Freeport. Por Adolfo Mesquita Nunes.
A história já nos devia ter ensinado que muitos factos embrulhados em muitas teorias não correspondem sempre à verdade. Assim como já nos deveria ter ensinado, e nem sempre com o PS como alvo, que os processos de investigação criminal não devem ser seguidos ao ritmo dos jornais e das manchetes que mais parecem interessados em processos de linchamento do que na busca da verdade.
Entretanto, José Sócrates vai avisando que “não se pode responsabilizar pelos actos da família”:
“Tenho afecto e estima pelo meu tio. Mas tenho de dizer com clareza que não tenho nada a ver com as suas actividades empresariais” nem com as dos seus filhos. “Cada um assume as suas responsabilidades”. No entanto, admitiu que o tio lhe tenha pedido para receber os promotores, mas diz não ter memória dessa conversa porque aconteceu há já alguns anos.
Leitura complementar: Sócrates sobe o tom…; Mais uma dor de cabeça para Sócrates…; Nepoqualquercoisa; Os ingleses e as legislativas portuguesas; Alguém o pode ajudar?; Novo episódio da novela Freeport….
Discordo. Noto é uma evolução no controlo de danos por parte da sua comunicação ao país.
Repare-se que ele dizia que eram apenas calúnias e mentiras, até porque estavamos perto de eleições. Agora pelos vistos, não se quer é respobsabilizar pelo comportamento da sua família.
Isto é controlo de danos.
As perguntas que importa saber é: porquê que o processo esteve no arquivo-morto, até que os ingleses tomaram conta de um processo semelhante?
E porquê que o Primeiro-Ministro decidiu concentrar toda a informação policial no seu gabinte, ainda antes deste caso?
O problema dele, agora, é de conseguir evitar que os ingleses consigam relacionar a aprovação do projecto e suas trâmitações burocráticas, de molde a que o Freeport fosse aprovado em tempo recorde com os eventuais subornos do tal inglês.
Se for verdade que o tal inglês está a cooperar com as autoridades inglesas, o video com as suas declarações não tem valor jurídico em Portugal mas pode ter um outro com as confissões do tal inglês.
A partir do momento que um arguido confessa ter pago a intermediários para que o Sócrates aprovasse o projecto imobiliário, não resta outra coisa senão ao Primeiro-Ministro demitir-se. Ele pode usar os seus poderes para obstruir a Justiça. E tem acesso, aparentemente, a todas as informações recolhidas pelas policias, no âmbito das diligências de recolha de prova.
O Sócrates está a fazer controlo de danos, esperançado que as autoridades inglesas não consigam reunir provas que o liguem directamente às eventuais luvas pagas pelo tal inglês. Apenas isso.
Mas a personalidade dele, do Primeiro-Ministro, é do tipo negar tudo, até que um Tribunal o condene efectivamente. Ele é um bocado do género do Vale e Azevedo. Nunca assumirá qualquer acto menos impróprio aos olhos da opinião pública. Em último caso ele dirá que é uma cabala dos ingleses contra a sua figura.
Mas este caso é muito mais que a eventual corrupção de um actual Primeiro-Ministro. É todo o sistema de Justiça em causa, porque as diligências portuguesas só se fazem, aparentemente, porque os ingleses t~em um processo paralelo no RU. Quer dizer que em Portugal, a PGR e em último caso a Justiça, são incapazes de investigar um caso que envolva a figura do Primeiro-Ministro. Denotando que não existe separação de poderes em Portugal e existe uma Justiça para uns e uma outra para outros.
Hoje, Portugal, está muito pior que na Itália da máfia. Não existe sequer uma Justiça que se atreva a tocar em determinados poderes instalados.
anti-comuna
Comentário por liberabaci — Janeiro 24, 2009 @ 14:27
Morte ao Sócrates!!!
anti-pretos
Comentário por jorge — Janeiro 24, 2009 @ 18:22
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