Nos programas de apoio às empresas, em virtude da crise, consta um que propõe crédito a uma taxa com um desconto de 0,5% relativamente à Euribor que, no dia que me foi proposto pelo banco, pressupunha uma taxa mínima de 3% (a única coisa que não perguntam na ficha de candidatura ao apoio, é se prefiro boxers ou cueca de janela e de que cor). Nesse dia a Euribor já estava a 2,67%. Julgo que entretanto essa taxa mínima já baixou para 1,5%. Isto é pouco importante, limita-se a mostrar a desorientação dos que julgam saber, como fez o PM, quais são as “empresas viáveis”. Não sabem sequer o que fazem, mas sabem o que desde sempre andamos todos a tentar descobrir. Enfim. O mais importante nesta história é o seguinte: para efeitos deste apoio, a minha empresa é considerada micro e, portanto, este crédito tem um limite máximo de 5.000 Euros. Para jornalistas de economia: cinco mil euros. Ainda gostava de saber é que investimento quer o PM que eu faça com cinco mil euros. Que limpe o cu às notas ou que vá de férias às Maldivas, com certeza. Ora bem, como convém à chulice do Estado, para efeitos de Pagamento por Conta, a merda da empresa já não é micro, é uma Grande Empresa. No ano fiscal de 2009 já temos que pagar 90% do IRC de 2008 porque, parece, o Governo do “melhor primeiro ministro” do Ferreira Fernandes, quer beneficiar as PME e fazer pagar as Grandes Empresas, o Grande Capital ou lá que é que lhes chama agora. É mentira.
Janeiro 31, 2009
Aldrabões e aldrabados
Sobre os factos não sei nada, só posso ser testemunha abonatória de José Sócrates: ele é o melhor primeiro–ministro que já tive. – Ferreira Fernandes no DN.
Vou tentar explicar ao Ferreira Fernandes e aos que o acompanham porque razão, o melhor primeiro ministro que ele teve e o Governo de que faz parte, não passam de aldrabões. Por exemplo:
O PEC nas Micro e Pequenas Empresas


O PEC (Pagamento Especial por Conta) nas Micro e Pequenas Empresas, versus as medidas de apoio preconizadas pelo Governo.
Segundo dados do Governo existem em Portugal 367.000 empresas.
Destas:
67.000 apresentam matéria colectável superior a € 12.500,00.
100.000 apresentam matéria colectável entre 0 e € 12.500,00.
200.000 apresentam matéria colectável nula ou negativa.
O Governo preconiza a implementação da redução de taxa de IRC para 12,50% para as empresas que apresentem matéria colectável entre € 0,00 e € 12.500,00, sendo que para as que apresentem matéria colectável superior, a taxa mantém-se nos 25%.
Esta redução pelo Governo da taxa de IRC para 12,5%, à primeira vista, parece uma efectiva medida de apoio às Micro e Pequenas empresas. Nada mais falso. (mais…)
O discurso que o Presidente da República deveria fazer, demitindo o Governo e dissolvendo a Assembleia da República
(Muito provavelmente, Cavaco Silva não irá fazer um discurso como este, nem sequer demitirá o governo nem dissolverá a Assembleia. Mas fica aqui o discurso que eu acho que deveria ser feito pelo Presidente da República)
Roe v. Wade myths
Debunking myths of Roe v. Wade. Por Gary Bauer.
A post-Roe America would look like the America of today in terms of the sheer volume of abortions. The major difference would be an anti-abortion movement toiling to tackle 50 separate abortion policies simultaneously. Another important difference is that we would no longer teach young Americans the lie that — among their cherished constitutional rights of free speech, religion and assembly — there is also a right to take the life of an unborn baby.
O novo governante

Portugal é demasiado pequeno para ter um regime semi-presidencialista. Só houve lugar para um no tempo de Sá Carneiro e Eanes, o mesmo sucedendo quando Cavaco Silva era chefe do governo e Mário Soares estava em Belém. O fenómeno parece tão evidente que, com Cavaco na presidência, bastou um pretexto fraco (o Estatuto dos Açores) para que a ‘cooperação estratégica’ terminasse.
