De todos os argumentos anti-liberais, o mais extraordinário – e nojento, também – é aquele que coloca no socialismo e na social-democracia o monopólio do “humanismo” e das “preocupações com os mais desfavorecidos”. Ser liberal, para o “humanista chic”, é não ter coração, é estar dominado pela “insensibilidade social”, é desconhecer os problemas do portuguesinho. Curiosamente, muitos destes “novos preocupados” são tipos abastados, cuja “preocupação social” se esgota na escrita blogosférica, não fazem a mínima ideia do que é o “país real”. A maioria dos Insurgentes que eu conheço vive mais próximo do país real e das suas dificuldades que todo estes “humanistas caviar”, que agora, em pânico, descobriram a compaixão e a preocupação pelos “coitadinhos”.
Setembro 21, 2008
19 Comentários »
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«A maioria dos Insurgentes que eu conheço vive mais próximo do país real e das suas dificuldades que todo estes “humanistas caviar”»
O RAF conhece (pessoalmente) esses “humanistas caviar”?
Comentário por Miguel Madeira — Setembro 21, 2008 @ 21:30
Caro MM,
“O RAF conhece (pessoalmente) esses “humanistas caviar”?”
Conheço os suficientes para escrever este post; ainda este fim-de-semana, tive que aturar alguns a chatear-me a molécula.
Comentário por RAF — Setembro 21, 2008 @ 22:16
Conheço também alguns humanistas caviar. Têm várias casas e vários carros. Gozam 30 dias de férias fora. Não ajudam nada nem ninguém. Têm raiva a quem acham que tem mais que eles e desprezam os que têm menos. Alguns estão reformados com 49 anos.
Comentário por A. R — Setembro 21, 2008 @ 22:55
Não é que concorde ou discorde mas não faço a mínima ideia de quem ou do que é que está a falar exactamente- só percebi que hoje estava chateado e que tem um blogue.
Comentário por Nuno — Setembro 21, 2008 @ 23:10
“só percebi que hoje estava chateado e que tem um blogue.”
E se não tivesse, o Nuno tinha ficado privado de uma hipótese de comentar.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 21, 2008 @ 23:26
“De todos os argumentos anti-liberais, o mais extraordinário – e nojento, também – é aquele que coloca no socialismo e na social-democracia o monopólio do “humanismo” e das “preocupações com os mais desfavorecidos”. Ser liberal, para o “humanista chic”, é não ter coração, é estar dominado pela “insensibilidade social”, é desconhecer os problemas do portuguesinho.”
Salvo erro, creio que era o Prof. Arroja – noutros tempos – que se referia a esse tipo de argumentação socialista como o “monopólio do bom coração”. É verdadeiramente nojento, mas infelizmente é coisa que nõa falta por aí.
Excelente post.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 21, 2008 @ 23:28
o “monopólio do bom coração”.
Por isso é que todos devíamos ler “O socialismo nunca existiu?” do Carlos Leone. Faz parte do mecanismo que leva a que seja sempre, inevitavelmente, absolutamente sempre, a esquerda socialista a definir as posições, as condições e as regras do confronto político. É como eles querem e não há mais conversa.
Comentário por Helder — Setembro 22, 2008 @ 00:20
Esse post é simplesmente um ad hominem a quem diz aquilo. Se quem diz aquilo está errado, ninguém vai ficar sabendo com seu post, que não presta como transmissor de conhecimento. Teu post é meramente uma tentativa de vencer o debate sem precisar ter razão.
Comentário por Jether — Setembro 22, 2008 @ 03:13
Caro Nuno,
“Não é que concorde ou discorde mas não faço a mínima ideia de quem ou do que é que está a falar exactamente- só percebi que hoje estava chateado e que tem um blogue.”
Tem sorte, se de facto não é melgado por gente que, cheia de blasé e “seis-menos-um-quarto”, destila preocupações humanitárias na defesa do Estado, insinuando, ou afirmando mesmo, que quem defende o liberalismo, só quer “os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres”, é dogmático e “socialmente insensivel”, desconhecendo a realidade dos pobrezinhos.
