Hoje, no Público, o Rui Tavares, na linha do “humanismo caviar“, vem cantarolar que ele é que se preocupa com “as pessoas”. Por contraposição a uma ”gente capaz de viver na Idade Média” e defender que “a peste negra era uma coisa óptima”.
Esta vertente “humanista” do Rui Tavares e as suas erradas convicções sobre a natureza de quem defende ideias diferentes das suas não me surpreende. O que espantou foi descobrir que, das duas uma: ou o Rui Tavares investiu em produtos da Lehman, da Merryl Linch ou da Goldman, ou está colectado nos EUA, pois só assim pode afirmar, na primeira pessoa do plural:
“Enganados de novo. Andámos todos estes anos a aturar os consultores da Merryl Linch, os gestores da Lehman Brothers, os génios financeiros da Goldman Sachs – para vermos, numa só semana, que nem da casa deles sabem cuidar”.
Rui Tavares veste, também, a fatiota medieval do cavaleiro do Apocalipse, desenhando o seu raciocínio num panorama de despedimentos em massa, perdas de casa, seguros de saúde e pensões de reforma, que não tem aderência em nenhum cenário real. A situação é de crise, mas o catastrofismo em que labora o Rui Tavares é patético.
Espanta-me, mais uma vez, ler tudo isto num jornal supostamente moderado, no Público. Depois, senhores da SONAE, que deixam que o seu dinheiro dê voz a radicais, não se queixem, nos momentos da verdade, que o país está enviesado, entregue à extrema esquerda, e que encontram resistência na mentalidade dos portugueses para promover a mudança.
PS: Aos crentes que acham que as recentes dificuldades nos EUA provam que a Segurança Social é melhor gerida no “público” que “pelos privados”, recomendo um exercício: apliquem as (exigentes) regras de supervisão e solvência à Segurança Social, e depois digam-me se ainda são capazes de saltar de alegria. É que a Lehman e a AIG, num contexto normativo e regulatório semelhante ao que se aplica à nossa Segurança Social, no actual momento, estariam a respirar saúde.
é uma optima altura para privatizar a cdg também!
Comentário por joão tomás — Setembro 22, 2008 @ 14:37
Não percebeu que o Rui Tavares só queria mencionar realmente os “génios financeiros da Goldmann Sachs” para ir alfinetando domésticas ‘nemésis’….
O resto são adereços de prosa, para a coisa não ser demasiado ostensiva…
Comentário por jorg — Setembro 22, 2008 @ 14:38
Lá está: é o monopólio do bom coração por parte daqueles sujas ideias mais pobreza, miséria e sofrimento humano geram.
E o Público continua na linha da frente do patrocínio à propaganda da extrema-esquerda mais anti-capitalista…
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 22, 2008 @ 14:39
O artigo do Rui Tavares de hoje é particularmente mau. E a razão porque é mau tem pouco a ver com “humanismo caviar”.
Comentário por JoaoMiranda — Setembro 22, 2008 @ 15:02
Não entendo o post scriptum. Quer o RAF dizer que o contexto normativo e regulatório da Segurança Social portuguesa é bom? E que esse mesmo contexto normativo e regulatório deveria portanto ser aplicado a quaisquer privados?
Comentário por Luís Lavoura — Setembro 22, 2008 @ 15:15
Caro Luis Lavoura,
“Não entendo o post scriptum. Quer o RAF dizer que o contexto normativo e regulatório da Segurança Social portuguesa é bom? E que esse mesmo contexto normativo e regulatório deveria portanto ser aplicado a quaisquer privados?”
A capacidade que demonstra em concluir exactamente o contrário daquilo que eu quis dizer é extraordinária. Eu gostaria é que a solvabilidade da Segurança Social fosse medida com maior exigência, embora isso fosse desagradável para o gestor público (que teria de declarar falência, e tomar medidas radicais).
Comentário por RAF — Setembro 22, 2008 @ 15:27
“Lá está: é o monopólio do bom coração por parte daqueles sujas ideias mais pobreza, miséria e sofrimento humano geram.”
Que pobreza, miséria e sofrimento humano as ideias do Rui Tavares (já que é dele que se está a falar) geraram?
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 22, 2008 @ 15:40
“Depois, senhores da SONAE, que deixam que o seu dinheiro dê voz a radicais, não se queixem, nos momentos da verdade, que o país está enviesado, entregue à extrema esquerda, e que encontram resistência na mentalidade dos portugueses para promover a mudança.”