Agora, com o caso Freeport e o inevitável enfraquecimento político de José Sócrates, mais uma vez se comprova que só há um lugar para um na política portuguesa. Depois de quase três anos a estudarem-se mutuamente e uns poucos meses de conflito surdo, o primeiro-ministro parece vergado perante o presidente. Caso o PS não renove a maioria absoluta, e com um José Sócrates sem chama e ainda menos carisma, Cavaco Silva não será um mero árbitro mas, na prática, um verdadeiro governante.
Portugal é demasiado pequeno para o poder se dividir entre dois políticos, principalmente quando o Parlamento, fruto do sistema eleitoral que temos e que visa favorecer os pequenos partidos, é fraco e dispensável. Há sempre um que tem de ceder e desta, caberá a vez a Sócrates.
A virgem ofendida ataca de novo
Poderia o Zezito (petit nom familiar do PM), por obséquio, esclarecer quem são os “poderes ocultos” que orquestram a “campanha negra” que o persegue? Fica implícito que estes funestos poderes são de cariz partidário, já que o autor de tão felizes frases os avisa que não é assim que derrotam o nosso valoroso PM. Claro que o PM quer recordar a campanha triste de boatos sobre a sua orientação sexual (o que, de resto, a tão grande defensor do casamento gay e, supõe-se, de opinião que a homossexualidade é equivalente à heterossexualidade, não deveria ofender) que toda a gente imputou a Pedro Santana Lopes. Mas agora nada disso é claro – desde, no máximo, a saída de Santos Cabral que a investigação ao caso Freeport está parada em Portugal, tendo-se reanimado por instigação da investigação inglesa – e se há coisa clara é que o PSD não manda no Serious Fraud Office. Logo, além do PM e do PS ninguém vislumbra uma conspiração. E que o PM escolha inventar uma cabala aparenta falha de argumentos.
Também que se considere uma investigação à sua actuação enquanto governante – qualquer investigação – como um ataque pessoal (de resto muito comum na nossa esquerda que é, como se sabe, moralmente inatacável e insusceptível de acusação de qualquer vício) revela a falta de entendimento de uma democracia de Sócrates. De uma vez por todas, é conveniente que os políticos cresçam, percebam que o seu ego não interessa a ninguém, realizem que toda a sociedade deve esperar que o poder corrompa (porque o faz) e estar especialmente atenta às decisões dos que o exercem, que a diversidade de opiniões é essencial e o escrutínio agressivo (que nem existe em Portugal) é saudável. Caso não se queiram submeter ao escutínio, será melhor rumarem a outras profissões. O que não se admite de um governante é que rasgue as vestes de indignação e clame contra “poderes ocultos” quando submetido a uma investigação criminal ou jornalística.
Especulações
A possível saída de Sócrates do cargo de primeiro-ministro será mais um passo no caminho da desintegração dos partidos políticos. Sem Sócrates, Manuel Alegre fica na linha da frente para a sucessão e o PS vira à esquerda. Caso Alegre não assuma o papel a que se tem insinuado (e a que já se candidatou), outro substituto de Sócrates não será capaz de evitar a fuga de votos para a esquerda. PCP e BE teriam uma boa oportunidade de alcançar uma votação histórica.
Resta o PSD, com o risco de, uma vez mais, o poder lhe cair no colo. Só que, sem maioria absoluta e contra uma forte maioria de esquerda, qualquer governo social-democrata terá curta duração. A ser assim, apenas um governo laranja, bem sucedido, pode evitar um colapso dos partidos políticos.
Vamos assistir a alterações muito rápidas na linha programática do PS e PSD.
Imagens dos túneis de Gaza
Pics: Inside the Tunnels of Gaza
Arms-smuggling is just the start. The tunnels dug into the sandstone, to bring goods from Egypt into Gaza have become a central component of both sides’ economies. Everything from food to medicine to cigarettes to livestock to, yes, weapons are snuck back-and-forth. Israeli human rights group B’Tselem provided these exclusive pictures of Gaza’s underground economy to Danger Room. Take a look
Talvez não fosse mal pensado
Fidel Castro exige a Obama a devolução de Guantánamo a Cuba
Incluindo os “hóspedes”?
Hoje lembrei-me disto
[YOUTUBE=http://www.youtube.com/watch?v=nATXtu7pv9o]
LOVE & ROCKETS – Dog End Of A Day Gone By
2.000.000
Dois milhões de visitas? Porreiro, pá…
Leitura complementar: 2.000.000. Para jornalistas da área da Economia: dois milhões.
