O Insurgente

Outubro 3, 2008

Ainda o “Lisboagate”

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:04

José Pacheco Pereira

O caso actual foi claramente o resultado de manobras eleitorais e tinha como alvo o PSD, e acabou, como sempre acontece, por rebentar nas mãos do PS, envolvendo uma actual vereadora. Também como é habitual, agora toda a gente quer moralizar a atribuição de casas, torna-la “transparente”, regulamentar burocraticamente o sistema de atribuição, batendo com a mão no peito como se não soubessem o que se passava. Depois o escândalo deixará de ser novidade, e os favores migrarão para outra área qualquer, porque nunca será possível regulamentar tudo, nem sequer vantajoso, e os favores e as cunhas são de cima a baixo o lubrificante dos sectores intermédios das estruturas partidárias, principalmente no poder autárquico.

9 Comentários »

  1. “nunca será possível regulamentar tudo, nem sequer vantajoso, e os favores e as cunhas são de cima a baixo o lubrificante dos sectores intermédios das estruturas partidárias, principalmente no poder autárquico”

    Portanto: Pacheco Pereira acha útil (“vantajoso”) que o sistema autárquico esteja bem “lubrificado” por “favores e cunhas”.

    Muito giro. Nunca tinha ouvido ninguém fazer assim uma defesa desassombrada, corajosa e frontal do sistema de “favores e cunhas” como “lubrificante”.

    Suponho que Pacheco Pereira também considere vantajoso que toda a economia nacional seja “lubrificada” dessa mesma forma.

    Comentário por Luís Lavoura — Outubro 3, 2008 @ 11:15

  2. Luís Lavoura, a constatação não é nova mas, você tem um certo problema com a intepretação de textos.

    Comentário por Miguel — Outubro 3, 2008 @ 11:28

  3. Miguel, eu é que acho que você tem um certo problema comigo. Embora eu não perceba de onde provem tal problema.

    Em que é que a minha interpretação deste texto de JPP está errada?

    Comentário por Luís Lavoura — Outubro 3, 2008 @ 11:38

  4. Mas alguma coisa tem de ser feita, as histórias vindas a lume no Expresso (aqui, toda a cautela é pouca)são demasiadas escandalosas, e o sentimento de impunidade manifestado por alguns dos visados raia o absurdo. A título de exemplo:

    “O director do Departamento de Apoio aos Órgãos Municipais, que integra a presidência da Câmara de Lisboa, recebeu há 19 anos uma casa cedida pelo então autarca Krus Abecassis. Há sete anos que não vive lá. Esteve mais de um ano sem pagar os 95 euros mensais de renda pelo apartamento T1 em Telheiras e, por isso, o executivo camarário chamou-lhe a atenção. Em carta ao então presidente da Câmara, Santana Lopes, pediu desculpas pessoais, confessou “a dívida” e o “constrangimento” pela situação e colocou o lugar à disposição.

    A demissão foi aceite. Mas a casa não foi devolvida. Hoje, José Bastos é de novo director daquele departamento e na casa da Câmara mora agora o seu filho. O director tem razões para achar que não está a abusar, tanto mais que, no andar de cima, também mora o filho de uma outra dirigente da Câmara. Isabel Soares, actual membro da equipa do número dois da autarquia lisboeta, Marcos Perestrello, recebeu uma casa de ‘renda técnica’ há 18 anos. Há cerca de quatro anos pediu a opção de compra do apartamento por 10 mil euros. A então vereadora da Habitação, Helena Lopes da Costa, analisou o processo, classificou-o de “escandaloso” e recusou. Ao DN, Isabel Soares assume que o filho “está lá à luz do que é permitido”.

    [...]

    “Director tem casa a €95 por mês”

    “É um T1 em Telheiras num prédio construído há 20 anos. José Bastos era funcionário da tipografia da Câmara, estava a passar por um divórcio, tinha um filho a cargo e Krus Abecassis atribuiu-lhe a casa. Dezoito anos depois, Bastos é director do departamento de apoio da Câmara. Casou outra vez, comprou outra casa e mantém a de Telheiras. “O meu filho é que mora lá. Não tenho dinheiro para lhe comprar uma casa nova”, justifica o responsável. Paga 95 euros por mês e não acha que esteja a abusar: “Já paguei imensas obras, tive uma inundação e não considero a situação abusiva”. Além disso, “é a minha casa de reserva”. “Se amanhã tiver de me separar outra vez, para onde vou?” A vizinha de cima é Isabel Soares, chefe de gabinete do número dois da Câmara.”

    In Expresso http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/412879

    Comentário por Luís Marvão — Outubro 3, 2008 @ 11:39

  5. “Miguel, eu é que acho que você tem um certo problema comigo. Embora eu não perceba de onde provem tal problema.”

    Problema?! Não. Confesso que a leitura dos seus comentários proporciona-me momentos extremamente divertidos.

    “Em que é que a minha interpretação deste texto de JPP está errada?”

    JPP está a explicar porque razão os autarcas nunca irão criar mecanismosque tornem impossível a repetição destes casos. Não está a avalizá-los.

    Comentário por Miguel — Outubro 3, 2008 @ 11:48

  6. Não Miguel. JPP escreve explicitamente que “nunca será vantajoso regulamentar tudo”, ou seja, ela diz que é contra a tentativa de eliminação total destes mecanismos. Portanto, JPP está a avalizar estes mecanismos como sendo úteis para, como ele diz, “lubrificar” o sistema partidário.

    Não vejo mesmo outra forma de interpretar as palavras dele.

    Se ele não tivesse escrito as palavras “nem sequer vantajoso”, e se tivesse não utilizado a palavra com conotação positiva “lubrificar”, então eu poderia interpretar JPP de outra forma.

    Comentário por Luís Lavoura — Outubro 3, 2008 @ 12:58

  7. Não se consuma mais com estas questões. Vá almoçar que já são horas.

    Comentário por Miguel — Outubro 3, 2008 @ 13:05

  8. Ó Luís, francamente…
    O JPP diz claramente: este escândalo rebentou. Logo vão tratar de fazer transparecer que não se volta a repetir porque tudo se resolveu. Como não é possível regulamentar tudo, os abustres vão comer para outros pastos. Continua o esquema, tranquilo, com partidos e amigos contentes e o povo ignorante.

    JPP só não diz, mas podemos admitir, que a solução é tirar poder aos políticos.

    Comentário por Michael Seufert — Outubro 3, 2008 @ 13:22

  9. Perante a impossibilidade de tudo se regular no estado mas face à realidade de se poder diminuir a área de influência do estado, a escolha é óbvia. Quanto menos estado tivermos menos disto acontece.

    Comentário por Jorge — Outubro 3, 2008 @ 15:54


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