Daniel,
Eu aceito ler o Rui Tavares e os teus textos nos blogues, de graça. Por exemplo, já não me animo a comprar o Expresso para ter ler, prefiro canalizar o meu dinheirinho para outro tipo de publicações ou gastos.
Por uma questão de economia processual, vou ser sintético: enganas-te em toda a linha sobre a forma como eu concebo os media. Como já o disse – mas se não leste, repito – o que eu gostava – e acho que ainda posso aspirar a isso - como humilde e anónimo e irrelevante leitor, é que em Portugal os jornais tivesse uma arrumação – e já agora, qualidade – semelhante, v.g. a Espanha, onde todos os quadrantes políticos têm meios de comunicação forte: La Razón, El Mundo, ABC, El País, Cinco Días, Publico, par além da imprensa regional e económica. O leitor sabe o que compra, não tendo a desagradável sensação que é pagar do seu bolso uma moedinha para caucionar insultos (como os que o Rui Tavares lança ontem no público, ao Alberto Gonçalves e ao António Borges e, no fundo, aos leitores que se revêm no que eles disseram; nenhum leitor, e acho que isso não tem nada a ver com pluralismo, gosta de abrir o jornal, que pagou, para ser comparado a um retrógado medieval que vê virtudes na peste negra, entre outras considerações que podem ser normais num clube de amigos do Bloco, ou até num blogue, mas que caem mal num jornal diário supostamente de qualidade). Em Espanha há espaço para todos, os grupos editoriais vendem milhões de jornais, e nunca encontrei – leio imensos jornais espanhóis, neste momento, mais até do que jornais portugueses – com dignidade de última página, textos deste calibre, que agora querem cobrir numa suposta defesa do espaço ideológico. Dá gosto ler o El Mundo, o El País (onde muitos colunistas escrevem numa linha de que discordo inteiramente) ou o ABC. Também não percebo como é que um grupo económico como a SONAE, cujos responsáveis passam a vida a queixar-se que em Portugal há um enorme imobilismo, que a mentalidade está enviesada, que isso dificulta os seus projectos empresariais, depois gasta recursos num jornal que patrocina uma agendas pessoais como a que subjaz a este artigo, ainda por cima quando se sabe, como se sabe, que o retorno do Público é muito inferior aos danos causados na deformação da opinião em Portugal de faltas de nível como esta. Obviamente a SONAE faz o que quer com o seu dinheiro, agora eu, enquanto leitor, reservo-me ao direito de dizer o que penso, ainda por cima porquanto a SONAE tem várias empresas cotadas, abertas ao público e aos investidores.
Tudo o que escreves, embora uses o meu nome e sigla, não tem nada a ver comigo, são fantasmas que constróis para justificar vários parágrafos de prosa.
Entretanto, podem berrar à vontade nas caixas de comentários, vestirem-me de Torquemada, fazer desenhos, oferecem-me valiums, pôr na minha pena ideias que não escrevi, pode o colunista policiar-me, tudo isso me é indiferente. Agora, não posso deixar de vos agradecer a oportunidade que me dão de amplificar o que foi um mero desabafo de leitor, tornando algo que numa situação normal desaparecia no rolo de papel aqui do Insurgente, num assunto central de discussão e debate. Obrigadinho, pás.
Está muito bem o que o RAF argumenta, mas, tal como ele compreende, o mercado espanhol é muito maior, tanto em número de leitores como em poder económico de cada leitor, do que o português. Portanto, é normal que o mercado espanhol sustente um jornal para o gosto político de cada leitor, enquanto que o mercado português não sustenta tal coisa.
Se a SONAE fizesse como o RAF defende, e eliminasse colunistas como o Rui Tavares, provavelmente perderia muitos leitores (a mim já me perdeu, por exemplo, que dantes comprava o PÚBLICO aos fins-de-semana e há uns tempos deixei de o comprar) e o seu jornal perderia viabilidade, porque os leitores “de direita” que ganharia seriam insuficientes para compensar os leitores “de esquerda” que perderia.