Clister
Portugal não é, de todo, um Estado de Direito. O Boavista levou no corpo, desceu de divisão, vai provavelmente fechar e, agora, vem o Tribunal Constitucional dizer que as escutas que serviram de prova para empurrar o clube para o desaparecimento são ilegais. Alguém devia ser lentamente sodomizado com um ferro em brasa. Ou levar com o clássico clister de vidro moído e amoníaco. Como é que chamam os que condenaram o Boavista?
Via Gabriel Silva, no Twitter
2.000.000. Para jornalistas da área da Economia: dois milhões
Mário Crespo: Então o que achou destes dois milhões? Foi bom, mais ou menos, assim-assim, fraquinho…?
Helder Ferreira: Pois…está dentro daquilo que são os nossos objectivos e estamos todos de parabéns, não é. O Mário também tem estado muito bem, muito obrigado
António Esteves Martins: E naquilo que são os vosso grandes desígnios estratégicos como vêem mais esta etapa na cruzada neo-liberal-sionista-capitalista-neo-coneira-beata-nazi-fasssssista?
Helder ferreira: Pois estamos muito contentes, continuamos a perseguir aqueles que são os nossos objectivos e estamos de parabéns. Todos e o António acho que também, ouvi dizer..
Teresa de Sousa: E agora? A Europa? Ou como dizia a senhora minha mãe do Obama, só vocês, rapazes e raparigas Insurgentes, podem salvar o Mundo? Vocês os Messias, os Cristos reencarnados, bem entendido.
Helder Ferreira: Pois eu de messias não sei, mas estamos todos de parabéns e…pois continuamos a lutar por aqueles que são os nossos objectivos, não é. Já salvar o Mundo…pois, não sei. Muito obrigado.
DOh!: Joder Tío! Qué bien, dos mijones de perros hijos de puta que visitáran vosotros todavía, pués! Hagan muchos, hijos de puta! Joder!
Helder Ferreira: Pois DOh, cá estaremos, não é, a lutar por aqueles que são os nosso objectivos e, pois, estamos todos de parabéns e tu também, obrigado.
Fátima Campos Ferreira: E agora? E agora perguntam os portugueses, os europeus, os asiáticos, os africanos, o Mundo…o Mundo?
Helder Ferreira: Pois. olhe sra D Fátima, agora….pois, gostava de mandar um abraço á minha família que sempre me apoiou e gostava de dizer que o Helder é o máior. O máior, não é? Ah e o DOh, o João Galamba e aquela senhora dos brócolos e do aspirador avariado também. São muito simpáticos sabe? Força. Amigos.

Janeiro 30, 2009
Economic science and the current crisis
Some Basic Economics of Public Policy. Por Pete Boettke.
Now a lot of individuals have been claiming that economics as a scientific discipline has been rocked by our current crisis, both due to our failure to “predict” it and our inability to “fix” it with a consensus on the right public policy. And anyone not deeply read in the history of our discipline, or who received their university education in economics in the second half of the 20th century can be excused for such a reading of the situation.
(…)
But what if the problems are not the dead ideologies, but instead a live political pragmaticism that has forgotten the basic ideology that made possible the great growth of the wealth of nations and provides the foundation for Western civilization?
Socialism hits the proverbial brick wall
No Negócios: «A hiperinflação que assola o Zimbabué e o descontrolo total da sua moeda levaram aquele país africano a abandonar a divisa oficial – dólares zimbabueanos – e permitir que as empresas utilizem divisas externas.
O anúncio foi feito hoje pelo ministro das Finanças, Patrick Chinamasa. Segundo aquele responsável, citado pela Bloomberg, os zimbabueanos poderão negociar na moeda que pretenderem e o governo abandonará o controlo de preços, com efeito imediato. Será também possível usar “múltiplas moedas”.»
Why the “stimulus” plan is bad policy
So Much Money. Por Don Boudreaux.
If, for example, your teenager came home after spending the day at the shopping mall with your personal credit card and tells you “Hey Mom and Dad, I know that you told me to spend no more than $100, but I spent instead $10,000,” you’d likely be furious. And you would not be becalmed by your profligate teenager suggesting that, because he spent $10,000, surely some of it is wise.
