of unnecessary tests on patients to fend off lawsuits take less pride in their work. And although the legal system is supposed to be neutral, the scales are tilted in favour of whoever is in the wrong. Because the process is so expensive and juries are so unpredictable, blameless people often settle baseless claims to make them go away. The law is supposed to protect individuals from the state, but it often allows selfish individuals to harness the state’s power to settle private scores.»

Sugestão de leitura

Filed under: Internacional,Política — André Abrantes Amaral @ 14:37

Bearhugged by Uncle Vlad, por Edward Lucas.

Torres de marfim

Filed under: Comentário,Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 11:51

Chegaram hoje (dia de abertura do ano judiciário) a público declarações, como de costume bombásticas, do bastonário da Ordem dos Advogados, que constam de uma entrevista a transmitir logo à noite pela TSF.

Concretamente, Marinho Pinto insurge-se contra as buscas a escritórios de advogados, citando concretemente as recentemente efectuadas no âmbito do caso FreePort, classificando-as de “terrorismo de estado” e comparando-as à actuação da PIDE/DGS, e descrevendo-as como sendo “um arrastão” em que as polícias, sem suspeitas concretas em relação aos advogados, “levam tudo o que lhes convém”, utilizando “mandados em branco”.

Convinha naturalmente relembrar o referido bastonário de algumas omissões também “cirúrgicas”do seu discurso. Que as buscas e apreensões a escritórios de advogados não são actos triviais, e que contrariamente à generalidade dos cidadãos e actividades profissionais (com a excepção dos escritórios dos médicos), tem um regime especial que lhes faz assistir garantias particulares, sustentadas na vontade de respeitar o sigilo profissional. Concretamente, de acordo com o artigo 177.º e o artigo 180.º do Código de Processo Penal, para além do respectivo mandado, é obrigatória a presença do juiz durante as buscas, bem como é obrigatório dar conhecimento prévio destas ao presidente do conselho local da Ordem dos Advogados, que pode estar presente ou fazer-se representar. Ou que a própria apreensão de documentos está sujeita ao aval do juiz presente.

O representante da Ordem dos Advogados esteve presente na diligência que refere? Detectou e queixou-se de alguma coisa, nomeadamente de procedimentos ou actuações irregulares?

O que quer afinal o bastonário? A total impunidade e inviolabilidade dos advogados e dos seus domicílios profissionais? A criação de uma (conveniente) casta profissional de intocáveis? Ou está a tentar lançar um libelo acusatório sobre os juízes que acompanham os processos que envolvem buscas em escritórios de advogados, o que a ser verdade seria tão mais grave para a generalidade dos cidadãos que não gozam sequer das prerrogativas que assistem a estes?

Totalitarismo Chic no Fantasporto

Filed under: Comentário,Cultura,Política,Portugal — Elizabete Dias @ 11:35

Che (o Argentino) na sessão de abertura do Fantasporto:

Che (The Argentine)

Finalmente, o cinema americano rendeu-se a um dos seus maiores inimigos e aqueles que ainda hoje se passeiam de t-shirt e boina ao Ernesto “Che” Guevara, têm a hipótese de conhecer a verdadeira história do herói que veneram.  “Che” é o olhar do mais independente dos realizadores americanos sobre a lenda de um dos grandes revolucionários do século XX. Depois da trilogia “Oceans”, Steven Soderbergh não resistiu ao fascínio da vida romanesca, aventurosa e apaixonante deste argentino sem pátria que continua sendo um mito para sucessivas gerações.

A história de Che retratada neste filme foi obviamente distorcida e romanceada, para se adequar aos seguidores do Culto Che Chic. Estes nada questionam sobre o seu herói,  não separam o homem do mito, e recusam-se mesmo a aceitar as evidências relatadas pelo próprio guerrilheiro: o ódio puro que sentia por quem tivesse um punhado de dólares, o deleite em assassinar a sangue frio qualquer opositor ou o prazer em supervisionar execuções de meros suspeitos.

“Comissão depuradora” deve ser mesmo um conceito estranho. Prisão La Cabaña? Não é Guantanamo, por isso o que interessa…

A ideologia totalitária, as políticas falhadas, a crueldade e o culto da morte são meros rumores certamente perpetuados pelos neo-liberais.

Na sessão de abertura do Fantasporto, muitos idiotas úteis estarão por lá, com as suas t-shirts de Che, boinas revolucionárias e os agora indispensáveis keffiyehs (graças ao marketing e ao capitalismo, mas isso é apenas um pormenor).

Tudo montado para prestar o culto a Guevara, que se ainda fosse vivo, não hesitaria sequer um segundo, em privar os seus seguidores dos seus pertences, propriedade privada, da liberdade de pensamento ou mesmo das suas vidas.

