O Insurgente

Setembro 24, 2008

Dá que pensar. Sobretudo porque a Spanair faz parte da Star Alliance

Arquivado em: Comentário, Economia, Internacional, Media, Portugal — André Azevedo Alves @ 01:44

Luís Nazaré, no Jornal de Negócios (via):

Há um bom par de anos, um director-geral da Comissão Europeia confessava-me estar profundamente apreensivo com a acelerada desregulamentação do transporte aéreo de passageiros. Segundo ele, a profusão de novos operadores e de modalidades low-cost iria fatalmente reflectir-se na qualidade dos serviços e, em especial, na fiabilidade das aeronaves. A sua profecia ia mais longe – o número crescente de desastres de aviação iria, mais tarde ou mais cedo, obrigar a Europa a alterar as regras de funcionamento do mercado.

Espero não ter de vir a partilhar o pessimismo desse meu amigo francês, mas as circunstâncias da queda do avião da Spanair em Madrid e as anomalias técnicas verificadas noutros voos, a par da actual guerra de preços entre as transportadoras – que os consumidores, por ora, agradecem –, fazem temer novos dissabores. Segundo a informação disponível, o acidente de Barajas deveu-se, não a uma, mas a duas falhas técnicas independentes (um elemento da asa que falhou e um sistema de alerta que não funcionou), algo de raro nas estatísticas relativas às causas de desastres. Dá que pensar. Sobretudo com bilhetes a um euro.

A Spanair é uma companhia subsidiária da Scandinavia Airlines System (SAS) e que faz parte, tal como a TAP, da Star Alliance. Mas isso agora não interessa nada.

7 Comentários »

  1. alguém explique a esse atrasado mental que nem todos temos dinheiro para viajar em “executive”. E misturar spanair e low-cost na mesma frase é uma palhaçada.

    Comentário por Abutre — Setembro 24, 2008 @ 02:02

  2. A regulamentação de segurança mantém-se na mesma (alguém anda a confundir desregulamentação comercial com desregulamentação de segurança), não se observou nenhum ” número crescente de desastres de aviação”, o avião em causa tinha 15 anos (o que é normal em qualquer companhia) e a SpanAir não é propriamente uma Low Cost.

    Comentário por JoaoMiranda — Setembro 24, 2008 @ 07:56

  3. Quer este post dizer que o AAA também partilha da preocupação com a desregulamentação do transporte aéreo?

    Ou é apenas motivado pelo desejo de amochar a TAP, seja lá de que forma fôr?

    Comentário por Luís Lavoura — Setembro 24, 2008 @ 09:48

  4. “Segundo a informação disponível, o acidente de Barajas deveu-se, não a uma, mas a duas falhas técnicas independentes (um elemento da asa que falhou e um sistema de alerta que não funcionou)”

    Isto, ao que sei, não é verdadeiro. Pela informação que tenho lido (entre outras: WSJ), o acidente ficou-se a dever a um erro humano (flaps não abertos na posição de descolagem, e não feitura da takeoff checklist pelos pilotos), conjugado com uma falha técnica (o alarme relativo ao avião não estar na configuração de descolagem não soou).

    Ao que julgo saber, a informação antecipadamente divulgada antes da conclusão do inquérito da existência desse erro humano dos pilotos motivou até a saída intempestiva do representante dos pilotos da comissão de inquérito.

    Comentário por João Luís Pinto — Setembro 24, 2008 @ 10:30

  5. JLP,

    pelo que ouvi na televisão, a “não feitura de takeoff checklist” por parte dos pilotos não foi uma “falha humana” dos pilotos, mas sim o resultado de instruções nesse sentido por parte da Spanair. Ou seja, a Spanair ordenou aos seus pilotos que verificassem isto e aquilo antes do takeoff, mas não lhes ordenou que testassem o sistema de alarme.

    Ou seja, há uma “falha institucional” da Spanair.

    Outra coisa: o facto de os flaps não estarem levantados na altura da descolagem não é necessariamente resultado de “falha humana” dos pilotos – aliás, custa-me imenso a crer que pilotos experimentados façam um erro infantil como não levantar os flaps na altura da descolagem, uma vez que qualquer piloto sabe perfeitamente que é preciso levantar os flaps para o avião descolar. É mais provavelmente (na minha humilde opinião) o resultado de uma falha técnica, ou seja, os pilotos acionaram o comando para fazer os flaps levantar, mas eles não se levantaram.

    Comentário por Luís Lavoura — Setembro 24, 2008 @ 11:05

  6. “pelo que ouvi na televisão, a “não feitura de takeoff checklist” por parte dos pilotos não foi uma “falha humana” dos pilotos, mas sim o resultado de instruções nesse sentido por parte da Spanair.”

    O que eu ouvi foi que a Spanair teria desligado sim um alarme, mas de excesso de temperatura na turbina, na altura em que ainda se discutia um eventual sobreaquecimento desta como causa do acidente, uma vez que esse aviso invalidaria durante a checklist (observando os procedimentos) a descolagem.

    “aliás, custa-me imenso a crer que pilotos experimentados façam um erro infantil como não levantar os flaps na altura da descolagem, uma vez que qualquer piloto sabe perfeitamente que é preciso levantar os flaps para o avião descolar”

    Erros acontecem

    A verificação do “anti-ice” consta da checklist. A caixa negra relatou os pilotos a seguirem-na e a confirmarem que estava desligado quando deveria pela checklist estar ligado. Isto depois de estar várias horas com o avião debaixo de neve e frio record, e de já ter sido “descongelado”.

    Já o puro e simples saltar da checklist neste caso parece-me espantoso.

    “É mais provavelmente (na minha humilde opinião) o resultado de uma falha técnica, ou seja, os pilotos acionaram o comando para fazer os flaps levantar, mas eles não se levantaram.”

    Tenho grandes dúvidas em relação a isso. Não estamos a falar de um avião com “glass cockpit”, mas sim de um avião relativamente antigo em que uma falha dessas nas avionics não passaria despercebida quer na caixa negra, quer provavelmente por se repercutir em outras falhas.

    Comentário por João Luís Pinto — Setembro 24, 2008 @ 11:25

  7. “Quer este post dizer que o AAA também partilha da preocupação com a desregulamentação do transporte aéreo?”

    Quer esse comentário dizer que o LL não percebeu o post?

    Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 24, 2008 @ 13:55


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