Bush não me inspirou simpatia quando se candidatou em 2004. Já eleito, Bush fartou-se de fazer asneiras. Agora, nem tudo é mau, como o João Galamba quer fazer ver.
Por exemplo, a acção da US AID em África é, localmente, considerada um sucesso (como aliás, no último Prós & Contras um simpatizante de Obama, cabo-verdiano, frisou com justiça). A fonte citada é a mesma - Washington Post – que o João Galamba utiliza no seu post.
Em qualquer caso, “Bush já era”; chegou a hora da esquerda viver sem a muleta bushista, e começar a argumentar sem os clichés do costume. Admito que não seja fácil, depois de oito anos de facilidades. Agora, “the show must go on”, e os tempos são de Obama, e não de Bush, que se prepara para regressar ao Texas.
Caro RAF,
A política africana da administração Bush, especialmente nesta segunda parte do seu segundo mandato, tem sido efectivamente bastante bem conduzida, para além de parecer eficaz. Aliás, o senhor está bastante bem cotado em termos de popularidade nos países africanos (da chamada África Subsariana, entenda-se!).
A administração Bush FOI bastante desastadra, em parte porque não existiu maleabilidade suficiente para mudar o programa (após o 11 de Setembro) – o que resultou em acções / respostas “estranhas”, e depois apareceu o atoleiro do Iraque (que ainda vamos a saber de ONDE isso veio e quem tinha interessses – voto no Cheney) e Guantánamo (vergonhoso sobre qualquer perspectiva) que acabou por ofuscar algum bom trabalho que foi feito. Bush NÃO mereceu a reeleição em 2004, que conseguiu com golpes sujos e baixos contra uma pessoa que, tenha os defeitos que tiver, não merecia ataques do nível dos Swift Boat Veterans.
Esta última parte do mandato terá sido uma tentativa de redenção, para alguém que acabou de certa forma sozinho. Não me parece que tenha sido o pior presidente americano dadas as circunstâncias, mesmo nos tempos mais recentes. O Jimmy Carter foi BEM pior e tinha uma situação mundial mais fácil.
Comentário por Carlos Duare — Novembro 9, 2008 @ 22:08
Em que é que as virtudes da US Aid podem ser diretamente atribuídas à atuação do presidente?
Eu diria que a US Aid atua, eficaz ou ineficazmente, em função dos seus dirigentes específicos, e em função do dinheiro de que dispõe. O presidente pouco terá a ver com a atuação da US Aid.
Calculo eu.
Comentário por Luís Lavoura — Novembro 10, 2008 @ 09:24
Lavoura,
Como sempre, calculas mal.
É o que dá contrariar tudo o que por aqui se diz. No dia em que concordares com alguma coisa, eu lenço o Prémio Lavoura.
Coube a esta administração, ainda em funções, duas decisões cruciais: fazer depender a ajuda de práticas de boa governação, e diminuir as ajudas indirectas por intermédio de ONG’s de carácter duvidoso. Ao mesmo tempo, trplicou o montante da ajuda.
O sucesso está à vista, e só por má fé se pode negar o que de bom foi feito.
Comentário por RAF — Novembro 10, 2008 @ 11:52
Bush acertou muito mais coisas do que errou e muito da percepção do que erro deve-se ao facto de 2000-2008 terem sido mais do que 8 anos habituais, eu posso catalogar os erros de Churchill na Segunda Guerra Mundial e foram talvez umas 10 vezes pior que Bush, Churchill teve de decidir mais logo fez mais erros e ainda assim talvez tenha feito mais asneiras proporcionalmente. O Iraque não é um atoleiro, permitiu eliminar Saddam esse sim um atoleiro desde há 20 anos e matar uma data de combatantes da al-Qaeda outro atoleiro de há 10 anos, Guantanamo existe porque há guerra e a guerra tem prisioneiros, olha que descoberta! E não esquecer Bagram e outras prisões ou só conta Guantanamo? Como eu digo vocês são todos uns narcisistas…e os programas da ajuda contra a malária e outros começaram a preparar-se antes do segundo mandato…
Geldof and Bush: Diary From the Road
http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1717934,00.html
Unpopular at home, Bush basks in African praise.
http://www.reuters.com/article/politicsNews/idUSL17797120080217?feedType=RSS&feedName=politicsNews&rpc=22&sp=true
Comentário por lucklucky — Novembro 10, 2008 @ 12:23
RAF, já por muitas e diversas vezes postei neste blogue comentários a concordar com, e a aplaudir, posts.
Inclusivé, tenho quase a certeza, comentários elogiosos a posts teus.
E espero voltar a ter ocasião de o fazer no futuro.
Comentário por Luís Lavoura — Novembro 10, 2008 @ 14:25
“Bush acertou muito mais coisas do que errou e muito da percepção do que erro deve-se ao facto de 2000-2008 terem sido mais do que 8 anos habituais…”
Caro lucklucky
Não se canse, não vale a pena, é deitar pérolas a porcos.
G.W.Bush será devidamente reconhecido pela História, como o foi Reagan e Tatcher.
A vantagem de ter quase 50 anos é saber que os jornalistas não fazem história e como vi num filme que agora não me recordo qual (Nothing Hill(?)) – os jornais de hoje servem para forrar o caixote do lixo de amanhã.
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Comentário por Mentat — Novembro 10, 2008 @ 17:34
“O Iraque não é um atoleiro, permitiu eliminar Saddam esse sim um atoleiro desde há 20 anos e matar uma data de combatentes da al-Qaeda outro atoleiro de há 10 anos…”
Para além de ter permitido deslocar o cenário da Guerra para uma posição em que os EUA podiam ter superioridade devido ao tipo de forças armadas que tinham.
Enquanto a Al-Qaeda se desgastou no Iraque, as Forças Armadas dos EUA foram-se alterando radicalmente e ganhando experiência em guerra assimétrica.
Mesmo se o Obama fizer a tolice de retirar de qualquer maneira do Iraque (que não vai fazer), o Iraque já nunca voltará atrás.
E no mundo árabe haverá pelo menos um Estado +/- democrático.
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Comentário por Mentat — Novembro 10, 2008 @ 17:45