Leitura Anterior: Hollywood e Che Guevara

Sobre a credibilidade das agências de rating e a sustentabilidade da dívida

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 09:50

Fernando Alexandre n’A Destreza das Dúvidas

Quando se analisa a evolução do nosso endividamento externo nos últimos 12 anos, qualquer economista se devia interrogar sobre como é que foi possível fazê-lo a um custo tão baixo durante tanto tempo. A entrada no euro criou a ilusão nos portugueses de que podiam aceder ao nível de vida dos europeus mais ricos. Os mercados, mesmo quando a economia estagnou a partir de 2002 e o endividamento manteve o seu crescimento galopante, acreditaram e emprestaram-nos barato o dinheiro para comprarmos o que não conseguíamos ou sabíamos produzir. A surpresa foi esta situação ter-se mantido até há uns meses atrás, quando se começou a verificar um aumento do prémio de risco da dívida portuguesa relativamente à dívida alemã.

Ou seja, se a agência de notação errou foi em não ter revisto há mais tempo o nível de risco da dívida portuguesa. Enquanto insistirmos em desculpas de mau pagador, ignorando a realidade, não saímos disto.

“Lured to Disaster”

Filed under: Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política — Elizabete Dias @ 09:23

Por Thomas Sowell:

Behind the housing boom and bust was one of those alluring but undefined phrases that are so popular in politics– “affordable housing.” It is hard for me to know specifically what politicians are talking about when they use this phrase. But then politics is about evoking emotions, not examining specifics. (…)
If you think it through, that is a policy for disaster. We cannot all go around buying whatever we want, whether or not we have enough money to afford it, and have somebody else make up the difference. For society as a whole, there is no somebody else. But of course political slogans are not meant to be thought through, are they? They are often an emotional substitute for thinking at all.
(…) (mais…)

Timings & Interesses

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:15

“Quantas Cabalas Cabem nim Metro Quadrado?” de João Miguel Tavares (Diário de Notícias)

Pois deixem-me que vos diga: estou-me bem nas tintas para o timing das notícias. Comove-me muito pouco que estejamos em ano de eleições. O que eu quero mesmo saber é se as notícias são verdadeiras ou se são falsas. O que eu quero é saber se o primeiro-ministro deste país esteve envolvido em trafulhices imperdoáveis. O timing? Por amor de Deus. Não sei se alguém ainda deposita tanta fé na natureza humana ao ponto de esperar que todas as denúncias sejam desinteressadas, que a vingança nunca habite o coração de quem acusa, que tudo seja sempre feito em prados primaveris e que das bocas só saiam palavras com cheiro a alfazema. Gente dessa deve andar a ver os filmes errados. Há sempre interesses, há sempre golpes baixos, há sempre punhaladas nas costas. Só que, infelizmente, é assim que se costuma chegar à verdade.

José Sócrates já escapou por entre os pingos da chuva na questão da sua licenciatura, que num país com maior amor à verdade e uma comunicação social mais agressiva poder-lhe-ia muito bem ter custado o lugar. Mas a gravidade do que agora está em causa não lhe permite assobiar para o ar e limitar-se a lançar suspeições manhosas do género “isto são só calúnias e ataques pessoais”. Há, de facto, explicações a dar. O caso Freeport cheira muito mal, qualquer que seja o lado por onde se pegue. E mesmo que nesta terra seja tristemente comum o afilhado acabar assessor do padrinho e o primo do presidente da câmara fornecedor da junta de freguesia, ter familiares envolvidos em negócios onde interesses económicos se misturam com favores políticos é um passo em direcção ao abismo. Ainda que o tio e o filho do tio estejam tão ausentes de pecado como a Virgem Maria, a sua simples presença neste processo levanta questões a que Sócrates tem de responder.

As novas fronteiras da agenda LGBT (2)

Filed under: Cultura,Educação,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 01:38

O projecto referido na peça do Daily Mail linkada aqui já tinha sido anteriormente abordado no Telegraph: Primary schools ‘should celebrate homosexuality’

In documents prepared for the seminar, project leaders have set themselves a goal of “creating primary classrooms where queer sexualities are affirmed and celebrated”.

“The team is concerned to interrogate the desexualisation of children’s bodies, the negation of pleasure and desire in educational contexts, and the tendency to shy away from discussion of (sexual) bodily activity in No Outsiders project work.

“The danger of accusations of the corruption of innocent children has led team members to make repeated claims that this project is not about sex or desire – and that it is therefore not about bodies.

“Yet, at a very significant level, that is exactly what it is about and to deny this may have significant negative implications for children and young people.”

During the project, the seminar paper says, its members have “challenged each other to go beyond imagined possibilities into queer practice”.

The seminar will “question the taken-for-granted of the supposedly sexless, bodiless and desire-less primary classroom’ and examine ‘the place of the research team members’ own bodies, desires and pleasures in this research”.

(mais…)

Os indícios e os desmentidos

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 01:25

Freeport (2). Por Adolfo Mesquita Nunes.