Há uma teoria de que os “intelectuais de esquerda” mais não são de que os “idiotas úteis” do grande capital. Talvez seja verdade… (afinal, se eu for um idiota útil, por definição não saberia que o era).
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 22, 2008 @ 15:44
O Rui Tavares é uma besta, mas o cenário só não é catastrófico porque o Estado (o americano, no caso) interveio. De outra forma era 1929 outra vez.
Um bocadinho menos de cabeça na areia não vos fazia mal nenhum. Ponderem, ao menos, se a forma insana como defendem os vossos pontos de vista não será o principal obstáculo a que se possa liberalizar um bocadinho mais o nosso país.
Comentário por José Cidreira — Setembro 22, 2008 @ 15:54
Caro RAF,
Não abstraindo da essência do teu comentário, discordo deste ponto:
«Espanta-me, mais uma vez, ler tudo isto num jornal supostamente moderado, no Público. Depois, senhores da SONAE, que deixam que o seu dinheiro dê voz a radicais, não se queixem, nos momentos da verdade, que o país está enviesado, entregue à extrema esquerda, e que encontram resistência na mentalidade dos portugueses para promover a mudança.»
Em primeiro lugar, ainda bem, para a existência de uma imprensa livre, que os accionistas, ainda que certamente discordando dos cronistas do jornal de que são proprietários, não interferem na sua escolha. Para maus exemplos, basta o sócio único dos meia governamentais.
Em segundo ainda bem que vozes que consideras «extremistas» (não discuto), se podem expressar livre e abertamente, sem necessidade de terem de recorrer a métodos pouco ortodoxos, tão típicos de sociedades não-abertas. Julgo mesmo que é desejável terem voz, por forma a serem confrontados nos seus argumentos, nas suas teorias, e desmascarados, se for o caso. É que fazes aqui, é o que tantos fazemos.
Em terceiro, penso exagerado (ou no mínimo hoje ultrapassado) o poder de conformação que atribuis a quem tenha exposição pública, para criar quaisquer estados de alma conformistas e «resistentes á mudança» de que falas.
Comentário por Gabriel Silva — Setembro 22, 2008 @ 16:02
“Depois, senhores da SONAE, que deixam que o seu dinheiro dê voz a radicais”
como é que democratas peçam à luz do dia censura e o fim da pluralidade está para além da minha compreensão.
Comentário por ferro1 — Setembro 22, 2008 @ 16:04
Caro Gabriel, carro ferro 1,
Numa sociedade livre, nada impede a SONAE de contratar quem quiser. Numa sociedade livre, nada impede que eu diga que a SONAE está a contribuir para dar voz aos que lhes causam as maiores dificuldades. Numa sociedade livre, se a SONAE optasse por ter uma linha editorial distinta, nada impediria que outros capitais lançassem projectos jornalisticos onde o Rui Tavares poderia dizer o que lhe aprouvesse. Espanha é um bom exemplo, onde as linhas editoriais estão mais “arrumadinhas” e há mais coerência de projectos. A mim, o que me custa é ver num jornal supostamente moderado colunas que em Espanha teriam dificuldade em estar no próprio El Pais.
Comentário por RAF — Setembro 22, 2008 @ 16:55
“Numa sociedade livre, se a SONAE optasse por ter uma linha editorial distinta”
Bem, penso que durante muito tempo, a “linha editorial distinta” da Sonae era exactamente essa – um jornal (mais ou menos) de esquerda, não?
Se calhar o director e a Helena Matos é que estão a descaracterizar o produto
(nota: há muito tempo que não leio regularmente o Público – quase só quando meo oferecem na caixa registadora – logo a minha análise da sua lina editorial é de quase 10 anos atrás)
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 22, 2008 @ 17:05
como é evidente, o sentido do meu comentário nada tem a ver com o do ferro1
Comentário por Gabriel Silva — Setembro 22, 2008 @ 17:06
“como é que democratas peçam à luz do dia censura e o fim da pluralidade está para além da minha compreensão.”
Censura só existe no espaço público não no espaço privado. Será que posso mandar um texto para o Jornal Avante publicar?
RAF
A Sonae defende-se arranjando contactos em todos os sectores, são raros os Grupos Económicos que preferem conflitos a pagarem e seguirem em frente,a ideia de dar de comer ao crocodilo esperando que seja o último a comer-nos é a norma.
