Os comentários a este post, bem como as justificações da Autoridade da Concorrência para obrigar a Zon a não oferecer bilhetes para os cinemas Lusomundo, mostram o problema da intervenção do estado em fixação de preços, promoções e demais campos da economia privada.
Desde logo porque se parte do princípio que o consumidor segue um padrão idealizado pelos reguladores. A oferta de bilhetes pela Zon só prejudica a Medeia, se o consumidor seguir um padrão de muitos possíveis. A saber: vou uma vez por semana ao cinema à Medeia, mas como a Zon passa a oferecer bilhetes e passo a ir à Lusomundo e deixo de ir à Medeia.
Só que o consumidor não é um autómato, e nem sequer é idealizável por burocratas, para estes preverem as suas acções. Há por exemplo o cinéfilo que tem que contar os seus tostões. Como tal, quando quer ir ao cinema, escolhe metade das vezes a Zon, metade das vezes a Lusomundo. Mas gostaria de ir mais vezes. Com a nova promoção, pode ir uma vez por semana de graça à Lusomundo, e as restantes vezes fazer as escolhas que entender, consoante o seu orçamento. Se mantiver o seu padrão de escolhas a Medeia não nota a influência da promoção da Zon. Mas até pode passar a ir sempre à Medeia, por “esgotar” a sua vontade de filmes Lusomundo com as ofertas da Zon. Neste caso a Medeia acaba por beneficiar dos bilhetes grátis para a concorrência.
Há ainda o cliente que não vai ao cinema, começa a ir graças às ofertas da Zon, ganha o gosto e passa a ir à Medeia quando esta apresenta um filme de que gosta.
E há ainda o cliente que vai ao cinema quando quer e pode, conforme os filmes mais gosta, e as salas que lhe apetece. Com a oferta vai à Lusomundo mais vezes, odeia os cinemas e reconhece que a Medeia tem o melhor serviço, facto que publicita entre os amigos.
E há o cliente que… Enfim, há para todos os gostos!
Para a AdC e a Medeia, oferecer bilhetes aos clientes Zon, lesa os consumidores. Não se percebe como é que receber um bilhete de cinema gratuito por semana, só por ser cliente Zon, pode lesar o consumidor. O que lesa de certeza é deixar de o receber. Mais, não se vê como é que proibir a promoção interefere na “posição dominante” da Zon.
Curioso é que a Medeia também oferece bilhetes. Quem pagar 5€ + 175€/ano, recebe o máximo de dois bilhetes por dia. Simplesmente na oferta da Medeia não há acesso TvCabo incluído.
[...] (via insurgente) [...]
Pingback por À atenção da «Autoridade da Concorrência»…. « BLASFÉMIAS — Janeiro 7, 2009 @ 13:13
Penso que Bill Gates não teria argumentado melhor a quando dos problemas com o Windows e respectivos cross-sellings…
Já agora, porque não deixar a ZON oferecer quantos bilhetes de borla quiserem a todos os seus clientes TV Cabo? O dinheiro é da ZON e é mesmo, ninguém tem nada a ver com isso ou com o sector privado da economia… ou tem?
Infelizmente as resposta de Miguel ignoram alguns factos…
Qualquer debate construtivo é positivo. Atacar a regulação como um crónico mal… parece-me mau ponto de partida para um debate positivo.
Comentário por AAS — Janeiro 7, 2009 @ 14:02
[...] por Rui Passos Rocha em Janeiro 7, 2009 Eu também acho um ultraje que com o MedeiaCard haja quem possa ter dois bilhetes de cinema por dia por apenas [...]
Pingback por Lusomundo (2) « Sinecura — Janeiro 7, 2009 @ 17:17
A Medeia pode vender as suas salas à PT e a PT fazer o mesmo com o MEO, ou com a SONAECOM…não percebo qual é o ponto da decisão
Comentário por bandiduh — Janeiro 7, 2009 @ 17:59