É natural, e era até desejável, que o Primeiro-Ministro tivesse vindo refutar, de uma forma genérica, as alegadas ilegalidades (ou alegados indícios de prática de crimes) relacionadas com o Caso Freeport. Menos desejável, embora natural, era que o Primeiro-Ministro tivesse pretendido desmentir, com algum pormenor, as várias suspeições que foram levantadas.

(…)

De certa forma, o Primeiro-ministro não está ainda a par de todos os indícios que podem existir e para os quais é preciso encontrar uma explicação lógica, que ainda lhe escapa porque ainda não os conhece.

Entretanto, continuam as revelações

Leitura complementar: Avisos à navegação; Sócrates sobe o tom…; Mais uma dor de cabeça para Sócrates…; Nepoqualquercoisa; Os ingleses e as legislativas portuguesas; Alguém o pode ajudar?; Novo episódio da novela Freeport….

A imbecilidade na UE

Filed under: Economia,União Europeia — Michael Seufert @ 00:58

Nem comento.

The European Commission could force Microsoft to bundle Firefox with future versions of Windows.

Como ganhar dinheiro com a distribuição gratuita de conteúdos

Filed under: Comentário,Cultura,Economia,Media — André Azevedo Alves @ 00:25

Note-se no entanto que as vendas dos dvd’s dependem – pelo menos em parte – da existência e protecção legal dos direitos de autor, pelo que o exemplo não serve para ser utilizado contra a existência e protecção legal desses mesmos direitos: Free & Cash. Por Gabriel Silva.

Os Monthy Python depois de criarem um canal no youtube onde disponibilizaram gratuitamente videos de boa qualidade (ao invés das fracas e caseiras cópias que os seus admiradores iam colocando), viram aumentar as vendas dos seus dvd’s em 23000% e atingiram o segundo lugar das vendas na Amazon.

Janeiro 26, 2009

Daqui a pouco

Filed under: Insurgentes nos media — André Azevedo Alves @ 22:50

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Michael Seufert e Rui Carmo no RCP, hoje a partir das 23h00. A emissão pode ser seguida aqui.

Critérios para doação de sangue

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:40

Este não é um post sobre homossexuais. Por João Moreira Pinto.

Qualquer profissional de saúde que se voluntarie como dador na delegação do Hospital de Santo António do Instituto Português de Sangue (IPS) será reprovado à entrada. Apesar de não estar provada a existência de mais casos de infecção por VIH, VHB ou VHC do que na população em geral, os profissionais de saúde têm maior número de contactos de risco. Mesmo afirmando a pés juntos que não houve situação alguma durante os últimos 4 meses que pudesse representar um risco acrescido de infecção pelos vírus atrás referidos, os técnicos do IPS excluem, à partida, qualquer membro desta população. Membros estes que se presume estarem mais informados sobre os comportamentos de risco que os restantes membros da sociedade.

Neve nos Emirados Árabes Unidos

Filed under: Ambiente,Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 22:00

Alterações Climáticas nos Emirados Árabes Unidos

As alterações climáticas chegaram em força aos Emirados Árabes Unidos! A neve cobriu a zona de Jebel Jais pela segunda vez na história conhecida, depois de a primeira vez ter ocorrido no longínquo ano de … 2004. A neve é tão rara que Aisha al Hebsy, uma senhora na casa dos 50, que sempre viveu na zona, reconheceu que o dialecto local não tem nenhuma palavra para a neve!

As temperaturas na zona cairam para -3ºC na sexta-feira, provocando uma queda de neve de 10cm, bem maior do que a ocorrida no final de 2004. Simultaneamente, noutras zonas próximas ocorreram grandes chuvadas, com as temperaturas a alcançarem valores de 10ºC, quando o normal para esta época do ano são uns confortáveis 23/24ºC.

SNOW IN UAE 24-1-2009

O Rôto, o Esgaçado e a concorrência

Filed under: Blogosfera,Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 20:19

Rôto: Olha lá, ó Esgaçado, p’ra que é que serve a concorrência?

Esgaçado: Ess’é boa! Atão, p’ra c’as empresas concorram umas c’as ôtras.

Rôto: Hummm…e atão p’ra qué que serve c’as empresas concorram umas c’as ôtras?

Esgaçado: Olha-m’este…atão, p’ra c’haja concorrência, pá!

Rôto: Mas olha lá, c’ainda não percebi. Nesse caso, p’ra qué que serve a concorrência?

Esgaçado: Tu qués ver…? Já te disse pá! P’ra c’as empresas concorram umas c’as ôtras pá!!!

Rôto: Eu óvi, ó! E. P’ra qué que serve. C’as empresas. Concorram. Umas c’as ôtras, f***-*e?

Esgaçado: Olha lá, ó palhaço! Tás aqui tás a levar uma chapada c*****o! Dás três voltas nas cuecas sem tocar no elástico, c*****o! P’ra c’haja concorrência pá!! Óvist’agora ó qués que te tire a cera dos óvidos à bufatada?! Hã?!

