
Detroit, outrora “sede” da vigorosa indústria automóvel americana, é hoje um símbolo daquele que será um dos grandes desafios de uma futura presidência Obama. Detroit assistiu ao começo da crise do “sub-prime”: os desempregados da cidade deixaram de poder pagar os empréstimos que haviam contraído, de tal maneira que a sobreavaliação daqueles bens se tornou notória para todos, alastrando a todo o sistema financeiro. Foi a esses desempregados, aos “órfãos” da indústria automóvel de Detroit, das fábricas do Ohio, do porto de Baltimore, das cidades e estados americanos cujas actividades económicas tradicionais foram “vencidas” pela globalização, que Obama procurou atrair com o seu discurso proteccionista, com o sucesso que está à vista.
Resta agora ver que sucesso terá essa política, uma vez posta em prática. Que melhorias trará Obama à vida dos americanos, através do aumento dos preços dos produtos que estes quererão consumir? Que melhorias trará Obama à vida dos americanos, através da manutenção artificial de actividades económicas que oferecem um serviço menos desejado que as suas concorrentes estrangeiros? Já agora que melhorias trará Obama, salvador do mundo, às populações de Àfrica ou da Àsia, bloqueando o acesso destas ao mercado americano, ou seja restringindo as oportunidades de negócio e enriquecimento delas? E como irá Obama atrair para uma economia dependente do dinheiro estrangeiro (e com o bailout, ainda mais necessitada dele do que já estava) esse capital de que ela tanto necessita, com uma política proteccionista?
Claro que se pode sempre dizer que esses foram excessos de campanha, que o “realismo” e o “pragmatismo” de Obama rapidamente o farão abandonar. A conversa de um representante de Obama com um embaixador canadiano, em que foi dito a este último que Obama não iria, ao contrário do que prometera na campanha, rever a acordo do NAFTA, até parece confirmar esta ideia. Mas isto apenas significa o descrédito de Obama, e mais, o descrédito da actividade política. Se a escolha que Obama tiver de fazer, enquanto presidente, for entre as consequências de uma política errada, por um lado, e o incumprimento das suas promessas, por outro, a sua eleição, por muito importante que seja o seu significado simbólico (que é), não será uma boa notícia.
[...] pagar) ao mais rico (que lucrou com os seus investimentos). Quando um deles começou a ter azar (quando os pobres de Detroit deixaram de poder pagar as prestações da sua casa), todos perderam muito: bancos começaram a falir, e a crise foi-se alastrando pelo mundo [...]
Pingback por Viver no Extremistão « O Insurgente — Maio 11, 2009 @ 19:38