Comentário por RAF — Setembro 22, 2008 @ 08:57
Não é nojento, é a realidade.
Pode é ser-se contra, e isso é um argumento válido.
Agora dizer-se que o liberalismo tem preocupações sociais só por:
1) brincadeira ou;
2) desconhecimento ou;
3) propaganda.
Ou as três juntas, será o caso?
Volto a dizer, pode ser-se contra e considero uma ideia válida, mas não inventem.
Aliás a maneira como refere “portuguesinhos”…
Comentário por Ze do Pito — Setembro 22, 2008 @ 10:57
Eu conheço também alguns que além de viverem como os ricos mais ricos ao contrarios dos pobres cada vez mais pobres, ainda tem a suprema desdita de promoverem “acções, projectos, iniciativas, concertos e até instituições” que não passam de caridadezinha financiada e paga pelos pobres mais pobres levados pelo “bom coração” desta gente.
E do alto da sua magnanima bondade, investem só ela mesma, “a magnanima”,e nunca a bondade.
Assim tal como lia noutro blogue esta gente pergunta do alto da montanha magnanima, ….”e você? qual é a sua intervençao cívica e social em prol dos mais pobres?”
Comentário por OLP — Setembro 22, 2008 @ 11:19
Caro Zé do Pipo,
Eu acredito que uma sociedade liberal e livre promove – efectivamente – uma diminuição da pobreza. E a história prova que, não havendo sociedades inteiramente liberais, as que seguiram uma tradição liberal apresentam níveis muito interessantes de crescimento.
Comentário por RAF — Setembro 22, 2008 @ 11:29
E, quando falo em crescimento, falo precisamente para as classes médias e mais pobres.
Comentário por RAF — Setembro 22, 2008 @ 11:30
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Pingback por Humanismo Caviar (II) « O Insurgente — Setembro 22, 2008 @ 14:46
Caro RAF:
Esse argumento é algo pobre e típico de quem acha que os “problemas sociais” se resolvem com caridade. Os problemas sociais resolvem.-se, nma perspectiva de alguém de esquerda, com políticas sociais, e é mais ou menos indiferente se eu gasto metade do meu ordenado em caviar, ou o ofereço aos “portuguesinhos”. A caridade não resolve nenhum problema social.
Comentário por jpt — Setembro 22, 2008 @ 18:04
Este argumento faz lembrar a discussão no PREC sobre se os comunistas podiam beber wiskey…
Comentário por jpt — Setembro 22, 2008 @ 18:04
“Tem sorte, se de facto não é melgado por gente que, cheia de blasé e “seis-menos-um-quarto”, destila preocupações humanitárias ”
Mas quem ou o quê e onde?
Assumo que esteja a falar do Bono Vox com o seus peditórios mediáticos e os seus 170 milhões em paraísos fiscais.
É que nunca conheci alguém que fosse mais ou menos consensualmente considerado um humanista e que se gabasse de o ser ou que se apresentasse como tal. É um bocado contraditório praticar actos altruístas e revesti-los de mediatismo e auto-promoção, faz desconfiar.
Fala de alguém em especial??
Comentário por Nuno — Setembro 22, 2008 @ 19:20
O que me preocupa é que RAF – que não sei quem é, mas com quem concordo inteiramente – ou nunca tenha comido ou não goste de caviar.
Humanismo caviar é Picasso e entourage.
O Tavares caviar? Só se for de ovas de caranguejo sul-coreano.
Comentário por Zé — Setembro 23, 2008 @ 19:04
[...] Humanismo caviar. Por Rodrigo Adão da Fonseca. De todos os argumentos anti-liberais, o mais extraordinário – e nojento, também – é aquele que coloca no socialismo e na social-democracia o monopólio do “humanismo” e das “preocupações com os mais desfavorecidos”. [...]
Pingback por O monopólio socialista do “humanismo” | OrdemLivre.org/blog — Junho 23, 2009 @ 19:43