A bicicleta, em Lisboa, só pode ser um meio de recreio, como é óbvio, caralhos ma’fodam (eu daqui a pouco passo-me da cremalheira, estou já a avisar). Como instrumento de lazer, faz todo o sentido, por exemplo, duas ou três ciclovias, que atravessem a cidade (pelo afamado corredor verde – onde é que ele anda, por falar nisso?), mas hipotecar a já pouca largura da maior parte das nossas ruas a um capricho ecológico ridículo é um desrespeito para quem ainda tem uma cidade tão mal preparada para fazer circular com a prioridade e conforto necessarios a merda de um autocarro. Se quisermos ser ecológicos com um mínimo de realismo, Lisboa será uma cidade para a vespa, para os motociclos de pequena cilindrada. O que é que impede as pessoas de andar de vespa? Se nem essa solução, perfeitamente racional (e contra a qual nenhum obstáculo se levanta, a não ser os carris desactivados dos eléctricos que ainda povoam tantas das nossas ruas, e que tanta desgraça já devem ter provocado), ainda pegou, o que é que se pretende ao propôr uma rede de ciclovias quando os únicos que se lembraram de andar diariamente de bicicleta por Lisboa são pessoas com problemas mentais, como aquele maluco que fez “uma experiência científica” de um mês e que depois gritou, com a mesma emoção com que o Neil chegou à Lua, “é possível”? É possivel… claro que é possivel, olha o caralho, tudo é possivel; é disso, essencialmente, que eu tenho medo: que o razoável perda para o que é possivel.
Vale a pena ler o resto de Lua, n’A Causa Foi Modificada de maradona.
[...] postas do maradona têm suscitado o notório agradado de meia blogosfera. Compreende-se. A ideia de que é impossível usar a bicicleta como meio de transporte [...]
Pingback por Arrastão: Sol — Novembro 22, 2008 @ 23:04
o texto é um monte de disparates, alarvidades e preconceitos. quanto à estética, de facto podes-se escrever as maiores parvoíces sem prejudicar o estilo…
de repente malta tão liberal nos costumes decide que em lisboa não é bom/prático/razoável andar de bicicleta e vai daí quer impedir que haja uma concessão que explore o aluguer de bicletas… haja paciência! ninguém é obrigado a andar!
Comentário por ze — Novembro 23, 2008 @ 16:42
haja paciência! ninguém é obrigado a andar!
Se ninguém é obrigado a andar (donde se conclui que andar não é fundamental para uma boa vida), porque é que todos são obrigados a pagar?
Comentário por Michael Seufert — Novembro 23, 2008 @ 22:12
“porque é que todos são obrigados a pagar?”
Caro Nichael, porque faz bem. por causa do be(m), comum e fica bem na agenda. A bicla e a eutanásia.
Comentário por ruicarmo — Novembro 24, 2008 @ 08:13
Esqueci-me do be(m) comum.
Naturalmente que é um argumento de peso…
Comentário por Michael Seufert — Novembro 24, 2008 @ 10:51
[...] sempre em Lagos, vigiada pelos meus avós. Mesmo na altura, nunca me aventurei a pedalar em Lisboa. Se há coisinha boa que ame é a vida em geral e a minha em particular. De qualquer forma, abro uma excepção que implica meia blogosfera e nomeadamente o Pedro Sales [...]
Pingback por Fazer as contas (montados) em biclas II « O Insurgente — Novembro 26, 2008 @ 08:14