O Vasco Campilho, num post em que me inclui na “ferreiraleitosfera” (uma espécie de “vast rightwing conspiracy” à portuguesa), critica os apoiantes de Manuela Ferreira Leite porque “estes acusam Passos Coelho de não silenciar as suas ideias quando estas diferem das de Ferreira Leite”. Não sei o que pensarão os meus colegas da “ferreiraleitosfera” (nós não combinamos estas coisas previamente), mas falo por mim: ao contrário do que o Vasco parece pensar, eu não quero que ninguém “silencie” as suas opiniões. Quando alguém critica outra pessoa, não significa que ache que o outro não deva dar a dele. Apenas acha que a opinião do outro está errada. Quando eu critico Passos Coelho, faço-o porque acho que a sua opinião é criticável, não por achar que deva ser silenciada. Mas tal como ele tem todo o direito de dar a sua opinião, eu tenho todo o direito de afirmar que esta é criticável. Tenho até todo o direito de criticar o facto de lhe ser dada uma atenção que eu acho desmedida, mas também acho que quem lhe dá essa atenção tem todo o direito de a dar (como eu tenho de os criticar por isso). Ao contrário do que o Vasco parece pensar, nem Manuela Ferreira Leite, nem ninguém, precisa que qualquer opinião, seja ela qual for, seja “silenciada”. O que é preciso é que toda a gente diga o que pensa, ou no caso de Passos Coelho, o que lhe dá jeito, e se sujeite a que os outros digam o que pensam acerca do que disse.
Janeiro 23, 2009
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