Do eco-alarmismo ao cepticismo

Filed under: Ambiente,Internacional,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

A mudança de posição de David Evans. Por Jorge Pacheco de Oliveira.

David Evans faz parte daquele grupo de cientistas que desmente o propalado consenso acerca da teoria do aquecimento global de natureza antropogénica.

Para os alarmistas, David Evans representa o pior que lhes pode acontecer. Depois de trabalhar seis anos ao lado dos crentes mudou de posição, passando decididamente para o campo dos cépticos.

Hoje

Filed under: Insurgentes nos media — Miguel Noronha @ 16:54

rcp1

O Michael Seufert e o Rui Carmo estarão hoje, a partir das 23h00, no RCP. Podem seguir a emissão aqui.

Criar emprego – a bem da nação!

Filed under: Economia,Teoria — Michael Seufert @ 16:25

O texto que o Miguel aqui apresenta ilustra bem um dos maiores problemas da abordagem socialista à economia: confundir dinheiro com riqueza.

Criar empregos, administrativamente, é fácil. Aliás, o governo Sócrates tem a receita: TGV e aeroporto, infraestrturas estratégicas e que vão criar emprego. A economia vai ser relançada a partir dos milhões aí investidos, o desemprego cai, todos ficam felizes. Certo? Errado.

O investimento de dinheiro público com ideia de criar emprego é uma falácia. Bastiat explicou isto muito bem, da seguinte maneira (tradução livre de parte do capítulo Public Works de That Which is Seen, and That Which is Not Seen):

Somos enganados pelo dinheiro. Como os impostos para pagar as obras públicas vêm do trabalho dos cidadãos, o que estamos a gastar, quando fazemos obras públicas, é o trabalho dos cidadãos. Seria o mesmo que chamar o povo e cada um contribuir com o seu trabalho para a obra. Se a obra fosse útil e necessária, todos contribuiriam: o resultado do seu trabalho seria a paga do esforço. Agora se a obra não tiver utilidade, a reacção seria diferente: para quê gastar tempo e esforço numa obra que não traz benefícios? “Vou mas é trabalhar!”

Se, em vez de trabalho, pedirmos dinheiro aos cidadãos, o resultado é o mesmo. Uns (os que são empregues nas obras) trabalham mesmo, e recebem como pagamento o dinheiro ganho pelos contribuintes nos seus empregos.

O grande problema é, portanto, quando não se cria riqueza. A inutilidade da obra corresponde ao trabalhador tentar ganhar a vida a fazer nada. O país fica mais pobre no fim porque deitou horas de trabalho ao lixo. É por isso que a ideia de “pleno emprego” é um disparate. Porque nada seria mais fácil que deitar dinheiro fora empregando pessoas em trabalhos inúteis. A avaliação da utilidade dum obra pública é por isso fundamental para a sua implementação. E, novamente parafraseando Bastiat, se uma obra for útil, não é preciso andar a vender o seu papel de criação de emprego. Até porque cada euro gasto numa obra pública não é gasto pelo contribuinte no seu dia-a-dia. E esse nosso papel – o de decidir com o nosso dinheiro se o queremos gastar (e onde) ou se o queremos poupar (e com isso incentivar o investimento) – que os burocratas fazem sempre pior que nós.

S&P

Filed under: Comentário,Economia,Política — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:50

Agora que a S&P alterou o rating de Portugal, depreciando-o, lembram-se um conjunto de iluminados que está chegada a hora de desprestigiar a empresa. É que a S&P terá dado, dizem, notações de baixo risco a produtos que vieram a revelar-se “tóxicos”; daí à conclusão que a S&P não é credivel, foi um mero e conveniente passo.

Nesta história da crise, é verdade, ninguém está isento de “nabice”: os investidores, bancos e casas de investimento, bancos centrais e reguladores, e até os governos, se olharem para os seus umbigos, vão lá encontrar certamente muito algodão entranhado… A S&P tem assim os seus “telhados de vidro”.

Agora, o que é chato, é que goste-se ou não, os investidores – os que emprestam dinheiro que é deles – seguem mesmo o que a S&P diz. E, portanto, de nada vale aos amigos da despesa pública choramingar que a S&P não é credível, pois, no fim da linha, a sua notação de rating prevalece.

PS: nem vou discutir o que li, já não sei onde, que o rating deveria ser assegurado por instituições públicas. O conflito de interesses é por demais evidente; os Estados a apreciarem o seu próprio risco conduziria a um aumento real do prémio de risco exigido pelos investidores, que passariam a ignorar olímpicamente a notação de rating.

Soviet Britain

Filed under: Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política — Miguel Noronha @ 14:47

No Times Online

PARTS of the United Kingdom have become so heavily dependent on government spending that the private sector is generating less than a third of the regional economy, a new analysis has found.

The study of “Soviet Britain” has found the government’s share of output and expenditure has now surged to more than 60% in some areas of England and over 70% elsewhere.