About the second presumption: even granting (as I don’t) that a spending package of $825 billion must contain some good projects, that putative reality justifies the spending package only if the benefits of these worthy projects outweigh the detrimental effects of the unworthy projects. But such a result is hardly guaranteed by the fact (if fact it be) that some of the spending, taken separately, is worthwhile.
O menos oneroso sai exorbitante…
Quando o BPN pediu 600 milhões de euros para sobreviver, o governo nacionalizou-o. Teixeira dos Santos afirmou que a nacionalização era menos onerosa para os contribuintes. Pois. Nota-se: BPN pode emitir mais de mil milhões de euros com pagamento de uma garantia de 0,2%
Estes “mais de mil milhões” acrescem aos 850 milhões previamente autorizados. Uns cool 2000 milhões. A falência da fábrica do Zé Povinho ganha aqui contornos premonitórios.
Frase da entrevista
A procuradora Cândida Almeida partilhou ontem um bonito momento de non-sense, com certeza devido aos nervos (cito de cor):
Judite de Sousa: “Já localizaram o primo do primeiro-ministro?”
Cândido de Almeida: “Sim, sabemos onde está”:
JS:”E pode dizer-nos onde?”
CA:”Não posso, senão ele foge.”
Ela sabe onde o primo está mas não diz, não vá o primo descobrir onde está e sair de lá.
Obama combate o arrefecimento global
New York Times (via LRC):
The capital flew into a bit of a tizzy when, on his first full day in the White House, President Obama was photographed in the Oval Office without his suit jacket. There was, however, a logical explanation: Mr. Obama, who hates the cold, had cranked up the thermostat.
“He’s from Hawaii, O.K.?” said Mr. Obama’s senior adviser, David Axelrod, who occupies the small but strategically located office next door to his boss. “He likes it warm. You could grow orchids in there.”
Magalhães Gupta
Ladies and gentlemen, o próximo computador “totalmente português”:
Rs 500 laptop display on Feb 3
NEW DELHI: A $10 laptop (Rs 500) prototype, with 2 GB RAM capacity, would be on display in Tirupati on February 3 when the National Mission on Education through Information and Communication Techology is launched.
(Fonte: Times of India)
Sócrates sob pressão
A pressão jurídico-mediática sobre José Sócrates não dá sinais de abrandar: Ex-director da Judiciária demitido por este Governo diz ter dado prioridade à investigação do caso Freeport
O ex-director nacional da Polícia Judiciária, juiz Santos Cabral, assegurou, ontem, em declarações ao PÚBLICO que, até ter abandonado o cargo, em Março de 2006, o processo Freeport “teve o andamento prioritário e seguiu todos os procedimentos legais” e sublinha a certeza de que “ninguém ignorava a importância do processo”.
(…)
A responsabilidade pelo facto de o processo ter estado parado desde que a carta rogatória foi expedida em 2005, até que o actual procurador-geral da República avocou o processo, em Setembro de 2008, é agora “empurrada” de polícias para magistrados do Ministério Público e de magistrados para polícias.
“Não faço a mínima ideia do que aconteceu com o processo depois da minha saída”, diz Santos Cabral, que foi demitido em Abril de 2006 na sequência de um conflito institucional com o ministro da Justiça. Na altura alguns observadores relacionaram essa demissão com o empenho posto na investigação do processo Freeport. Foi substituído na direcção da PJ por Alípio Ribeiro e era então procurador-geral da República Souto Moura.
Entretanto, Augusto Santos Silva manifesta a sua indignação pela “continuação de uma campanha política que visa o primeiro-ministro de Portugal e o secretário-geral do PS” e, simultaneamente, elogia a postura de Manuela Ferreira Leite…
Leitura complementar: O que diz e o que não diz a PGR; Cuidado a dobrar; Avisos à navegação; Sócrates sobe o tom…; Mais uma dor de cabeça para Sócrates…; Nepoqualquercoisa; Os ingleses e as legislativas portuguesas; Alguém o pode ajudar?; Novo episódio da novela Freeport….