Talvez um exemplo melhor seja o Jornal de Notícias. Esse jornal é (praticamente) o único que resta no Porto. E sempre teve muita atenção em ter colunas equilibradas, com colunistas de todos os quadrantes, tanto católicos como ateus, tanto comunistas como direitistas… Por que faz o Jornal de Notícias isso? Para ter a certeza de que todos os leitores do Porto, que são poucos, o compram. Se o Jornal de Notícias fosse um jornal tendencioso, perderia leitores e tornar-se-ia inviável.
Comentário por Luís Lavoura — Setembro 23, 2008 @ 13:10
“Engenheiro Belmiro, Engenheeeiiiro Belmiro, aqueles moços querem-me bater!”
Comentário por Laurentino Leandro — Setembro 23, 2008 @ 13:17
O que escreveste foi isto: “Depois, senhores da SONAE, que deixam que o seu dinheiro dê voz a radicais, não se queixem, nos momentos da verdade, que o país está enviesado, entregue à extrema esquerda, e que encontram resistência na mentalidade dos portugueses para promover a mudança.”
Ou seja, tu e não eu referiste os interesses da Sonae e a falta de sentido da Sonae e que aqui referes. Devo recordar-te que o Público nasceu como um projecto jornalístico de esquerda e foi nele que a Sonae investiu. Tudo o que escrevo confirmas aqui.
PS: encontras textos do “calibre” do do Rui em praticamente toda a imprensa europeia.
PS2: a comparação com Espanha faz pouco sentido, por causa da dimensão de mercado. Mas esse é outro tema. Os jornais portugueses têm de abarcar todas as posições para abarcar todo o mercado. Ainda assim, repito, basta dares uma vista de olhos pelos jornais europeus (especialmente os de referência na economia), para perceber que aqui o extremista és tu e o Rui está até no maistream do momento.
Comentário por Daniel Oliveira — Setembro 23, 2008 @ 13:36
errata: “Ou seja, tu e não eu referiste os interesses da Sonae e a falta de sentido da Sonae “patrocinar” os textos do Rui e que aqui repetes”
Desculpem
Comentário por Daniel Oliveira — Setembro 23, 2008 @ 13:38
RAF, quem “policiou”, foi você. O RAF foi fazer queixa ao dono do jornal, nem sequer ao director, avisando-o sobre as consequências terriveis para a sua empresa de aceitar coisas tão vis, e a patrulha veio fazer coro e dizer tudo o que lhe passou pela cabeça: que o texto é abjecto, nojento, vil, etc, etc. E agora vem o RAF mais ou menos dizer que afinal o que disse não tem grande importância e que se limitou a exercer modestamente o seu direito de opinião e que os “outros” estão a “berrar”… Pois.
Comentário por Pedro — Setembro 23, 2008 @ 14:36
Daniel, fico a saber que os jornais europeus que tu lês insultam gratuitamente o Antonio Borges e o Alberto Goncalves comparando-os a seres medievais que acham óptima a peste negra.
Quanto ao que eu digo sobre a SONAE, aqui, ontem e desde longa data e sempre o mesmo. Se a comparacao com Espanha e ou não legítima por causa da dimensão, a mim pouco me interessa. Como leitor, gostava de ter em Portugal uma oferta semelhante. Não sendo possível, aspiro a ela. Agora, por não ser possível isso não significa que tudo o que escreveste sobre a minha opinião, que eu não disse em lado nenhum, seja verdade.
Comentário por RAF — Setembro 23, 2008 @ 14:44
Vamos lá pôr uma questão: imaginemos que o RAF se tornava accionista maioritário da Sonae (deixamos à imaginação de cada um como isso iria acontecer).
O RAF, como accionista maioritário da Sonae, faria algo para que não fossem pulicados artigos de opinião como o do Rui Tavares (“Sonae” e “Rui Tavares” podem ser substituidos por “Jornal de Negócios” e “Baptista Bastos”)?