Experts believe the recession will tighten the state’s grip still further as benefit handouts soar and Labour directs public sector organisations to create jobs to soak up unemployment.

In the northeast of England the state is expected to be responsible for 66.4% of the economy this year, up from 58.7% when a similar study was carried out four years ago. When Labour came to power, the figure was 53.8%.

“I decided that God had been on my side and had come to vindicate me”

Filed under: Economia,Internacional,Política — Miguel Noronha @ 13:10

Um curioso excerto da entrevista do governador do Banco Central do Zimbabwe à Newsweek.

Your critics blame your monetary policies for Zimbabwe’s economic problems.

I’ve been condemned by traditional economists who said that printing money is responsible for inflation. Out of the necessity to exist, to ensure my people survive, I had to find myself printing money. I found myself doing extraordinary things that aren’t in the textbooks. Then the IMF asked the U.S. to please print money. I began to see the whole world now in a mode of practicing what they have been saying I should not. I decided that God had been on my side and had come to vindicate me.

Sobre os incentivos públicos à criação (e manutenção) de empregos

Filed under: Economia,Internacional,Política — Miguel Noronha @ 12:36

“Folly of incentives” de William Shughart (Washigton Times)

The truth is: It is not government’s function to create jobs. Putting people to work is easy, as demonstrated by Franklin D. Roosevelt’s Depression-era Works Progress Administration (WPA), more accurately known as “WPA: We Piddle Around.” The bigger challenge is to create wealth. Toyota failed to foresee the economic events that caused its expansion plans to unravel.

Keep this in mind when Congress and the White House are selecting economic stimulus projects to fund this year.

If highly successful private firms like Toyota – with their extraordinary market research and years of savvy and experience – sometimes embark on projects that turn sour, how can we expect politicians, most of whom have no such business know-how, to pick winners?

There is a difference, however. Companies usually risk their own money. In Washington, the politicians will be risking ours.

Santa padroeira dos cartéis

Filed under: Comentário,Economia,Portugal — João Luís Pinto @ 12:20

Ainda sobre a queixa da Associação do Comércio e Indústria da Panificação, Pastelaria e Similares à Autoridade da Concorrência sobre alegado dumping do Modelo-Continente e do Intermarché no preço do pão, cumpre lembrar alguns pormenores relativos ao que é um cartel.

Um cartel é um conlúio entre produtores de uma determinada matéria-prima ou mercadoria para a eliminação da concorrência. Geralmente é sustentado por acordos de preços entre os membros do cartel, e pela respectiva divisão de quotas de mercado entre os seus participantes. Ou seja, todos se comprometem a praticar um determinado preço, e em contrapartida é-lhes garantida uma determinada fatia do mercado da mercadoria/matéria-prima.

Como é que geralmente acaba de forma espontânea um cartel? Quando um dos seus membros conclui que consegue vender mais no mercado do que a quota que lhe foi atribuída, ou quando chega à conclusão que, baixando o preço (o que consegue porque, por exemplo, tem melhor produtividade que os colegas de cartel ou porque tem maior facilidade em gerar sinergias com outros produtos que lhe compensam essa baixa de preço), conseguiria também aumentar as vendas de modo a garantir-lhe maiores lucros.

Qual é a defesa óbvia dos membros de um cartel contra quem o tenta furar? Naturalmente, que esse player está a vender abaixo do preço de custo. Preço esse de custo que é o preço estabelecido pelo cartel que domina o mercado. Como acaba a história? Os dumpers são condenados e tudo está bem, a AdC castigou mais uns perversos atentadores contra a concorrência e a liberdade do mercado.

Mas, afinal, o que acontece é outra coisa. Por um lado, temos o consumidor que acaba por pagar o produto mais caro, concretamente aos preços estabelecidos pelo cartel. Por outro, temos uma agência governamental supostamente orientada para garantir a concorrência e a liberdade do mercado a agir como cão-de-fila de um cartel, penalizando os meninos maus que tenham a tentação de furar o dito.

E, como diria o outro, o povo aplaude.

Leituras adicionais: Comam brioches, Que comam brioches.

Em destaque

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 09:47

Esta semana, em destaque Portugal dos Pequeninos.

À atenção da extrema-esquerda das manifs anti-israelitas (2)

Filed under: Médio Oriente,Media,Política — André Azevedo Alves @ 00:54

Hamas tried to hijack ambulances during Gaza war

PALESTINIAN civilians living in Gaza during the three-week war with Israel have spoken of the challenge of being caught between Hamas and Israeli soldiers as the radical Islamic movement that controls the Gaza strip attempted to hijack ambulances.

Mohammed Shriteh, 30, is an ambulance driver registered with and trained by the Palestinian Red Crescent Society.

His first day of work in the al-Quds neighbourhood was January 1, the sixth day of the war. “Mostly the war was not as fast or as chaotic as I expected,” Mr Shriteh told the Herald. “We would co-ordinate with the Israelis before we pick up patients, because they have all our names, and our IDs, so they would not shoot at us.”

