Do Boletim Económico do Banco de Portugal – Outono 2008
Durante a última década têm-se acentuado o aumento do peso dos contratos a termo, principalmente na população jovem. Segundo o BdP “Acentuou-se assim a segmentação do mercado de trabalho, que se verifica de forma consistente desde 1995, e que resulta fundamentalmente dos efeitos da legislação de protecção ao emprego na rotação dos trabalhadores. Esta segmentação é uma resposta do mercado de trabalho à rigidez imposta pelos contratos sem termo, e resulta numa afectação ineficiente de trabalhadores, dado que altera as decisões de acumulação de capital humano quer dos trabalhadores, quer das empresas”.
“o aumento do emprego no primeiro semestre de 2008 resultou essencialmente do aumento de 3.4 por cento do emprego nos serviços (…). Dentro deste sector, o emprego na administração pública, educação e saúde, que inclui nestes dois últimos sub-sectores trabalhadores do sector privado, aumentou 1.2 por cento, evolução que parece pouco consistente com a informação obtida a partir de outras fontes, incluindo o comportamento das despesas com o pessoal nas administrações públicas (…).
“Mantém-se (…) a (…) tendência de aumento do peso do desemprego de longa duração no total do desemprego ao longo dos últimos anos. [de 37.1% em 2002 para 51.1% no 1º semestre de 2008) (…) A duração média do desemprego aumentou, de 22 meses no primeiro semestre de 2007 para 23.1 meses em igual período de 2008, o valor mais elevado dos últimos 10 anos e con sistente com a tendência de aumento do peso do desemprego de longa duração. Assim, num contexto de diminuição da taxa de desemprego, verifica-se que a generosidade do regime de subsídio de desemprego, que contempla uma elevada cobertura financeira e uma duração potencialmente elevada das prestações, continua a contribuir para um nível elevado de desemprego de longa duração.”
O que há de diferente em termos de legislação laboral para que seja essa a razão? Bela bosta de relatório…
Comentário por Tonibler — Novembro 19, 2008 @ 10:16
“Bela bosta de relatório…”
Tonibler, queira esclarecer melhor a sua “argumentação”!
Comentário por BZ — Novembro 19, 2008 @ 12:26
BZ,
Se digo que tenho um máximo por uma razão, convém que a razão também tenha tido um máximo. Ora se a razão evocada não sofreu alterações…Mais atrás falam de desfasamento da taxa de desemprego com o crescimento económico, mas ao contrário, em Portugal a taxa de desemprego antecede o crescimento e não o contrário e, depois, a quantidade de coisas que não “parecem consistentes” é admirável. Se calhar, se deixassem de tirar as conclusões antes dos dados, veriam que a coisa sairia melhor. Ou se calhar foi um miúdo que fez isto…
Comentário por Tonibler — Novembro 19, 2008 @ 13:22
Uma pessoa que ganhe por exemplo 10.000€ por mês, recebe no máximo 3 SMN de subsídio (cerca de 1.200€), logo terá efectivamente incentivo para voltar a procurar emprego – de preferência, dentro do anterior regime salarial.
Agora uma pessoa que ganhe 450-500€ por mês, é natural que não tenha tanto incentivo…
Sem querer pôr em causa a justeza das afirmações do BP, vindo de quem vem, estas palavras são um pouco… engraçadas.
Comentário por Pedro Gomes — Novembro 19, 2008 @ 18:28