Comentário por lucklucky — Setembro 22, 2008 @ 17:09
[...] Adão da Fonseca insurge-se contra a minha crónica de hoje no Público, que estará aqui mais tarde. Não o vejo apresentar [...]
Pingback por Menino Pangloss está irritado e exige silêncio at ruitavares.net — Setembro 22, 2008 @ 17:22
Caro Gabriel, caro lucklucky,
Eu apenas gostaria de poder pegar na última página do meu jornal, e não ter de gramar com textos daqueles, em que não há debates de ideias, mas juizos de intenção e ataques pessoais. Nada contra que o Rui Tavare escreva no 24horas, ou noutro sítio qualquer, dos que eu não leio. Gostava que em Portugal houvesse jornais com linhas editoriais mais claras. Longe de mim querer censura para o Rui Tavares, ou estar a empurrá-lo para a “luta armada” ou de “rua”.
Agora, tenho o direito de me indignar, quando o Rui Tavares diz que pessoas que pensam na mesma linha que eu podiamos viver na Idade Média e ver méritos na peste negra. Como se sentiria o Rui Tavares se eu fizesse considerações desta natureza por similitude às ideias que ele defende? É este tipo de pensamento ressabiado, moralista e justicialista que a SONAE está a patrocinar. Façam-no, se quiserem, mas depois não se queixem, como se queixam tantas vezes…
Comentário por RAF — Setembro 22, 2008 @ 17:29
“Gostava que em Portugal houvesse jornais com linhas editoriais mais claras.”
Tempo – falido
Independente – falido (e, enquanto teve leitores, foi mais como anti-cavaquista do que como conservador)
O Dia – falido (várias vezes)
Semanário – zombie
Diário de Lisboa – falido
O Jornal – não sei bem o que lhe aconteceu, mas fechou
O Diário – fechado pelo proprietário
Parece que não há mercado…
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 22, 2008 @ 17:57
Depois do que se leu aqui nesta cx de comentários ficou provado que o RAF cristalizou na Idade Média. Se dúvidas houvesse ficam aqui dissipadas.
Comentário por Solar Moon — Setembro 22, 2008 @ 17:59
[...] Mas que grande umbigo! Arquivado como: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 6:27 pm O umbigo do Rui Tavares anda algo dilatado, pelo que escreve aqui deve estar aí com uns vinte centímetros de diâmetro. Aqui o RAF acha óptimo que o Rui Tavares escreva imenso, mas de preferência em jornais que eu lê, para não ter de pagar pelo que escreve. Agora, take it easy, não é que eu lanço uma farpa aos responsáveis da SONAE, e o Rui Tavares acha que eu estou a falar dele? Espanta-me, mais uma vez, ler tudo isto num jornal supostamente moderado, no Público. Depois, senh… [...]
Pingback por Mas que grande umbigo! « O Insurgente — Setembro 22, 2008 @ 18:28
[...] 22 Setembro 2008 | por João Galamba “Gostava que em Portugal houvesse jornais com linhas editoriais mais claras.” (RAF) [...]
Pingback por cinco dias — Setembro 22, 2008 @ 18:35
“nota: há muito tempo que não leio regularmente o Público – quase só quando meo oferecem na caixa registadora – logo a minha análise da sua lina editorial é de quase 10 anos atrás)”
E não é que hoje ofereceram-me um (como suplemento a 2 quilos de pêssegos)?
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 22, 2008 @ 19:22
As tiradas do RAF são de tal modo extremistas que temo por aquilo que designa por jornal moderado. E tudo indica que moderado, apenas o jornal que ele mesmo moderasse.
Mas corria o risco de ficar com ele, bastando um exemplar.
O apelo à censura diz bem da perversidade mental de quem, perante a diferença, opta por abafar quem lhe seja diferente.
A sugestão é mesmo contrária aos senhores da SONAE, enquanto para eles o Público for um projecto que lhes interesse acautelar. Porque já está suficientemente afunilado pela linha editorial da sua direcção, a começar pelo inefável JMF.
Por isso, ir pelos conselhos de RAF, só mesmo para fechar, como aconteceu a tantos projectos tão do estimado lado direito de RAF.