Mr Shriteh said the more immediate threat was from Hamas, who would lure the ambulances into the heart of a battle to transport fighters to safety.

(agradeço ao leitor lucklucky a indicação do link)

Re: “Destes, gosto mesmo!”

Filed under: Blogosfera — André Azevedo Alves @ 00:36

Em nome do Colectivo Insurgente, agradeço as simpáticas referências de Samuel de Paiva Pires, Jorge Ferreira, Tiago Moreira Ramalho e Paulo Ferreira.

Giving a heroin addict more heroin to stop the pain of withdrawal

Filed under: Economia,Internacional,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:21

Demography and the financial crisis. Por Nick Silver.

Faced with the ‘credit crunch’, the mantra of most economists and politicians has been to encourage consumers and companies to borrow and spend. And if they stop spending, governments are acting as spenders of last resort.

This is akin to giving a heroin addict more heroin to stop the pain of withdrawal – it might stop the immediate pain but as a treatment it’s totally self defeating. The real problem is that certain economies, notably the UK and USA, are structured in such a way that they are heavily reliant on ever increasing borrowing backed by over-inflated asset values – when this stops, growth and employment collapse. It is this that has to change.

Janeiro 25, 2009

Os portugueses e a fúria assassina dos comunistas no Camboja

Filed under: Internacional,Justiça,Política,Portugal,Religião — André Azevedo Alves @ 23:30

Mais um excelente texto de Miguel Castelo Branco, cuja leitura integral aconselho: Os portugueses exterminados por Pol Pot.

Dois milhões de mortos – uma em cada quatro pessoas – e a imposição da Utopia agrária: evacuação das cidades, proibição do dinheiro, abolição da escola e da medicina ocidentais, bem como dos “bacilos” do colonialismo. A Igreja católica e o Islão – os Cham malaios, cuja população era maioritariamente urbana, logo mais exposta aos verdugos comunistas – foram objecto de particular animosidade, deles restando hoje poucos vestígios. Os templos foram dinamitados, os arquivos queimados, os sacerdotes sumariamente executados e os crentes distribuídos pelos campos de morte. Dos sessenta e cinco mil católicos que viviam no Camboja em 1975, menos de mil sobreviveram à fúria assassina dos comunistas. Quando o antropólogo francês me referiu o fim destes nossos irmãos – os Dias, os Silvas, os Pereiras e Fernandes de Phenom Phen – fui acometido de uma sensação de perda. Eles eram também, à sua maneira, nossos compatriotas, dizimados, afogados ou mortos à fome por serem diferentes, por serem cristãos, ou seja, por serem portugueses. Lembro agora que a subida ao poder de um deliquente como Pol Pot foi aclamada pela UDP, pelo PC, MES e muitos devotos do actual BE como uma conquista histórica na luta pelo progresso, pelo socialismo e pela igualdade.

Leitura complementar: A marca da extrema-esquerda; A impunidade da extrema-esquerda folclórica; A extrema-esquerda e a apologia da violência (2): “a violência é”; A violência “anti-fascista e anti-capitalista” e o Bloco de Esquerda (3); O Bloco de Esquerda e os crimes da eco-escumalha; A impunidade dos criminosos de extrema-esquerda e os energúmenos nazis; O ecoterrorismo e a impunidade da extrema-esquerda.

“Anda Cá Ao Tio” (Augusto Neves & Os Fiat Lux)

Filed under: Cultura,Videos — André Azevedo Alves @ 23:00


(uma sugestão musical de António de Almeida, sem relação conhecida com o João Noronha)

Comam brioches

Filed under: Comentário,Economia,Portugal — Helder Ferreira @ 22:14

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Desde a questão dos bilhetes de cinema “oferecidos” pela Zon que o Pedro Sá e parte da Alfama School of Economics nos tinham explicado que a concorrência não tem nada que ver com beneficiar os consumidores. Não. Parece que funciona assim: a Autoridade da Concorrência existe para defender a concorrência. Esta, por sua vez é defendida para que exista a Autoridade da Concorrência. A concorrência auto-justifica-se, esgota-se em si mesma, é uma pescadinha de rabo na boca e a AdC garante que assim seja. A concorrência é prejudicada por preços altos, preços baixos, preços mais ou menos. No fundo, seja qual for o preço há sempre um problema para a AdC resolver a bem da concorrência (não a bem do consumidor). Precisamos de um Цена комиссара, está visto.

