Luís Rainha escreveu, a propósito deste oportuno post da Helena Matos, que não há nenhum mal nos vídeos que apareceram sobre as “formações” do Magalhães (conferir aqui outros).
Das duas uma: ou o LR não percebeu o que está a ver, ou está, com todo direito, a contribuir para o fim deste estaminé a que chamamos Portugal.
Vale portanto a pena contextualizar: Salvo algum vídeo, mais oportunista, pós-produzido estamos a assistir a vídeos produzidos no contgexto duma “formação” para professores aprenderem a usar o Magalhães. O Paulo Carvalho, que esteve presente, descreve:
Isto em si é deplorável? Não. Nada mais natural para uma sessão de vendas, que pôr as pessoas a criar jingles promocionais. Mas, o leitor recordar-se-à, não é de uma sessão de vendas que falamos. É duma acção de formação. Uma formação, pelo que se percebe, compulsiva, para que os docente possam replicar as maravilhas que aprendem junto dos miúdos (Estou a ver a cena: o professor a fazer cantigas e teatros na aula sobre o Magalhães, para a miudagem ficar com mais uma razão para não querer ficar de fora).
Recapitulando: numa acção de formação para a qual os professores são convocados, passa-se uma tarde a compôr canções com um aspecto “bem-disposto e folgazão“ ridículo e triste, para poder ganhar um Magalhães. A carneirada em que se transformaram os professores, em vez de mandar as delegadas de propaganda aonde elas mereciam, entraram no joguete afim de juntar um portátil às pens que já tinham levado – os que chegaram a tempo.
Parece-me razões mais que suficientes para lamentar “o que está a acontecer”. Porque o que está a acontecer é a sujeição do país a uma gigantesca máquina de propaganda, que estupidifica e arrebanha os portugueses. E ninguém se parece incomodar muito.
Por estas e por outras razões, Portugal continua a não esta recomendável.
ADENDA: Publiquei este post por engano, antes de estar terminado, as minhas desculpas. Se está a ler estas linhas, é porque já está a ver o post completo.
A estupefaçao com que vi os jingles foi tamanha que qualquer ser com afinidades com o ser humano se interroga inexoravelemnte “Que merda é esta?” até ao fim da peça. Peço desculpa pela linguagem. Nao quero professores destes a ensinar filhos meus.
Comentário por B.D. — Outubro 18, 2008 @ 14:11
“Num país normal, nada disto seria notícia; contudo, num país onde, por um lado, existe uma Comunicação Social ávida de «homens a morder cães» e um povo como que amedrontado de emitir opiniões públicas, isto tomou proporções absurdas”. Concordo com o citado Pedro de Carvalho: mais uma tempestade em copo de água.
E, pegando num comentário ao tal blogue: «Uma acção de formação deve ter uma dinâmica própria e dificilmente poderá ser entendida por quem não pertence ao grupo. O facto de nos parecer ridículo não quer dizer que, no contexto da acção, o seja.»
Comentário por Luis Rainha — Outubro 18, 2008 @ 16:26
A frase anterior entre aspas é de Paulo Carvalho (moi mème) e não de Pedro Carvalho.
Cumprimentos
Comentário por pjrcarvalho70 — Outubro 18, 2008 @ 17:30
«Dêem-me uma frase de quem quer que seja e eu encarrego-me de o fazer guilhotinar»
Prisões de Abril
Comentário por ze — Outubro 18, 2008 @ 20:07