O Insurgente

Janeiro 31, 2009

O novo governante

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 18:49

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Portugal é demasiado pequeno para ter um regime semi-presidencialista. Só houve lugar para um no tempo de Sá Carneiro e Eanes, o mesmo sucedendo quando Cavaco Silva era chefe do governo e Mário Soares estava em Belém. O fenómeno parece tão evidente que, com Cavaco na presidência, bastou um pretexto fraco (o Estatuto dos Açores) para que a ‘cooperação estratégica’ terminasse.

Agora, com o caso Freeport e o inevitável enfraquecimento político de José Sócrates, mais uma vez se comprova que só há um lugar para um na política portuguesa. Depois de quase três anos a estudarem-se mutuamente e uns poucos meses de conflito surdo, o primeiro-ministro parece vergado perante o presidente. Caso o PS não renove a maioria absoluta, e com um José Sócrates sem chama e ainda menos carisma, Cavaco Silva não será um mero árbitro mas, na prática, um verdadeiro governante.

Portugal é demasiado pequeno para o poder se dividir entre dois políticos, principalmente quando o Parlamento, fruto do sistema eleitoral que temos e que visa favorecer os pequenos partidos, é fraco e dispensável. Há sempre um que tem de ceder e desta, caberá a vez a Sócrates.  

4 Comentários »

  1. As cenas estarem divididas não me parece assim tão mau. Ou não é essa a base da divisão do poder? Os presidentes não são para dizer que sim a tudo, devem usar o seu poder de vecto.

    Já em relação ao Parlamento ser fraco e dispensável, concordo plenamente.

    Comentário por Alcides Fonseca — Janeiro 31, 2009 @ 19:36

  2. também estou convencido que o “chico esperto” anda repetitivo e sem entusiasmo. como futuramente só fará burricadas já começou a ser controlado pelo ps e pr. creio que ao pr não convêm eleições antecipadas porque será dificil sair um governo estável e prefere esta paz podre. do pântano só iniciaremos a saida a médio prazo e com muita dificuldade. a economia parece um pudim flan: treme insessantemente

    Comentário por l.falcão — Janeiro 31, 2009 @ 21:27

  3. «sistema eleitoral que temos e que visa favorecer os pequenos partidos»

    É precisamente o contrário. A regra de Hondt visa favorecer os grandes partidos !

    Comentário por Patrício — Janeiro 31, 2009 @ 22:15

  4. [...] mais evidente quem vai, não quero escrever ‘governar’ para não fazer mau uso das palavras, exercer o poder nos próximos anos. Apesar de não legislar, o presidente é eleito por todos. Tem uma legitimidade própria, acima do [...]

    Pingback por O novo governante (2) « O Insurgente — Abril 8, 2009 @ 11:30


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