O Insurgente

Novembro 29, 2008

Como se transforma uma economia

Arquivar em: Economia — Carlos Guimarães Pinto @ 8:52 am

Um pouco por todo o Mundo pessoas que se preparavam para entrar na reforma, adiam os planos depois de se aperceberem que não estão tão financeiramente preparados como pensavam. Outros que já tinham entrado há pouco tempo, resolvem regressar ao mercado de trabalho. Nas empresas, os funcionários de colarinho branco, apercebendo-se dos cortes de custo em desenvolvimento, passam menos tempo junto à máquina de café, a enviar e-mail engraçados aos colegas e a escrever nos seus blogs pessoais. A procrastinação reduz-se. Os funcionários de colarinho azul, sabendo as dificuldades da empresa, passam a fazer um esforço extra na qualidade e quantidade do trabalho realizado. O pico do trânsito das cidades passa das 6 para as 7 da tarde. Aqueles que há muito hesitavam partir para um país onde as suas aptidões profissionais são mais valorizadas, acabam por o fazer. À saída das universidades, os recém-licenciados medianos deixam de ter acesso aos bons empregos que teriam 2 ou 3 anos atrás. Os colegas mais novos, apercebendo-se do facto fazem um esforço maior para subirem as suas médias. Aqueles prestes a entrar para a universidade tornam-se mais pragmáticos: mesmo que aquilo que gostam mesmo é de filosofia, sabem perfeitamente que o mundo precisa é de engenheiros informáticos. Autarquias voltam atrás nos seus planos para contruír um segundo pavilhão gimnodesportivo em cada freguesia, e apercebem-se que rotundas sem monumento também prestam um bom serviço na organização do trânsito. Desempregados sem alternativas montam pequenos negócios em nichos que ninguém pensava existir. Um pouco por todo o mundo, mentes brilhantes sem aptidões sociais para encontrar emprego em alturas de crise, acabam de gritar “Eureka!”: um deles acabou de conceber o produto que marcará o próximo ciclo económico.
O resultado desta crise económica: mais trabalho, mais empenho, mais criatividade, inovação e melhor alocação de recursos, ou seja, uma nova era de crescimento económico.

6 Comentários »

  1. O resultado desta crise económica: mais trabalho, mais empenho, mais criatividade, inovação e melhor alocação de recursos, ou seja………MAIS DO MESMO!
    Dentro de alguns anos teremos outra vez o mesmo ciclo de crise só que então de maiores dimensões.
    Ou mudam a filosofia e os valores da sociedade ou, a prazo, estamos todos mortos.

    Comentário por Joca — Novembro 29, 2008 @ 9:38 am

  2. Mais trabalho mas com lucros mal distribuídos, vai dar tudo ao mesmo, só se acaba com a crise para meia-dúzia.

    Comentário por Vítor — Novembro 29, 2008 @ 7:59 pm

  3. “Nas empresas, os funcionários de colarinho branco, apercebendo-se dos cortes de custo em desenvolvimento, passam menos tempo junto à máquina de café, a enviar e-mail engraçados aos colegas e a escrever nos seus blogs pessoais. A procrastinação reduz-se.”

    Penso que a parte boldada só acontecerá se existirem razões para crer que essa diferença de comportamento é visível para terceiros (já agora, mesmo que tal aconteça, não se estarão a perder aí algumas eventuais externalidades positivas?).

    Comentário por Miguel Madeira — Novembro 30, 2008 @ 12:26 am

  4. “À saída das universidades, os recém-licenciados medianos deixam de ter acesso aos bons empregos que teriam 2 ou 3 anos atrás. Os colegas mais novos, apercebendo-se do facto fazem um esforço maior para subirem as suas médias.”

    Não é obrigatório que tal seja positivo - se aceitarmos a chamada “teoria do sinal” (eu não concordo, mas há quem acredite nela), um esforço geral dos alunos para subir as notas pode ser considerado como negativo em termos de efeito sobre o bem-estar geral (já que diminui a utilidade dos alunos sem trazer benefícios significativos em termos globais).

    Comentário por Miguel Madeira — Novembro 30, 2008 @ 12:34 am

  5. Gostei desta descrição porque a vi como uma tendência natural e a uma realidade que já se desenha à nossa volta, com a condição nº 1: se o Estado não atrapalhar.
    Se o Estado se mantiver a inchar e a liofilizar energias e dinheiro dos contribuintes, o cenário será outro: os que ficarem no país, ou se encostam e dependem da máquina estatal ou vivem totalmente absorvidos na simples tarefa de sobrevivência.
    Pelo menos, é o que parece estar a acntecer… Cumprimentos. Ana

    Comentário por Ana Silva Fernandes — Dezembro 1, 2008 @ 1:01 pm

  6. há uma solução mais facil, deixar de fumar.

    Comentário por Cam — Dezembro 2, 2008 @ 9:33 am

Feed RSS para comentários a este post. TrackBack URI

Publicar um comentário

Blog em WordPress.com.