Leituras
Swat: Pakistan’s lost paradise:
Amid Barack Obama’s inauguration as US president, the war on Gaza and the aftermath of the Mumbai attacks, Pakistan’s media had until recently all but ignored the descent into hell of the Swat Valley in the North-West Frontier Province.
The valley has been transformed from a tourism magnet because of its alpine scenery into a valley stained with blood in recent months. From banning female education and blowing up schools to the hanging of decapitated bodies in Mingora, the valley’s main town, the reign of terror spearheaded by Maulana Fazalullah, a radical cleric, defies description.
I love this. The new kind of politics of hope. Eight hours of debate in the HR to pass a bill spending $820 billion, or roughly $102 billion per hour of debate. Only ten per cent of the “stimulus” to be spent on 2009. Close to half goes to entities that sponsor or employ or both members of the Service Employees International Union, federal, state, and municipal employee unions, or other Democrat-controlled unions.
This bill is sent to Congress after Obama has been in office for seven days. It is 680 pages long. According to my calculations, not one member of Congress read the entire bill before this vote. Obviously, it would have been impossible, given his schedule, for President Obama to have read the entire bill.
Hoje às 18 horas e 5 minutos, Rui Carmo e Luís Silva

Esta semana Antonieta Lopes da Costa e André Abrantes Amaral, em debate com os grandes Luís Silva e Rui Carmo, os dois bloggers d’ O Insurgente.
Juntos, analisam alguns dos principais temas da actualidade:
- Caso Freeport – Em ano de crise e eleições, surgiram esta semana suspeitas relativamente ao licenciamento do Freeport de Alcochete que envolvem o Primeiro-ministro. Independentemente de ser culpado ou inocente, conseguirá José Sócrates atravessar incólume esta tempestade política?
- Intervenção estatal nas empresas – Depois dos bancos, são várias as empresas com falta de liquidez e em risco de falir. Nos últimos dias, a Qimonda passou de principal exportador português para possível fonte descontrolada de desempregados. O Bloco de Esquerda já pediu que a empresa fosse nacionalizada, como sucedeu com o BPN. Voltámos ao tempo das empresas estatais?
- Fórum Social Mundial – Realiza-se, este fim de semana, em Belém do Pará, no Brasil, um novo Fórum Social Mundial. São mais de 100 mil pessoas a discutir o fim do neo-liberalismo. Perante a crise, o sentimento é de esperança numa mudança. Devemos entrar em pânico?
- Baixa sem carros – O presidente da Câmara de Lisboa afirmou, esta semana, que a Baixa lisboeta não deve ser uma “zona de atravessamento de tráfego”. O seu objectivo parece ser o de reduzir os automóveis naquela zona da cidade. Mas será que sem ser de automóvel alguém ainda quer ir à Baixa?
”Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
PODCAST: http://descubraasdiferencas.podomatic.com
Pergunta do Dia
Deverá Rui Rio aceitar ser apontado como Primeiro-Ministro a ser proposto pelo PSD presidido por Manuela Ferreira Leite?
Change of heart
Palpita-me que vai haver uma substancial e próxima change of heart em muitos dos indefectíveis apoiantes da adesão da Turquia à União Europeia: “O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, teve hoje de madrugada uma recepção apoteótica no aeroporto Ataturk, na cidade de Istambul, ao regressar antecipadamente ao país depois de se haver incompatibilizado no Fórum Económico de Davos, na Suíça, com o Presidente israelita, Shimon Peres.”
Quem paga

A questão nem é tanto o facto de o produto ter sido vendido, nem o comprador. O importante é perceber quanto custa e com que dinheiro se compram coisas destas.
O que diz e o que não diz a PGR
Cândida Almeida: Sócrates não está a ser investigado mas consta do processo
Cândida Almeida, directora do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal), que coordena o departamento do Ministério Público que investiga o caso Freeport, afirmou hoje, em entrevista à RTP, que o nome de José Sócrates consta do processo, mas não está a ser investigado. A magistrada acredita que só foi associado ao caso por na altura ser ministro do Ambiente. Já sobre o seu tio, Júlio Monteiro, admitiu ter indícios, mas não suficientes, de que recebeu dinheiro para luvas. Por saber as implicações políticas do caso, gostaria de terminar a investigação antes das campanhas eleitorais, mas não se comprometeu.
O que não diz a PGR. Por Adolfo Mesquita Nunes.