Levantadas as excomunhões dos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

Filed under: Cultura,Internacional,Política,Religião — André Azevedo Alves @ 22:00

Um importante passo no árduo caminho da reconciliação, mas acima de tudo um acto de justiça de Bento XVI: Papa anula excomunhão aos Bispos de Lefebvre

Bento XVI anulou a excomunhão aos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consagrados por D. Marcel Lefebrvre em 1988. O comunicado foi divulgado este Sábado, dia 24, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

(…)

Segundo o comunicado da Sala de Imprensa, “Bento XVI tentou sempre recompor a ruptura com a Fraternidade, inclusivamente num encontro pessoal com D. Bernard Fellay em 29 de Agosto de 2005”. Naquela ocasião, o Papa manifestou a vontade de proceder “por graus e em tempos razoáveis o caminho agora desencadeado, e por isso, benignamente, mediante Decreto da Congregação para os Bispos de 21 de Janeiro de 2009, retira a excomunhão que pesava sobre os mencionados Bispos. Nesta decisão, o Papa foi inspirado pelo auspício de que se chegue em breve à completa reconciliação e à plena comunhão”.

O Vaticano no YouTube

Filed under: Cultura,Internacional,Política,Religião,Videos — André Azevedo Alves @ 21:37

O canal da Santa Sé no YouTube.

This channel offers news coverage of the main activities of the Holy Father Pope Benedict XVI and of relevant Vatican events.
It is updated daily.
Video images are produced by Centro Televisio Vaticano (CTV), texts by Vatican Radio (RV) and CTV.
This video-news presents the Catholic Church’s position regarding the principal issues of the world today.
Links give access to the full and official texts of cited documents.

Para memória futura

Filed under: Ambiente,Comentário,Cultura,Médio Oriente,Política — ruicarmo @ 18:32

Hamas: Israel proposes 18-month Gaza truce, but we insist on just one year Hamas: No truce unless Israel reopens Gaza border, no reconciliation with Fatah until it halts peace talks

Fonte: Haaretz.

Moral da história: 12 meses de tréguas acabam por ser mais satisfatórios que 18. Um processo de paz e outro de reconciliação fazem-se melhor se apenas uma das partes nele participar. Não me vou esquecer destes ensinamentos do Hamas na proxima manif espontânea anti-Israel.

Que comam brioches

Filed under: Economia,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 15:52

Mais um caso para a Autoridade dos Preços Altos da Concorrência. Desta vez são os hipermercados a fazer dumping com o preço do pão. A bem dos consumidores, urge aumentar o preço do pão. Eles certamente irão entender que é para seu bem.
De notar ao estado a que chegou a cultura empresarial em Portugal. Uma associação empresarial, para obter um ganho competitivo na secretaria, nem se importa de publicitar abertamente o facto de a concorrência ter um produto igual mais barato.

Depois de casa roubada

Filed under: Comentário,Justiça,Política,Portugal — LA @ 13:22

O governo decidiu-se finalmente a colocar polícias de forma permanente em alguns tribunais.
Em quais? Pelos vistos, naqueles que recentemente foram assaltados ou onde ocorreram cenas de violência que resultaram em notícias e protestos mais mediáticos por parte das associações de profissionais.
Como medida complementar, serão retiradas 32 ATM (máquinas do Multibanco) que estão dentro dos edifícios dos tribunais.

O sinal é claro e a conclusão parece-me óbvia. O estado não consegue garantir a segurança dentro dos espaços onde decorre aquilo que deveria ser o seu “core business” e por isso prefere evitar que a bandidagem caia em tentação. Se é assim, que garantias credíveis de protecção à propriedade privada, aquela de onde vêm os seus recursos sobre a forma de impostos, podem ser dadas? Deverão os cidadãos desfazerem-se dos seus bens para não tentarem os assaltantes?

Numa altura em que se questiona como o estado vai desperdiçar os euros que não tem em obras de necessidade mais que duvidosa e com efeitos mais que fantasiosos, a Justiça e a Segurança devem ser recordadas como merecedoras de mais atenção por parte dos governantes.

Liberalismo e Cristianismo

Filed under: Política,Religião,Teoria — André Azevedo Alves @ 10:00

Liberalismo precisa voltar a abrir-se para Deus, adverte Papa
Em uma carta enviada a Marcello Pera por ocasião de seu último livro

Após confessar que foi «uma leitura fascinante», o Papa elogia a análise que faz do liberalismo «a partir de seus fundamentos, mostrando que na essência do liberalismo se encontra o enraizamento na imagem cristã de Deus: sua relação com Deus, de quem o homem é imagem e de quem recebemos o dom da liberdade».

(…)

O Papa também manifesta sua admiração pela análise que o filósofo faz da liberdade e da multiculturalidade, na qual «mostra a contradição interna deste conceito e, portanto, sua impossibilidade política e cultural».

«É de importância fundamental sua análise sobre o que podem ser a Europa e uma Constituição européia na qual a Europa não se transforme em uma realidade cosmopolita, mas que encontre, a partir de seu fundamento cristão-liberal, sua própria identidade», assinala.

O Santo Padre se detém também na análise do senador sobre os conceitos de diálogo inter-religioso e intercultural.

«Você explica com grande clareza que um diálogo inter-religioso, no sentido estrito da palavra, não é possível, e que é particularmente urgente o diálogo intercultural, que aprofunda nas conseqüências culturais da decisão religiosa de fundo.»

