Concordo com o Rodrigo que a falência da AIG seria grave para a economia. Mas bem mais grave, a prazo, é a nacionalização da AIG, como lamentavelmente aconteceu.
À custa das bolhas geradas pelo socialismo monetário (quase impossível de explicar à opinião pública em geral dado o misticismo em que está envolvida a acção dos Bancos Centrais e a iliteracia económica dos media) e dos incentivos perversos gerados pela doutrina too big to fail, a “nova” via para o socialismo – e principal ameaça à liberdade deste início de século – arrisca-se mesmo a ser a nacionalização (directa ou indirecta) do sistema financeiro.
A ileteracia económica é de facto um problema. Mas pelo menos os economistas são uma classe mais informada do que eu (enquanto economista) pensava. Esta sondagem da American Economic Association é clara: http://ovalordasideias.blogspot.com/2008/09/66-dos-economistas-americanos-apoiam.html
Comentário por Carlos Santos — Setembro 17, 2008 @ 14:50
André,
De todas as intervenções, a que me parece menos grave é mesmo a da AIG. Cada caso é um caso, e tem a sua história própria, embora quem leia os blogues em Portugal – ou mesmo os jornais – fique com a ideia que o problema é todo ele o mesmo.
A Freddie e a Fannie são duas aberrações, que financiavam a sua actividade com a emissão de obrigações hipotecárias, e que tinham um privilégio único ao nivel da alavancagem: o crédito concedido por estas duas entidades é 65 vezes superior aos capitais próprios, por não terem de cumprir aquilo que são as regras básicas de prudência, algo de impensável no universo bancário, por exemplo. Tal só foi possivel porque tinham aval do Estado. Não espanta, assim, que tenham conseguido açambarcar 50% do mercado. A intervenção da Reserva é-o em sede própria, ou seja, o Estado americano foi apagar um fogo que ele próprio ajudou a atear.
Os casos do B. Stearns e da M. Lynch estão mal explicados, ainda não se percebeu o que leva a Reserva Federal a caucionar os empréstimos.
A AIG está com uma crise de liquidez, sendo vitima da sua própria dimensão. Ao que parece, o grande problema é que, nesta fase, como ninguém empresta dinheiro a ninguém, as companhias de seguros estão muito vulneráveis. Se o acordo for o que eu li – empréstimo a 2 anos, com o compromisso de venda de determinados activos já definidos – em que a tomada das acções funciona como colateral, e os problemas da AIG forem mesmo de liquidez (o que faz sentido), então esta é, de todas, a intervenção mais aceitável e menos nociva.
Agora, tudo isto tem de ser bem ponderado, a informação não abunda, e tudo está a acontecer ao mesmo tempo. Não é fácil ter posições finais sobre os vários episódios desta novela.
Comentário por RAF — Setembro 17, 2008 @ 14:52
[...] da existência destas duas entidades nem sequer ser justificada (conforme já aqui foi referido no Insurgente), em 2003 a Administração Bush tentou controlá-las um pouco melhor. Os democratas opuseram-se [...]
Pingback por Curiosidades « O Insurgente — Setembro 17, 2008 @ 18:05
“Agora, tudo isto tem de ser bem ponderado, a informação não abunda, e tudo está a acontecer ao mesmo tempo. Não é fácil ter posições finais sobre os vários episódios desta novela.”
Certo Rodrigo. Sabes certamente bastante mais do que eu sobre as circunstâncias específicas desta situação e admito que possa haver razões para considerar este caso de forma diferente, mas a verdade é que o panorama intervencionista não me parece nada animador…
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 17, 2008 @ 20:42
http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/7622318.stm
http://www.bbc.co.uk/blogs/newsnight/paulmason/2008/09/where_next_for_aig_who_is_john.html
Evidente que as notícias contam parte da estória, mas não a contam toda. Os governos mostram alguma acção, mas a justificação é sempre limitada. As instituições financeiras tentam fazer-nos crer que isto é crise de pouca dura e que os hedge funds e os CDSs vão curar a crise do subprime em poucos meses.
Evidente que não!
A espiral continua descendente e estas estratégias são apenas um atirar de areia para os olhos. O maior problema é mesmo a menor vontade dos grandes investidores se chegarem à frente para financiar uma instituição que falhou de forma catastrófica e deixou de inspirar confiança.
Comentário por Pai Natal — Setembro 18, 2008 @ 13:14