Há uma coisa que a PGR não esclarece, nem sei se teria de esclarecer: José Sócrates está ou não a ser investigado pelas autoridades portuguesas, ainda que não existam indícios bastantes para o considerar suspeito ou arguido?
Se não esclarece, e não teria que esclarecer, não pode José Sócrates sustentar que a investigação não corresponde ao que vem descrito na comunicação social. Porque a verdade é que ninguém passa a suspeito ou arguido sem investigação.
Leitura complementar: Cuidado a dobrar; Avisos à navegação; Sócrates sobe o tom…; Mais uma dor de cabeça para Sócrates…; Nepoqualquercoisa; Os ingleses e as legislativas portuguesas; Alguém o pode ajudar?; Novo episódio da novela Freeport….
Janeiro 29, 2009
Salvar empregos que se vêem destruindo empregos que não se vêem (e riqueza)
Bailing out the carmakers will take us back to the 1970s. Por Eamonn Butler.
Apart from the fact that it was too much cheap credit that got us into this mess in the first place, I wonder where the Business Secretary thinks this money is going to come from? The answer is that it will come from individuals, shops, cafes, hairdressers and other businesses that are already struggling to pay their council tax, national insurance, and business rates.
So they will be cutting back, making existing employees redundant, and not taking on new ones. It will be in ones and twos, so nobody will notice – as they would if a big car factory closed. But they will be thousands of ones and twos. Every pound that saves a job in carmaking (most of it in safe Labour areas, of course) is a pound that kills a job somewhere else.
Susan Solomon e os disparates do eco-alarmismo
Uma excelente análise e desmontagem da propaganda eco-alarmista e pseudo-científica que continua a prevalecer nos media: Terror Tactics. Por Afonso Azevedo Neves.
Quem é que lucra com estes disparates? A própria cientista nos diz que chegou agora à conclusão que estávamos a ver tudo mal, afinal não bastariam 100 anos ou 200 para a coisa normalizar se parássemos tudo agora, só que agora já tem a certeza de tudo, há uns meses imagino que também teria mas afinal estava enganada e por aí adiante.
O que temos aqui é o mesma e repetitiva falta de humildade perante a natureza e a enorme capacidade de renovação do planeta em que vivemos. No fim serão vertidos mais uns milhões para mais umas dezenas de organizações pseudo-ambientais que repetirão os mesmos passos já feitos, compilarão umas dezenas de milhares de páginas de magnificas conclusões. Provavelmente sobre a a iminência inequívoca e fatal de uma nova idade do gelo.
Por uma vez…
… recomendo o João Galamba, no Jugular: “Já cansa”:
A pose arrogante e as tiradas indignadas de Sócrates no parlamento são do pior que este governo nos tem dado. Desta vez, a desculpa foi o estudo da pseudo-OCDE, que levou Sócrates a responder à intervenção de Paulo Rangel com um ‘tão previsível’ e ‘os senhores não suportam o sucesso do país’. Esta sobranceria e o desrespeito por toda e qualquer crítica já cansam e têm de ser corrigidos. E deviam ser os seus apoiantes os primeiros a dizê-lo: Sócrates tem de deixar de desconversar —é isso que faz até à exaustão: desconversar — e tem de mostrar o mínimo de respeito para com as intervenções dos seus adversários. Neste caso da diz-que-é-uma-espécie-de-OCDE, a patranha é por demais evidente. Só não vê quem não quer (ou não pode). Que ao primeiro-ministro lhe custe admitir o óbvio, até se percebe — para mal dos portugueses, ele faz aquilo a que se convencionou chamar ‘luta política. Mas, acho eu, ainda existe uma diferença entre retórica parlamentar e pura desonestidade. E, sem meias palavras, o que se viu ontem foi claramente do segundo tipo. Sócrates tem de perceber que, quando age daquele modo, não está apenas a atacar os seus adversários; ele está a tratar todos os portugueses como se estes fossem idiotas.
Fugas
Convinha que nos entendêssemos sobre as tão invocadas “fugas de informação”: elas existem, se não nunca saberíamos nada destas coisas que, supostamente, estão em “segredo de justiça”. Não são feitas é pelos jornais, são feitas pela “justiça”. Os jornais são só o megafone, papel que não é pouco relevante. E isto não é nenhuma teoria da conspiração. É uma mera questão aritmética: juntar dois mais dois. Alguém dá informação secreta e alguém a publica.
