S&P reduz rating da divida nacional. Por Nuno Branco.
Cuidado com os certificados de aforro como investimento nesta crise, um certificado de aforro é apenas um titulo de divida publica da Republica Portuguesa. É verdade que o Estado, devido à impressão de moeda poderá sempre pagar esse certificado de aforro com o respectivo juro, no entanto o Estado não pode assegurar o valor desse pagamento.
Exemplificando, quem empreste ao Estado 100 Euros com um juro de 2% pode estar assegurado que vai receber 102 euros no final do ano, não há garantia nenhuma que esses 102 euros sejam capazes de comprar 1Kg de arroz na mercearia.
Claro que isso se passa com qualquer investimento a taxa fixa, tendo os outros outra desvantagem além dessa: além da inflação estão sujeitos ao risco de falência.
Comentário por Miguel Madeira — Janeiro 24, 2009 @ 16:19
Além do que o Miguel Madeira disse, estando na zona Euro não cabe a Portugal o controlo do valor da moeda. A insinuação implícita de que o governo pode desvalorizar a moeda para pagar os certificados de aforro é um pouco ridícula. Particularmente quando estamos com risco de deflação. É exactamente ao contrário, é mais provável que os 102€ dêem para comprar ainda mais arroz do que seria de esperar.
Comentário por Rui Ferreira — Janeiro 24, 2009 @ 17:31
O Miguel esquece-se que a Republica também pode abrir falência, a unica questão é se o faz por via aberta (recusando-se a pagar a via) ou por via camuflada (através da impressão descarada de moeda para pagar a divida). Não seria certamente a primeira Republica a declarar falência e concerteza, a fazê-lo, não seria a ultima.
Quanto ao que o Rui disse a moeda é impressa (ou criada) contra titulos de dívida publica emitidos pela Republica, seja o BdP ou o BCE o mecanismo é o mesmo (embora admita que os controlos possam ser mais restritos). Quanto à deflação o que temos visto para mim é um processo de desalavancagem nos mercados e não um processo de desinflação (o que implicaria uma destruição de moeda que não está a acontecer, bem pelo contrário). Neste momento existe muita liquidez fora do mercado, quando esta decidir entrar em acção a percepção de deflação rapidamente dá lugar à realidade inflacionária.
Comentário por Nuno Branco — Janeiro 24, 2009 @ 18:10
Acerca da Republica abrir falência:
- no caso da falência indirecta (imprimindo moeda), de certeza que não seria o deficit da Republica Portuguesa que iria provocar uma grande inflação na zona euro (da mesma forma que uma crise orçamental em Timor Leste ou em El Salvador não deve ter grandes efeitos na inflação na “zona dólar”). Mas, se provocasse, isso iria desvalorizar (em termos reais), não apenas os certificados de aforro, mas todos os títulos remunerados a taxa fixa (que, além desse risco, têm também o risco intrinseco à entidade que os emite).
Comentário por Miguel Madeira — Janeiro 24, 2009 @ 18:59
“Quanto à deflação o que temos visto para mim é um processo de desalavancagem nos mercados e não um processo de desinflação (o que implicaria uma destruição de moeda que não está a acontecer, bem pelo contrário).”
Suponho que o Nuno Branco está a usar uma definição de deflação diferente da usual (“redução da massa monetária” em vez de “redução dos preços”) – não estou a dizer que a definição usual seja melhor ou pior do que a que suspeito que o Nuno está a usar, mas é conveniente numa discussão que haja um consenso entre os debatentes sobre o significado das palavras.
Comentário por Miguel Madeira — Janeiro 24, 2009 @ 19:08
Refiro-me obviamente à inflação como um fenómeno monetário (o aumento ou diminuição da massa monetária) que, mais cedo ou mais tarde, se manifesta nos índices de preço ao consumidor.
Obviamente que o impacto da falência tem repercursões em tudo o que é renda fixa, eu referi os certificados de aforro porque são os que têm mais procura como “refugio”. A unica coisa que estará imune serão bens tangíveis.
Comentário por Nuno Branco — Janeiro 24, 2009 @ 19:19
“o Estado, devido à impressão de moeda”
O Estado português não é neste momento livre de imprimir moeda. Só o faz sob controle do Banco Central Europeu e sob controle deste, para suprir a necessidade de moeda deste. O Estado português não é livre de imprimir moeda e ficar com ela.
Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 25, 2009 @ 15:39
Fica o link para o BCE com os aumentos da massa monetária não vá alguém pensar que anda menos dinheiro por aí:
http://www.ecb.eu/press/pdf/md/md0811.pdf
Quanto ao Estado e à impressão de moeda, a Republica Portuguesa (e os outros países da zona euro) continua a poder emitir divida publica que pode ser comprada pelo BCE criando assim moeda. Mas sobre isto o melhor é mesmo vermos o que acontece com países como a Irlanda, Espanha, Grécia e Itália que se calhar podem ter problemas antes de nós.
Como não há precedentes na zona-euro desconheço os procedimentos.
Comentário por Nuno Branco — Janeiro 26, 2009 @ 17:06
O BCE pode comprar ou não comprar a dívida pública emitida pela República Portuguesa (RP). Ou seja, quem decide se há emissão de moeda não é a RP, é o BCE. O BCE controla não só a quantidade de moeda que deixa as rotativas imprimir, como também a quantidade de dívida pública que decide comprar. Ou seja, tal como eu disse antes, não é a República Portuguesa quem se pode dar ao luxo de “diluir” a moeda, é o BCE quem o pode fazer – e só o faz se quiser.
Se o euro perder valor por via de emissão monetária maciça, a culpa é sempre do BCE. O dinheiro criado desse modo não irá necessariamete para a República Portuguesa, pode ir para a República Irlandesa, ou Grega, ou…
Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 26, 2009 @ 17:44
Claro que qualquer outro investimento que dê 102 euros, esses 102 euros vão valer muito mais.
José Simões
Comentário por José Simões — Janeiro 30, 2009 @ 11:10