Aquilo lá pela Lehman, AIG e outros correu mal? Pois é, correu mesmo. Rui Tavares só fala disso porque tal aconteceu. Verdade que ele está a exagerar porque ninguém perdeu o emprego, ninguém perdeu a casa, os contribuintes ficaram mais ricos. Tudo isto é muito exagerado.
E deixo uma dica, para gáudio de RAF: quem inventou o sub-prime foi o Rui Tavares. Isto eu posso garantir.
Comentário por a. moura pinto — Setembro 22, 2008 @ 19:26
Apesar da recessão ser um facto da vida neste momento os cenários catastrofistas tanto provocam cepticismo como estimulam o meu fetish escatológico.
Basicamente adoro filmes de zombies e afins e se o Público decidir que irá publicar crónicas sobre a economia que descrevem um cenário Mad Max já conquistaram um leitor!
Comentário por Nuno — Setembro 22, 2008 @ 19:27
[...] — Rodrigo Adão da Fonseca @ 8:07 pm Hoje, depois de ler o Público ao almoço, escrevi um post onde critico, quer a abordagem do texto do Rui Tavares, quer o facto da SONAE patrocinar a agenda de [...]
Pingback por Esta gente ladra mesmo grosso, chiça! « O Insurgente — Setembro 22, 2008 @ 20:07
Quando o millennium for à vidinha, vamos dizer, Ah, que surpresa … já faltou mais…
Comentário por De Puta Madre — Setembro 22, 2008 @ 20:58
[...] de lado 22 Setembro 2008 | por Rogério da Costa Pereira O Rodrigo Adão da Fonseca e um amigo foram dar um passeio pelo [...]
Pingback por cinco dias » olhar de lado — Setembro 22, 2008 @ 23:44
Oh, o seu dogmazinho de estimação estilhaça-se em milhões de bocados..
Esse tal de capitalismo nunca fo de fiar..
Mas giro giro é a sua falta de respeito e opinião pelos outros.
Não só é um liberalzito mas um anti-democrata..
Há tantos por ai a fingirem serem democratas e respeitadores dos direitos ásicos de civilização..
É apenas mais um..
Comentário por Rui — Setembro 23, 2008 @ 00:14
[...] O ressentimento da extrema-esquerda caviar instalada nos media (2) Arquivado como: Comentário, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 12:58 am Rodrigo, [...]
Pingback por O ressentimento da extrema-esquerda caviar instalada nos media (2) « O Insurgente — Setembro 23, 2008 @ 00:58
O RAF não percebe, e creio que nunca perceberá, o quanto de errado existe em indirectamente incitar um proprietário de um jornal a despedir um colaborador, dizendo que este é contra os interesses do patrão. O RAF, ao contrário do que diz, não se limitou a exercer a sua liberdade de opinião; foi muito para além disso e creio não ter necessidade de explicar isso. E mostra claramente não perceber que na nossa sociedade, os donos dos jornais não se imiscuem na direcção editorial de um jornal, o que é muito estranho da parte dele.
Comentário por Pedro — Setembro 23, 2008 @ 09:41
Só compro o Publico devido às crónicas do Rui Tavares. Se ele deixar de escrever deixo de comprar. A sua teoria está errada dinossauro RAF. Tenha um pouco de calma que só lhe ficará bem.
Comentário por jorge — Setembro 23, 2008 @ 10:18
[...] por jcd em 23 Setembro, 2008 Rodrigo, se a tua reacção ao artigo de Rui Tavares (Público, ontem, 5 Dias, hoje) foi a que foi, o [...]
Pingback por A Imprensa Que Passa ao Lado da Mundo « BLASFÉMIAS — Setembro 23, 2008 @ 12:06
Onde é que estão os argumentos do RAF contra o artigo em questão?
O erro de Rui Tavares é que precisava de possuir produtos da Lehman, da Merryl Linch ou da Goldman, e estar colectado nos EUA para poder denunciar que estes nos andaram a enganar?
Comentário por Ritinha — Setembro 23, 2008 @ 13:02
Parece-me há quem sinta falta do famoso lápis azul!
Comentário por Nuno — Setembro 23, 2008 @ 17:27
[...] quando não distorcer, as suas próprias palavras de várias maneiras diferentes e sucessivas. Que “nada contra que o Rui Tavare escreva no 24horas, ou noutro sítio qualquer, dos que eu não l…. Que afinal a referência sobre mim não era sobre mim e eu até tinha um “grande [...]
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