Estou só a pensar alto…
Não me espantaria que o Presidente da República fosse demitir hoje o Primeiro-Ministro. Por várias razões (sobre as quais escreverei amanhã), acho que o deveria fazer. Mas não estou a dizer que o vai fazer (não sei se o vai fazer). Mas é um cenário que me parece plausível. Porque é que Sócrates faz uma conferência de imprensa com tanto dramatismo às 18h, e não em horário nobre? Porque é que Sócrates faz tanta questão em fazer a sua comunicação antes da sua reunião com o Presidente? E porque é que foi tão insistente em afirmar que “em democracia, só o voto” é que o pode tirar do poder?
Aquela cena da montanha e do rato
Para que é que serviu a tão esperada comunicação de José Sócrates?
A declaração de Sócrates
Sócrates voltou agora a defender-se acusando a comunicação social de fazer “fugas” direccionadas sobre o “caso Freeport”, com o intuito de “ferir a sua honra”. Voltou a fingir que ignora que o que está em causa não é uma “fuga” de algo que “não corresponde à realidade”, mas a existência de uma investigação da política britânica acerca da sua ligação ao “Caso Freeport”. Aliás, as fugas a que ele hoje fez referência limitam-se a dizer que há uma carta da política britânica a pedir para investigar as contas de Sócrates; Sócrates usa o comunicado da PGR para “provar” que estas fugas são calúnias; mas o próprio comunicado da PGR confirma que existe essa carta. Ou seja, foi Sócrates, e não a comunicação social com as suas “fugas”, quem deturpou deliberadamente os factos. O que é estranho, para alguém que tanto se queixa disso. Quanto à questão das fugas, repito o que disse no outro dia: as suas afirmações acerca desse assunto seriam suficientes para o demitir.
Non, ou a vã glória de mandar
Depois de dois dias desligado do mundo, em profundo mergulho laboral, vim à tona e descobri que o país político está em polvorosa. O PM está entaladinho, e decidiu “falar ao país”. Liguei a SIC Online, para ouvir as pretensas declarações bombásticas. 20 minutos depois, o gajo ainda não apareceu. Daaa-seeee. a SIC esteve 20 minutos a filmar uma lareira do Palácio de Belém, com um comentador monocórdico a falar, falar, falar, sem dizer nada. Manuel de Oliveira fez este ano 100 anos, mas que raio, não há outra forma de o homenagear? Ou será que já tem escola nos cameramen da SIC?
Sócrates e Cavaco
É quinta-feira e Sócrates vai a Belém falar com Cavaco: business as usual. Antes vai fazer uma declaração ao país seguindo o comunicado do PGR de hoje de tarde. Há algumas expectativas sobre o que dirá Sócrates. Acaso virá aí a demissão? E que terá Cavaco para lhe dizer após mentira sobre o “relatório da OCDE” e as evoluções do caso Freeport?
Só o mero facto de haver dúvidas quanto à continuidade de Sócrates à frente do governo, mostra a fragilidade do actual executivo. E mesmo que a declaração do Sócrates seja só para afirmar que está tudo bem no Freeport, já começam a ser declarações a mais.
Alta estratégia
Afinal, a estratégia de Manuela Ferreira Leite era alta estratégia: as eleições em Portugal não se ganham; os outros é que as perdem.
Inflação/Deflação
Há dias ouvia no Rádio Clube o Pedro Lains a alertar para a deflação que poderia vir aí e dos problema que ela provocaria. Essa questão dava pano para mangas – como por exemplo se definimos inflação/deflação como subidas e descidas de preços (olhando para CPIs e afins) ou como variações na massa monetária, ou se descidas de preços são assim tão más como dizem (não serão piores que a solução do Pedro Lains: imprimir dinheiro) – mas não quero ir muito longe.
Só queria apontar este “FAQ” no LewRockwell.com que demonstra o que é evidente: as recentes injecções de liquidez, descidas de taxa de juro e afins, provocarão uma imensa subida de preços quando chegarem à economia global.
Ler, já agora: On inflation, O pensamento único na Economia em Portugal.