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 23, 2008 @ 15:10
Eu acho que o insulto do Rui Tavares ao Alberto Gonçalves e António Borges foi tão, mas tão grave, tão ignóbil, tão miserável, que eles o deveriam colocar em tribunal. No mínimo! Eu não admitiria que dissessem de mim que mataria pessoas se estivesse na Idade Média! Acusar alguém de assassino, ainda por cima assassino da Idade Média?… Como é que ele consegue provar que o Alberto Gonçalves e o António Borges seriam assassinos se vivessem na Idade Média? Esse Rui Tavares é um biltre, um extremista, um sacripanta!
Comentário por O Literal — Setembro 23, 2008 @ 15:47
eu gostava era de ler jornais com cronistas de bom senso, sem estas escaramuças dos grupinhos de direita e dos gangues de esquerda.
Comentário por ferro1 — Setembro 23, 2008 @ 16:04
ferro1, queres cronistas a transbordar de bom senso, sem escaramuças e coisas nojentas e torpes e tudo e tudo, como aquele vómito pustulento do (ai que me custa dizer o nome…) do Rui T., tens o Boletim da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas. Mesmo assim, não prometo nada… Olha, o valor mais seguro são mesmo os “jornais que dá gosto ler”, da lista do RAF.
Comentário por O Literal — Setembro 23, 2008 @ 16:17
deixa-me ver se te entendo literal, rui tavares é um “vómito postulento” porque foi ..ofensivo?
sendo assim retiro-me desta questiuncula esquerda/direita porque não gosto de frequentar clubes sado maso.
Comentário por ferro1 — Setembro 23, 2008 @ 16:34
Caro Rodrigo,
Quem nunca desabafou em vão que atire a primeira pedra. Por isso, não concordando com o seu desabafo (a milhas, devo dizer-lhe), não vou por aí. Agora essa ideia peregrina que os bons cronistas não insultam outras pessoas é delirante. Não lhe vou dar a lista toda, desde que há imprensa escrita, mas apenas um exemplo, de um dos ‘ofendidos’ pelo Rui Tavares: já se deu ao trabalho de ler o Alberto Gonçalves? Olhe que ali encontraria exemplos, dada a sua aparente falta de paciência para eufemismos e hipérboles, da tal «desagradável sensação que é pagar do seu bolso uma moedinha para caucionar insultos». Deixe lá os cronistas usarem o vernáculo. Meias palavras é o que não falta neste País.
Comentário por Paulo — Setembro 23, 2008 @ 22:38
Paulo,
O que falta é um debate menos ruidoso, e o que dispenso é mesmo as “figuras de estilo” do Rui Tavares. Outros também baixam o nível? So what? É desculpa?
Comentário por RAF — Setembro 24, 2008 @ 08:23
Opinião distinta é logo considerada “deformação da opinião”. Tão liberal que diz ser. Mas tão fascista que é.
Comentário por Pedro Sá — Setembro 24, 2008 @ 09:40
Rodrigo,
Todo o discurso tem figuras de estilo (lembra-se da frase de Durão: ‘Vocês deixaram o País de tanga’; ou de Braga de Macedo: ‘Portugal é um oásis’). Quando o Rodrigo diz que o texto do Rui é «ruidoso» está a usar uma figura de estilo (a metáfora), porque o texto impresso não provoca ruído. Isso não é baixar o nível, é argumentar. Os argumentos (como a retórica que os carrega) podem ser bons, ou maus. Eu aprecio a retórica de um Reinaldo Azevedo (cronista da Veja) com quem discordo dos argumentos. Mas o debate de ideias é assim mesmo. E, acredite-me, se todos pensássemos da mesma forma, estaríamos a caminho de uma regressão colectiva de QI.
Comentário por Paulo — Setembro 24, 2008 @ 11:34
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