«Ainda que sobre esta última, um verdadeiro diálogo não é possível sem pôr entre parênteses a própria fé, é necessário enfrentar no debate público as consequências culturais das decisões religiosas de fundo», indica.

O Papa considera que as propostas de Pera são necessárias para superar «a crise contemporânea da ética».

«Você mostra que o liberalismo, sem deixar de ser liberalismo, mas sim, para ser fiel a si mesmo, pode referir-se a uma doutrina do bem, em particular à cristã, que lhe é familiar, oferecendo assim verdadeiramente uma contribuição para superar a crise», indica.

Os Dias Contados

Filed under: Médio Oriente,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:32

Excerto da crónica de Alberto Gonçalves no Diário de Notícias.

IRMÃOS DE SANGUE

A retirada israelita de Gaza não significou exactamente um alívio para os indígenas. Agora, conforme os media contam com discrição ou não contam de todo, começou a fase da vingança, na qual o Hamas retoma uma tradição nativa e “persegue e golpeia com força” os “colaboracionistas” de Israel, para citar um porta-voz da amável organização. Outros relatos, com origem na Fatah, referem a tortura e a execução sumária de qualquer suspeito de “traição”, cujo cadáver é lançado aos escombros da guerra. (mais…)

Janeiro 24, 2009

Sócrates e as “fugas para a imprensa”

Filed under: Comentário,Justiça,Media,Política,Portugal — Bruno Alves @ 23:18

(também publicado aqui)

Tal como acontecera com o “caso” da sua “licenciatura”, o que incomoda no “caso Freeport”, no que a José Sócrates diz respeito, são as suas declarações a propósito do que tem acontecido. Veja-se por exemplo, aquilo que disse ontem em resposta às notícias da TVI: “a aprovação ambiental do empreendimento Freeport cumpriu todas as regras legais aplicáveis”. Ao dizer isto, Sócrates parece não perceber que o problema não está (ou não está apenas) em saber se o Freeport foi construído sem poder ser construído, mas se, mesmo que pudesse, só o tenha sido porque alguém pagou a alguém para que assim fosse. E das duas uma, ou Sócrates não percebe isto (o que não abona muito a seu favor), ou percebe mas quer fingir que não (o que abona ainda menos).

Mas muito mais graves, porque despojadas de qualquer ambiguidade, foram as suas declarações acerca dos “ataques políticos” de que está supostamente a ser alvo: há dias, Sócrates “notou” como a questão do Freeport surgia “sempre em ano de eleições”. Como escreveu Pacheco Pereira, isto era algo que o Primeiro-Ministro “não poderia dizer”, pois não se trata “de uma notícia de um jornal, mas de uma iniciativa judicial , envolvendo a PJ, a PGR e um juiz. E presume-se que todas estas entidades não estão em “campanha eleitoral” ou a mando de qualquer interesse eleitoral. Se é isso que quiseram dizer, então ainda é mais grave.” Hoje, Sócrates já veio esclarecer: não se estava a referir às diligências da investigação judicial, mas sim “às fugas para a imprensa”, que visam “atingi-lo politicamente”. Ora, para haver essas “fugas para a imprensa”, é necessário que alguém com acesso a essas informações as faça sair; só quem esteja no seio do sistema judicial tem, antes das fugas, acesso a elas, e portanto, só alguém pertencente ao sistema judicial pode fazer as ditas “fugas”. Assim, ao dizer que há fugas, o Primeiro-Ministro está, forçosamente, a dizer que estas provêm do sistema judicial, e ao dizer que elas têm como propósito “atingi-lo políticamente”, Sócrates está, forçosamente, a dizer que o sistema judicial está vulnerável a quem quiser usar a sua máquina para servir os seus interesses particulares. Ora, Sócrates é responsável por isso. Não pode fazer uma acusação destas de forma gratuita, pois se o sistema judicial é tão pouco justo como ele o acusa de ser, a responsabilidade é (também) sua, que não fez anada que o tivesse corrigido. Um Primeiro-Ministro que faz declarações destas não se pode limitar a dizer que “se alguém pensa que me vence desta forma está muito enganado” e que vai “lutar para defender” a sua “honra” e a sua “honestidade”: como responsável político que é, Sócrates tem que dar consequência às críticas (implícitas, mas indissociáveis daquilo que ele disse) que fez a entidades sob essa sua responsabilidade. Declarações com aquelas encerram em si uma análise do estado da Justiça em Portugal que ou levam o primeiro-Ministro a anunciar uma forma de o melhorar, ou a reconhecer a sua responsabilidade nesse estado e o seu falhanço em alterá-lo, e portanto, a anunciar a sua demissão. Aliás, numa democracia minimamente decente, declarações como aquelas, gratuitas como aquelas, e sem um qualquer assumir das suas responsabilidades enquanto Primeiro-Ministro, levariam à demissão de quem as tivesse proferido.

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